Tudo o Que Se Sente

5 Capítulo 5 - Não se importar


Notas iniciais
Estou de voltaa. Gente, eu simplesmente adorei escrever esse capítulo, mas o próximo é o começo da história ❤️❤️

Quarta feira. Dois dias depois do episódio com o irmão de Christopher, que eu descobri se chamar Allan Edwards. Depois daquele dia, o chefe parece estar me evitando de alguma forma. Algo que não entendia o motivo. Respeitei o que ele queria e me afastei também, mesmo sem saber o por que.

Chego no trabalho e ele ainda não tinha chegado. Deixo nossos cafés em cima da mesa e ligo o computador. Arrumo os papéis que estão bagunçados e vou até a sala de impressões que tem quase ao lado da minha mesa. Fico lá alguns minutos imprimindo um dos contratos que Christopher irá precisar para hoje.

Quando volto até meu lugar, tem somente um café sobre a mesa e sei que ele já chegou. Reviro os olhos. Estava uma situação insustentável a forma que ele vinha me tratando. Prefiro quando ele age como um idiota comigo.

Pego sua agenda e ando até sua sala. Bato três vezes porta e espero seu comando para entrar. Quando entro ele está sentado sem a parte de cima do terno, sem a gravata e os primeiros botões da camiseta branca abertas. Respirei fundo. O homem mexia comigo, e eu não gostava da sensação. Não com ele.

— Bom dia chefe. – sorri forçadamente. Ele me encarou frio sem me responder. Qual era o problema dele. Suspirei desfazendo o sorriso, se é para ser frio, seremos frios então. – seus compromissos Senhor. – levantei a agenda nas mãos.

— Senta. – mandou frio. Obedeci. – O que tenho para hoje Williams? – desviou os olhos para longe de mim. Li seus compromissos sentindo que estava falando com a parede já que ele não me olhou momento algum. Quando terminei ele falou – agora sai.

— Sim senhor – me levantei. – precisar de algo me chame – falei sem expressão me retirando da sala.

Os minutos pareciam estar se arrastando. Tentei ao máximo me concentrar no meu trabalho, porém tinha se tornado praticamente impossível. Droga. Eu conseguia lidar com o fato dele me usar como um passatempo quando me humilhava. Ate entendia, ele gostava de pisar naqueles que ele considerava “inferior”, mas lidar com o silêncio dele era novo. Eu não entendia.

Tentei me convencer que pensar naquilo não era importante. Ele fazia o que queria. É o chefe. Comecei a forçar minha mente a se concentrar nas coisas que eu precisava fazer. Eu precisava redigir um contrato de 10 folhas em espanhol que seria usado na parte da tarde por Christopher.

Ocupei meu tempo fazendo aquilo enquanto revezava entre atender o telefone e transferir as ligações para o Edwards.

Certo momento senti minha bexiga cheia e fui ao banheiro do andar. Depois de aliviada me observei no espelho. Estava somente com rímel hoje. Foi o dia que acordei me sentindo um lixo e a vontade de me arrumar era muito pouca.

Prendo meu cabelo que estava solto em um coque no alto da cabeça e deixo meu pescoço livre. Hoje estava um calor infernal. Um péssimo dia para ter escolhido uma calça para vir trabalhar. O pep toe preto no pé estava me dando agonia. Senti vontade de chorar.

Meu dia estava sendo frustrante e sabia que meu período estava chegando. Minhas emoções pareciam estar em uma constante montanha russa que logo que subiam, despencavam rapidamente.

Voltei para minha mesa lentamente dando de cara com Christopher que me encarava nervoso. Suspirei cansada. Não era nem meio dia e eu me sentia exausta. Só queria que o tempo passasse logo para eu poder deitar na minha cama e recomeçar a ler Orgulho e Preconceito.

— Você não é paga para ficar passeando pela empresa – falou quase gritando em minha cara. Me assustei. Não era todo mundo que tinha um banheiro do lado da mesa.

— Mas senhor... – comecei mas fui interrompida.

— Não quero desculpas Williams – a expressão fria não me dando a oportunidade de me esclarecer. – quero você sentada trabalhando e mostrando ser útil. Estou esperando só um deslize pra tirar você do meu caminho. Entendeu? – o que tinha acontecido com ele? Senti meus olhos arderem pela injustiça. – Entendeu? – gritou quando não respondi. Assenti com a cabeça limpando uma lágrima teimosa que escorreu pelo meu rosto.

— Entendi sim Senhor – a voz tremida pelas lágrimas contidas. Não ia chorar na frente dele. Senti raiva me inundando por ter que ficar quieta e não dar uma resposta pra ele, mas droga, é ele que paga meu salário. – Não voltará a acontecer. – garanti seria. Eu o odiava.

— É o que eu espero. – disse virando as costas e voltando para sua sala.

Respirei fundo tentando me acalmar. Sentei na minha cadeira encarando a foto em cima daquela mesa. Foi um dia bom, calmo. Foi meu aniversário de 21 anos.

Minha mãe me acordou com um pequeno bolo que comemos entre brincadeiras e risadas. Depois ela me levou para o parque na cidade que nasci, colocamos uma toalha quadriculada no chão perto do lago e embaixo de uma árvore, e ficamos lá fazendo um piquenique até quando o sol se pôs.

Sorri carinhosa para a foto, percebendo estar mais calma e voltei a fazer meu trabalho. Mandei o contrato pronto para o email de Christopher e fui arrumar a sala de reuniões. A reunião era 11:30 e deixei tudo pronto as 11:15, voltando para o último andar a avisando meu chefe.

— Vamos – mandou quando saiu da sala e parou na minha frente me surpreendendo. Franzi a testa.

— Não posso senhor, tenho um monte de documentos para conferir. – expliquei. Vi sua carranca se aprofundar. Um mal humor do cão.

— Eu não quero saber se você QUER ir. – falou me puxando pelo braço. – você vai por que eu estou MANDANDO. – esclareceu enquanto me empurrava para dentro do elevador. Puxei meus braços me afastando de suas mãos. Ele está louco.

A sala já estava cheia quando entramos. Sentei longe de Christopher e ele deu início a reunião. Os minutos pareciam se passar lentamente enquanto não conseguia me concentrar em nada que era falado ali. Minha mente longe relembrando algumas coisas do passado, que eu conseguia manter longe da minha cabeça antes, mas que agora me invadiam me deixando atônita.

Tentei me forçar a parar de pensar mas não conseguia. Minhas mãos começaram a tremer e eu comecei a suar frio. Eu vi as pessoas naquela sala. Vi suas bocas mexendo mas não consegui prestar atenção no que era falado. Olhei para o relógio vendo que ele marcava 13:00.

Estamos ali a uma hora e meia e para mim parecia uma eternidade. Comecei a sentir a parede me sufocando enquanto torcia para a reunião acabar logo.

Cerca de 45 minutos depois a reunião foi encerrada e eu saí rapidamente de dentro da sala. Parei em frente da janela, de costa para todos que saiam, sentindo o ar entrar com dificuldade para meus pulmões.

Olhei para fora tentando controlar a tontura e a pressão no peito. Fecho minhas mãos em punho tentando controlar o tremor que passa por mim.

Quando me acalmo um pouco já se passaram alguns minutos e está tudo silencioso. Quando me viro me assusto com um Christopher escorado na parede de braços cruzados e rosto sem expressão. Fico tensa me preparando para a chuva de ofensas que vai cair em mim. Começo a me desculpar antes que ele comece a falar.

— Me desculpa senhor. – minha voz falha. Droga, eu não posso ser demitida. – eu sinto muito. Eu não estava conseguindo ficar lá, estava ficando sem ar e-e não consegui me controlar. Só pensava em sair da sala. Me desculpa – implorei para meu chefe que agora parecia tenso. Fechou as mãos em punhos e virou as costas para mim indo em direção ao elevador.

Parei ao lado dele de cabeça baixa e ficamos em silêncio esperando o elevador chegar. Quando a porta de ferro se abriu, entramos e Christopher ficou ainda mais quieto. Senti a vontade de chorar me inundando e me repreendi. Eu não sou fraca, não tenho que ficar triste com isso. Se ele me demitir por ter tido um ataque de pânico, o único idiota é ele.

Subimos em silêncio enquanto eu controlava a tensão que o elevador me dava. Quando as portas se abriram Sr Edwards se afastou rapidamente de mim se trancando em sua sala.

O que passava na cabeça dele? Estava bravo comigo? Iria me demitir ou entendia que não era algo que podia ser controlado? Eu não sabia e a duvida acabava comigo.

Olhei no relógio que marcava quase 2 horas da tarde e senti fome. Deixei minha bolsa na mesa e desci para o refeitório. Peguei coisas leves por que meu estômago estava se revirando em nervosismo constantemente. Comi rapidamente, e quando acabei levei as embalagens para o lixo.

Estava indo para o elevador quando lembrei que Christopher não comeu nada até agora. Sempre que ele se enfiava naquele escritório, não saia tão cedo. Fiquei indecisa entre levar algo para ele ou parar de me meter em sua vida. Por fim, meu lado preocupado e que se importa ganhou e eu voltei para pegar algo para ele comer e levei as coisas em uma bandeja.

Bati cinco vezes em sua porta e não tive resposta, então decidi entrar mesmo assim. Me surpreendo ao entrar na sala e ver tudo escuro, com apenas o abajur perto dele aceso. Ele parecia nervoso e seu cabelo está todo bagunçado, como se ele tivesse passado as mãos por ele muitas vezes seguidas.

Me apresso em sua direção e coloco à bandeja sobre a mesa.

— Chefe? – chamo preocupada sem ter respostas. – Christopher você está bem? – o comportamento dele estava começando a me assustar. Ele levantou os olhos para mim. Me encarou frio.

— Quem te deu permissão para entrar? – ele sussurrou bravo se levantando.

— Eu bati senhor – sussurrei explicando. – cinco vezes. Vim trazer algo para você comer. Não almoçou até agora – me afastei um pouco dele. Encarou a bandeja com raiva.

— Leve de volta. – mandou. – eu não estou com fome. Tira isso daqui. – estava bravo novamente.

— Não senhor, você tem que comer. – qual o problema dele? Eu trazia comida pra ele desde segunda. Ele precisa comer.

— Eu falei que não quero – gritou enquanto empurrava a bandeja para o chão. Vi a bandeja indo para o chão em câmera lenta e espalhando tudo por la. Senti meus olhos umedecerem e deixo meu rosto sem expressão. Levanto a cabeça e vejo que Christopher parece estar em choque enquanto olha a comida no chão. Vejo seus olhos arrependidos quando olha para mim. – Louise , eu não..isso.. – ele não falava nada com nada.

Me sinto magoada. Se eu só tivesse ficado quieta no meu canto desde o começo isso não estaria acontecendo agora. Mas a culpa é toda minha. Sinto magoa quando olho pra ele, é isso que acontece quando me importo. Eu pareço nunca aprender, sempre me importando com as pessoas que não se importam. Que não ligam. Que não merecem.

Nego com a cabeça interrompendo o que quer que ele iria falar. Não importa. Não mais. Estou cansada e me afasto dele. Era só meu chefe, e vou trata-lo como tal.

— Vou pedir para alguém vir limpar isso Sr.Edwards. – falo com o rosto neutro e a voz fria. Vejo certa agonia em seu olhar e me viro saindo daquela sala.

Ligo para a recepção da empresa e peço para mandarem alguém da limpeza. Alguns minutos depois uma senhora simpática sai do elevador e eu sorrio simpática para ela.

— Olá menina – diz carinhosamente. – sou Ellen. – se apresenta.
— Sou Louise – a comprimento. – a bagunça está dentro da sala. – indico a porta. – hmm, melhor você bater antes de entrar. O chefe está um pouco nervoso. – sorrio, ela assente com a cabeça sorrindo de volta.

Ela entra depois de bater na porta e fica alguns minutos. Sai depois com um saco preto em uma mão e levando a bandeja vazia em outra. 3:30 arrumo a sala de reuniões novamente e volto para o último andar avisando Christopher que tudo está pronto. Ele tenta falar algo mas desligo o telefone em sua cara.

Quando sai de sua sala finjo que não percebo ele parar em frente à minha mesa. Fica alguns segundos até que suspira e anda até o elevador. Quando da minha hora de ir embora, ele ainda não voltou da reunião e agradeço internamente por isso e vou para minha casa.

Chego às 18 horas e tomo um banho gelado. Me sinto frustrada e isso me agonia. Coloco uma calça legg, um top, coloco meu tênis de esporte, prendo meus cabelos em um rabo de cavalo e pego meu celular com os fones de ouvido. Coloco em alguma música qualquer e começo a correr.

Corro durante uma hora admirando a paisagem e apreciando a sensação de liberdade que sinto.

Paro em um parque onde compro uma água e volto correndo novamente. Quando chego no meu apartamento, sinto meus músculos tremendo e queimando. Me jogo no sofá respirando fundo.

Ouço alguém batendo em minha porta alguns minutos depois e franzo a testa estranhando. Não fazia ideia de quem poderia ser. Eu era uma alma solitária, o que queria dizer que eu não conhecia quase ninguém e consequentemente não tinha quem estar batendo em minha porta. Levanto quando escuto baterem novamente. Abro a porta.

Ofego surpresa com a pessoa do outro lado.

Notas finais
Aah ❤️❤️ por favor gente, preciso saber se estão gostando, se tem algo que deixei mal explicado. Preciso da opinião e incentivo de vocês. Não recebi nenhum comentário no capítulo 4. Ele ficou tão ruim assim?