Tudo em Um Sábado
5 Capítulo 5 - Palavras simples, finalmente ditas
Notas iniciais
No dia seguinte, o sol nasce brilhando e os raios de Sol entram pela janela batendo no rosto de Winry. Ela franziu os olhos e tapou a luz do Sol com a mão. Ela então olhou para o relógio para ver que horas eram. Eram 10:00h! Ela tinha dormido demais! Ela acabou dormindo com sua roupa de trabalho, e então aos poucos se recordou de quem a havia colocado na cama ao ver o avental e luvas sujas de óleo sobre o criado-mudo. Fora Edward que a tinha deitado carinhosamente na cama. Que gentil da parte dele pensou Winry e suspirou. Estava se lembrando de quando ele delicadamente passou a mão sobre o seu rosto, acordando-a suavemente. Quando ela olhou pra ele confusa e acordou às pressas recobrando a consciência e tentando trabalhar, mas suas pálpebras não permitiam, querendo cair novamente. Quando ele a levou ao quarto dela e retirou o avental e as luvas e a colocou na cama pronta e a cobriu, do beijo que ele lhe havia dado e depois de ligar o ventilador. Quando ele estava na porta e desejou boa noite, apagando a luz. Foi tão bom. Nessa hora, Winry levantou da cama em um pulo e vestiu novamente o seu avental e as suas luvas. Estava disposta a passar o dia inteiro trabalhando naquela mesa para ajudar Edward. Estava fazendo isso por ele. Ela foi até a sua oficina, mas assim que pegou a chave de fenda para continuar o reparos o seu estômago roncou. Estava com fome. Bom, não dá pra trabalhar de estômago vazio, não é? Ela desceu e viu que tinha sido a primeira a acordar, e teve uma ideia pra compensar a gentileza que Ed tinha feito por ela. Ela pegou 2 ovos, farinha de trigo, açúcar e leite, e colocou os ingredientes em cima do balcão da cozinha. Iria fazer deliciosas panquecas doces para o café da manhã, suficientes para ela, Edward e sua avó. Ela misturou os ingredientes para fazer a massa, e começou a fazer as panquecas. O cheiro de panqueca era ótimo e subiu até o segundo andar, onde Ed estava dormindo. Ele abriu os olhos lentamente, e respirou profundamente, aspirando aquele cheiro delicioso. Ele se sentou na cama e esfregou os olhos, e Al olhou pra ele. Ed olhou para a porta e se levantou, caminhando lentamente, e deixou escapar um bocejo. Ele desceu as escadas e ao chegar lá em baixo, encontrou Winry na cozinha, com um prato com deliciosas panquecas cobertas com chocolate e recheadas com banana na mão. Ela olhou pra ele e sorriu.
— Olha só! Parece que alguém acordou! — Ela disse, colocando o prato sobre a mesa. Ed olhou pra ela e sorriu de volta. Ele sentiu o cheiro das panquecas quentinhas e começou a salivar.
— Huum, essas panquecas estão com um cheiro delicioso, Winry! Ai, que fome... — Disse Ed, e colocou a mão no estômago que roncava. Winry sorriu pra ele.
— Que bom! Pode comer, estão quentinhas! — Disse Winry da cozinha. Ed olhou pra ela surpreso.
— Essas panquecas são... pra mim? — Ed disse, apontando pra si mesmo. Winry sorriu e assentiu com a cabeça. Ed ficou feliz e foi sentar-se à mesa, e pegou um garfo e uma faca. Ele cortou um pedaço da panqueca e colocou na boca, mas logo começou a gritar com a boca cheia.
— AI AAI! TA QUENTEE! — Ele gritou desesperado, abanando a boca aberta. Winry se assustou por um minuto e foi um desespero.
— Seu doido! Eu disse que estava quente! Beba isso! — Winry estendeu-lhe um copo com leite. Ele balançou o dedo negativamente.
— Nana ni na não! Você não vai me enrolar! AAI! — Ed gemeu de dor. — Quer saber? Me dá isso! — Ele pegou o copo de leite e bebeu um pouquinho, só pra passar a dor. Ele engoliu o pedaço de panqueca para sair aquele gosto de leite horrível. Winry olhou pra ele na expectativa. Queria que ele dissesse alguma coisa sobre suas panquecas.
— Huum, ta uma delícia Winry! Meus parabéns! — Ed sorriu e cortou outro pedaço de panqueca para comer, mas antes de levar à boca, certificou-se de assoprar antes. Winry ficou feliz com o elogio. Al desceu as escadas e viu Ed comendo as panquecas e ficou morrendo de vontade (modo de dizer, já que ele não sente fome).
— Tenho que adicionar essas panquecas à minha lista do que vou comer quando recuperarmos os nossos corpos, nii-san. — Disse Al. Ed olhou pra ele e sorriu de novo.
— Adicione, adicione! — Ele disse, continuando a comer. Winry fez mais panquecas e se juntou a ele para comer. Eles comiam panquecas enquanto tomavam o suco de laranja fresquinho que tinha sido feito por vovó Pinako no dia anterior. Ed terminou primeiro e foi colocar o seu prato na pia, e depois foi, se sentou no sofá e abriu um livro pra ler. Winry comeu as suas panquecas e depois colocou os pratos na pia, lavou e depois de enxugar as mãos ela voltou à oficina para continuar a fazer os reparos no auto-mail de Edward, que já estava quase pronto. Ela não pretendia sair de lá até o auto-mail dele estar pronto. Ele estava contando com ela, e ela queria ajudar da melhor forma possível.
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Depois de passar 30 minutos lendo, Ed agora estava morrendo de tédio. Seu livro de alquimia agora parecia só conter páginas em branco. Ele já sabia de tudo aquilo que estava naquele livrozinho barato de camelô e um pouco mais. Ele olhou para todos os lados a procura do que fazer e olhou para as escadas. “O que será que a Winry está fazendo agora?” Pensou Ed, e curioso resolveu subir para a oficina, para olhar a sua mecânica trabalhar. O pobrezinho teve trabalho para subir as escadas com aquela perna reserva maior do que ele, e então se dirigiu à porta do quarto de Winry. A porta estava encostada e ele ouviu o barulho de uma solda lá dentro, e ficou ainda mais curioso para saber o que ela estava fazendo. Ele abriu a porta devagar, sem ela notar e chegou mais perto. Ele viu ela com a solda na mão, dando um jeito no seu braço, e resolveu fazer uma travessura. Chegou bem mais perto, até estar quase encostado nela, mas de um jeito que ela nem percebeu. Esperou ela terminar com a solda, pois não queria causar um acidente, e assim que ela terminou com a solda, ele foi ao ouvido dela e disse baixinho:
— Booooo. —
Ela se assustou e deu um pulo e se encolheu contra a cadeira, se virando bruscamente para o lado para ver quem era. Ela olhou pra ele e deu um suspiro de alívio. Ele começou a rir da reação dela, e ela olhou pra ele um pouco brava.
— Ed! Ai meu Deus não me dê um susto desses! E não assopre o meu ouvido. — Ela colocou a mão no peito e começou a ofegar. Ele olhou pra ela e deu um sorrisinho.
— Não fazer isso? — Ele chegou no ouvido dela e deu uma assopradinha delicada. Winry se arrepiou e riu um pouquinho. Aquilo fazia cócegas.
— É! Não faça mais isso! — Ela disse, ainda rindo um pouquinho. Ele riu.
— Então eu não posso fazer isso também, não é? — Ele começou a delicadamente passar o dedo na orelha dela. Ela deu um gritinho e riu. Também fazia cócegas.
— É, isso também não! — Ela disse, se encolhendo.
— E isso? — Ele perguntou com um sorriso.
Ele começou a dedilhar no pescoço dela, subindo e descendo. Ela riu e se encolheu novamente, mas dessa vez ela chegou muito pro lado esquerdo e a cadeira em que estava sentada virou, e ela caiu no chão sentada. Ed foi até ela preocupado, mas quando viu ela estava rindo. Rindo da sua situação, das cócegas, da brincadeira dele e por se sentir ridícula. Estava até rindo da própria risada. Sua risada era contagiosa e Edward começou a rir também. Rir da reação dela, da brincadeira, do estado dela e da maneira como ela ria. Ele riu tanto que sua barriga começou a doer, e ele foi se sentar na cadeira em que Winry estava, mas Winry, que estava rindo no chão puxou a cadeira e ele caiu sentado no chão ao lado dela, e continuou rindo. Os dois agora estavam chorando de rir no chão. Alphonse ouviu o alvoroço da sala e foi ver o que estava acontecendo, mas ao entrar ele só encontrou um casal loiro rindo no chão. Ele olhou sem entender nada, e eles olharam pra ele rindo com os rostos vermelhos. Não de vergonha, mas de tanto rir. Al agora estava rindo do que tinha encontrado naquela oficina. Ele teve uma ideia. Pegou uma câmera fotográfica instantânea que encontrou sobre a mesa e tirou uma foto dos dois que estavam no chão, rindo. Eles pararam de rir, mas estavam sem mais forças para levantar, e eles começaram a ofegar, já sem ar de tanto rir. A foto saiu e Al pegou, olhou e riu. Ela estava ótima e muito engraçada. Winry, depois de se recuperar pediu a foto para ela ver. Al entregou-lhe a foto, e ela olhou e riu.
— Essa aqui vai para o mural no meu quarto. Está muito engraçada Al! Adorei! — Ela olhou pra Ed e sorriu. Ed sorriu de volta.
Porque o seu coração batia tão forte? “Será que eu a amo?” Ed pensou e olhou pra ela que estava sorrindo e olhando para a foto. Ele estava olhando fixamente pra ela, e ela olhou para ele, e seus olhos se encontraram.
— O que foi, Ed? Alguma coisa errada? — Ela olhou pra ele. Ele corou e virou o rosto.
— N-não é nada. — Ele disse gaguejando. Ela sorriu e foi ao seu quarto para pendurar a foto.
Quando ela estava no quarto, Ed chamou ela por um minuto. Ela estava pegando uns alfinetes na sua caixinha de bijuterias para prender a foto no mural e pediu para que ele esperasse um minuto. Depois que ela prendeu a foto do lado de uma onde tinha eles três crianças, ela sorriu. “Quanto tempo se passou... E esses dois continuam os mesmos.” Ela pensou, e desceu para ver o que Ed queria. Edward olhou pra ela quando ela desceu e disse:
— Vamos dar uma caminhada? Quero te mostrar uma coisa. — Ele parecia estar querendo falar alguma coisa importante com ela. Quando estavam saindo, Al ia acompanhá-los, mas Ed disse:
— Al, quero ficar a sós com ela, tudo bem? — Winry se surpreendeu com o que Edward disse, e Alphonse, como não é nem burro nem tapado, entendeu o que ele quis dizer.
— Tudo bem, nii-san. Eu vou caminhar pro outro lado. Podem ficar a sós. — Disse Al, e saiu primeiro, indo em uma estrada diferente. Ed chamou Winry, e ela foi com ele pela estrada da esquerda. Eles estavam caminhando, e Winry estava cada vez mais ansiosa. O que seria tão importante pra ele dizer a ela a sós que negou a companhia até do seu irmão, do qual nunca se separa? Ele sorriu pra ela por um minuto, e então começou a correr.
— Corre, Winry! Não chega primeiro do que eu lá em casa! — Ele disse, ainda correndo.
Winry não entendeu o motivo da pressa, mas foi correndo atrás dele, rindo. Achou que seria divertido apostar uma corrida, como antigamente. Mas o pobre alquimista ainda estava com aquela perna reserva, e corria muito desajeitado, por isso ela conseguiu alcança-lo sem muita dificuldade. Ela começou a rir do jeito como ele corria, que era todo desengonçado. Ele olhou pra ela, que ria dele, e disse:
— Ah, você ta rindo de mim, é? Muito bonito isso. — Ela continuou a rir. Eles então chegaram no terreno onde antes era a casa da família Elric. Ela deu um tapinha na árvore, que continuava ali.
— Cheguei! — Ela disse, e ele só conseguiu chegar depois, graças à aquela perna chata. Ele deu um tapa na árvore, ofegante.
— Não é justo! Você tem vantagem desleal. — Ele disse e se sentou nas raízes da árvore. Ela riu e se sentou ao lado dele. Quando já tinha tomado fôlego, ela disse:
— Ed, o que você queria me falar? — Ele ficou sem jeito por um minuto, e disse:
— Sa-sabe, Winry, você sempre foi a minha melhor amiga. Sempre me ajudou de todas as formas possíveis e muitas vezes fui um idiota, fazendo você chorar... — Ela olhou pra ele. Ele parecia realmente arrependido. — Eles queriam te tirar de mim. Queriam levar você de mim. Queriam usar você contra mim... E eu me submeti a eles, pois não queria que eles fizessem mal a você. — Ela olhou pra ele triste. Ela era a culpada pelos problemas dele?
— Sabe, acho que o melhor seria se eu não tivesse te conhecido. Aí você poderia lutar sem ser chantageado e... — Ele interrompeu-a.
— Nunca! Não entenda errado o que eu quis dizer! Eu não posso viver sem você! Eu... — Parou por um minuto. Ele olhou pra ela no fundo daqueles lindos olhos azuis celestes.
— Eu amo você, Winry... Elric. —
Winry agora estava chocada. Ele foi direto, sem nenhuma interrupção, sem enrolar. Tinha falado o que realmente sentia, e Winry, agora que olhava nos lindos olhos dourados dele, sentiu que ele estava sendo sincero. Agora o coração dela batia mais forte do que uma escola de samba, e ela sentiu um calor na boca do estômago, como se fosse azia, mas sem incomodar. Ela sabia que já tinha se apaixonado por ele antes. Mas ele sabia? Ela suspirou.
— Eu também te amo, Edward... Rockbell. — Disse Winry, olhando ele nos olhos.
Nesse momento, ele foi chegando cada vez mais perto, e ela também, e a próxima imagem que ela presenciou foram seus lábios se tocando suavemente. Ele a beijou suave, sem quase nem encostar nela. Só seus lábios agora estavam ligados. Ela sentiu, naquele beijo, que o amava. Nunca teve dúvidas, mas agora, mais do que nunca, ela sentia isso. O mesmo de Edward. Ele sempre ficou indeciso se a amava ou não Winry, mas hoje, no momento em que seus lábios tocaram os dela, ele teve certeza de que a amava, e ela o aceitou. Do jeito que ele era, com todos os defeitos. Winry começou a ver estrelas e arco-íris à sua frente. Foi um beijo longo. Quando pararam de se beijar, ela olhou pra ele e ele para ela, e ela se apoiou ao ombro dele e disse:
— Você não sabe o quanto essas palavras ficaram guardadas na minha garganta. Finalmente pude dizê-las e foi como tirar um peso enorme das costas. — Ela suspirou. Ele olhou pra ela e disse:
— Eu me sinto da mesma forma. — Ele parou por um momento e olhou pra ela. — Winry, eu prometo que nunca mais vou te fazer chorar. — Depois dele dizer isso, começaram a escorrer lágrimas dos olhos azuis de Winry. Ed não compreendeu.
— Seu mentiroso... — Ela disse, chorando. Mas ela estava sorrindo. Chorando e sorrindo. Não estava chorando de tristeza, ela estava chorando de emoção, de alegria. — Ed, você me faz tão feliz. — Ela disse, ainda chorando. Ele ficou preocupado por um momento.
— Wi-winry, fui eu que te fiz chorar?! — Ele perguntou, angustiado. Ela sorriu, ainda com lágrimas nos olhos.
— Você cumpriu a sua promessa. Você me disse que a próxima fez que me faria chorar seria de felicidade, não disse? Você cumpriu ela hoje. — Winry disse, com os olhos ainda um pouco úmidos.
Ele olhou pra ela e sorriu. Depois ele começou a dar beijinhos no lado do rosto dela, e ela riu. Eles davam arrepios nela e faziam cócegas leves e suaves. Agora as lágrimas não escorriam mais, mas seu rosto ainda estava um pouco úmido. Ed passou o braço por cima do ombro dela e a abraçou. Eles se encostaram um no outro e ficaram naquela posição, sem dizer nada. Só curtindo a presença um do outro. Até que, enfim, adormeceram abraçados.
Notas finais
Não percam o próximo capítulo!
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