Tudo, menos irmãos
4 Descobertas
Notas iniciais
Adam estava feliz, agora além de seu orgulho, Catherine, tinha uma noiva que em breve chamaria de esposa e dois filhos, se fosse pelo empresário Yamato também estaria incluído na família, pode levar um certo tempo para o músico se sentir parte da família Deneuve, em contrapartida ele observava a filha e o enteado, sorrindo e se divertindo, jogavam, interagiam com os outros digiescolhidos, e Catherine até levava o “irmão” para conhecer os cafés, comer os doces e salgados franceses, estavam sempre juntos, um ensinando para o outro sua cultura, Catherine passava muitas tardes como “professora” do digiescolhido da esperança, após o tempo estudando os dois vão jantar e governanta ficou assustada com Takeru, pois ele estava acostumado a comer como os japoneses, com o hashi e sopa e o ramém quente, sem assoprar.
— Quer queimar a boca? Não dá para esperar? Pergunta a governanta alarmada, até ouvir Patamon sugando o jantar também sem resfriá-lo.
— Désolé, é costume de onde vinhemos, eu confesso que também estranhei, mas quando vai aos restaurantes, as escolas, todos comem da mesma maneira, o ramen não é esfriado e sim servido e consumido quente, ele já está acostumado e o Pata também. Explica Natsuko.
— Está muito gostoso, nunca tinha provado, somente ouvia falar do prato, quanto aos talheres perdón, mas vou continuar nos garfos, não consegui usar. Catherine elogiou a comida.
— Não é difícil Cather-Chan, tudo está no pulso… Takeru tenta ensinar a francesa a comer, mas o talher acaba no chão.
— Perdón, é melhor continuar com o garfo. Brinca a loira.
— Creio que ambos precisemos de um tempo para nos acostumar, eu ainda não consigo comer escargot, mas o petit gâteau eu aceito sim. Pede Takeru.
— Eu também. Patamon avança na sobremesa sem ao menos colocar sorvete, o anjo colocou o pequeno bolo todo de uma vez na boca e engoliu.
— Amanhã podemos ir a quadra, nunca mais joguei basquete, mas não creio ter esquecido muita coisa. Se gabou o mais velho.
— Pérdon, papa, mas o senhor sabe onde está se metendo? Pergunta Catherine.
— Ta me chamando de velho, my petit, faz alguns anos…
— Alguns bons anos? Pentelhou a governanta.
A família e os digimons riram.
— Creio que basquete seja que nem andar de bicicleta, nunca esquecemos. Adam afirmou, convicto.
— Papa, não vá se machucar. Pede Catherine.
— Quantos anos faz que o senhor não joga? Perguntou Takeru.
— O último jogo foi no último ano do primário, comecei a ser treinado pelo meu papa para assumir a empresa, fiquei sem muito tempo para as quadras.
— E assim mesmo vai competir com um garoto no auge da idade? Questionou a governanta.
— Eu prometo pegar leve, podemos praticar uns arremeços. Afirma Takeru.
— Por mim está perfeito. Afirma Catherine.
— Mas por mim não, vamos minha filha podemos jogar os três, o que acham? Questionou Adam.
— Eu, papa, mal entrou na quadra e já tomou uma bolada, acha que eu consigo jogar basquete? A pergunta sai receosa.
— Cather-Chan, fique tranquila, é apenas um amistoso, não precisamos levar á sério, nunca arremessou algo no alvo, precisa ter mira, vamos, pode ser divertido. Chama o digiescolhido, empolgado.
— Creio que alguém se empolgou além da conta, meu filho, a Catherine não parece gostar do esporte, se quiserem podemos marcar o fim de semana, mas será apenas você e o Adam. Sugere Natsuko.
— Merci! Eu prefiro dança,eu iria atrapalhar vocês! Catherine tenta escapar do jogo, mas seu pai não desistiu, o empresário era insistente, queria os dois com ele.
Chegado o dia do jogo…
A francesa usava um shorts médio, vermelho e branco, e uma regata branca e vermelha, o tênis esportivo antes usado apenas na educação física finalmente era usado fora do colégio, aquela tarde poderia ser mais divertida se não fosse a incomum presença de Madeline na quadra, após ouvir o comentário na classe sobre a diversão em família a amiga de Catherine apareceu sem avisos na quadra e se sentou próximo, a princípio estava apenas se divertindo, Catherine não sabia jogar, mas recebia ajuda, apesar dos anos parados apenas no escritório, Adam ainda conseguia fazer bons arremessos, somente estava enferrujado na parte das corridas, Madeline vibrava na arquibancada, o que acabou chamando a atenção de Natsuko, e consequentemente a loira precisou esconder os digimons.
Alguns arremessos frustrados depois, Takeru ajudou Catherine a se posicionar, a loira com certeza não levava o menor jeito para o esporte, mas Adam quis propor algo diferente, pensando que a filha pudesse ter ciúmes caso só saísse com o enteado, mas a filha não levava mesmo o menor jeito, enquanto Adam se divertia vendo os “irmãos” arremessaram, Takeru pediu permissão para a francesa para ensiná-la, com o passar daquele jogo, conforme ambos se tocavam enquanto Takeru tentava ensinar a jovem a proteger a bola até o arremesso sem andar muito com a mesma, Catherine começou a sentir palpitações diferentes de um simples cansaço físico, sua mente foi novamente invadida pela cena do digiescolhido sem camisa na sua frente, imaginar aquilo a desconcentrou e provocou uma trombada entre os dois.
— Cather-Chan, você tá bem? Takeru tocou seu rosto.
— Eu to sim, desculpa… Takeru ria sem parar.
— Eu avisei que não jogo. Alega a loira.
— Estamos nos divertindo, apenas isso. Afirma Takeru.
— Uie, mas… Madeleine, o que está fazendo aqui? Questionou a digiescolhida olhando para garota na arquibancada.
— Ela está assistindo o jogo, acho que não devíamos ter ficado comentando na classe. Adverte Takeru.
— Mesmo ouvindo o que faz ela achar que, sei lá, que ela foi convidada. Catherine indagava, olhando fixamente a garota fotografando, a enorme novidade é que as fotos na grande maioria eram apenas de Takeru.
— Cather-Chan o que houve, tá brava com a Madeleine? Perguntou Takeru.
— No, no, longe disso, apenas estou, s-surpresa, ela podia avisar quando vinha. Inventou a loira.
Takeru ficou se questionando sobre a reação da jovem, podia ser normal, ou ele estava ficando louco por achar que Catherine estava enciumada, a francesa estava um misto de Miyako e Sora, quando os namorados se aproximavam desse modo de alguma colega.
“Não, não, o que eu to pensando, ciúmes? Isso é apenas coincidência na reação, ela aw kami, mas se ela estiver mesmo enciumada?”. Pensa Takeru.
— Takeru, Catherine eu não sabia que jogava basquete? Madeleine se aproxima.
— Nem eu também, Madeleine… Madumazele, quando começou a gostar de jogos ao ar livre? Perguntou Catherine.
— Sempre, nossa você fica bem vestida assim, não fica Takeru, Madeline vira a amiga e Takeru olha as curvas desenhadas no uniforme.
— Uie, uie, Madeline… Desculpa é que pensamos que somente teríamos a nossa família conosco, não é nada pessoal, se divertiu? Pergunta Takeru.
— Uie, uie, olha você joga muito, Takeru, já faz quase um mês que entrou, não quer mesmo jogar no time, seria de enorme ajuda. Madeline pediu.
— Estou me adaptando ainda, creio que preciso de mais um tempo, Pierre também quer que eu entre, mas ainda considero muito cedo. Conta Takeru.
— E você madumazele? Vai continuar os treinos?
— No, no, esse foi meu último jogo, não acho que eu tenha o quesito para o esporte, Takeru, nunca corri tanto, mas eu me diverti.
Após o pequeno contratempo, Madeline saia da quadra de esportes olhando para as fotos, e acabou ouvindo um som vindo do alto da arquibancada, ela sacudiu a cabeça quando viu uma cauda curta e laranja batendo contra a grade, Patamon e Floramon brincavam com uma bolinha e arremessavam um para o outro, patamon devolvia com cabeçadas.
— Deve ter sido esse sol a essas horas da manhã, estou vendo coisa. Madeline repetia para si, desacreditando na cena, a loira saiu da quadra.
Os pequenos se divertiam, até Floramon arremessar muito alto e Patamon voou atrás e Natsuko o chamou temendo que o pequeno fosse descoberto.
— Não tem ninguém aqui, eu achei. Patamon voltou para arquibancada com a bolinha na boca.
Catherine foi com Takeru fazer um pequeno intervalo, Adam subiu para descansar e beijar sua noiva, aproveitando os mimos e os carinhos, Catherine segurava como podia a vontade de confessar o que tanto incomodava quando Madeleine estava perto, o receio era que o loiro realmente a visse como irmã, realmente não a enxergasse do mesmo modo, era impossível para jovem não sentir atração, ainda era um pouco confuso, naquele momento a francesa não sabia exatamente se estava atraída, se somente tinha se envergonhado ao ver o jogador semi nu no quarto, se isso fosse realmente amor, poderia?
Os dois foram até os bebedouros se refrescar e encher suas garrafas, não somente Catherine estava confusa, aquilo era recíproco, para Takeru a confusão girava em torno do ciúmes, tanto o que Catherine vinha demonstrando nas últimas semanas como o dele, o digiescolhido admitiu para si mesmo que estourou com Pierre ao vê-lo provocando Catherine, mas ficou como se fosse irmão protetor, no fundo o loiro bem entendia que quando os amigos e o irmão via suas respectivas namoradas conversando com outros rapazes ou sendo elogiadas era como se uma força os possuísse, o nome da força era ciúmes.
Aquilo não era um bom momento para o jovem admitir, mas estava atraído pela francesa desde a primeira vez que a viu, podia ser somente paixãozinha adolescente, mas nenhuma menina de seu antigo colégio conseguiu o mesmo efeito, nenhuma o deixou pensativo e com desejo de voltar a França, o destino brincou com ambos quando cruzou os seus caminhos e os juntou, naquele momento ele não sabia se dizia o que estava sentindo, foi um simples gesto como o de abraçar que o tirou de seu devaneio.
— Takeru, eu… B-bom, eu não sou assim com a Madeleine, nem sei o que me deu! Explicou Catherine.
— Tudo bem Cather-Chan, no meu grupo as vezes uma troca de murros é a maior prova de amizade. Lembra Takeru tentando tranquilizar a francesa que sorriu.
— Takeru, você pode me achar uma criança, mas eu preciso entender o que eu to sentindo no presente momento. Expressa Catherine.
— O que quer dizer? Perguntou Takeru.
Catherine se aproximou de Takeru e selou os lábios aos do loiro, suas mãos finalmente subiam pelo pescoço e puxava o rosto do rapaz para perto de si, o beijo era recíproco, mesmo com o susto Takeru não deixou de demonstrar que amava, agora foi mais que um simples beijinho na bochecha, os lábios selados, finalmente Takeru conseguiu entender que Patamon ouvia muito mais do que o digiescolhido pensava, naquele momento Takeru e Catherine estavam com os corações em plena sincronia, finalmente a tal batida descompassada fazia sentido.
Ambos se desprendem e por cuidado Takeru olha ao redor para garantir que os pais não vinham atrás, quando confirmou que estavam as sós.
— Cather-Chan, eu… Então era isso, eu quero você, dizer queria estaria me enganando dizendo que ficou no passado, e você? Pergunta Takeru.
— Acho que pode sim ter sido quando veio nas operações para conter a invasão, mas somente agora ficou claro, o que vamos fazer? Não posso usar a palavra irmão, somos qualquer coisa menos irmãos.
— Ai se engana Cather-Chan, qualquer coisa não? Isso é loucura, se alguém descobrir, não dou certeza, mas…
— Podemos pôr fim ao casamento sem nem ele ter iniciado. Completa Catherine.
— Se for para felicidade, essa que sentimos a pouco, eu to disposto a correr os riscos, não sei você… Takeru foi interrompido pela loira selando outro beijo.
— Não podemos fazer como os casais convencionais. Afirma Takeru.
— O que quer dizer? Pergunta Catherine.
— Andar de mãos dadas no colégio, isso já seria um problema, fomos apresentados como irmão, Cather-Chan, parece uma loucura, mas só poderemos descobrir tudo o que sentimos se o namoro ficar em segredo, somente quando não tiver ninguém em casa. Adverte Takeru.
— Uie, uie, eu juro que não esperava, eu tentei me conter, olhar para os lados, mas ninguém me fazia sentir assim, especial, única, creio que esse foi o motivo de ter ciúmes das meninas, fiquei com medo de me enxergar como sua imouto e eu estar sentindo tudo sozinha. Confessa Catherine.
— No começo tentei dizer que éramos irmãos, mas era imaturidade, eu não tava entendendo que desde o nosso primeiro encontro, naquela época não tínhamos idade pra entender nada e estávamos no meio de uma guerra contra as trevas, agora parece que a luz clareou tudo, é uma pena termos que esconder, mas te prometo que não será para sempre. Garante Takeru.
— Então agora seremos um casal? Catherine segura a mão de Takeru e suas bochechas ganham um tom rosado.
— Uie, uie, madumazele! Confirma Takeru puxando a loira para o colo e a beija.
— Takeru, já faz meia hora que vinhemos buscar água. Catherine avisa apontando para o relógio da praça.
— Podemos dizer que me distraí com a paisagem. O digiescolhido arruma a desculpa.
Os dois voltam para pertos dos pais e continuam o passeio, Adam segura a cintura da noiva e a beija.
— Podemos ir em casa tomar um banho e depois vamos sair, esse sábado está tão lindo que não podemos ficar dentro dos nossos quartos, precisamos aproveitar antes de voltar para nossa rotina.
— Papa, o senhor está bastante disposto hoje, podemos dar apenas uma pausa? Pede Catherine.
— Adam, creio que os meninos querem ficar em casa, se quiser podemos ir apenas nós dois, e deixar Takeru e Catherine com os digimons. Sugere Natsuko.
— A casa está vazia, os dois não vão aprontar vão? Questiona em tom brincalhão o patriarca.
— Papa, aprontar o que? Pergunta Catherine tentando esconder o tom rosado em seu rosto.
— Não sei, chamar os amigos e dar uma festa. Pentelhou o francês.
— O senhor pode ficar tranquilo, nem tenho autorização alguma para fazer isso em casa, que dirá na casa dos outros, pode ficar sossegado, pretendemos apenas terminar esse final de semana relaxando. Respondeu Takeru.
— Ok, estava brincando, e não é a casa dos outros, é de vocês também, Catherine e Takeru, esse foi o melhor final de semana, podemos ter muitos como esse, o bom é que eu destravo as juntas de tanto ficar sentado.
A família voltou para casa…
O dia apesar de exaustivo foi esclarecedor para o casal recém formado, Catherine finalmente compreendeu que não apenas estava com ciúmes pois queria mais tempo com o irmão e sim porque queria ser a única na vida do jogador, parecia que as outras colegas iriam tirar isso dela, finalmente entendeu que não tinha sentimentos de proteção de irmãos ali, era um amor recíproco tal como de seu pai e a mãe de Takeru, que também compreendeu essa proteção que dedicava a francesa no colégio, era completamente diferente da proteção que tinha de Yamato, e dos amigos, o loiro estava tendo seu primeiro romance, fora das páginas do notebook, seu primeiro amor, queria dedicar seus versos, compartilhar dali para frente seus dias, o desafio agora era fazer isso sem atrair problemas, já que com o casamento praticamente marcado os pais poderiam impedir o sentimento de florescer, mas ao que depender do casal essa pequena semente ali plantada florescerá mesmo passando pelas barreiras.
Depois de um longo banho, “as crianças” se despediram do casal e ficaram as sós, mesmo com os digimons em casa, Takeru não exitou em escorregar no braço do sofá e abraçar Catherine, a loira o olhava diferente de algumas semanas atrás, o brilho, as pupilas, até mesmo o abraço ganharam outro significado.
A francesa beijou Takeru que deslizava os dedos sob os cachos loiros da digiescolhida, o nariz descia pela curva da orelha e ia pelo pescoço aspirando o cheiro dos hidratantes e perfumes, Catherine não deixa somente Takeru ter esse prazer, sentia que o loiro se cuidava, o perfume embrenhou em suas narinas tal como nas de Takeru, os toques e carícias os fazia conhecerem sentimentos antes não revelados.
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