Notas iniciais
Oi pessoal! Mais um capítulo! Depois me contem o que estão achando!

Harry acordou ofegante no dia seguinte. Sua cicatriz estava doendo. A porra da cicatriz estava doendo depois de 19 anos em silêncio, e ele sabia o motivo. Quirrell. Aquele babaca, carregando Voldemort no próprio corpo. Que nojeira.

A verdade é que a vida em Hogwarts era bem monótona. Harry demorou pouco tempo — poucos feitiços na verdade — para perceber que sua habilidade como bruxo se mantivera com a viagem no tempo, de modo que ele conseguia executar os feitiços simples e complexos com maestria.

As aulas para os novatos, que sequer sabiam transformar uma xícara em copo e muito menos como se duelava, eram fáceis demais para ele, que conseguia fazer tudo perfeitamente e estava encantando os professores — e ganhando vários pontos para a Grifinória logo na primeira semana de aula.

Apesar do ciúmes que Hermione sentia, ela não se incomodava tanto com as habilidades do amigo, porque ele sabia como executar os feitiços muito bem, mas apenas ela conseguia responder as perguntas teóricas, e também mandava bem nos feitiços, depois que pegava o jeito.

Para o desespero de Ron, agora ele tinha dois amigos sabe tudo.

A semana foi se passando, e Harry estava desesperado para ficar sozinho e testar alguns feitiços mais complexos, mas aonde quer que ele fosse, parecia que um professor estava sempre por perto, e não conseguia sair do dormitório de noite, porque não tinha a capa da invisibilidade. A idéia era sair e entrar na boa e velha sala precisa, agora que ele sabia onde ela estava, mas sair de noite sem a capa era impossível.

Harry lembrava o que tinha acontecido quando, em uma única noite, ele e seus amigos haviam perdido mais de 100 pontos para a Grifinória. Não. Aquilo não podia se repetir.

Para piorar, não conseguia ter acesso ao diretor por nada. Por mais que pedisse para vê-lo, ele nunca estava disponível, e nunca conseguia dar uma boa explicação que convencesse os professores a levá-lo até ele.

E para deixar tudo ainda mais terrível, somado à saudade que sentia de casa e da família, e ao tédio que sentia a todo momento, ali ele voltara a ser famoso e interessante, e por onde quer que ele fosse, era alvo de dezenas de olhares atentos e na maioria das vezes indesejado.

Naquela noite de quinta-feira, quando todos começavam a ficar sonolentos na sala comunal da Grifinória, ele se levantou bruscamente, assustando Ron e Hermione que faziam uma lição, e disse bem alto, para que todos ouvissem:

"Vou testar um feitiço muito difícil que encontrei em um livro um dia desses, e queria que todo mundo prestasse atenção — ja que vocês me encaram e cochicham sobre mim o tempo todo".

Fez uma longa pausa poética. Fred e George se aproximaram, interessados no que viria a seguir. Já que ele não tinha privacidade mesmo... Por que não chutar o balde e testar alguns feitiços ali mesmo? Com platéia e tudo.

Pigarreou.

"EXPECTO PATRONUM!"

Gritou, apontando a varinha para o canto do salão. No mesmo instante, uma luz prateada saiu da ponta de sua varinha, tornando-se progressivamente mais intensa e luminosa, até que um belo cervo se materializou no meio de todos, e passeou pelos ares, brincalhão.

Os colegas aplaudiram entusiasmados. Ele conseguira, e aquela magia não era simples. Ele conjurou um patrono corpóreo, de primeira. É, ele ainda tinha seus poderes em ordem.

Logo todos cercaram o garoto para convencê-lo a ensinar o que sabia. Harry disse que iria pensar no caso, e que talvez os ensinasse em outro momento, mas que agora iria dormir.

Ao subir as escadas para o dormitório, não pode deixar de ouvir Fred e George repetirem o feitiço, sem que nada acontecesse realmente. Não era um feitiço fácil.

Na sexta feira pela manhã, foi convidado para um chá na cabana de Hagrid. Lógico que ele iria, mas antes teria que passar pela insuportável aula de poções.

Acontece que com os anos de prática, e várias cartas trocadas com o professor Horácio, Harry se tornara um verdadeiro mestre de poções. Para a surpresa de todos, ele dominara aquela matéria de tal forma, que uma de suas especialidades como auror era identificar envenenamentos ou efeitos das poções e preparar os antídotos ou contra-poções.

Snape iria odiá-lo de toda forma, claro. Harry sabia que o professor não gostou dele por muitos motivos ao longo dos anos, não apenas por sua incompetência em poções. Snape era ao mesmo tempo um frustrado e um herói. Ele reconhecia isso.

Mas ao mesmo tempo, também não pretendia de forma alguma seguir as regras, ou ser menos intrometido, ou menos parecido com James. É, Snape iria odiá-lo.

"Potter! O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?"

Após muitos anos e muitos fatos, Harry captou a mensagem oculta por trás da pergunta.

Fingindo timidez e pretendendo não saber a resposta, disse em voz alta:

"Eu sei que Asfódelo é uma espécie de Lírio, professor... E Losna na linguagem das flores Victoriana significaria arrependimento ou tristeza... Obrigada pelas condolências, professor, eu também lamento todos os dias o falecimento dela. Quanto à resposta, eu infelizmente não sei".

Hermione deixou escorrer uma lágrima.

Snape não soube reagir, e mudou de assunto, mas também não alfinetou mais o garoto até o final da aula, mesmo ele não tendo respondido nenhuma das outras perguntas — que sabia a resposta.

"Harry, por que o professor Snape diria algo assim pra você? Por códigos, ainda por cima?". Perguntou Ron no final da aula.

"Eu não sei, Ron. Acho que eles podem ter estudado juntos em Hogwarts, talvez tenham sido amigos..".

"Eu fiquei emocionada, Harry. Achei muito bonito da parte dele ter dito algo assim". Hermione pontuou.

Naquela tarde, os garotos foram tomar chá na cabana de Hagrid. Ali estava caótico como sempre estivera, e a comida igualmente ruim.

Um jornal aberto em cima da mesa denunciou que o cofre 713 havia sido invadido, mas que nada fora retirado de lá, porque havia sido esvaziado pela manhã do mesmo dia.

"Foi Quirrell". Disse Harry, e todos se viraram para ele, assustados.

"Quirrell?". Perguntou Hagrid confuso.

"O próprio. Não me perguntem como eu sei... Eu só sei. Minha cicatriz dói quando estou perto dele. E ele estava la naquele dia, não estava?".

Hagrid discursou sobre como acusações como àquela eram graves e deveriam ser feitas com cautela.

O garoto, indignado, perguntou como poderia falar com Dumbledore. Hagrid desconversou, e deu uma bronca nele. Dumbledore era muito ocupado, e só deveria ser incomodado se o assunto fosse muito, muito urgente.

Após algumas semanas, chegou a hora que Harry aguardava ansiosamente. A primeira aula de voo. Precisaria, de alguma forma, entrar para o time, mas sem a rivalidade com Malfoy aquilo seria muito dificil.

Quando madame Hooch apitou, a vassoura de Neville voou desgovernada, apesar dos inúmeros avisos de Harry para que ele tomasse cuidado com o impulso, e o menino girou várias vezes no ar até que caiu no chão.

Mas dessa vez, o garoto puxara sua varinha e acertara Neville em cheio, amortecedo sua queda com um feitiço de proteção.

A maioria dos alunos, inclusive a professora, aplaudiram a iniciativa do menino, e ele ganhou alguns pontos para a casa.

No entanto, apesar de não quebrar os pulsos, Neville ficou azul, pelos inumeros giros em alta velocidade antes de cair, e começou a vomitar sem parar.

Naquele momento, um pensamento assustador tomou conta de Harry. E se, apesar de todo o esforço que fizesse, as coisas estivessem fadadas a se repetir, de algum jeito ou de outro, e ele fosse obrigado a perder as pessoas que amava novamente? Ele não queria sentir toda aquela dor de novo.

Madame Hooch levou o garoto machucado para a ala hospitalar.

"Ei, Draco! Neville deixou o Lembrol dele no chão". Disse Harry animado. "Vamos jogar um pouco?".

Malfoy relutou, mas sob os olhares dos seus capangas, não poderia recusar a oferta.

"Harry, você ouviu. Você pode ser expulso". Hermione repreendeu, como Harry sabia que faria.

"Não seja chata, garota". Disse Malfoy, dando um passo a frente e levantando voo, o Lembrol na mão. "Você pode até ser uma sabe tudo, mas não sabe nada sobre ser divertida".

"Crianças, não briguem. Hermione, você pode se juntar a nós, se quiser". Harry convidou, mas ela não quis. Ron, e um outro garoto da Sonserina, por outro lado, se juntaram aos dois.

Harry levantou voo em seguida, e se distanciou de Malfoy, para que ele lançasse a pequena esfera. O combinado era que cada um jogasse longe, e os outros teriam que buscar sem deixar a bola cair no chão.

Malfoy arremessou para longe, e como antes, o Grifinório voou perfeitamente bem e rápido, como o bom apanhador que era, até recuperar o objeto, a centímetros de distância da janela de Mcgonagall.

Depois foi a vez de Harry arremessar, e após uns 5 ou 6 arremessos, Mcgonagall apareceu, e um novo apanhador foi encontrado para o time da Grifinória.

Draco e os outros não tiveram a mesma sorte. Não levaram advertência nem nada, afinal, eram só um bando de garotos brincando de Quadribol, mas Snape era rigoroso com as regras. Primeiro-anistas não podiam jogar, e ademais, o time da Sonserina não precisava de um apanhador. Ron não tinha conseguido pegar o Lembrol nenhuma vez, então não faria o menor sentido disputar o lugar com Harry.

Notas finais
Espero que tenham se divertido com a leitura, assim como me diverti com a escrita!