Tudo em Um Sábado
10 Capítulo 10 - Dia da partida ( primeira parte )
Notas iniciais
O dia amanhece com o cacarejar dos galos, coisa que Alphonse só conseguia ouvir quando estava no interior, na sua cidade natal Resembool. Já era segunda-feira? O fim de semana passou bem rápido. Ele passou a noite toda pensando em várias coisas. Pobrezinho, já que não podia dormir, passava a noite inteira pensando e se lembrando de coisas, e algumas ele não gostava de se lembrar, e entre esses inúmeros pensamentos ele ficou pensando como Winry reagiria na hora da partida de Edward. Eles se amavam e Al estava super feliz pelos dois, mas como ela reagiria à partida dele? Alphonse estava realmente preocupado com isso, principalmente porque eles iriam partir hoje.
Ele estava agoniado querendo saber como seu irmão e Winry reagiriam quando descobrissem que iriam ter que se separar novamente, por um tempo ainda indefinido. Deveriam ser umas 5:00h da manhã quando ele pensava isso, enquanto assistia o nascer do Sol. “É, vai ser difícil para os dois.” Pensou Al, enquanto olhava para as nuvens laranjas e cor-de-rosas que agora enchiam o céu azul bebê da manhã, parecendo algodões-doces.
Depois de se passarem umas três horas, Edward finalmente deu sinais de que estava acordando. Alphonse olhou-o, na expectativa, mas ele só se virou de lado e voltou a dormir. Ele se decepcionou, pois queria que o irmão acordasse logo, para ter com quem conversar a respeito do que o preocupava.
— Winry — Al ouviu Ed falar, enquanto dormia, e ficou curioso.
Era raro ele falar dormindo, e ele sempre que tinha essa oportunidade fingia que o irmão estava acordado e tinha longas conversas com ele, não se sentindo tão solitário, apesar de muitas vezes Edward falar coisas completamente sem sentido enquanto dormia.
— Não... me deixe. Fica... comigo — Al ouviu as palavras do irmão e se surpreendeu.
“Será que nós temos mesmo telepatia? Parece que ele está sonhando exatamente com o que eu estava pensando.” Al pensou, e voltou a escutar Edward, esperando que ele desse mais uma pista sobre o sonho que estava tendo.
— Não... chora... por favor — Ele balbuciava pausadamente, causando até um pouco de dó no irmão, pois ele sabia quanto Ed odiava ver Winry chorar. — Eu... vou voltar... prometo.
Aquelas palavras ficaram na cabeça de Al. Eu... vou voltar... prometo. Ele queria entenderporque o irmão prometia coisas que talvez não fosse capaz de cumprir. Enquanto mergulhava em pensamentos variados, Al ouviu o irmão balbuciar:
— Eu... prometi... pra ele. Não posso... deixá-lo... como está. A culpa... foi minha... desculpa.
Alphonse em um instante percebeu que seu irmão estava se referindo à ele e ao pecado que eles cometeram no passado, que os condenou à essa incessante busca pela pedra filosofal. Ele, mesmo que sua face metálica não mostrasse expressão alguma, estava sorrindo por dentro. Sorrindo, pois sabia o quanto seu irmão se preocupava com ele.
— Nii-san, a culpa não foi sua — Al se viu dizendo, em resposta ao que ele havia dito.
— Foi... sim. Se não fosse... por mim... você... estaria sorrindo — Al sorriu por dentro.
— Eu estou sorrindo, mesmo que você não consiga ver — Ele disse, passando a mão pelos cabelos do irmão, fazendo-o se mexer um pouco.
— Que... bom — Ele disse sorrindo. — Winry... me faz... uma torta?
Al olhou pra ele e riu um pouquinho. Ele já estava começando a falar coisas sem sentido.
— Ah, vai... por favor... só uma tortinha de maçã... daquelas que só você sabe fazer — Ed dizia enquanto dormia, o que divertia Alphonse. — Deixa eu... deitar no seu colo de novo.
Alphonse agora via o verdadeiro caráter de seu irmão. Ele sempre se fazia forte e determinado, não que ele não fosse, mas mesmo assim não recusava os carinhos que Winry fazia nele, mesmo que demonstrasse fraqueza de sua parte, mesmo que parecesse que ele era um garoto fraco e carente, o que todos sabiam que não era verdade. Ele apenas, como todas as pessoas, precisava de carinho e compreensão, coisas que Winry e Alphonse davam à ele incondicionalmente. Al começou a fazer cafuné no irmão, enquanto ele dormia.
— Huuum... o seu cafuné é tão bom Winry — Al ouviu Edward balbuciar baixinho, enquanto ele mexia nos cabelos dele. — Por favor... não para.
Al sorriu por dentro ao ver que o seu cafuné estava agradando o seu irmão, e continuou a fazê-lo. Edward ficou calado por um tempo, até que disse:
— Seu cafuné... me lembra a mamãe.
Ele parou por um minuto de fazer o cafuné no irmão e começou a se lembrar da mãe. Parecia um filme que passava em sua memória. Toda a sua infância veio à sua mente de uma vez, até o dia em que sua mãe ficou doente.
— Mamãe... eu já fiz... o enfeite de flores... que a senhora me pediu.
Alphonse ouviu Edward balbuciar e se lembrou das últimas palavras da mãe, pedindo à Edward que fizesse para ela o enfeite de flores que ela pediu a ele, e que já o tinham colocado no túmulo, em memória dela. Lágrimas invisíveis agora desciam de seus olhos. “Mamãe... estou com saudade.” Ele pensou, triste. Ela tinha sido uma pessoa tão boa, mas partiu tão cedo... chegava a dar vontade de chorar.
Depois, Edward finalmente estava dando sinais de que estava acordando. Ele franziu a testa e esfregou os olhos, e foi abrindo os olhos lentamente. Alphonse ficou feliz, porque finalmente ele iria ter com quem conversar. Edward abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi Al, olhando fixamente para ele, e ele deu um pulo, assustado.
— Al! Meu Deus, que susto! — Edward agora arfava com a mão no peito.
— Me desculpe, nii-san, não foi a minha intenção — Al não queria ter assustado o irmão.
— Tudo bem — Ed colocou a mão na cabeça e suspirou.
Ele se recuperou do susto rápido, e se espreguiçou bocejando. A noite ontem tinha sido longa, mas ele não se arrependeu. Apesar de ter ficado acordado até tarde, tinha ficado acordado até tarde com Winry. Poderia até virar a noite acordado, se estivesse com ela. Ele deu um longo bocejo.
— Winry já acordou? — Ele perguntou à Al, esfregando os olhos, e ele deu de ombros.
— Não sei nii-san, por que quer saber? — Ed deu de ombros.
— Nada, só curiosidade.
— Nii-san, eu preciso conversar com você uma coisa muito séria, vem comigo — Al disse sério.
— Tu-tudo bem — Ed ficou um pouco assustado do jeito como Al falou.
Ele saiu do quarto logo depois de Al, que desceu as escadas rumo à sala. Ele já ia descer as escadas, mas passou em frente ao quarto de Winry, e resolveu dar uma passadinha lá, só pra ver se ela ainda estava dormindo. Assim que entrou, viu a linda mecânica deitada, espalhada pela cama, com o seu cobertor no chão. Ela parecia se mexer muito enquanto dormia, e Ed riu um pouco da posição em que ela estava. “Essa Winry... não sei como consegue dormir desse jeito” Pensou Ed, e quando estava saindo do quarto, mas pouco antes de sair notou um papel que estava em cima da mesa, que estava escrito com a letra de Winry. Ele chegou mais perto e viu que era uma carta. Ele não queria ler uma coisa que era de Winry, depois de já ter lido descaradamente o diário dela, mas uma notinha no começo lhe chamou a atenção:
Para Edward
Ele ficou curioso e não resistiu em ler a carta. Afinal, ela era para ele, não é?
Para Edward
Ed, como você e o Al estão? Estou sentindo a sua falta falta de vocês. Aqui fica mesmo muito quieto sem você vocês trazendo problemas (brincadeira, risos). Como vai o trabalho de Alquimista Federal? Bem, eu espero, mas acho que não tenho com o que me preocupar. Você sempre foi muito inteligente (eu disse isso? É, acho que disse...) e deu duro em tudo o que fez. Mas estou preocupada, como tem passado? Não vá se meter naquelas loucuras que vocês dois ficam se metendo por aí, tá? Ou pelo menos tente. O auto-mail tá dando problema? Você anda fazendo a manutenção dele? Cuida dele direitinho? Olha lá, viu, eu dei a minha alma nele. Antes que me crucifique dizendo que eu só me importo com seu auto-mail, como vai o Al? Continua catando gatos na rua ( ri muito escrevendo essa parte )? Vou comprar um polimento bem legal pra ele, pra ele ficar bem bonito e arranjar uma namorada (risos). Espero que vocês voltem pra casa logo, estou esperando. E tratem de voltar com os corpos normais, viu? Vou fazer uma torta de maçã e esperar a chegada de vocês ansiosamente.
Abraço e beijos
Sua melhor amiga Winry
PS: Não quebre o auto-mail, se não já sabe. ( já notou uma coisa? Apesar de eu odiar que você quebre o auto-mail, é o único jeito de você vir aqui. Que ironia, né? ).
PPS: Responda a carta. O mais cedo possível, é tudo o que eu peço.
Ele sorriu lendo a carta e riu quando leu a parte “Continua catando gatos na rua?” Ele virou a página e no verso tinha um pequeno desenho, não muito caprichado, dele e de Al. Eles estavam dizendo “voltamos!” e estavam com seus corpos originais, enquanto tinha uma Winry segurando uma torta de maçã e dizendo “bem vindos!” no canto esquerdo da página. Ele releu a carta, sorrindo.
— Gostou? Eu fiz pra você.
Ele se virou e viu Winry atrás dele, só o observando. Ele se assustou e deu um pulo, como uma criança que sabe que fez algo errado e se assustou ao descobrirem.
— Winry do céu, não faz mais isso! Quer que eu tenha um piripaque?! — Winry riu da reação dele.
— Gostou ou não?
— Gos... tei sim. Uma gracinha. Quando você escreveu?
— Ah, faz um bom tempo. Acho que uns dois meses aproximadamente, talvez mais — Ed se surpreendeu.
— E porque não enviou?
— Bom... não sei. Acho que é porque eu pensei que você ia achar muito boba ou que fosse achar idiotice. Você nem se lembrava que eu existia... se eu tivesse mandado também poderia extraviar no correio ou acontecer qualquer coisa... acabei não enviando.
— Ou eu poderia ler e achar muito legal saber que você se preocupava conosco... digo, conosco vírgula, porque eu vi as partes que você riscou. Eram sempre “você” ou “sua” que você trocou por vocês só pra não dizer que estava preocupada principalmente comigo.
— Ah, você viu, foi? — Ela ficou meio que sem graça.
— Ah, vi sim, senhorita — Ele riu. — E porque você riscou a parte de “melhor amiga” e dos beijos? Você é mesmo a minha melhor amiga e eu não me importaria de receber os seus beijos. Muito pelo contrário, eu adoraria.
— Ah, é mesmo? — Ela sorriu pra ele.
— Ah, é sim. — Ele puxou-a pra junto dele e ela deu-lhe um selinho.
— Eu também poderia achar “Oh, que legal da parte dela se preocupar comigo ao invés de só ligar pro meu auto-mail!!” — Ele fez uma pose fofa com os olhinhos brilhando, e ela riu.
— Você fica fofo assim — Ela disse apertando as bochechas dele. Ele riu, virando os olhos.
— Ceerto, o modo fofo não combina comigo. Sou mais o modo mau — Ele se encolheu balançando os dedos e deu uma risada maléfica, o que fez Winry rir.
— Aaai, que meda de você — Winry tremeu um pouco a mão, à frente dele, provocando. Ele riu, ameaçador.
— Devia ter mesmo — Ele disse, e a segurou pela cintura, e começou a assoprar o seu pescoço. Ela se arrepiou, enquanto ria gritando e se contorcia, enquanto ele a segurava, rindo.
— Para, Ed! Você sabe que eu não gosto que faça isso! — Ela dizia rindo.
— Roooaar! — Ele rugia enquanto a segurava e continuava a sua brincadeira, enquanto ela dava gritinhos e ria.
Nesse momento Al entrou no quarto, e encontrou os dois rindo e Ed segurando Winry pela cintura. Ed ainda ria, e Winry foi a primeira a notar a presença de Al, e chamou a atenção de Ed, que percebeu que Al estava no quarto.
— Nii-san, eu estou interrompendo alguma coisa? Se estiver eu saio.
— Que nada, Al! Não está interrompendo nada! — Disse Ed rindo e soltando Winry, que ria.
— Acho até que você me salvou — Disse Winry rindo e olhando pra Ed, que sorriu travesso.
— Bom, já que não estou interrompendo nada — Al continuou — Nii-san, lembra que eu te chamei porque precisava falar com você?
— Ah, claro, Al. Me desculpe, o que você queria me falar?
— Eu me sentiria melhor falando isso com você a sós — Disse Al, andando para fora, chamando Edward. Ele ficou um pouco surpreso, e o seguiu.
Eles foram até o quarto deles, e Al se sentou na beira da cama. Edward resolveu ficar em pé.
— Fala logo, você está me deixando tenso — Disse Ed, preocupado.
— Nii-san... você e a Winry... vão ter que se separar, lembra? Já pensou em como vai fazer isso?
— O... quê?
Edward andou pra trás e se sentou na beirada da sua cama, para não cair. Ele estava incrédulo, sem saber o que pensar nem o que dizer. Tinha se esquecido completamente disso.
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