Tudo o que eu quero é .... PAZ
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que se divirtam.
Boa leitura e um Feliz Natal!
Olhei para a sala, não faltava nada, eu acho. A série estava devidamente carregada – depois de mais de uma hora para decidir o que eu iria ver — , minha garrafa de vinho na mesinha de centro junto com a taça, cobertor, petiscos. Sim, tudo estava no lugar. Meu final de semana de paz e tranquilidade começava... agora.
Dei o play e deixei que a série começasse. Finalmente estava podendo “maratonar” Sherlock. Consegui evitar que Penelope me contasse o que acontecia. Evitei que Jack me dissesse quais eram os melhores episódios e consegui fazer Elena desistir de assistir à série sozinha, dependendo do que eu visse, eu a permitiria assistir.
Assim, me acomodei no sofá, Aaron não chegaria tão cedo, reuniões para determinar quanto dinheiro cada agência iria receber de fundos demoravam mesmo, e me permiti me perder na história.
Assisti à primeira temporada sem parar. Tinha adorado. Agradeci aos céus por não ter que esperar o hiatus terminar, ouvi JJ reclamar outro dia que eram intermináveis, respirei fundo e parti para a segunda temporada, curiosa para saber como Sherlock e Watson iriam sair daquela enrascada.
O episódio estava no meio, bem na hora em que Sherlock começava a decifrar Irene Adler, quando Aaron chegou.
Sem tirar os olhos da tela o cumprimentei com um beijo, ele começou a falar como essas reuniões estavam virando um cabo de guerra com os outros diretores, mas eu decidi deliberadamente ignorá-lo, o episódio estava muito bom!
Depois de uns cinco minutos ele se sentou do meu lado, pegou a minha taça de vinho e olhou para TV. Como bom perfilador, eu tinha certeza de que ele iria perceber o meu interesse no que estava passando. Estava errada.
— Sherlock? – Ele perguntou.
— Hum.. hum. – Balancei a cabeça, mas não virei para ele.
— Elena estava querendo ver essa série. – Aaron continuou. – Falando na espoleta, onde ela está?
— Na casa da Lizzy. Festa do pijama. – Aumentei o som da TV para que ele percebesse que estava me atrapalhando.
— Jack? – O bom senso que ele sempre teve não estava funcionando hoje, ou talvez já tenha sido gasto na tal reunião.
— Saiu com a namorada. Está aproveitando os últimos dias antes da faculdade.
Com isso, Aaron pareceu satisfeito, se acomodou melhor no sofá e começou a assistir propriamente ao seriado.
Ficamos em silêncio pelo restante de “Um Escândalo em Belgravia”, e, sem direito à intervalo, comecei “O Cão dos Baskerville”. Antes mesmo que a abertura começasse, estava escorada no ombro de Aaron. Depois de muito tempo tínhamos a casa só para nós dois.
Estava tão distraída com a linha de raciocínio do capítulo e com a aura de sobrenatural, que quando Hotch falou, eu quase morri de susto.
— Ainda não consigo acreditar que ninguém tenha pensado que poderia ser veneno.
— Como é? – Desencostei de seu ombro e o olhei espantada.
— Em, a névoa, é uma toxina.
— Será que você pode não dar spoilers da série? – Falei irritada.
— Tudo bem, mas achei que você já tinha deduzido isso. Afinal, você trabalha com isso.
— Eu não estou deduzindo nada, Aaron. Estou somente assistindo uma série, não estou trabalhando. – Sibilei para ele e me voltei para a cena em questão, Sherlock, John e Henry estavam na dita clareira e um cachorro demoníaco aparecia. Depois do tremendo spoiler, tinha até perdido a graça. Suspirei frustrada. Justo nesta história que é uma das minhas favoritas.
Estava novamente concentrada no enredo, quando Aaron tornou a comentar.
— Era mais do que óbvio que esse cientista estava envolvido. Tentou ajudar de todas as formas....
Tampei a boca dele com a minha mão.
— Fica quieto!! Eu não sabia. Eu só quero ver o episódio. Pode ser?
Aaron me olhou atravessado e eu me afastei dele, levando o cobertor e a taça de vinho.
Foi só quando o episódio acabou que me dei conta de uma coisa:
— Quando foi que você assistiu a essa série, para saber tanto? – Olhei para ele antes de dar a play para começar o terceiro e último episódio da temporada.
— Naquela viagem à Londres. Voo longo, sem nada para fazer. – Ele me respondeu sincero.
— Tudo bem, se já viu, fique calado, eu ainda não vi e, o mais importante, eu não gosto de spoilers! – Frisei a última frase para ver se agora ele ficava calado.
— Com uma condição. – Ele falou de volta.
— Que é? – Eu me arrependi de perguntar assim que fechei a boca.
Aaron só me puxou para o lado dele e tornou a me abraçar.
— Essa condição, eu posso aceitar. – Dei um beijo no ombro dele e apertei o play.
Moriarty encheu a tela. Esse era o tal episódio que PG tinha dito que adorava.
O nome do episódio em si, para quem conhece os contos, já era um spoiler e tanto. “A Queda de Reichenbach”. Nunca gostei de ler que Sherlock morria, e assistir a como eles poderiam fazer isso já estava me deixando ansiosa. Comecei a roer a unha.
— Pode parar. – Aaron segurou a minha mão.
— Me deixe sofrer por antecipação, por favor. – Xinguei, mas ele não soltou a minha mão.
Mais alguns minutos se passaram, Sherlock tinha acabado de descobrir que Moriarty estava por trás de tudo, mas aquela jornalista chata pra caramba estava acobertando o vilão.
— Agora vem uma das partes mais interessantes. Os dois vão se encontrar no telhado do hospital onde a Molly trabalha. – Aaron voltou a falar e eu dei uma cotovelada nele.
Foi dito e feito, alguns minutos depois, lá estavam os dois.
Eu estava vidrada na cena. Mal respirava, Sherlock tinha que se salvar, salvar a vida do John, do Lestrade e da Sra. Hudson, além de dar um jeito no Moriarty.
— O Moriarty vai se matar, um tiro na cabeça.
— Eu mandei você ficar quieto! Para de me contar o que vai acontecer. – Eu fiquei furiosa!! Que estraga prazeres!
— Você já sabe. Ele pula. – Aaron disse como se aquilo fosse a coisa mais normal.
Eu o encarei. Minha pior olhada.
— Não é obvio? Olha o nome do episódio! – Ele se defendeu.
Fui para o outro lado do sofá de novo, no momento em que Sherlock dizia estar do lado dos anjos, mas que não era um deles.
Gostei da frase. Achei que ele iria se salvar, mas o que Aaron tinha dito acabou por acontecer.
E a graça da season finale foi para o saco.
Sherlock se joga e acaba morto. No último frame, ele aparece vivo.
— Mas como ele!? – Eu fiquei muito curiosa sobre como ele se salvara. Afinal, ele tinha pulado. Tinha pulado mesmo.
Aaron ia abrir a boca para me contar a peripécia de como Sherlock tinha sobrevivido, quando arremessei uma almofada nele.
— CALADO!!! Você já estragou a surpresa do final. Não estrague o gancho que deixaram.
— Você vai assistir a mais episódios? – Ele perguntou enquanto desviava da almofada.
— É lógico. Episódios em sequência. É por isso que se chama maratona! – Falei como se fosse óbvio até para uma criança.
— Cada episódio tem noventa minutos. Já é meia noite! – Ele reclamou.
— Eu não tenho nada para fazer. Se você quiser, pode ir dormir. – Disse e me ajeitei para a terceira temporada.
— Assista a terceira e quarta amanhã. – Ele propôs.
— Amanhã Jack e Elena estarão em casa. Vou virar a noite e aproveitar o sossego. – Dei o play.
Aaron que estava de pé, voltou para o sofá e se sentou do meu lado.
Cada uma das teorias dos fãs de Sherlock eram passadas na tela, e a cada uma eu me perguntava qual era a verdadeira.
— Ele teve ajuda da Molly. Ninguém lembrou dela. Afinal, ele a trata tão mal... – Aaron disse.
— Eu falei para ficar calado!
— Eu só estou respondendo à sua pergunta.
— Eu não abri a boca.
— Mas é o que você quer saber. – Ele disse presunçoso.
Às vezes eu o odeio. Tudo bem, ele não tinha dito como foi feito, só que Sherlock teve ajuda, então deixei para lá.
Poucos segundos depois...
— A Mary aparece nesse episódio. E morre na quarta temporada, depois de ter uma filha com o John. Aliás, ela não era a pessoa que dizia ser. – Ele não satisfeito de me contar o que acontece na terceira, já adiantou a quarta também.
E pelo resto do episódio, ele falava ocasionalmente aqui e ali. Resolvi ignorá-lo. Eu queria ver o que acontecia por mim, não pelos olhos dele. Assim, “O Caixão Vazio” acabou. E eu, antes que Aaron falasse alguma coisa, dei play em “O Signo dos Quatro”
Estava adorando ver um Sherlock bêbado e todo atrapalhado, quando Jack chegou. Já era quase duas e meia da manhã.
— Sherlock? – Ele disse feliz.
— Isso lá são horas, Jack? – Aaron ralhou com o filho.
Jack, ao invés de inventar uma desculpa, apenas deu de ombros e prometeu ficar de olho na hora na próxima vez.
— Mas, então, é Sherlock, né? – O garoto tornou a perguntar.
— Sim.- Respondi.
— Achei que a Elena queria assistir a essa série... – Ele falou enquanto se ajeitava na poltrona.
— Ela não está aqui. – Foi a resposta de Aaron.
— Se estivesse, aposto que estaria falando pelos cotovelos. “No livro não é assim. É daquele jeito”. “Isso não tem no cânon...” E toda aquela baboseira que ela adora falar. – Jack imitava a irmã.
Aaron começou a rir.
— Você esqueceu do famigerado, “Fique longe da minha pipoca, seu energúmeno” – Ele imitou a filha falando.
Jack riu e continuou:
— Ela não deveria ter assistido a nenhum filme da Marvel!!
Revirei meus olhos.
— Vocês dois estão falando mais do que a Elena. Fiquem quietos, eu quero ouvir o discurso do Sherlock no casamento do John!
— Discurso, pai! – Jack olhou para o pai com uma cara debochada.
— Fica quieto! Já basta o seu pai com os spoilers!
Jack se ajeitou e prestou atenção no que se passava na tela.
— É agora que ele tem uma epifania e se imagina no meio de um tribunal. Acho que ele tava muito louco nesse casamento! – Jack não se conteve.
Agora eram dois para me contar os spoilers.
— Mal sabe o John que o Comandante dele que é a vítima! Mas o melhor é quando o Sherlock diz para a Mary que ela está grávida! – Aaron continuou conversando com o filho.
Eu parei a cena. Olhei para os dois e os mandei dormir.
— Eu não estou com sono. Quero ver o próximo episódio. Eu gosto de como eles trazem o Moriarty de volta! – Jack me garantiu.
— E tem toda aquela dica com O Vento Leste. É interessante. – Aaron completou.
Cansada de receber tanto spoiler, deixei os dois na sala e fui me preparar para dormir. Eles que se virassem.
— Mãe?! Mãe! A senhora não vai mais assistir? – Jack me chamava.
—Achei que você iria maratonar até o amanhecer, Em. Ainda tem quatro episódios e o especial.
— O Especial é legal! A Noiva Abominável. Todo o complô das mulheres e como elas estão por trás de tudo, mas, como era 1800 e lá vai teia de aranha, ninguém se importava. Você deveria assistir mãe.
Não acreditei no que ouvia. Aqueles dois tinham me contado tudo, pelo menos tinha salvado a quarta temporada. Ou um pedaço dela, já que Aaron já tinha contado o final da Mary.
Eu teria que esperar até um dia em que nenhum dos dois estivessem em casa, para poder assistir em paz.
Deixei os dois na sala e fui dormir, com pouco, Aaron entra no quarto, e pouco antes de dormir.
— A quarta temporada é interessante.
— Não quero saber!! Já disse! Você e Jack já estragaram a surpresa do final.
— Tudo bem.
— Ótimo. Boa noite! – Me virei para o outro lado e tentei dormir,
— Sherlock e Mycroft têm uma irmã e ela armou tudo o que aconteceu entre ele e Moriarty. – Foram as últimas palavras de Aaron antes de eu deixa-lo dormir sozinho do nosso quarto e passar para o quarto de Elena.
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Eu sei, deveria ter aprendido com o desastre dessa noite. Mas quer saber. Eu estava realmente curiosa com muita coisa a respeito da série, então, como não tinha conseguido dormir, peguei o computar da Elena e passei a assistir a série ali. O dia já estava amanhecendo e, por mais que eu tenha dito para Elena estar em casa para o almoço, eu ainda tinha tempo.
Assisti ao final do casamento, Sherlock andando sozinho me cortou o coração. A season finale foi ótima, e, por mais que eu já soubesse que Moriarty voltava, eu não esperava que Sherlock pudesse fazer o que ele fez pela Mary. Ele realmente levou o seu último voto até as últimas consequências.
Comecei a ver “A Noiva Abominável”, contudo não me lembro se terminei.... quando dei por mim:
— Mamãe... – uma voz me chamava.
— Mãe?! – A mesma voz repetia.
— Mamãe... por que a senhora dormiu no meu quarto?
Abri os olhos para dar de cara com os olhos curiosos de Elena me fitando. Ela tinha o notebook na mão e olhava para a tela com um sorriso no rosto.
— Estava maratonando Sherlock? E aí, gostou?
— Sim, estava.
— E dormiu no meio do episódio? – O sorriso sapeca dela era ainda maior.
Notei que ela tinha olheiras debaixo dos olhos.
— A festa do pijama foi boa. Ficou acordada até tarde...
Ela me empurrou para o canto da cama e se deitou do meu lado.
— Na verdade, eu não dormi. Nós fizemos maratona de série também! Fomos dormir o dia já tinha amanhecido! – Ela disse abrindo um enorme bocejo. – Desculpe.
— E a mãe da Lizzy deixou? – perguntei espantada.
— Ela nunca tinha visto a série.
— E qual série era?
— Sherlock! – Ela disse. — E a senhora, gostou?
— Ainda não terminei. – Falei para ela.
— Bem... eu não me importo de rever a temporada final... mas posso dormir primeiro? – Ela perguntou se ajeitando no meu colo.
— Bem... acho que podemos cochilar. E eu espero que seu pai não esteja por perto, ele é aquele tipo chato que dá spoilers.
— Eu odeio gente assim! Se o papai começar a falar muito, a gente prende ele no banheiro!
— Tá aí uma ótima ideia. Mas eu ainda não acredito que sou a única da família que ainda não viu essa série.
Elena deu uma gargalhada.
— Isso acaba hoje!
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No final da tarde, finalmente consegui um tempo para terminar a bendita da série. Elena se sentou do meu lado, um enorme copo de refrigerante e uma bacia ainda maior de pipoca e diferente do pai e do irmão, estava quietinha, mesmo que já tivesse visto o que iria acontecer.
Não demorou, e Jack chegou. Depois de roubar o refrigerante da irmã e uma boa quantidade de pipoca, se sentou atravessado na poltrona e começou a assistir. Quando ele foi abrir a boca para falar o que acontecia.
— Calado! A mamãe ainda não viu e spoiler é um saco. – Elena me defendeu.
— Com coisa que você já viu.
— Já. Eu sei o que acontece, mas vou deixar a mamãe ter a surpresa.
Jack pareceu se conformar e ficou assistindo com cara feia.
Aaron ainda não tinha dado as caras na sala. Todavia isso não demoraria a acontecer, já que o restante da família estava ali.
E foi dito e feito, com menos de quinze minutos para o final do primeiro episódio da quarta temporada, ele apareceu.
Olhou para cada um de nós, para a TV e resolveu se sentar entre Elena e eu.
Elena não gostou de ser incomodada e olhou com cara feia para o pai, que só soube começar a comer a pipoca.
— Esse é o único momento em que se pode rir nesta temporada. Por que o resto... – Aaron começou.
— É pesado. – Jack que já não aguentava mais ficar calado, deu razão ao pai.
— Vamos parando?! – Elena xingou.
— Você não tem nem tamanho para reclamar, Elena. – Jack cutucou a irmã.
— A mamãe quer ver a série, fica quieto!
Porém, ficar quieto foi o que não aconteceu. E depois de um spoiler um tanto quanto importante que Aaron soltou e Jack completou. Elena me olhou zangada e eu entendi o que ela queria.
Pausei o episódio, e nós duas nos levantamos. Lógico que os dois chatos nos seguiriam para falarem mais um pouco nas nossas cabeças.
Fomos para meu escritório e quando os dois entraram e se jogaram no sofá, Elena foi a primeira a sair, eu saí logo em seguida e antes que eles percebessem o que estava acontecendo, trancamos os dois lá dentro. Meu escritório era a prova de som, eles poderiam gritar e xingar e contar todos os spoilers pelas próximas quatro horas que não iriam nos perturbar.
Assim, Elena se deitou no sofá com a cabeça apoiada na minha perna e eu dei play. Ela acabou dormindo antes que a série terminasse – o que foi bom, porque eu chorei no final – e quando acordou, perguntou se eu tinha gostado.
— Eu gostei, essa série só tem um defeito! – Falei para ela enquanto ia libertar os dois inimigos de qualquer maratonista de série.
— Sério mãe? A senhora achou um defeito em Sherlock? – Ela estava parada do meu lado.
— É curta demais. Deveria ter tido mais temporadas.
— É, nisso eu concordo com a senhora. Deveria ter tido mais episódios mesmo!
Quando abri a porta para libertar o pai e filho, dei de cara com os dois dormindo um sono solto.
Elena, bagunceira como só ela é, apenas me disse.
— Acho que eu tenho aquela buzina de ar lá em cima, se a senhora quiser se vingar....
— Vai lá e pegue. Agora é a minha vez de atrapalhar!
Notas finais
Para quem não entendeu a Elena, tem três outras histórias no universo dela na minha página. Quem quiser ler, seja bem-vindo!
Muito obrigada a quem leu!!
E até a próxima ideia louca!!
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