Tudo o Que Se Sente

4 Capítulo 4 - Quem é esse?


Notas iniciais
Olá pessoas, estou de volta com um cap. novo para vocês. Espero que goste. Ate as notas finais.

Já perceberam como o sono nos deixa na mão sempre que mais precisamos? Eu sim, ultimamente venho sofrendo com o fato de não estar dormindo direito e viver com a mente longe. Isso vem ocorrendo desde que comecei a trabalhar com Christopher. A primeira semana já se passou e o final de semana também. Estou em plena madrugada de domingo, rolando de um lado para outro sem tirar da cabeça seu jeito irritante. Eu o odiava.

O homem o que tem de bonito, tem de arrogante. Me humilhar parece ter se tornado seu passatempo. Ele me detesta e não faz questão de esconder isso. Não que o sentimento não fosse recíproco. Eu também o detesto. Quando contei para minha mãe, ela disse que era tesão reprimido. Olha, apesar de eu achar o homem bonito, precisa ter mais do que um rosto bonito para me atrair, e ele mal repara em mim, imagina me achar bonita?

Deitada na cama, vejo o relógio brilhando 2:40 da madrugada. Me sinto frustrada por não estar conseguindo dormir. Não, não é só por causa de Christopher. Minha mãe está me escondendo alguma coisa e fico preocupada. Percebi na ligação no sábado de noite, sempre que ela mente ou me esconde algo, sua voz fica mais aguda. Quando perguntei se ela queria me contar algo, ela desconversou rapidamente.

Fiquei rolando na cama até ver que o sol iria começar a nascer e fiquei assistindo. As 6:00 resolvi ir tomar meu banho. Tirei as roupas lentamente enquanto ia para o banheiro. Lavei meus cabelos e ensaboei meu corpo. Alguns minutos depois sai enrolada em uma toalha.

Parei em frente ao espelho e deixei a toalha cair observando meu corpo. A pequena tatuagem de rosa sombreada na minha costela dão um contraste na pele clara. Não era a única tatuagem que tenho. Na costa um lobo negro enfeita e na barriga uns pássaros. Muitas vezes me esqueço da existência deles no meu corpo.

Pego no guarda roupa uma lingerie vermelha de renda, uma saia social preta e uma camiseta soltinha na cor rosa nude. Nos pés calço uma botinha preta. Coloco o medalhão no pescoço, um brinco de argola prata na orelha e no pulso um relógio na cor rose. Prendo meus cabelos em uma trança embutida meio solta e me olho no espelho decidindo o que passo de maquiagem.

Meus olhos marcados por olheiras me avisam a necessidade de um corretivo. Esfumaço meus olhos e passo bastante rímel, deixando-os marcados. Passo um brilho nos lábios e fico satisfeita.

Arrumo minha bolsa garantindo ter dinheiro, maquiagem, chaves e meu celular. Me lembro de pegar um retrato meu junto com minha mãe e guardo na bolsa.

Organizo meu quarto rapidamente e ando até a cozinha para fazer meu café da manhã. Deixo a água fervendo no fogo enquanto preparo uma massa de panqueca. Alguns minutos depois meu café está fumegando em cima do balcão enquanto passo doce de leite nas minhas panquecas. Como com vontade me preparando para o dia longo de trabalho que eu teria. Lavo tudo quando termino.

Saio de casa quase em cima da hora e por pouco não perco o metrô. Na lanchonete próxima da empresa compro dois cafés extra forte. Virou um costume já que dá última vez que cheguei na empresa com um café só para mim, Christopher ficou me encarando com olhos pidoēs. Claro que não dei o meu café, o que o fez me odiar um pouco mais, então comecei a levar pra ele também.

Chego em frente da empresa junto com ele que falava no telefone. Muito bem vestido com aquele terno cinza escuro que com certeza foi feito sob medida. Ele me olha de cima a baixo, trava o maxilar e toma um café da minha mão sem me dirigir a palavra. Dou de ombros. Parecia estar de mal humor.

— Bom dia para o Senhor também chefe. – resmunguei ao seu lado. Fui ignorada óbvio.

Entramos no elevador e ele encerra a ligação enquanto sorve o café do copo. Parecia pensativo hoje, tinha uma expressão séria no rosto. Quando as portas se abrem me sinto surpresa por não ter sentido medo. Estava tão focada no rosto sério dele que nem lembrei estar em um elevador.

Ele se dirige até sua sala e eu ando até minha mesa. Retiro da bolsa o quadro em moldura bonita colocando-o ao lado esquerdo da mesa perto das canetas coloridas que eu tinha comprado na sexta feira. Ligo o computador e pego sua agenda.

Me levanto e bato levemente na porta três vezes e espero sua permissão para entrar. Ele me encara frio enquanto andando em sua direção e me sento na cadeira em sua frente.

— Hoje tem para o Senhor 2 reuniões agora na parte da manhã e 2 na parte da tarde somente. – falo seca para ele. Estava cansada dessa pose de dono do mundo que ele sempre mantém.

— Com quem são as reuniões? E quais horas exatamente? – disse tranquilamente. Era bipolar com certeza.

— As 10:00 com o grupo Lux, 11;00 com os Rogers, as 14:00 com a Srta. Mendes e as 16:00 com os Gonzáles – informei observando a agenda. Só nome de gente poderosa. Ri com o pensamento. Edwards me olhou curioso. Ele tem olhos bonitos.

— Qual a graça Srta? – tentou parecer desinteressado, mas vi a curiosidade ali. Ri mais. Neguei com a cabeça e me levantei par sair da sala. Ele fechou a cara.

— Chamarei o Senhor 10 minutos antes de cada reunião – informei saindo da sala e indo para minha mesa.

Ocupei meu tempo redigindo alguns documento pelo computador, atendendo ligações e as transferindo para Christopher. Vez ou outra alguém deixava algum recado que eu anotava nos meus Post its coloridos. Eu tinha dois, um vermelho e um amarelo. Vermelho para urgência e amarelo para recados mais banais e colava eles ao redor da mesa. Se eu não anotasse, com certeza esqueceria.

Próximo aos horários das reuniões, subia para arrumar as salas e voltava. Avisava Christopher e ele descia até a sala para encontrar com todos. Foi o que ocorreu na primeira reunião.

Hoje o dia está muito calmo, então eu estranho. Desde que comecei a trabalhar aqui Todos os dias eram agitados. Minha intuição me dizia para me preparar. Parecia a calmaria antes da tempestade, um pressagio ruim.

Quando Christopher saiu para a reunião das 11:00 fiquei em nosso andar terminando de ver alguns documentos e concluir alguns relatórios. Estava distraída quando ouvi um pigarro em frente da minha mesa. Levantei a cabeça assustada, dando de cara com um homem alto, forte, loiro e bonito. Senti negatividade partindo dele e meus pelos se eriçaram.

— Olá, em que posso ajuda-lo senhor? – perguntei formal com um sorriso forçado no rosto. Não gostava da presença dele. Vi um sorriso simpático em seus lábios que não condiziam com seus olhos gelados. Eram como se não tivesse alma ali dentro.

— Olá senhorita, preciso falar com o Christopher – falou de forma rouca com a voz simpaticamente forçada. Eram coisas que sempre me deixavam alerta. Uma pessoa usando mascara.

— Ele não está no momento senhor, mas pode deixar seu nome que eu aviso ele que esteve aqui. – ele precisava ir embora. Ele negou com a cabeça, sua mascara se desfazendo quando ele me dá da um sorriso frio e perigoso.

— Você não está entendendo querida. Eu quero falar com ele AGORA. – disse abaixando a cabeça perto da minha. Ele estava me assustando. – então eu acho bom você chamar ele se não quiser me ver nervoso. – a voz baixa ameaçadoramente. Sabia que meu rosto estava sem cor. Senti meu estômago revirar.

Assim que ele terminou de falar ouvimos o barulho do elevador se abrindo. Christopher estancou no lugar quando viu o homem perto de mim. Vi seu rosto ser tomado pelo ódio ao ver meu rosto pálido e meu corpo encolhido. Andou em nossa direção rapidamente.

— O que você está fazendo aqui? – sussurrou ameaçadoramente quando parou em frente do desconhecido. – Some da minha empresa AGORA. – gritou no final pegando o desconhecido pelo colarinho e o empurrando para longe de mim. Vi o homem sorrindo com escárnio e tirando as mãos de Christopher dele.

— Ora ora Christopher – disse sorrindo. Eu não entendia. Quem é esse homem? – não é assim que se trata o irmão mais velho. – senti meus olhos arregalados e minha boca aberta. Irmãos?

— Você não é nada para mim. Some da minha frente se não quiser ser tirado daqui pelos seguranças – Christopher ameaçou. Suas mãos estavam fechadas em punho e vi lentamente seu controle indo embora. O irmão dele riu. Me aproximei de Christopher, ele precisava se acalmar.

— Pode deixar irmãozinho, estou indo – zombou. – Vim só matar a saudades de você. Manda uma beijo pra gostosa da Kate.

Vi meu chefe perdendo o controle, iria atacar o irmão, ele não podia fazer isso. Entrei na frente dele e coloquei minhas mãos eu seu peito.

— NÃO – falei seria. Ele me olhava com raiva. – não vale a pena Christopher. Ele não vale a pena – tentei acalmar e convencer ele. Vi seu irmão rindo enquanto ia para dentro do elevador e sumia de nossas vistas.

Meu chefe fechou os olhos respirando fundo. Vi uma veia saltada em sua testa de raiva. Ele virou as costas e entrou em sua sala batendo a porta com força. Ouvi algumas coisas se quebrando em seu escritório e fico preocupada. Alguns minutos depois só existia o silêncio absoluto lá dentro.

Ligo remarcando as reuniões para outro dia, ele não esta em condições de nada agora. Christopher se tranca em sua sala durante duas horas. Canso de esperar e vou até o refeitório pegar alguma coisa para comer.

Sento em uma das mesas enquanto devoro um prato de macarronada que estava simplesmente divina. Lembro que ele ainda não tinha almoçado nada e resolvo montar uma bandeja para ele.

De volta ao nosso andar, tudo ainda se encontrava em silêncio. Vou em direção a sua porta e bato levemente indicando que iria entrar. Apoio a bandeja em apenas um braço enquanto com o outro, abro a porta. Ele estava parado com a cabeça jogada para trás na cadeira. Estava tão imóvel que por um instante me preocupei.

Ele só me olha quando deposito a bandeja sobre sua mesa. Ele encara entre a bandeja e eu sem entender. Tinha uma expressão cansada no rosto.

— Come – ordenei empurrando a comida para mais perto dele. Ele me ignorou voltando a encostar a cabeça na cadeira. – come Christopher, não vou sair daqui até você começar a comer. Você não come desde cedo. – continuei insistindo. Me dou conta tardiamente com a forma que o chamo, mas não me corrijo. Era o menos importante.

— Alguém já disse que você é insistente? – perguntou dando- se por vencido. Sorri concordando com a cabeça, claro que já. – que bom. Você é insuportável. – dei de ombros.

— Come mais e fala menos – disse me levantando e saindo da sala.

O resto do dia passou lentamente. Quando da meu horário de ir embora, pego minha bolsa, vou até a sala do chefe e me despeço. Pelo menos dessa vez ele me respondeu. Seco porém respondeu. Já é um começo.

Chego em minha casa exausta. Sento no meu sofá velho e fico uns instantes encarando o nada. O dia foi mais movimentado que os outros. Realmente a calmaria antes daquela tempestade.

Levanto indo em direção ao quarto. Preciso urgente de um banho. Tiro minhas roupas, desfaço a trança em meu cabelos, os prendendo em um coque no alto da cabeça. Entro em baixo da água deixando minha mente divagar. Saio alguns minutos depois, coloco uma calcinha boxer branca, um par de meias de bichinho e uma camiseta masculina que eu tinha comprado justamente para usar de pijama.

Sinto meu estômago protestando de fome e faço uma lasanha rápida e um suco de laranja. Morar sozinha era solitário as vezes. Era silêncio demais para uma pessoa que gosta de barulho como eu. Ligo o som e como a comida enquanto revezo cantando a letra da música cantada na voz de Adele. Quando termino, organizo a cozinha.

Decido que ainda está cedo, então coloco um filme e deito no sofá para passar o tempo. O escolhido é algum filme bobo de romance. Pouco a pouco sinto meus olhos pesando e sou embalada no sono.

Notas finais
O que vocês acharão? Espero que tenham gostado. Beijoos