Ochako se checa no espelho mais uma vez, não acreditando que o reflexo no espelho é realmente ela. O guarda-roupa da protagonista desse jogo é… pra descrever de maneira simples: extremamente lindo! A única vez em que viu tantas roupas em um armário assim foi no quarto da Yaomomo, e é tudo muito fofo! Cheio de saias de diferentes modelagens e tons pastéis, parece tudo saído das revistas de moda que a Toru e a Mina gostam de folhear.

Tudo tão lindo que… não combina nem um pouco com ela. A jovem escolheu um vestido rosa clarinho adorável, mas assim que o vestiu e se olhou no espelho, sentiu-se tão… desconexa.

Esse mundo parece estar sempre oscilando entre realidade e um tipo de fantasia, mas Ochako é real, cada centímetro de seu corpo e cada pensamento em sua mente são reais. Só que, ao se olhar no espelho, de repente ela não parece tão real assim, é como se… fosse outra Ochako encarando-a, uma que tem milhares de roupas à disposição e chama um garoto para um encontro aos berros nos corredores. Ela nem se reconhece por um segundo.

Um encontro com o Deku! Bom, não é “o” Deku, mas… ainda assim, um encontro com alguém que se assemelha bastante com seu melhor amigo e primeiro amor, isso é… surreal por muitos motivos. Primeiro porque, quando gostava dele, Ochako jamais pensava em concretizar seus sentimentos por ele. Confessar-se? Jamais! Ir a um encontro? Nem pensar! Beijos? Abraços? Sua cabeça nunca foi capaz nem de processar ideias assim. Era amor, ela sabia disso, mas nunca pensou em dar uma forma a esse amor, e no fim foi melhor assim, pois, com o tempo, esses sentimentos foram murchando e substituídos por um imenso carinho e até irmandade com o garoto de cabelos esverdeados.

Sim, foi bom nunca ter dado muito espaço para os sentimentos florescerem, mas… agora ela está surtando diante da ideia de ter um encontro com um garoto que se parece muito com ele fisicamente (muito mesmo, até as cicatrizes nas mãos estão ali). Um encontro para o qual ela o chamou depois de uma onda de coragem provocada por adrenalina e impulsividade, aquilo foi… tão diferente de tudo que ela já se arriscou a fazer! Ochako não se considera uma pessoa medrosa, muito pelo contrário, tem uns surtos de coragem de vez em quando que a fazem se jogar em algo sem analisar os riscos, principalmente se envolve proteger alguém importante para ela, mas tirando esses lampejos, ela tende a ser cautelosa em suas ações. Aquele dia em que ela o convidou, não teve nada disso, Ochako só… agiu.

E, por algum motivo louco, foi tão bom. Mesmo com a vergonha tomando conta depois, ela ainda ficou se sentindo bem com sua própria coragem por um bom tempo, chegando até a imaginar se teria sido tão fácil assim se algum dia tivesse decidido agir em relação aos sentimentos que nutria pelo Deku de verdade…

Será que eles teriam começado a namorar? Será que ainda estariam namorando?

Os pensamentos curiosos e invasivos não avançam muito, pois seu telefone começa a tocar, as funções nele estão aumentando e agora, além de conferir os status de seus relacionamentos, ela pode tirar fotos, mandar mensagem e fazer ligações (apenas para personagens do jogo, a jovem tentou ligar para o telefone da Mina só de curiosidade, já imaginando que não daria certo, e não deu: não foi possível completar a chamada). Ela dá uma rápida olhada na tela e lê o nome da Kyoka na tela.

“Oi, e aí?”

— Ah, oi, Kyoka-chan! Tudo bem?

“Uhum, só tava de bobeira e queria saber se você tá ocupada e quer sair pra tomar um sorvete, a Momo já topou.”

— Eu adoraria, mas… já tenho um compromisso, me desculpa.

“Um compromisso…”, ela soa pensativa. “Ah sim, o encontro com o coelhinho, né? A Momo me disse que você deu um show na frente do Conselho Estudantil.”

— E-eu… eu não chamaria de “show”, mas… hã… eu nem sei onde tava com a cabeça — ela assume.

“Nunca imaginaria que você fosse fazer algo assim, achei corajoso.” Ochako a imagina sorrindo.

— Se é um elogio, eu agradeço — ela responde, lembrando-se que a Kyoka original é dada a fazer comentários que tanto podem ser um elogio quanto um insulto, e essa aqui parece bastante similar à sua amiga mesmo.

“Hahaha, é sim. Coragem pode ser sinônimo de burrice, mas também pode ser muito… libertador.”

— É, acho que sim… — Ochako concorda, pensando na leveza que sentiu no momento em que chamou o Deku para o tal encontro.

“Queria ser mais assim…”, ela murmura. “Bom, então acho que vamos só eu e a Momo à sorveteria.”

— Divirtam-se!

“Você também. Não sabia que você gostava do coelhinho, mas torço pra que dê tudo certo pra você.”

— O-obrigada… — a morena agradece sem jeito, e desliga o telefone.

Mais uma vez, ela se olha no espelho, o reflexo ainda a deixa inquieta pois está realmente diferente. O vestido é uma graça, algo que ela apenas sonharia em vestir, se algum dia tivesse sonhado com o que vestiria em um encontro. A Mina ficaria mega empolgada vendo-a assim, e isso faz seu coração apertar em saudades. O quão preocupados seus amigos devem estar? Seus pais? Já faz umas duas semanas que eles sumiram, como o pessoal vai fazer para descobrir onde estão?

Respirando fundo, Ochako se senta em sua penteadeira — sim, ela tem uma penteadeira também! — e parte para passar um pouco de maquiagem. Seu reflexo lhe encarando como um lembrete de que não dá pra pensar muito no pessoal lá de fora, primeiro é necessário focar no que está acontecendo aqui.

E aqui, ela precisa achar uma maneira de fazer esse Deku gostar dela, mas não de um jeito sinistro que possa prejudicar a ambos, além do mais, ela não quer entrar nesse clima de romance com alguém que nem gosta, Ochako só quer que o encontro dê certo, e que ela conheça o rapaz um pouco mais para descobrir como pode ajudá-lo.

***

Ochako sente seu rosto esquentar abruptamente assim que avista o Deku parado no local em que combinaram de se encontrarem. É um tanto surpreendente chegar a esse lugar da cidade sem nome e descobrir um lugar cheio de vida, as pessoas seguem sem rosto muito definido, mas a rua é vibrante e cheia de energia.

E o Deku tá muito lindo.

É… é tão estranho porque ela sabe que não é ele, mas… Ochako nunca o viu assim, teve aquela vez em que o viu de terno, mas, no geral, o amigo está sempre de roupa de ginástica ou suas camisetas onde se pode ler “camiseta”. Nada contra, é uma graça e combina 100% com quem ele é, só que… ver alguém que é idêntico em aparência com o Deku trajando uma camiseta de um roxo tão escuro que parece preto, uma jaqueta cor de creme muito elegante e estilosa, e calças jeans bem ajustadas, mexe com ela de maneiras impensáveis. Ao se aproximar, ela consegue vê-lo por inteiro e perceber que o garoto não está com um par de familiares e enormes tênis vermelhos. Por algum motivo insano, isso lhe deixa com uma pontinha de decepção.

— Senpai! — ele a cumprimenta com um enorme sorriso enquanto acena animadamente, até que seu sorriso se entorta todo quando seus olhos verdes pairam nela com mais atenção. — Hã, eu… eu… não sabia que… não achei que teria que vir tão chique.

— Hã? — Ela dá uma olhada em si mesma. — V-você acha que eu tô chique?

— Muito… — A voz dele sai um pouco trêmula. — Agora tô com vergonha…

— M-mas você tá tão… — Ela segura a língua na palavra “lindo”, sabendo que iria entrar em ebulição se dissesse isso em voz alta diretamente para ele. — Tão… legal.

— L-legal? — Os olhos dele brilham. — Você acha mesmo, senpai? E-eu… eu… eu não sabia se tava legal, não costumo me vestir assim, eu só queria parecer mais maduro e… eu… obrigado! — Ochako nem precisa pegar o celular para saber que acaba de aumentar a intimidade com ele. Quanto será? Uns 10%? Não, é muito. Deve ter sido só uns 5% mesmo.

— Por que você queria parecer mais maduro? Você… você já é ótimo como é, Deku-kun. — Ela sorri.

— Ah… não precisa dizer isso pra fazer eu me sentir melhor, senpai. — Ele coça a cabeça, e de novo, não é necessário pegar o celular para saber que a intimidade acaba de diminuir, ele só não reagiu com muita irritação pois, segundo o Bakugou, eles vão ficando “menos putos” quando você erra conforme a porcentagem vai melhorando.

Que cansativo isso de ter que ficar pensando cuidadosamente no que vai falar só por causa de uma barrinha. Ela revira os olhos para si mesma, agora sentindo-se um tanto nervosa pelo andamento desse encontro.

Mas Ochako não pode desanimar, ela está aqui para conhecê-lo! Desde que não perca muito do que conquistou até aqui, vai ficar tudo bem… Ela espera.

— Bom, então… o que você planejou pra gente, Deku-kun?

— Oh. — Ele se recompõe. — Bom, eu… eu pensei que seria legal a gente ir no aquário e depois comer em algum lugar. O que acha?

— No aquário? Que legal!

— Sim! E-eu… eu gosto bastante de animais e achei que você iria gostar também. Mas se tiver outra coisa que você quiser fazer, senpai…

— Pra mim tá ótimo! E o combinado era você escolher, não era? Vamos, então! Me mostra onde é.

— Ah, você nunca foi lá?

— Hum… — Ela não sabe sobre a vida da protagonista, então fala por si mesma. — Fui a um uma vez só, quando era criança, nem lembro direito.

— Ah, entendo…

— Sim, então… parece que você vai ter que me guiar. — Nossa, isso foi… Ochako tem a sensação de que isso soou como um flerte muito atrevido, será que foi?

— Certo. C-com prazer. — Ele engrossa a voz e a olha diretamente. — Vamos, então.

E ela não acredita na falha traidora que seu coração dá diante disso.

A caminhada é silenciosa e um tanto constrangedora, Ochako não tem a menor ideia do que falar pra ele, não só por um certo receio de diminuir a porcentagem, mas muito mais por… só estar nervosa por estar num encontro. Ela e o Deku verdadeiro já saíram pra comprar comida juntos uma vez para uma certa noite de estudos. Eles conversaram sobre técnicas de combate, elementos de seus uniformes aos quais levaram um tempo pra se adaptar e suas famílias, esse é um assunto para o qual os dois têm muito a contribuir.

Quando o Deku fala da mãe dele, o faz com quase tanta reverência como quando fala do All Might, e faz muito sentido que seja assim. Ochako a conheceu brevemente durante um dia das férias e apesar de não ficar nem um pouco surpresa com o quanto eles se assemelham tanto em aparência quanto personalidade, ainda foi impressionante ficar diante daquela mulher gentil e adorável que a tratou como se estivesse devendo algo muito valioso à ela. Por sua vez, a garota também tem mil coisas para falar sobre seus pais, adoraria que o Deku os conhecesse caso uma oportunidade algum dia se apresente. Então eles conversaram muito, e ela ainda gostava bastante dele na época, mas foi só quando a Mina perguntou se a morena havia se divertido em seu “encontro” que Ochako foi ficar com vergonha. Era sempre assim: tudo muito natural e tranquilo, contanto que ela nunca pensasse muito a fundo nos sentimentos românticos que possuía. Quando eles agiam como os ótimos amigos que são, tudo fazia mais sentido e Ochako não sentia a enorme pressão de não poder falar sobre isso ou pensar nele assim.

Ela não sabe porquê tantos devaneios sobre o verdadeiro Deku lhe tomaram a cabeça, quer dizer, até sabe: tudo foi engatilhado por esse Deku, e isso a faz lembrá-la que precisa conhecê-lo mais para se afastar da necessidade de ficar comparando-o com seu melhor amigo.

***

O aquário é simplesmente lindo! Eles passeiam pelos corredores e o Deku se revela um grande conhecedor de vida aquática, falando os nomes de peixes sem nem ler as placas e oferecendo dados curiosos sobre eles, é como o Deku verdadeiro, só que fissurado em peixes ao invés de heróis, e isso lhe deixa extremamente confortável. Ochako ouve tudo com atenção e faz perguntas quando se sente curiosa com alguma particularidade, e o rapaz parece estar adorando seu auto-denominado papel de guia. Bem que o Bakugou falou que esse garoto adoraria se sentir mais responsável e maduro diante dela. Ela não gosta de quando o loiro está certo, mas precisa admitir que ele sabia o que estava falando.

Mesmo assim, Ochako está se divertindo, a empolgação do rapaz é contagiante e ela nem vê o tempo passar.

Eles avançam pelo espaço e entram no que parece ser um corredor submarino na forma como as paredes e o teto são formados por aquários, e peixes passeiam por todos os lados. Ochako chega a ficar sem ar, seus olhos não chegam a ser capazes de absorver toda a beleza do lugar, e mesmo que imagine que sua expressão seja um tanto abobalhada em admiração, ela não se importa, ainda observando como a luz solar reflete na água e confere uma coloração azul estonteante ao ambiente.

E então seus olhos encontram os dele, que a encaram com atenção. Verde, azul, e o rosa das bochechas coradas do Deku a deixam igualmente ruborizada.

— V-você… você vem aqui bastante, Deku-kun? — Ela sente a necessidade de preencher o silêncio, pena que foi com uma pergunta tão horrível.

— Haha, não muito, só de vez em quando, não dá pra vir sempre, os ingressos são caros.

— Sim, por isso que não precisava ter pago por nós dois. — ela o repreende.

— Ah, imagina, senpai! Estamos em um encontro, eu fiquei feliz de pagar, eu… tô feliz de estar aqui com alguém que… Com você.

— Oh… obrigada, eu… tô feliz de estar aqui também.

— Que bom! Eu… eu acho que faz bastante sentido eu estar em um lugar que me acalma com uma pessoa que me acalma, sabe?

— Te… acalma?

— Uhum. — Ele olha para um grupo de peixes alaranjados passeando através do vidro. — Às vezes eu… Às vezes eu sinto que minha cabeça tá correndo a mil por hora, nem consigo acompanhar, porque é tanta coisa, tanto… barulho…

— Barulho?

— É, sabe…? Dúvidas, problemas, eu… Eu concorri à presidência do conselho, não ganhei, foi algo que me doeu muito, fiquei pensando o porquê de não terem votado em mim, se minhas propostas não eram boas o bastante, se eu não sou bom o bastante… O presidente foi muito gentil em me oferecer uma vaga como tesoureiro, mas… não gosto de sentir como se tivesse sido por dó, a minha mãe diz que pode ter sido e eu não… gosto que sintam pena de mim, eu não preciso disso. — Ele fecha o punho. — … Aí venho pra cá e todo o barulho diminui… Um pouco.

Taí uma coisa que ela entende bem, Ochako compreende empatia e compaixão, mas não gosta que sintam pena dela. Lá no primeiro ano, na luta contra o Bakugou no Festival Esportivo, ela não ouviu muitos dos comentários feitos durante a batalha, tamanha a concentração em seguir seu plano, mas ficou sabendo depois de como muitas pessoas se incomodaram em vê-la lutando contra ele, alegando que o Bakugou deveria ter pegado mais leve com “a garota”, ela apreciaria a preocupação se não estivesse disfarçada de pena. Foi um tanto doloroso, e ali Ochako decidiu que aprenderia muito mais, se desafiaria cada dia mais, por aqueles que acreditam nela, por seus pais, mas principalmente por ela mesma.

Então sim, a garota entende o que ele quer dizer, mas… ainda há algo que a deixa inquieta.

— Se… Se você não gosta que sintam pena, por que… por que disse que não teria problema em se machucar se isso significasse eu dar atenção pra você?

A pergunta o pega de surpresa. Pega a ela própria também. Um alarme em sua cabeça lhe diz que das respostas erradas, essa seria a mais errada possível, dá até pra imaginar o Bakugou xingando-a por estragar tudo. Foi algo impensado, mas… é uma dúvida legítima, porque pra ela é um tanto incoerente, e aquela afirmação dele ainda a deixa preocupada.

— V-você… achei que não tinha ouvido aquilo, senpai.

— Mas eu ouvi, e… Desculpa, Deku-kun, mas aquilo foi tão… estranho, ninguém nunca tinha dito algo assim pra mim, e eu… Eu fiquei preocupada com você.

— Preocupada? Então… senpai, você me chamou pra um encontro pra… pra falar sobre isso? Você… — Os olhos dele ganham um brilho feroz, e Ochako quase consegue ouvir as engrenagens no cérebro dele trabalhando, ela não gosta nada do andamento da conclusão a que ele está chegando.

— Não, não foi por isso. Eu realmente queria vir a um encontro com você, te conhecer melhor e… me aproximar, Dek- Izuku. — Ela não sabe porquê, mas sente que falar o nome real dele trará a seriedade necessária que está tentando passar. Ochako nunca chamou o Deku verdadeiro pelo nome, mas… esse aqui não é o Deku que ela conhece mesmo. — Porque eu… eu não quero que você se machuque.

— Senpai, você… — Ele soa chocado. — Você tá… — E ergue a mão para tocá-la. — … chorando?

— O-o quê? — E então ela se dá conta de que sim, está chorando. Ochako sente uma lágrima descer-lhe pela bochecha e funga, tentando afastar o choro. — Eu…

— Senpai, você tem tanto medo assim de que eu me machuque por você? Você… você tá até chorando por mim?

— Eu… — Ela nem sabe pelo quê está chorando. Talvez seja por ele, ou talvez seja pela noção de que, desde que se viu nessa situação insana, Ochako não parou pra chorar, nem mesmo quando está sozinha naquele quarto de princesa que não é dela, vivendo uma vida que não é sua e nem ao menos combina com ela. Isso sem nem poder parar por um minuto e só… pensar. Não, ela tem que ficar por aí correndo atrás desses garotos e…

Um polegar áspero limpa as lágrimas que não param de cair, o Deku, que há um minuto parecia à beira de um colapso nervoso, agora mantém seus olhos fixos nela com preocupação, claro, mas tem algo a mais.

Ele se aproxima e pousa os lábios em sua bochecha ainda molhada, e ela fica imóvel, chocada demais para se mexer. A jovem heroína já esteve ao lado do Deku em exercícios de resgate e combate diversas vezes, alguns deles requeriam certa proximidade física, então inevitavelmente ela se permitiu assimilar algumas características do amigo: os cachos esverdeados, as sardas, e o cheiro…

O cheiro é exatamente igual ao de seu primeiro amor.

— Suas lágrimas são tão preciosas…

Mas o Deku real jamais diria isso. Ele não ia querer vê-la chorando. Se visse, ou entraria em pânico, ou choraria junto, mas achar que tem algo de bonito nela chorando… Jamais.

É um jogo muito, muito cruel mesmo confundindo-a assim. Não é o Deku, mas se parece muito, a vontade é de abraçá-lo e despejar seus medos que não pode demonstrar aqui, mas… não é o Deku de verdade, ele não entenderia.

— D-desculpa, Deku-kun, eu não…

— Tudo bem, senpai. — Ele dá um sorriso sereno. — Você chorar assim por mim me deixa tão feliz.

— Como é?

Ele a abraça, e ali Ochako tem certeza de que nada faz sentido, ela não estava chorando por ele exatamente, mas… o fato de ele achar que estava, e pensar que isso é uma coisa boa não pode ser bom sinal.

Ou talvez seja, porque depois de encerrar o encontro mais cedo alegando indisposição — o que o Deku surpreendentemente entendeu — e ir para casa, a jovem quase derruba o celular ao ver que tem uma mensagem de sua assistente no jogo lhe dando parabéns.

Ela acaba de atingir 100% de intimidade com o garoto de cabelos verdes.

Notas finais
Sim, não é assim que normalmente funciona nos joguinhos, a gente vai chegar lá, eu juro. Queria agradecer à @NatiMiles pela betagem do capítulo. Ah, além de uma excelente beta, ela também é uma escritora incrível, então dá uma passadinha no perfil dela pra ler ótimas histórias, vai lá! Tá triste? E se eu contasse que o próximo capítulo pode ser um tiquinho pior? Até semana que vem!