Tudo em Um Sábado
9 Capítulo 9 - O tempo passa rápido
Notas iniciais
Alphonse tinha saído para dar uma volta com Den pelo jardim afora, e eles estavam se divertindo. Quando entraram em casa, assim que viu Edward e Winry acordados estremeceu.
— Vocês dois ainda estão acordados? Tem ideia de que horas são? — Alphonse estava surpreso. Eles negaram com a cabeça, e então Al aponta para o relógio de parede, que mostrava 1:30h da manhã. Eles dois ficaram surpresos, porque não tinham percebido o quanto tempo se passou.
— Já?! — Eles disseram em coro, incrédulos. Não tinham se dado conta do quanto eles demoraram ali. Alphonse olhou para eles suspirando e disse:
— Acho melhor você ir dormir nii-san, e você também Winry, afinal nenhum dos dois vai querer estar cansado amanhã, não é?
Eles concordaram, e Ed se levantou do sofá e se espreguiçou, bocejando. Estava realmente muito cansado, e Winry também se espreguiçou, bocejando. Eles deram boa noite um para o outro e subiram até os seus quartos. Edward entrou no quarto e trocou de roupa, ficando com sua camisa preta folgada e sua samba-canção azul, e foi até o banheiro escovar os dentes. Lá, encontrou Winry, com a sua camisola de duas peças branca, estampada com flores, também escovando os dentes.
Ele estava ao lado dela agora, e ela ficava encantadora com aquela camisola. Ele olhou para baixo, e viu o par de pernas lindas que ela tinha, com coxas grossas e bem definidas. Depois foi subindo o olhar, e a barriga dela, que estava ligeiramente à mostra, era malhada e esbelta, mas ao mesmo tempo forte. Ela o viu olhando para o seu corpo, e perguntou:
— Ed, o que foi? Tá olhando o quê? — Ela instantaneamente ficou corado, e desviou o olhar rapidamente.
— N-não é nada — Winry riu da expressão dele.
— Não precisa mais ficar assim, você sabe disso — Ele continuou corado, ao ver que ela tinha percebido.
— É que... bem... você tem um corpo lindo — Ele estava se preparando para receber uma chave inglesada, por ser tão atrevido.
— Obrigada — Ela disse apenas, ficando ligeiramente corada.
Ela não tinha se irritado. Muito pelo contrário, ela nunca tinha recebido um elogio como esse antes, e gostou, como qualquer outra garota gostaria de ouvir que tem um corpo lindo. Ela riu sem graça e ele abriu os olhos lentamente, vendo que ela não tinha pegado a chave inglesa. Ele suspirou aliviado e sorriu de volta, coçando a cabeça e rindo, sem graça.
— Você pensava que eu iria te bater com a chave inglesa, né?
— Co-como é que você sabe? Você tem o poder de ler a minha mente?! Ai, tô ferrado — Ele disse brincando e ela riu.
— É que eu conheço você bem até demais. Nem preciso ler os seus pensamentos, foi só ver a cara que você fez — Ela disse, ainda rindo. — Não se preocupe, deixo a chave inglesada pra próxima — Ela disse, piscando o olho e dando língua, provocando. Ele suspirou.
— Ai... já imagino no que isso vai dar: um galo enorme na minha cabeça — Eles riram.
Depois que Winry terminou, ele foi escovar os dentes. Assim que terminou de escová-los, ele, que estava indo em direção ao seu quarto, passou pelo quarto de Winry e ouviu-a dizendo algumas coisas lá dentro, mas o quarto estava com a porta fechada, por isso ele teve que encostar o ouvido na porta para ouvi-la.
— Querido diário — Ela começou, e ele ficou ainda mais interessado. — Há muito tempo eu estava gostando do Ed, como você bem sabe, mas durante esse tempo que ele esteve aqui, senti que a nossa relação ficou mais forte, não só como apaixonados e tal, mas também como amigos. Ele tem me feito sentir aquele gostinho de amizade, de família, que há muito tempo não sentia. Às vezes eu fico aqui em casa, sozinha, e fico pensando nele e no Al, mas principalmente nele. Imaginava se ele estaria bem, lembrava do tempo em que éramos crianças e brincávamos juntos, enfim, ficava morrendo de saudade. Ele, durante o tempo que esteve aqui, me fez sentir mais viva, mais feliz, e ainda se declarou pra mim, o que me deixou nas nuvens — Ele ouviu um doce riso dela, depois de falar. Ele sorriu, pois adorava aquele sorriso puro dela.
— Nossa relação é algo mais profundo do que só namorados — Ele ouviu ela falar a palavra “namorados” e ficou curioso. Ela ouviu as próprias palavras e se corrigiu. — Desculpe, apaixonados, e além de sermos só apaixonados, somos os melhores amigos um do outro. Eu sei que ele também pensa isso — Ele assentiu a cabeça, como se ela estivesse falando com ele, para concordar. — Nós nos divertimos juntos e brincamos juntos, e isso é muito mais profundo do que só uma coisa momentânea, sabe? Já éramos amigos a muito mais tempo.
Ele a ouviu suspirar dentro do quarto. Ele estava feliz por ela achar isso, e ele também sabia que tudo o que ela tinha falado era verdade. Então ele encostou o ouvido novamente na porta, para ouvir o resto do que ela tinha a dizer.
— Sabe diário, eu venho notando que ele está diferente. Ele parece mais doce, mais gentil, mais atencioso e até mais fofo — Ela riu novamente aquele riso puro que ele adorava. — enfim, eu acho que ele mudou muito, e mudou pra mim, porque sinceramente eu ficava me perguntando “porquê eu me apaixonei por esse esquisito?”. Ele era terrível e muito grosso e frio comigo quase sempre... mas eu ainda o amava, não sei porque, mas sempre vi alguma coisa nele que me fazia amá-lo. Mas ele mudou pra mim, e eu acho que posso também mudar pra ele. Vou, de agora em diante, ser mais “feminina”, o que ele sempre dizia que eu não era, e também mais delicada. Aposto que ele pensa que eu me preocupo mais com auto-mails do que com ele, mas ele está errado. Eu me preocupo com ele mais do que tudo.
Ele se sentiu extremamente culpado naquele momento. Ela sempre o amou, e ele, o idiota, nunca tinha percebido. Só percebeu depois que ele despertou aquele sentimento por ela, e apesar de tudo que ele já havia feito a ela, ela o aceitou de volta, o perdoou por tê-la feito esperar, por tê-la feito sofrer, por tê-la feito chorar, e acima de tudo, por não ter correspondido ao seu amor antes. Como tinha sido um idiota completo e se remoia de raiva por dentro, odiando a sua pessoa por ter feito coisas tão estúpidas e por não ter mudado antes.
Ed, enquanto estava se remoendo com dúvidas e desgosto, não notou que tinha batido levemente na porta com o auto-mail, e que Winry tinha escutado. Ela imediatamente se levantou para ver o que era. Infelizmente, Edward novamente tinha encostado o ouvido na porta para ouvir o resto, e foi bem no momento em que Winry abriu a porta, e ele entrou no quarto todo estabanado, quase caindo. Winry olhou pra ele surpresa e confusa ao mesmo tempo.
— Ed? Você estava... escutando? — Ela disse, incrédula.
— Bom, eu... er... talvez... quem sabe — Ele não sabia que explicação dar a ela.
O que ele poderia dizer? “Oh, Winry, me desculpe mas eu estava aqui descaradamente ouvindo o que você colocava no seu diário particular, sem ter o menor respeito à sua privacidade”?! Não, né? Pelo amor de Deus.
— Como você pôde? — Ela dizia, ainda incrédula.
Nesse momento, ela ficou vermelha. Uma mistura de raiva e vergonha, e lentamente foi esticando o braço em direção ao criado-mudo, onde estava a sua chave inglesa, e Ed estremeceu. Ele sabia o que iria acontecer em seguida. Quando ela estava levantando a mão para bater nele, ele rapidamente segurou a mão dela no ar.
— Me larga, Edward! — Ela disse, furiosa.
— Não, e me chame de Ed! — Ele disse, e continuou a segurar a mão dela.
Ele sabia quando ela o chamava de Edward ao invés de só Ed, ela com certeza estava brava. Ela deslocou a outra mão para bater nele, mas ele, que agora estava com os dois braços, segurou com a outra mão o outro braço de Winry.
— Eu estou te avisando! Me solta! — Ela disse, ainda furiosa.
— Se eu te soltar, você vai me bater! Não! — Ele media forças com ela, enquanto a segurava.
— Eu não vou te bater, só vou te matar um pouquinho! — Ela disse, e ele não pôde deixar de rir um pouquinho. — Qual é a graça?!
— Você fica linda com raiva — Ele disse, provocando, o que só deixou ela com mais raiva.
— Não adianta vir com elogios agora!
Depois de um bom tempo medindo forças com ele, ela acabou perdendo o equilíbrio e caindo na cama, e ele também perdeu o equilíbrio, caindo sobre ela, e seus lábios se encostaram. Mesmo sendo um beijo por acidente, ela ficou paralisada, e ele levantou a cabeça rapidamente, desencostando os seus lábios dos dela. Ela sorriu sem graça, e ele também, por que a situação em que se encontravam agora era meio que ridícula. Eles e riram um pouco da situação deles, mas depois se deram conta da posição que estavam e coraram.
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Alphonse, que já estava estranhando a demora do irmão, foi ver onde ele estava. Ele ouviu alguns gritos vindos do quarto de Winry, e ficou assustado e curioso para saber o que estava acontecendo, e assim que entrou, presenciou a cena de Edward sobre Winry, em cima da cama. Ele se surpreendeu.
— Nii-san! O que você está fazendo? — Ele disse, olhando os dois, que estavam corados.
Edward rapidamente saiu de cima de Winry, corado e sem graça. Não sabia como explicar o que tinha acontecido. Winry também estava corada e envergonhada, sem saber o que dizer.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Nii-san, eu interrompi alguma coisa?— Alphonse estava surpreso e incrédulo ao mesmo tempo.
— Vo-vo-você n-não interrompeu nada, Al! D-depois eu te explico, no quarto. — Edward estava com um sorriso amarelo pouco convincente, e Al resolveu esperar pela explicação no quarto.
Depois que Al tinha saído do quarto, Ed suspirou aliviado. Ter que dar explicações ao seu irmão não seria nada fácil, mas seria bem melhor a sós, e ele também se sentiria mais à vontade. Winry olhou para ele, ainda rindo sem graça. Ele sorriu e foi até ela.
— Não precisa se preocupar, eu explico tudo pra ele — Edward disse, colocando a mão sobre o ombro dela.
— Não estou preocupada — Ela não conseguia esconder a expressão de um ligeiro medo que sentia.
Ele viu que ela estava um pouco preocupada, e sorriu.
— Você não consegue mentir pra mim. Tá na cara que você está preocupada — Ele disse, e ela o olhou surpresa. — O Al confia em mim, e eu não mentiria pra ele, bom... pelo menos não nesses dias, né? — Eles riram. — Ele vai acreditar no que eu disser. Só espero que ele esqueça o que viu.
— Meu filho, isso aí vai ser difícil. Eu não esqueceria no lugar dele — Ed deu de ombros.
— Bom, agora tenho que ir. Boa noite — Ele disse, bocejando, e saiu do quarto.
— Boa noite, Ed — Ela disse, se aconchegando nas cobertas.
Ele saiu do quarto, apagou a luz e fechou a porta, se dirigindo ao seu quarto, onde Al o esperava para que ele lhe desse uma explicação. Al olhou para ele, que entrou no quarto, se sentindo um pouco amedrontado pela cara de Al, que olhava fixamente para ele.
— Estou esperando, nii-san — Ele disse, de braços cruzados.
Edward se sentou ao lado do irmão e explicou a ele tudo o que tinha acontecido no quarto. Desde ele ouvindo a conversa dela por trás da porta até a parte deles se desequilibrando e caindo sobre a cama, só omitindo a parte do beijo, que era pessoal. Alphonse se contentou com a explicação que ele tinha dado, porque acreditava no irmão.
— Então não pense besteiras — Ele disse por fim, e Al olhou pra ele e riu.
— Eu não estava pensando besteiras, mas não pude deixar de imaginar, afinal o que você queria que eu pensasse?
— Bom, agora já está tudo esclarecido. Uáááá, que sono. Vou dormir, boa noite — Edward disse, se espreguiçando.
Estava muito óbvio que ele não queria mais falar sobre o ocorrido entre ele e Winry no quarto, e Alphonse percebeu isso, e não tocou mais no assunto, e deixou o irmão dormir em paz. Edward aconchegou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Seu corpo estava mole e cansado, por estar acordado tão tarde, e então se rendeu aos braços de Morfeu.
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