Tudo no mundo é sentido

2 II - Mostre-me seus cascalhos


Notas iniciais
Esse capítulo também foi publicado em 2017, mas não sei qual mês. Particularmente eu gosto muito do que escrevi aqui, ainda que em alguns momentos eu pareça confuso, mas acho que a graça da poesia é se quebrar um pouco para imaginar o que significa. Não haviam notas originais.

As crianças estavam descendo o rio

Desciam o rio

Sorriam

Desciam o rio

Choravam

Suas lágrimas iam embora com a correnteza

Nada era o que era

As águas cristalinas levavam o sofrimento com ela

E não voltavam mais

Quanto mais as crianças

Gritavam

Gritavam

Ninguém apareceu

Foram sozinhas

Junto com rio iam as crianças

Junto com as crianças estavam suas lágrimas

Mas elas não estavam mais lá

Estavam?

Não reconheci suas lágrimas

Talvez elas não chorassem

Apenas aceitavam

As bolhas levavam seus últimos suspiros aos céus

Mas suas lágrimas se foram para sempre;

Para sempre foram suas lágrimas;

As lágrimas para sempre se foram;

Mas se foram para sempre, para onde iriam?

Para sempre

Apenas para sempre

Junto com seus suspiros

Ar puro

Água Pura

Alma pura

Almas puras

Almas puras que já não se encontravam mais lá

As correntezas levaram

Levaram as crianças

Seus corpos insistiam em afundar

Mas estavam boiando

E boiaram

Boiando se foram

Até as margens

Então todos saíram andando carregando pedrinhas que achavam pela estrada

E que estrada

Longa

Molhada

Mas era luz, era vida

Quanto eles esperaram pela luz?

Tempo

Quanto tempo?

Quanto tempo

Quanto tempo

Sábio é o tempo

Inalou o suspiro das crianças

As crianças encheram carregaram seus bolsos se cascalho

Afundaram

E riram

E choraram

Choraram?

Então boiaram

Nunca fizera isto antes

Eu nunca

Nunca

Nunca

Nunca?

As pedras insistiam em deixados sobre a área do fundo do rio

Mas a correnteza era rebelde

E as pobres almas também

Então boiaram

E se foram apenas boiando

Enquanto os outros sorriam e aplaudiam

Quanto tempo passara desde que entrei neste rio pela primeira vez?

Eu alcancei a margem

Os outros apenas boiaram

E se foram

Com suas lágrimas

No fim, uma cachoeira

A correnteza era cruel

Então meus filhos corriam para mim

Me abraçaram

Observei todas as formas de cascalho que haviam encontrado

Foram para o bolso

Pobre almas

Apenas boiavam

E eu me sentei, sorri e aplaudi

Apenas aplaudi

Então pulei

Eles chegaram as margens

Olhem seus filhos lhe mostrando seus cascalhos em forma de poltrona

Então eu fui para a cachoeira

E junto minha pobre alma inocente

Junto comigo meu fôlego se afogava

Então eu cheguei a margem

Mostrei para meus pais os cascalhos

Eles não ficaram comigo

Apenas desceram

Junto com meu fôlego