Tudo isso por causa de uma prova...
1 Capítulo Único -- Revolta e paciência.
Eu vou admitir, não sonho grande
E tudo bem, ninguém é obrigado.
Mas que inferno vocês fazem da minha vida,
Me jogando num caminho sem saída,
Sem me dizer como percorre a estrada,
Me separando lentamente para o abate.
Abate este que não consiste em morte
Consiste em entrega total a um Estado
A um Estado que nem mesmo faz o que deve
E que obriga a todos a continuarem mantendo ele
Ah, matadores de sono!
Só por que mataram o seu, significa que deves matar o nosso?
Há uma beleza única na morte, ouvi uma vez
Mas não sabia que a morte também se fazia por ordens.
Se eu, que não tenho ambições, já sofro em alcança-las
(não as que eu quero, mas as que me mandaram querer)
Imagine quem tem uma cabeça bitolada,
Crente de que sua vida pertence aos outros,
E que tudo o que ama pode-se jogar ao nada!
Ah, mentirosos cruéis!
Um dia vocês verão esta gente fazendo revolução,
E vão chamar de rebeldia, de preguiça.
Preguiça é o que VOCÊS têm,
Que obedecem a um líder sem confiar nele,
Que continuam fazendo desta nação esta criança que ela sempre foi.
Um dia vocês perceberão o que nós,
Filhos desta era de luzes robóticas,
Sofremos a cada dia, a cada hora
Não é somente a pressão:
Tudo passa muito rápido
(os slides, as horas, as oportunidades)
E é óbvio que vocês não percebem isso,
Porque não nasceram na mesma época que a gente.
É muito fácil apontar o dedo para nós
Reclamar que somos preguiçosos, ineficientes,
Lerdos e inconsequentes
Mas se nada vocês explicam pra gente,
Ou tudo o que explicam se resume a uma repetição
Da confusão que já disseram,
Como diabos querem que nós entendamos?
É ótimo comparar nossa vida de agora com o que já passou,
Porque vocês podem se gabar de terem passado por grandes perrengues
Mas entendam que vocês foram também como a gente,
Que odiava o sistema em que estavam, pois era simplesmente
Uma forma para produzir pessoas “inteligentes”
Na verdade, poucos de vocês levaram o sistema a sério.
Lembro das vezes que disseram como escaparam da seriedade,
Que não se importaram com a docência,
Que estavam nem aí para aqueles números nas folhas impressas.
Então, colegas da vida, vamos unir passado e presente?
Por favor, não deixem de nos estimular a ter paciência,
A desenvolvermos não o que as empresas querem
(pois todos sabemos que não vale a pena)
Mas sim quem nós somos
Estimulem o autoconhecimento, a razão e o entendimento
Não nos mandem viver como não queremos,
Pois todos nós sabemos que não obedeceremos
(ou, se o fizermos, o faremos muito mal feito)
Peço paciência, amigos de sala,
Companheiros de vida dura,
Companheiros dessa vida ralada
Um dia, haveremos de mudar nem que seja um pedaço
Desta péssima educação do nosso país
Se não se importam com ela, pensem de novo.
Querem mesmo se deparar com seus filhos,
Seus sobrinhos, seus conhecidos
Sofrendo e sofrendo a mesma coisa,
E nada poder dizer em relação a isso?
Não se acovardem diante das regras que um dia disseram
Há tanta gente que quebra tantas regras boas,
Porque não há quem quebre as regras ruins?
Uma andorinha só não faz verão,
Mas se uma não querer voar
Como é que as outras irão?
Notas finais
mas é por uma boa causa, eu garanto...
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