Tudo em Um Sábado
6 Capítulo 6 - Segredos de uma garota
Notas iniciais
Deixem reviews, por favor! Não arranca pedaço e me ajuda a progredir!
— Vovó, você viu o nii-san e a Winry? — Perguntou Alphonse a Pinako.
— Não, Al. Pensei que estavam com você! — Ela olhou pra Al interrogativamente. Al devolveu o olhar, agora com preocupação. Já estava ficando tarde e eles ainda não tinham voltado. Al olhou para o relógio. Eram 7:00h?! Ah, agora já tinha ido longe demais. Al saiu pra procurar os dois, pois estava ficando maluco de ansiedade. Ele foi em todo o lugar e nada. Foi até o mercadinho, até o lago, até os campos, perguntou pelas casas, parecia que ninguém sequer conhecia os dois e eles tinham evaporado. Então ele pegou a estrada que levava para o terreno de sua antiga casa. Quando viu, ao longe, havia um lindo casal loiro deitado embaixo de uma árvore, em sono profundo. Al não resistiu. Ele pegou a câmera fotográfica instantânea (que tinha guardado dentro de si) e tirou duas fotos. Uma para o irmão e outra para Winry. Eles estavam lindos dormindo daquele jeito, e então guardou as fotos e a câmera dentro de si novamente. Ele ficou até com pena de acordá-los, mas já estava escurecendo e ele teria que chamá-los. Ele primeiro chamou pelo irmão, sussurrando em seu ouvido e mexendo nele.
— Nii-saaaan, acordaaa. Já está ficando tarde. — Al chamou, sussurrando. Ed abriu os olhos lentamente e ao ver o irmão, perguntou:
— Al? O que você está fazendo aqui? — Ele bocejou e olhou pro lado. Winry ainda dormia tranquila ao lado dele. Al olhou pra ele e ele olhou pra Winry. Até ficou com pena de acordá-la, porque estava no mais profundo sono, mas ele tinha que fazer isso. Ele acariciou o rosto dela e disse ao seu ouvido carinhosamente:
— Winry, acorda. — Ele passou a mão pelo rosto dela, e ela resmungou baixinho e aos poucos foi abrindo os olhos. A primeira coisa que ela viu foram os olhos dourados de Edward olhando para ela e sorrindo, e ficou feliz. Depois de recobrar a consciência, ela viu que Alphonse também estava olhando pra ela. Ela levantou sem graça e corada olhou pra Al, e depois olhou pra Edward.
— Ed, aquilo tudo foi um sonho? Por favor me diga que não. — Perguntou Winry, esfregando os olhos e rezando para que ele soubesse do que ela estava falando. Ed sorriu pra ela.
— Se foi um sonho, foi o melhor que eu já tive. — Disse Ed e sorriu, e ela sorriu de volta. Não era um sonho, afinal. Não era uma peça que sua mente lhe havia pregado. Tinha sido o ali e o agora. Al olhou pra eles confuso.
— Do que vocês estão falando? — Eles olharam para Alphonse e sorriram.
— Nada, Al, nada. — Disseram os dois em coro. Alphonse não queria fazer um interrogatório, mas se viu perguntando:
— Nii-san, Winry, o que vocês ficaram fazendo todo esse tempo? — Ed ficou sem saber o que dizer, mas Winry foi rápida e disse:
— Nós ficamos conversando um bom tempo enquanto caminhávamos, e o Ed quis ver como estava a árvore que ficava perto da sua casa. A gente sentou ali embaixo e como tínhamos caminhado bastante, ficamos cansados e acabamos caindo no sono. — Ed ficou impressionado como ela tinha formulado uma desculpa tão rápido. Mais uma das qualidades que ele adora nela. Al acabou acreditando porque não queria forçar a barra.
Eles foram caminhando de volta para a casa de Winry. Já deviam ser umas 9:00h, e a lua já estava visível no céu, junto com as lindas estrelas. A lua estava cheia como um prato vazio grande e redondo. Aquele era mesmo o mesmo céu que eles viam da cidade? Assim que entraram, vovó Pinako recebeu-os preocupada.
— Onde estavam, crianças? Pra onde foram vocês dois? Querem matar uma pobre senhora do coração? — Perguntou Pinako exaltada, e depois chamou Ed e Winry e deu um beijo no rosto dos dois.
— Vocês não podem ficar até tão tarde fora. Imaginem se alguma coisa acontece! — Disse Pinako, ainda exaltada. Winry sorriu e disse:
— Não se preocupe, vovó, o Ed estava comigo. Com ele, nada de ruim vai me acontecer. — Ela olhou pra Ed e deu um sorriso. Aquele tinha sido só pra ele. Aí ele sorriu de volta, sem graça.
Al não sabia o que ela queria dizer com isso, mas ele entendeu que estava rolando alguma coisa entre os dois. Eles estavam apaixonados? Ele não podia esquecer de perguntar ao irmão depois que tudo se acalmasse, quando estivessem a sós. Pinako também percebeu o que Winry quis dizer. “Acho que não posso mais chamá-los de crianças...” ela pensou. Depois Winry se lembrou e deu um pulo. O auto-mail dele!! Ela tinha se esquecido completamente com tudo o que tinha acontecido. Ela correu para a oficina como uma condenada e Ed perguntou porque ela estava com tanta pressa, e ela respondeu:
— Meu Deus, me desculpa, Ed! Eu esqueci completamente de terminar de concertar o seu auto-mail! — Edward sorriu.
— Tudo bem. Eu que te tirei do serviço, não é? Não se preocupe com isso. A culpa foi minha — Disse Ed, tranquilo. Al se assustou com a resposta do irmão. “O que está acontecendo com o meu irmão??” perguntou Alphonse a si mesmo, olhando espantado com o comportamento dele. Ele geralmente era muito mais intolerante e estressado, mas agora falava calma e docemente. Estranho...
Winry começou a trabalhar, e graças a Deus ela já tinha quase terminado de concertar, por isso só faltavam alguns reparos básicos. Ela colocou as suas luvas e avental de trabalho e voltou a manusear as ferramentas com precisão. Puxa, mesmo faltando apenas algumas coisas, ainda teria que passar um bom tempo ali...
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Passaram-se 30 minutos desde que Winry tinha se trancado na oficina. Deveriam ser umas 9:40h, quando Ed começou a ler de novo o seu monótono livro sobre alquimia. Ele ficou lendo aquilo por uns 5 minutos, até ficar morrendo de tédio. Parecia que estava sem nem um pingo de paciência. Agora Alphonse via o seu irmão de sempre, impaciente e que não consegue ficar muito tempo no mesmo lugar. Ele começou a revirar a casa atrás de algo pra fazer, então algo lhe veio à cabeça. Ele chamou Alphonse:
— Al, vamos explorar a casa da Winry? — Perguntou Edward, animado. Al concordou com a cabeça. Porque não explorar as profundezas obscuras da casa dos Rockbells? Não tinham nada a perder. O primeiro lugar que Ed queria fuçar era o quarto de Winry, para ver se achava alguma coisa interessante. Eles subiram as escadas devagar e silenciosamente, para Winry não pegá-los no flagra, e foram entrando no quarto de Winry, muito arrumado por sinal. Isso queria dizer que eles não poderiam fazer bagunça, senão ela iria descobrir que eles estiveram ali. Ed começou a fuxicar umas gavetas, e acabou abrindo sem querer a gaveta de roupas íntimas de Winry. Ele ficou seu graça e quando já ia fechá-la, ele viu a ponta de um livro roxo com cadeado e corações estampados saindo de debaixo de umas calcinhas. Ele ficou curioso para saber o que era, e quando tirou o livro de baixo das calcinhas, apareceu a palavra “meu querido diário” escrita nele. Ed sorriu vitorioso. Agora a sua leitura não iria ser mais tão tediosa. Ele chamou o Al alto o suficiente para ele ouvir e baixo o suficiente para que Winry não escutasse, e disse:
— Al, olha o que eu achei! He he he. — Ele balançou o diário de Winry no ar vitorioso e Al olhou pra ele. Winry com certeza mataria ele por isso.
— Nii-san, você é louco? A Winry vai matar você. — Al disse, balançando a cabeça negativamente. Ed deu outro riso vitorioso. Ele queria abrir, mas o diário estava lacrado com um cadeado. Como ele agora estava com um braço só, ele não podia bater as mãos para usar a alquimia para abrir o cadeado, e então olhou para Al, com um sorriso. Al já sabia o que ele tinha pensado, pois conhece muito bem o seu irmão.
— Nem pense nisso, não vou ser seu cúmplice. — Al cruzou os braços e se virou.
— Vamos, Al! Só uma espiadinha! Só umas duas ou três ou quatro ou cinco páginas, vá! — Ed disse, insistente — Como nos velhos tempos! — Al olhou pra ele, suspirou e disse:
— Certo, mas só uma espiadinha. — Al estava tentando esconder, mas também estava morrendo de vontade de ler o diário de Winry. Ele nunca tinha lido o diário de uma garota antes.
Al desenhou um círculo de transmutação sobre a mesa com um giz e colocou o diário nele, e deformou o cadeado com alquimia, de forma que ele abriu. Eles riram baixinho. Agora iriam descobrir o que a Winry realmente pensava. Eles abriram na página do dia anterior e dizia assim:
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“Querido Diário, sabe, eu estava com muita saudade do Ed e do Al hoje de manhã. Fiquei entediada demais... Depois eu saí mais cedo para comprar uns ingredientes para uma torta de maçã, e quando eu voltei adivinha quem eu encontrei no chão, sendo lambido pelo Den até a morte? Ninguém mais ninguém menos do que o Ed! Eles tem o poder da telepatia? O Al estava sentado no sofá, e eu fui correndo abraçar os dois, mas adivinha: O braço do Ed quebrou... ¬¬’ Porque isso não me surpreende? Eu quase dei uma chave-inglesada nele, mas aí ele me deu uma linda caixinha de veludo. Adivinha o que tinha dentro? O par de brincos mais lindos que eu já vi na vida! *-* Eu simplesmente AMEI aqueles brincos e coloquei na mesma hora. Depois nós fizemos uma torta de maçã e o Ed acha que me engana quando passou o dedo no fundo da lata de leite condensado e escondendo dentro da boca... Bobinho. Depois da torta feita, eu voltei a ver o auto-mail dele, e depois de um tempão trabalhando resolvi descer pra fazer uma brincadeira com o Ed. Eu bati uma almofada na cara dele! XD Foi muito engraçado. Aí começou uma guerra de travesseiros e fomos nós dois atacar o Al. Ele estava desarmado e correu pro meu quarto se armar e continuamos a lutar com os travesseiros. Foi muito divertido e resolvi fingir que estava abatida. Grande erro... quando eu menos esperava eles começaram a fazer cócegas em mim. Você sabe que eu sou muito coceguenta, principalmente nas orelhas, nas costelas e no pé, e eles me torturaram até a vovó chegar. A gente depois foi comer torta, e que torta deliciosa! Mas o Ed, sendo o Ed, disse que a minha torta era melhor! Fiquem super feliz em ouvir isso, é sério! ^^ E depois de tudo eu voltei pra concertar o auto-mail dele. Eu fiquei um tempão lá até altas horas da noite e acabei dormindo. Adivinha quem me acordou passando a mão nos meus cabelos suave como uma pluma (adorei quando ele fez isso)? O Ed! Ele foi tão legal me colocando pra dormir mesmo contra a minha vontade... X3 Ele sabe ser sensível e doce quando ele quer. Nem parece aquele garoto estressado que eu conhecia antes. Ele parece tão maduro e responsável... Acho que estou começando a ver um lado dele que eu não conhecia... Estou começando a gostar dele. Mas gostar gostar mesmo, entendeu, GOSTAR (você entendeu o que eu quis dizer). Bom, ele está precisando de mim e pode ter certeza de vou ajudá-lo. Não posso decepcioná-lo. Vou me esforçar ao máximo para ajudar ele de todas as formas possíveis. Até logo, diário, tenho que voltar a trabalhar. Beijos.”
Winry Rockbell
Ed e Al se entreolharam. Eles se sentiram culpados por invadir a privacidade de Winry, e se sentiram culpados por cobrar tanto dela. Mesmo eles (só o Ed ¬¬)cobrando tanto dela, ela não se importa e ainda os vê como os melhores amigos. Ed , ainda com peso na consciência, falou:
— Pronto, acho que não deveríamos invadir mais a privacidade dela. — Al olhou pra ele.
— Mas não era o senhor que queria ler “umas duas ou três ou quatro ou cinco páginas”? — Al perguntou, em um tom de voz provocativo. Ed virou o rosto.
— Eu mudei de ideia. — Ele disse, sentindo-se como um derrotado. Al sorriu, vitorioso. Até que Al se deu conta e perguntou:
— Nii-san, você colocou a Winry pra dormir? Quando foi isso? — Ed corou e disse:
— De-depois eu explico tudo, não se preocupe. Vem, vamos guardar isso onde estava. —
Al transmutou o cadeado novamente, deixando-o do jeitinho que estava antes, e então pediu a Ed que explicasse a ele que negócio era aquele de ele ter colocado a Winry pra dormir, e Ed disse:
— Sabe, Al, é que eu vi a coitadinha dormindo toda sem jeito na mesa de trabalho... Ela estava com aquele avental sujo de óleo e aposto que ela estaria com a coluna toda acabada hoje se eu não a tivesse tirado de lá. — Alphonse encarou o irmão. Ed ficou desesperado e explicou — N-não entenda errado! Eu não fiz nada do que você está pensando! Eu só coloquei ela na cama! — Edward Estava corado em um tom de vermelho-tomate. Alphonse riu.
— Eu não pensei nada de mais, nii-san. — Disse Al, então ele ficou sério e continuou — Agora, nii-san, tem uma coisa que a tempos venho querendo te perguntar, mas não tive coragem. Acho que agora é o momento. Você ama a Winry, não ama? — Edward olhou para o irmão. Agora estava com um tom de vermelho igual ao do seu casaco, e falou gaguejando:
— Sa-sabe Al, eu acho que... — Ele ficou sem jeito. Al ficou na expectativa — Eu acho que amo sim. — Ele admitiu, acanhado, os sentimentos que estiveram a tanto tempo guardados dentro do seu peito. Ah, quanto tempo essas palavras ficaram entaladas na sua garganta, sem ter ninguém para confessar. Alphonse olhou para a cara de Edward, vermelha igual ao casaco dele, e sorriu vitorioso.
— Aaaaah, eu sabia! Sabia que você a amava! Isso é maravilhoso, nii-san! Estou muito feliz por vocês! Percebi bem antes de você querer falar “a sós” com ela! Eu notei quando você escolheu os brincos dela, falando de como combinavam com os olhos dela! (detalhe: o Ed disse que foi o Al quem escolheu os brincos, não disse? É mentiraaa) Todas as vezes que você olhava pensativo pro horizonte estava pensando nela, não estava? — Al disse, entusiasmado porque seu palpite estava certo. Ed ficou meio hesitante e riu sem graça.
— É... — Ele admitiu, sem jeito. Alphonse sorriu novamente. Estava muito, mas muito feliz mesmo por eles dois. Mas será que a Winry amava ele também? Alphonse não queria ver o irmão sofrer com um amor não correspondido.
— Ed, a Winry ama você também, não ama? — Al perguntou, curioso. Ed sorriu para Al um sorriso puro.
— Ama sim, Al. Eu tenho certeza de que ela me ama também, mas não sei como, depois de tudo o que eu já fiz a ela... Ela deveria ter mesmo um amor muito grande por nós dois, especialmente por mim pra ficar tanto tempo esperando com a porta aberta por nós. Fiz ela sofrer tanto... — Ele parou, e ficou mesmo muito arrependido por tantas vezes ter sido um grande idiota, não percebendo o quanto ela o amava. Eles dois tinham guardado esse sentimento dentro de uma gaveta por tanto tempo... Precisaram de uma gaveta muito grande pra esconder um sentimento tão profundo. Al ficou feliz.
— Nii-san, acho maravilhoso você ter se apaixonado. E ainda mais com um amor correspondido. Depois eu gostaria de perguntar a ela, você se importaria? — Al perguntou. Ed olhou pra ele e sorriu.
— Tudo bem, Al, pode perguntar. Mas quero estar junto para ouvir a resposta. — Ed disse, piscando um olho. Al riu e disse:
— Certo, certo. Só falta levar um gravador pra ela nunca mais esquecer que disse isso... — Ed começou a coçar o queixo, pensativo.
— É, parece uma boa ideia. Vou pensar. — Disse Ed, e sorriu. Al sorriu quando ele disse isso.
Notas finais
*Sei que não tem segredos nessa página do diário, como diz o capítulo, mas esse título de capítulo dá tipo um "tcham", sabe? XD Mesmo assim espero que gostem.*
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