Tudo o que está em jogo
1 Prólogo
“Eu te amo. Por favor, seja minha namorada.”
O garoto dá um sorriso enquanto sustenta um olhar fixo e cheio de afeto enquanto pétalas de cerejeira dançam ao vento e uma leve melodia de piano toca ao fundo.
“Good ending” pode ser lido na tela, e então os créditos do jogo sobem.
— Ahhhh, essa foi difícil! Mas o Miketsukami-kun é tão lindo! — a Toru comemora, chacoalhando o console do videogame empolgadamente.
— É, acho que a rota dele é a mais difícil, por isso que recomendam pra sempre jogar por último, esses bonitões sádicos de coração de pedra não se entregam tão fácil ao amor. — a Mina analisa de maneira dramática — Quer jogar, Kyoka-chan?
— Nah, dispenso. Já vi vocês jogando e não tem graça, é tudo igual.
— Você tá dizendo que a rota do Suwa foi igual à rota do Miketsukami? Eles são COMPLETAMENTE diferentes! — a Mina parece indignada,
— São mesmo! O Suwa é um menino doce e inocente guardando sentimentos intensos, já o Miketsukami é um rapaz frio e calculista… hã… guardando sentimentos intensos também, MAS É BEM DIFERENTE! — e a Toru reforça.
— Tá bom, tá bom, que seja… não quero jogar.
— Ah, por favor, joguem! Só falta fazer os finais ruins agora! Yaomomo?
— Tenho a impressão que o objetivo desses chamados “otome games” é obter um final feliz por meio da conquista romântica de rapazes que representam diferentes arquétipos da masculinidade, não? Não vejo o apelo de me aventurar por finais onde os personagens não conquistam seus objetivos.
— Mas… mas… as imagens dos finais tristes são bonitas… — a Hagakure contra-argumenta como se fosse o melhor ponto em que conseguiu pensar — Fora que é muito mais tranquilo dar as respostas erradas de propósito agora que a gente sabe quais são as certas.
— Vocês não sabiam antes? Me parece meio óbvio, ribbit. — a Tsu observa — Você tem que ser sempre gentil com o Suwa, elogiar e flertar com o Arataka, dar apoio emocional para a Shizuku, fazer piadas e ouvir os problemas do Daisuke e ter paciência com o Miketsukami.
— Uaaaaau, Tsu-chan! Você é uma mestra nisso! — a Mina e a Toru exclamam em uníssono.
— É só muito previsível, ribbit. Você não acha, Ochako-chan?
— A-ah, eu… bom, tem umas opções que são meio óbvias mesmo, mas… não sei, acho tudo meio esquisito.
Porque Ochako não entendeu absolutamente nada do que estava acontecendo. A Mina e a Toru pausavam e salvavam o jogo diversas vezes, comentavam sobre tomar cuidado com a combinação de respostas que poderiam desbloquear um final alternativo, e… nada fazia sentido. Quando elas disseram que a noite das meninas seria para jogar videogame, e mostraram a capa desse jogo em específico, com rapazes trajando ternos e segurando armas, ela achou que seria um jogo de ação ou algo do tipo, qual não foi a surpresa ao ver que se tratava de um “dating sim”? Ela nem sabia que as meninas gostavam disso, ainda mais um que os rapazes são todos membros da Yakuza.
Quem em sã consciência gostaria de namorar um mafioso?
— Bom, então acho que você não vai querer jogar os finais ruins também…
— Não, os finais ruins desse jogo devem ser bem… ruins. — Ochako coça a cabeça, envergonhada.
— Ah, então seu problema é com esse jogo? A gente tem outros, né, Mina?
— Uhum! Tem… — ela começa a vasculhar por entre as capas dos jogos — Tem esse! Acreditam que tava abandonado numa prateleira e custava metade de todos os outros?
— Sim, eu acredito. — a Kyoka diz sarcasticamente — “Pretty Guys Gakuen”?
— O nome já está errado, o mais correto para se referir a um homem bonito em inglês seria “handsome”. “Pretty” é tradicionalmente dirigido a mulheres. — a Yaomomo explica em tom professoral.
— Ah, vocês vão gostar! Esse é de romance escolar, então é mais bobinho! Quer tentar, Ochako?
— Não, não… joguem vocês, que parecem gostar e entender mais.
— Não é tão difícil assim! Bom, eu nunca joguei esse e não achei nenhuma resenha na internet ou guia pra dar as melhores respostas, mas deve ser todo no mesmo esquema. — a Toru explica — E os meninos são fofos, olha! Esse aqui de cabelo branco lembra o Todoroki-kun, não acha?
— B-bom, eu… — realmente lembra um pouco
— Será que você não está interessada em romances com rapazes 2D porque já está vivendo o seu próprio na vida real? — a Mina ergue uma sobrancelha e sorri maliciosamente.
— Oh, verdade! — a Toru se recorda exatamente do que Ochako queria que nenhuma delas se lembrasse.
Foi durante o almoço na semana passada, um dos primeiranistas se aproximou da mesa dela e pediu para conversar a sós por um minuto, a manipuladora de gravidade concordou, ficando completamente sem reação ao receber uma confissão tão repentina. O kohai é um garoto gentil que não exigiu nenhuma resposta, apenas queria que ela soubesse como ele se sente.
Ochako voltou para a mesa e, diante dos olhares discretamente curiosos do Iida, do Deku e da Tsu, informou de maneira meio atônita “Acabei de receber uma confissão”. A história se espalhou, e logo a Mina estava sabendo, o que significa que todo mundo ficou sabendo.
— Ah, você já respondeu à confissão? — a Kyoka pergunta em seu costumeiro tom de “não ligo, mas se eu ligasse…”
— N-não, ainda não. — ela admite, envergonhada.
— Bom, é uma decisão importante. Se ele te deixou livre pra pensar, acho que é o que você tem que fazer mesmo. — a Mina avalia — E até lá, que tal treinar com um rapaz 2D? — e estende o console em sua direção.
— E TEMPO ESGOTADO, MOÇADA! — todas as garotas se surpreendem com a voz masculina que enche o local. O Kaminari está parado, próximo à cozinha, com os braços cruzados. Os outros meninos estão ali também, apenas esperando para que elas cedam o espaço na sala de estar para jogarem videogame depois do tempo delas ter terminado, tudo previamente acordado diante do professor Aizawa, que não aguentava mais reclamações sobre monopolização da TV — Agora é a nossa vez, vocês já jogaram esses jogos de mulherzinha por muito tempo!
— Se você queria jogar também, era só falar. — a Kyoka ergue uma sobrancelha e sorri debochadamente, fazendo o loiro corar.
— Ora, Kyoka-chan, o Kaminari-kun nunca jogaria esse joguinho. — a Mina lhe adverte dramaticamente — Ele prefere dating sim com meninas. — e dá uma risadinha maliciosa.
— Q-quê? Eu não…
— É você sim, cara! Sempre tem um joguinho de dating sim carregado quando a gente vai tirar de manhã. — o Kirishima ri e põe uma mão no ombro do loiro.
— A gente não te julga, muito pelo contrário, que bacana que você tá treinando pra quando arrumar uma namorada. — o Sero imita o gesto do ruivo.
— M-mas não sou eu que jogo essas coisas, ô! Quer dizer, não mais... — os outros garotos se unem em um coro de “hummmmmmmm”, deixando o Kaminari ainda mais envergonhado, até que ele desiste de protestar quando os garotos começam a se aproximar do sofá, o que faz com que as meninas relutantemente se levantem para deixar a sala de estar.
— Está tudo bem, Ochako-chan? — ela tinha certeza que a Tsu checaria assim que tivesse a chance, afinal, a amiga sabe o quanto esse assunto lhe deixou perdida.
— Tá sim, Tsu-chan. Obrigada. — mas como Ochako não sabe porque esse assunto lhe deixa tão perdida, ela não quer incomodar a amiga.
Porque não deveria ser algo que a faça pensar tanto: a manipuladora de gravidade não quer namorar agora. Sua prioridade é o curso de herói, assim como era no primeiro ano.
Muita coisa mudou de lá pra cá: Ochako se apaixonou pelo Deku, desapaixonou-se quando entendeu que o melhor amigo é tão obstinado em seguir seus sonhos quanto ela, e que eles seriam muito melhores se apoiando em seus objetivos como amigos do que como qualquer coisa além disso, teve seu primeiro beijo com o Todoroki, em uma brincadeira de jogo da garrafa e, mesmo com tudo isso, mesmo com tanta coisa mudando, ela segue firme na ideia de que não quer nem deveria namorar por enquanto.
Então a resposta para o gentil e até bonitinho primeiranista é um óbvio “não”, não deveria ser um problema apenas ser honesta, e o rapaz provavelmente irá entender. Mas ainda assim… Ochako fica com aquela sensação de “E se…?” voltando constantemente. E se ela aceitasse a confissão? E se retirasse essa auto-imposição de que não dá pra namorar enquanto estiver na U.A.? E se ela fosse perfeitamente capaz de conciliar um relacionamento e os estudos? E se desse uma chance para o garoto e aprendesse a se apaixonar por ele no processo? E se ela nunca se apaixonar? E se seus pais acharem que Ochako canalizou toda sua energia em ser uma heroína e ficassem tristes por ela ter sacrificado romances nesse processo? E se ela terminar sozinha? E se ela achar que não tem problema nenhum em ficar sozinha pelo resto da vida?
São perguntas bobas cujas respostas a jovem sabe que não precisa possuir exatamente agora, e ainda assim, aqui está ela, ansiosa e preocupada de modo que sua barriga até dói, e tem sido difícil dormir.
Muito difícil! Ochako acha que é tudo agravado pelo estresse acumulado devido a provas e estágios, e tem certeza que estaria lidando com isso mais tranquilamente se não estivesse tão sobrecarregada, mas saber disso não a faz pegar no sono mais fácil, muito pelo contrário. E depois de revirar na cama diversas vezes, ela aceita que não vai conseguir dormir, e decide descer até a área de convivência pra matar o tempo.
Sentando-se no sofá enquanto observa os dedos dos pés balançarem como se tivesse acabado de descobrir que é capaz de fazer isso, Ochako suspira e liga a TV, mantendo o volume bem baixo. Nada de interessante passando, claro.
Então ela vê a pilha de capas de jogos que fica jogada na estante, pegando alguns títulos pra ver se tem algo que daria pra jogar sozinha e deixaria seu cérebro em estado de cansaço. A maioria é a que os meninos costumam jogar, quase todos são mais legais para dois jogadores, até que ela se depara com “Pretty Guys Gakuen” e dá uma risadinha.
Olhando para os lados, ela dá de ombros e coloca o disco no aparelho de video game, isso vai ser tão bobo que logo Ochako estará querendo ir dormir. Ou… pode acabar sendo interessante e ela acabe achando as respostas que precisa de uma maneira bem forçada, nunca se sabe.
É, com certeza é bobo. E dá pra ter certeza assim que ela inicia o jogo, e uma garota com uniforme escolar de marinheiro e cabelos cor-de-rosa apresenta um tutorial de como jogar.
Não que fosse necessário, como as meninas disseram, é basicamente igual a todos os outros: cinco garotos namoráveis, escolha a resposta que fará o medidor de amor localizado à direita da tela aumentar, salve seu progresso para não ter que ficar repetindo algumas cenas e se prepare para receber uma imagem especial sempre que algum evento importante no jogo acontecer. A garota do tutorial, que provavelmente por falta de criatividade do criador do roteiro, chama-se “Otoge Sakura”, diz que está disponível para sanar qualquer dúvida, e deseja boa sorte na busca por um romance escolar inesquecível.
O jogo começa pra valer, Ochako até solta algumas risadinhas com o quanto a personagem principal é… bom… meio boba. Ela sai correndo de casa com uma torrada na boca pois está atrasada para a aula enquanto choraminga por ter ficado até tarde estudando — tudo bem que a manipuladora de gravidade também já fez isso, mas não a ponto de sair comendo no meio do caminho.
A protagonista entra na escola, uma barra de texto na parte inferior da tela narra que o primeiro sinal pode ser ouvido, o que a faz correr mais rápido e subir as escadas com pressa… até que ela começa a ouvir passos atrás de si.
Então a tela fica preta. Ao se virar para olhar, a personagem não vê ninguém, até que vê um vulto vindo em sua direção nas escadas que dão para o corredor das salas de aula, até que tropeça em um dos degraus e bate a cabeça, o que dá a entender que ela desmaiou. E agora Ochako não consegue nem piscar enquanto aperta o botão de “Avançar” para saber o que acontece.
— Que porra você tá fazendo?
Ela pula de susto ao ouvir uma voz rascante e baixa bem próxima de sua cabeça. A garota ergue uma mão com os cinco dedos esticados, pronta para fazer flutuar quem quer que a tenha surpreendido, mas é detida pela palma de uma mão um tanto quente e, ao se virar, dá de cara com olhos vermelhos e cabelos cor de areia.
— Bakugou-kun, é você! Que susto!
— Quem você achou que fosse, Cara de Lua? — ele a solta bruscamente.
— Não sei, ué. Vai falar que você não ia se assustar com alguém chegando de fininho atrás de você?
— Vai se foder! Eu não me assusto com porra nenhuma! — ele cruza os braços — Fora que eu nem cheguei “de fininho”, você que não tava prestando atenção olhando pra TV com essa cara de tonta! Que porra é essa que você tá jogando?
E então vem a vergonha. Ela sentiria se fosse qualquer um, mas algo no olhar feroz do Bakugou lhe deixa ainda mais sem-graça com o conteúdo do jogo.
— Ah, é só… um jogo bobinho pra matar o tempo, eu não tô com muito sono… e você?
— Eu o quê?
— Tá sem sono também?
— Tsk. — ele não diz “sim” nem “não”, mas dividindo um dormitório com seus colegas há dois anos, os hábitos deles se tornam conhecidos. O do Bakugou, em específico, é estar na cama religiosamente às 9 da noite. Então se ele tá aqui agora nesse horário, é porque acabou de acordar ou não foi dormir, ela chutaria que é a segunda opção — Vou jogar agora, mete o pé.
— Quê?
— É minha vez de jogar agora. Vaza, Cara de Lua.
— Não. — ela responde automaticamente.
— “Não” o quê, caralho?
— Não vou sair. Eu tô jogando. — ela aponta pra tela na esperança de que a prova visual vai fazê-lo perceber sua própria babaquice.
— Foda-se. — e… ele não percebe, dando de ombros — Você falou que é um jogo “bobinho”, então vaza que eu preciso jogar.
— Não, mas eu… — ela não quer assumir que estava ficando interessada no jogo bobinho — Eu não terminei, Bakugou-kun.
— Tô nem aí, essa é a única hora que eu tenho paz pra jogar sem um bando de idiota enchendo o saco.
— Mas eu tava aqui primeiro! E as meninas sempre jogam primeiro, é o combinado com o Aizawa-sensei.
— O combinado só vale pra hora de jogo, que já passou faz tempo! — ele rebate como se já tivesse esse argumento pronto em caso de alguém algum dia questioná-lo — Então só vou falar mais uma vez, Cara de Lua: vaza!
— Não vou. — ela se senta de novo e cruza os braços, segurando o console firmemente — Não vou sair só porque você é egoísta e espera até de madrugada pra jogar sozinho!
— Fica quieta! — ele vocifera, andando até o aparelho, Ochako se levanta, já sabendo que ele vai tentar tirar o disco, ela para na frente da TV e torce pra que a penumbra não esconda a expressão de raiva em seu rosto — Sai fora, Uraraka!
— Não saio! Você pode sentar e esperar eu terminar, se quiser, mas daqui eu não saio! — ela se arrepende imediatamente, pois a ideia de jogar isso com o Bakugou testemunhando é muito constrangedora. Ok, ela tá curiosa com a história, mas daria pra esperar até outro dia, mas é uma questão de princípios. O Bakugou não pode ter o que quer na hora que quer, apenas porque quer.
Mas ele discorda, então tenta se abaixar para alcançar o aparelho de videogame atrás dela, Ochako é rápida em ativar sua individualidade e tentar tocá-lo, mas ele a segura mais uma vez, puxando-a para frente. Não tem problema, pois ela aproveita para fincar um pisão no pé dele, que fica apenas mais irritado e a puxa com mais força, o que a faz tentar girar seu eixo para acertá-lo no estômago, mas a posição desajeitada só lhe desequilibra, e a ele também, e os dois acabam caindo em direção à estante, o impacto os derruba no chão, e ela se desvencilha de todas as tentativas dele de segurar-lhe pelos punhos, o cheiro forte de algo enjoativamente doce sobe em suas narinas, mas isso é o de menos, o problema maior é a estante balançando cada vez mais.
— B-Bakugou-kun… — ela tenta alertá-lo, querendo que ele a solte para que possa usar a Gravidade Zero e diminuir o dano que essa estante fará se cair.
— Cala a boca, Uraraka! — mas ele está por cima dela, de costas para a tragédia iminente, e é tarde quando o móvel cai e os atinge com tudo.
Sua visão deveria estar preta, mas, por algum motivo, está tudo tão claro e reluzente que chega até a incomodar. Ela só percebe pequenas silhuetas cor de rosa movimentando-se suavemente, como se estivessem dançando ou… sendo carregadas pelo vento.
Pétalas de flor de cerejeira?
***
Ochako jura que isso é um sonho ou uma alucinação resultante do incidente com o Bakugou, porque só isso explica ela estar num quarto diferente do seu no dormitório do Heights Alliance. Este quarto em que ela se encontra parece mais o da Toru, com decoração em tons pastéis e objetos fofos como ursos de pelúcia e cortinas floridas.
Ela tem certeza que é um sonho ao descobrir que está numa casa de dois andares e, ao descer as escadas, encontrar sua mãe servindo o café da manhã, cena muito familiar e nostálgica, que já não acontece desde que ela se mudou de Mie para Musutafu para morar sozinha e frequentar a U.A. E nesse sonho, por algum motivo, o uniforme do colégio está diferente, lembrando-lhe muito do modelo de marinheiro que usava no Fundamental. Mas ok, é só um sonho.
— Dormiu demais, foi? Coma pelo menos uma torrada antes de sair.
Ela não havia se dado conta, ou talvez tenha dado, mas não se importou, pois, afinal, é só um sonho, mas sim, Ochako dormiu demais e está atrasada para a aula.
Mesmo assim, ela pega a primeira coisa que vê na mesa e dá uma dentada, correndo para calçar seus sapatos e disparar em direção à escola — afinal, nesse sonho, a jovem não está no dormitório, que fica a poucos metros de distância do prédio das salas de aula. E lá vai ela correndo pelas ruas com uma torrada na boca
O prédio da escola em nada se parece com o da U.A., mas também não lhe é completamente estranho, tanto que, mesmo estando em um sonho, ela sabe exatamente para onde se encaminhar a fim de chegar à sala de aula, é só subir aquelas escadas.
E ela sobe, sobe e sobe, até que começa a ouvir passos um pouco atrás de si. Mesmo com pressa, ela se vira para olhar, mas não vê ninguém. Os passos continuam, e agora a jovem tem certeza que está sendo seguida, e então consegue perceber um vulto se movendo no lance de escadas abaixo do que ela está. Assustada, Ochako erra o passo, seu sapato raspa contra um dos degraus, o que a faz desequilibrar e cair. A manipuladora de gravidade instintivamente leva a mão ao ombro para se tocar e ativar sua individualidade para que não dê com a cara no chão.
. E então… ao sentir seu corpo ser jogado para a frente e sua cabeça bater em um dos degraus, Ochako percebe três coisas muito importantes.
Primeira: as bolinhas nas pontas de seus dedos sumiram.
Segunda: ela está perdendo a consciência.
Terceira: isso não é um sonho.
Notas finais
Agradeço de coração à @shinazugawas pela capa e à @Mileninha Fics pela arte exclusiva pra essa fic. Eu venho enchendo o saco do pessoal do @KacchakoProject falando sobre essa ideia há um tempão, e fui presenteada por esse desenho maravilhoso. Fica também o agradecimento ao pessoal do projeto pela paciência e apoio de sempre.
Espero que gostem! Farei o possível para manter o ritmo semanal de atualizações!
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