Notas iniciais
Bom dia, leitoras e parceiras… É com muita alegria que estou aqui hoje a postar esta one-shot, e agradeço por ser amiga da Bell (Cristabel Fraser), porque, se eu não visse que este projeto ia ser realizado, eu não teria entrado nessa! Obrigada também às meninas que pensaram neste projeto e que me receberam como sua parceira. Obrigada, meninas! Eu espero de coração que gostem da minha história. Quem quiser conhecer as minhas outras fic’s é só irem a minha página e ler, vou ficar contente em receber vocês por lá. Obrigada a Bell e sua amiga, que revisaram a minha história. Para quem não sabe sou portuguesa, de Braga, Portugal. E estou, no momento, vivendo e trabalhando na Suíça. A minha inspiração veio é claro de The Hunger Games com o nosso casal mais lindo Katniss e Peeta, mas tbm de 50 sombras... então haverá cenas para maiores +18 Aliás eu falo no filme um pouquinho... Bem, vamos à leitura??? Sinopse Poderiam dois inimigos virarem melhores amigos num pequeno espaço de tempo? Poderiam amar-se? E o passado? Não iria interferir no relacionamento dos dois? As mentiras, os enganos, as apostas, o sofrimento e a humilhação…Poderá Katniss esquecer tudo isso e acreditar, de novo, na palavra do seu inimigo? Acreditar na palavra do rapaz que ama? Será Peeta capaz de lhe contar o seu segredo? De amá-la de verdade sem voltar a magoá-la? Serão os dois capazes de esquecer tudo e serem felizes juntos?

Parte 1

Domingo, 21 de Setembro de 2014

Acordo sobressaltada depois de mais um dos meus estúpidos pesadelos. Mas quem é que mandou eu assistir “Annabelle” ontem à noite e completamente sozinha? Eu, claro! Eu sabia que não ia dar bom resultado, mas mesmo assim assisti.

Levanto e tomo um banho rápido para tirar o suor do meu corpo, visto um vestido leve e simples – preto com várias rosas estampadas –, perfeito apenas para uma caminhada pelo parque. Vou sozinha, como faço em todos os domingos, pois gosto de pensar na vida, ou apenas relaxar com a brisa fresca e o cantar dos pássaros.

Desço até à cozinha para comer alguma coisa, e a minha família já está lá, devorando o que Dona Effie prepara com todo o amor. São apenas 10 horas da manhã, mas todos já estão prontos para realizar o que tenham programado. Só eu mesma para fazer o de sempre.

— Bom dia, família – saúdo. Beijo o rosto da minha mãe, depois o do meu pai, com o abraço apertado de sempre. E, por fim, meu maninho, com um bater de mãos muito estranho, que só aumenta em movimentos a cada ano. Cada vez fica mais complicado fazer o nosso “bate-bate”, que é como chamo, e nem sei como nós ainda nos lembramos de todos os gestos.

Comemos em meio a uma conversa animada e meio doida sobre fazer escaladas. Eu morro de medo de altura e, por isso, o meu pai e o meu maninho gozam comigo, dizendo que sou uma medrosa e filhinha do papai.

Filhinha do papai, eu sou sim. Amo o meu pai, ele é o meu herói, meu melhor amigo e companheiro, meu primeiro amor.

— Vou indo, mãe, pai, cabeçudo – despeço-me dos três, abraçando de novo o meu pai e sentindo um arrepio estranho, mas ignoro, quando o meu maninho me responde:

— O meu nome é Gale, loira oxigenada! – Bem, nessa parte, ele tem razão. Não sou loira, apesar de ter os meus cabelos pintados de loiro. Sou morena, mas precisava de uma mudança de visual. Faço uma careta para ele e saio de casa.

Depois de cerca de uma hora de caminhada, sento-me debaixo de uma árvore para aproveitar a amena brisa de setembro. Olho o céu e este parece que vai transbordar em lágrimas a qualquer momento. O vento faz as folhas das árvores farfalharem e o som é tremendamente relaxante, assim como o cantar dos pássaros.

Se há uma coisa que eu amo nessa vida, é com certeza o som da natureza!

Ouço passos cautelosos aproximarem-se e abro os olhos assim que escuto aquela voz que me irritou por toda a vida! Aquele loiro oxigenado tinha mesmo que estragar o meu domingo.

— Katniss – chama, mas eu não ligo e levanto-me, começando a sair dali.

— Katniss, espera! – Escuto os seus passos apressados atrás de mim e ando mais rápido. Hoje, não quero mesmo aturar aquele pedaço de desilusão chamado Peeta Mellark.

— Hoje não, Mellark! – grito por cima do ombro, mas ele me agarra num piscar de olhos e me faz parar. Quando olho em seus olhos, ele está bastante sério, e isso não é normal naquele rosto convencido e sempre com um sorriso debochado. Estou ficando assustada de verdade.

— O que você quer? – disparo irritada, antes que ele fale alguma coisa.

— Não sei como dizer isso a você! – Ele continua sério, respira fundo e passa uma das mãos pelo rosto. Não acredito em nenhum dos seus movimentos, muito menos em suas palavras.

— Não brinque comigo de novo, Mellark! Não vou acreditar que quer ser meu namorado, outra vez. Diga aos seus amiguinhos que estou farta dessas apostas estúpidas. – Dou-lhe as costas e começo a andar de novo.

— Não é nada disso! É sobre o seu pai – grita sem paciência. Eu paro no mesmo instante, sentindo aquele arrepio trespassar o meu corpo. Mais intenso. Fico gelada. Ouço um trovão que parece preencher meu corpo e minha alma.

— Eu estava com o Gale, quando vimos os seus pais atravessando a estrada. Acho que não perceberam que o sinal estava vermelho para os pedestres. O seu pai ia um pouco mais à frente e, por isso, ele acabou sendo atropelado. – Sei que está dizendo a verdade. A sua voz está triste como nunca a ouvi antes. Sei o carinho que tem pelo meu pai.

— Ele está bem, não está? – pergunto quase sem voz, virando-me para o encarar. Ele está perto demais!

— Eu não sei. Gale ficou com a sua mãe e me pediu para encontrá-la aqui no parque. Apenas sei que ia ser levado para o hospital da cidade. – O meu único pensamento no momento é que eu tenho que vê-lo e me certificar de que ele está bem.

— Obrigada. Adeus! – E, sem esperar resposta, corro para a praça de táxis, quando as primeiras gotas da chuva atingem o meu rosto.

— Eu levo você, miúda. Para de correr – grita, mas o que ele diz só me dá mais vontade de correr. Não quero voltar a ouvir aquele apelido carinhoso.

Miúda! O apelido que Peeta me chamava na infância, e que voltou a usar por 15 dias, 3 horas e 25 minutos. Quando tentou me convencer de que havia mudado e de que havia se apaixonado por mim. Que queria ser meu namorado e ficar comigo para sempre.

As promessas e as ilusões acabaram bem rápido, quando conseguiu o meu ‘sim’ apaixonado. E, como um toque de mágica, a magia do momento se desfez. Era tudo apenas por causa de uma aposta estúpida e ridícula. Humilhar só mais um pouco a menina do papai.

Era tudo mentira!

Só o meu pai estava ali para mim, de braços abertos à minha espera, como se já soubesse que aquele dia não era um dia bom.

Pai! Preciso ir vê-lo.

Paro de correr, quando aquele maldito loiro se põe à minha frente, agarra-me pelos ombros e me chacoalha. Não consigo ver nada, pois a minha mente está enevoada e os meus olhos cheios de lágrimas. Não quero chorar diante dele, nem parecer fraca, para que depois goze comigo.

Mas as lágrimas caem sem permissão e o meu corpo treme, quando sinto os seus braços em torno do meu corpo. Debato-me, mas nada consigo, estou fraca e ele é muito mais forte. O seu perfume deixa-me tonta e perco o foco e a capacidade de pensar, quando sua voz sai firme.

— Vai ficar tudo bem!


******

Quando chegamos ao hospital, vejo Gale e minha mãe na sala de espera. Não me perguntem como cheguei do parque até ao terceiro piso do hospital. Apenas entendam que eu cheguei aqui e pronto. Estou um pouco molhada pela chuva, mas aliviada por estar com a minha família.

Faço perguntas sem parar para Gale, porque nossa mãe não está em condições de falar, parece em choque. E eu não sei como consolá-la. Afasto-me um pouco deles, refletindo sobre tudo o que Gale disse. Uma perna partida, um pulso deslocado, várias costelas fraturadas, alguns arranhões superficiais e, por último, o mais grave: um coágulo na cabeça.

Ele está numa cirurgia para retirarem o sangue e o líquido que se acumularam ali!

— Obrigado por trazer a Katniss. Fico devendo uma a você! – Gale agradece ao Peeta, que só agora reparei que ainda está aqui. Penso que, depois disso, ele irá embora, mas não é isso o que acontece.

Alguém se senta do meu lado e sei que é ele! Não diz nada e eu também não. Não quero falar com ele. Ele me observa por um tempo, enquanto permaneço quieta e sem olhar para ele. Quando o ouço suspirar, penso que é melhor falar antes que ele comece.

— Chega por hoje Mellark. Obrigada pela ajuda, mas agora é melhor ir embora. – Continuo sem olhá-lo, ele se mexe e fala:

— Estarei aqui para o que precisar. De verdade desta vez. – Olho para ele no mesmo instante, ele sorri e levanta-se.

— Pode me ligar, se quiser conversar – Estende-me um papel pequeno dobrado e sai sem dizer mais nada.



Parte 2

Domingo, 26 de Outubro de 2014

Os dias foram se passando lentos, mas felizmente o meu pai melhorava a cada dia. Faz uma semana que acordou do coma induzido. E seu humor está igual como antes. Em breve, poderá vir para casa, e eu estou ansiosa por isso.

Vocês querem saber o que aconteceu com Peeta Mellark?

Peeta tem sido um bom amigo. Um bom ouvinte e um bom conselheiro. Um verdadeiro Psicólogo. Profissão que escolheu exercer.

A nossa inimizade virou uma amizade séria, apesar de que eu muitas vezes fico com um pé atrás em relação a isso. Sempre penso que vai aparecer alguém e dizer que aquilo tudo não passou de uma simples e idiota aposta.

Mas é bom estar com Peeta. É bom ouvi-lo dizer todos os dias que vai ficar tudo bem e que sente muito por tudo o que me fez. E é bom saber que as apostas foram realizadas contra sua vontade. Ele tem um segredo e um dos que se dizia seu amigo sabia e ameaçava contar aos seus pais.

Mas então ele ganhou coragem e contou aos pais. E o estúpido do Frank não tinha mais como chantageá-lo e, então, as apostas também acabaram. Graças a Deus! Apesar de ainda não saber o segredo dele, às vezes, faço piada com isso.

Hoje vamos assistir a um filme na casa dele. Apenas pedi que não fosse um filme de terror, caso contrário eu certamente me iria agarrar a ele, e não sei se seria uma boa ideia. Quando chego, já há muitas guloseimas para nós nos entupirmos, e muito refrigerante.

— Vamos ver logo o filme ou quer conversar primeiro? – pergunta, sentando-se ao meu lado no sofá. Veste umas calças de malha cinza e uma camiseta preta que marca um pouco os seus músculos.

— Vai me contar o seu segredo? – brinco, mas a resposta é diferente de todas as outras vezes.

— Talvez… — A resposta sai arrastada.

— Acho melhor vermos o filme primeiro, então – falo, aconchegando-me melhor no sofá.

— Espero que não fique zangada com a minha escolha de filme, mas estava a fim de ver uma coisa diferente – fala e dá o play no filme.

Quando começa, fico sem reação e, depois, inteiramente envergonhada. Ver “Cinquenta tons de cinza” com Peeta Mellark vai ser embaraçoso. Vi este filme no ano passado no cinema e saí de lá toda molhadinha.

Assistir ao filme é relativamente fácil, até a parte em que o Sr. Grey diz “Eu não faço amor. Eu fodo, com força.” e eu repito as palavras dele em voz baixa, mas alto o suficiente para o Mellark perceber e me olhar de sobrancelhas arqueadas.

— Já viu esse filme? – Remexo-me no sofá. Estou molhada como na primeira vez que vi no cinema.

— Já… — Arrasto a resposta e ele murmura um ‘hum’.

— Tem alguma coisa mais forte que isto? – pergunto, quando bebo um pouco de refrigerante, só que refrigerante não vai ajudar com o Sr. Grey na tela e Peeta Mellark ao meu lado.

— Whisky? – pergunta, levantando-se.

— Com coca-cola, gelo e limão. Por favor – peço.



******

Reparo que Peeta tem uma almofada entre as pernas e que a agarra com força, com uma das mãos. Os seus olhos estão negros, quando o olho e noto que me observa de maneira estranha, ao mesmo tempo parece confuso ou preocupado. Talvez por eu estar chorando. Não me culpem, o fim do filme é triste.

— O que foi? – pergunto, quando vejo que ele não vai falar nada.

— Quer que eu conte o meu segredo? – A voz dele sai rouca, mesmo depois de tossir.

— Peeta, para com isso. Eu estava brincando mais cedo – respondo, endireitando-me no sofá.

— Eu tinha um propósito quando escolhi este filme – começa. E eu acho que já tremo, porque estou imaginando vários propósitos. Como um Peeta Mellark a foder com força, comigo. Não viaja, Katniss!!!

— O meu segredo é semelhante ao do personagem Grey – prossegue, quando eu não digo mais nada.

— Você é um sádico? – A pergunta sai antes que eu possa me conter.

— Não, Katniss. – Sua voz sai ofendida.

— Então, você é um submisso ou um dominador? – Desta vez, culpo o álcool. As cubas que bebemos durante o filme estão fazendo efeito…

— Com certeza, um dominador. – E seu olhar parece queimar a minha pele, quando olha intensamente para o meu corpo.

Se eu estava molhada por causa do filme? Sim, eu estava, mas estou muito mais agora.

— Você tem um quarto de jogos? – pergunto sem vergonha alguma, o álcool começa a me deixar desinibida. Sei que não devia, mas… estou a arder de vontade de experimentar ser dominada.

Ser dominada por Peeta Mellark!

— Não propriamente, mas tenho o que preciso no meu quarto. – E é, então, que constato que nunca entrei no quarto dele.

— Posso ver o seu quarto? – A minha voz sai rouca e arrastada. Estou quente como o inferno.

— Anda. – Estende-me a mão ao levantar-se e é ai que reparo no volume que tem nas calças, quando afasta a almofada. Levanto-me desnorteada e sigo-o em silêncio.

Quando entro no cômodo, a luz é acesa e me deparo com um quarto normal. Mas, antes que eu possa falar alguma coisa, Peeta abre um guarda-roupa e lá estão todos aqueles objetos. Chicotes, açoites, luvas de uma variedade impressionante, algemas, vendas, vibradores, plugs, velas para o corpo, géis de quente e frio, e muito mais que eu não sei o nome.

Mas o que me deixa desconcertada, inquieta e com vontade de repetir uma cena de uns dos livros do Grey é…aquele “extensor para pernas”, com algemas, igual ao que Grey usa no segundo filme. Tenho vontade de pegar nele, mas me recomponho.

Recuo alguns passos, para longe do armário, mas, no terceiro passo, sinto o corpo de Peeta bem atrás de mim. O seu rosto está no meu cabelo e ele inspira profundamente, as suas mãos descem dos meus ombros e param nos meus braços, deixando-me quieta. O seu corpo se aproxima mais de mim e agora posso sentir bem a sua ereção.

Solto o ar preso nos meus pulmões, quando Peeta começa a beijar o meu pescoço, gemo, dando-lhe mais espaço, atirando a cabeça para trás. Uma das suas mãos sobe até os meus seios doloridos e a outra desce até encontrar a minha intimidade. Quando me toca, acordo e afasto-me dele.

— Não podemos fazer isso, Peeta.

— Por que não? – pergunta confuso.

— Isso é alguma piada, Peeta? É outra aposta? – indago, quando o passado começa a voltar à minha memória.

— Não! Não é nada disso, Katniss.

— Então, é o quê? Porque só pode ser isso para querer ir para a cama comigo! – falo irritada.

— Pensei que o passado estivesse esquecido. Eu já pedi desculpas mil vezes. Somos amigos agora, ou não?

— Sim, somos amigos. E, por essa razão mesmo, não podemos fazer isso. Eu vou embora. – Começo a sair do quarto.

— Alguns amigos também fazem sexo, Katniss. É normal. – Peeta está próximo a mim. Ele impede que eu saia, agarrando-me pelo braço.

— Não vou fazer isso, Peeta. – Olho nos seus olhos quando falo e vejo as dúvidas ali.

— Porque não, Katniss? É só sexo.

— Você não entende. – Baixo a cabeça e a voz.

— Explica pra mim, então, Katniss – pede. Fico trêmula. Não posso confessar a ele os meus sentimentos, porque sei que vou perdê-lo como amigo. E não posso fazer isso com ele, porque o perderia de igual forma.

— Katniss. – Sua voz soa suplicante e me faz olhá-lo de novo. E eu me deixo hipnotizar pelos seus olhos azuis. Confesso a ele o que sinto:

— Quero mais que uma noite de sexo, quero fazer amor com quem eu ame e com quem me ame. Quero um relacionamento sério, com futuro, com casamento, com filhos. Eu preciso de mais do que isso. – Aponto para nós dois. Peeta ainda está sério e calado, absorvendo tudo o que acabei de lhe dizer.

— Eu posso dar tudo isso a você. – Sua mão acaricia o meu rosto. Eu rio e afasto-me.

— Não brinque comigo – peço, ficando de costas para ele.

— Não estou brincando. Aquela maldita aposta teve uma coisa boa para mim, sabe? Ela me fez ver que você é uma pessoa incrível e, quanto mais tempo eu passava com você, mais tempo eu queria passar. As lembranças da nossa infância apareciam todas as noites, eu só penso em você desde aqueles 15 dias, 3horas e 25 minutos. Não sabe o quanto fiquei aliviado quando me deixou entrar de novo na sua vida. Eu só não tive coragem de falar nada antes. – Não consigo olhar para ele enquanto fala. A sua voz está séria e cheia de emoção.

Não sei o que fazer!

— O que isso tudo quer dizer? – pergunto, porque preciso de certezas.

— Que eu amo você, miúda. Amo você com todas as minhas forças. – A massagem que faz nos meus ombros é relaxante, assim como as suas palavras. Peeta me ama! Eu não consigo segurar as lágrimas, mas fico quieta para que não perceba.

— Não vai falar nada? – questiona, quando fico quieta por demasiado tempo.

— Também amo você – sussurro. Sinto ele sorrir.

— Acho que eu não ouvi bem. – Vira-me para ele, limpa as minhas lágrimas e beija-me suavemente.

— Também amo você, loiro aguado – digo, quando afastamos nossos lábios.

— Não fui eu que pintei o meu cabelo de loiro – responde crítico.

— Estamos falando sério aqui, Peeta. – Rio.

— Deixe que eu ame você do meu jeito, miúda – pede sério e eu apenas assinto com um movimento de cabeça.

Seus beijos começam lentos pelo meu pescoço e param na minha boca, devorando-a com desespero. Os beijos são deliciosos e intensos, não deixando espaço para respirarmos. Entrego-me às carícias, às palavras bonitas e às sensações que ele me proporciona.

Quando dou por mim, estou sem roupa, deitada na sua cama e algemada à cabeceira. Exposta a tudo o que queira fazer comigo. Sou vendada e não consigo ver nada. Mas a minha audição fica apurada e ouço-o movimentar-se pelo quarto. Pega em coisas que fazem algum som que desconheço.

Já estou a arder de desejo e sinto que ele ainda nem começou a tortura. As suas mãos começam a acariciar o meu corpo, usa luvas, mas não sei quais são. Quando para e volta a me acariciar sem elas, sinto meu corpo arrepiar-se com o contato de pele com pele. Suas mãos estão nuas.

Ele volta com um gel frio, sugando a minha pele depois de o passar pelo meu corpo, a sensação é boa demais para ser descrita. Eu gemo sem controle, grito seu nome e tenho como recompensa um beijo, uma massagem tremendamente excitante nos meus seios. Seus lábios descem pelo meu corpo, chupam com força e mordem os meus bicos doloridos.

— Não! – Preciso dizer, porque está forte demais, a dor é tanto excitante como insuportável.

— Desculpa. Está sendo muito intenso? – pergunta preocupado e apenas assinto com a cabeça. Ele tira-me a venda e vejo seu olhar preocupado.

— Posso parar, se quiser.

— Não! – E seus beijos voltam, descendo pela minha barriga, ventre e finalmente chega na minha intimidade. Sei que estou encharcada, consigo sentir a umidade no meio das minhas pernas e consigo sentir o meu próprio cheiro.

— Tão molhadinha…tão quente…tão deliciosa. – Provoca-me com a língua e com palavras. A sua língua, os dentes e os dedos são ágeis, levando-me para uma tortura prazerosa, fico em êxtase em poucos minutos e alcanço o meu primeiro orgasmo, intenso e arrebatador.

— Deliciosa. – Lambe toda a minha intimidade, causando-me certa dor pelo intenso orgasmo. Sobe em mim e me beija, sua boa fica estranha com o meu gosto, mas não me importo. Os meus braços são libertados das algemas. Ele massageia os meus pulsos e esfrega uma pomada, provavelmente porque fiz força demais e devem estar machucados.

— Esqueci de dizer para não mexer os pulsos, porque as algemas podiam mordiscar sua pele. Desculpa – sussurra perto do meu ouvido. Eu me arrepio instantaneamente.

— Não faz mal. Será que posso ir tomar banho? – peço.

— Mas eu ainda não acabei contigo, miúda. – O quê? Pergunto-me internamente.

Ele começa outra vez com aquela tortura que são os seus beijos e posiciona-se no meio das minhas pernas. Meu Deus, ele vai…

— Peeta, tenho uma coisa para contar a você – começo, mas sou calada com mais um beijo.

— Peeta! – grito, quando entra de uma vez em mim. A dor é insuportável, mas tudo passa com os movimentos lentos dele, as carícias e os beijos. Acabo de perder minha virgindade com Peeta Mellark.

O seu corpo grande e quente em cima de mim deixa-me sem sanidade alguma, os seus gemidos roucos são enlouquecedores e seus olhos fixos nos meus levam-me à beira do abismo.

— Vem para mim, miúda – ordena e eu explodo em mais um orgasmo, sentindo a minha intimidade apertar a sua grossura, enquanto sinto um jato quente me preencher.

— Como é que foi? – pergunta, deitando-se ao meu lado, quando terminamos exaustos, mas satisfeitos.

— Foi incrível – confesso, mas tenho vontade de chorar e de ir embora.

— Descansa um pouco. Vou tomar banho e preparar alguma coisa para comermos. – Ele me beija e me deixa sozinha.

Começo a chorar. Tenho que ir embora. Visto a minha roupa apressada e saio, deixando apenas um bilhete.

“Peeta, desculpa, mas eu preciso ficar sozinha. Preciso pensar no que aconteceu hoje, tenho dúvidas, não sei se tudo o que ouvi é verdade. Preciso de tempo. Esta foi a melhor noite da minha vida. Com amor, Katniss.”

Parte 3

Quarta, 4 de Fevereiro de 2015

Estou sem Peeta há três meses. Ele teve que viajar com os pais, porque os seus avós maternos não estavam bem, devido a um acidente. É difícil estar longe dele! Ainda mais agora que também não ando me sentindo muito bem.

Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu depois daquela noite. Bom, vou explicar bem rápido. Peeta me procurou no dia seguinte, depois de dezenas de telefonemas que eu não atendi. Jurou que tudo o que me disse era verdade e que queria ficar comigo para sempre.

Que fofo!

Convidou-me para sair, e pediu-me em casamento. Sim, casamento, o senhor Peeta Mellark não perde tempo!

E claro que eu aceitei!

Ficamos juntos durante um mês e, depois, Peeta teve que viajar. Estava tudo perfeito até aí. Agora mal nos falamos e, quando falamos, eu não menciono a minha má disposição diária. Não sei quando volta e isso me deixa angustiada.

Corro para o banheiro e vomito o café da manhã. Estou começando a ficar chateada com isso. Será que estou mesmo doente?

— De novo, filha? – pergunta o meu pai à porta.

— Parece que sim. Estou com medo de que seja alguma coisa grave – confesso.

— Por que não vai ao médico? Eu vou com você – incentiva.

— Porque eu tenho medo. E tenho medo que Peeta me deixe por isso. – Começo a chorar. Até o meu humor anda mudando com frequência.

— Vamos hoje, e eu vou com você. Não quero não como resposta, sua teimosa. – O meu pai é o pilar importante na minha vida. O que seria de mim sem ele?

— Ok, vou só trocar de roupa e já podemos ir.


******

— Katniss, você está grávida – fala a doutora Delly.

— Grávida? – pergunto incrédula. Após vários exames de sangue, é essa a sentença. Grávida.

— Mas como? – pergunto, mesmo sabendo a resposta.

— Você toma a pílula? Usaram proteção? – indaga.

— Não! – respondo. Como fomos esquecer de uma coisa dessas? Não tomar a pílula, ok, porque eu nunca tomei e não me lembrei disso, mas esquecer o preservativo!

Vou matar o Mellark assim que o vir.

— Quero que faça mais alguns exames, que tome estas vitaminas e que evite fumar ou bebidas alcoólicas, caso faça uso de alguma destas coisas. – A doutora fala e entrega-me uma receita com as vitaminas.

— Vejo você na próxima semana – despede-se. E eu saio quase sem dizer nada. Estou em choque.

— O que disse a médica? – pergunta o meu pai, quando chego perto dele.

— Que estou grávida – disparo.

— O quê? – pergunta, ao mesmo tempo que me abraça e rodopia comigo.

— Pai, vou vomitar. – Meto a mão na boca para evitar que aconteça e, assim que me pousa no chão, corro para o banheiro e vomito. O meu telefone toca. É Peeta!

— Oi – falo.

— Oi, miúda, tudo bem? – questiona preocupado.

— Sim – respondo evasiva.

— Então, o que está fazendo no hospital? – pergunta. Como é que ele sabe?

— Como é que você sabe que estou no hospital? – indago.

— Delly é minha prima. Ela ligou e disse que esteve aí – responde, como se fosse normal.

— E como é que ela sabe de mim? O que ela disse? – pergunto inquieta.

— Eu contei, mostrei fotos, mas ela só disse isso. Aconteceu alguma coisa? Conta pra mim, Katniss. – Está preocupado, sei pelo modo como sua voz sai.

— Está tudo bem. Quando é que você volta? – Pergunto e noto que uma das minhas mãos foi para o meu ventre, onde repousa suavemente.

— Vou pegar o primeiro avião disponível. Estarei aí em breve, e não vai ter como me esconder o que você tem. – E desliga sem se despedir. Deve estar chateado por não lhe ter contado a verdade, mas isto não é um assunto que se trate por telefone.


*****

— Acorda, princesa. – Ouço, mas não mexo nem um músculo. Quero dormir. Movimentos lentos acariciam a minha cabeça e isso é bom.

— Acorda, miúda, estou aqui. – Agora ouço a voz de Peeta chamar por mim. Mas não é possível, ele ainda não chegou.

— Amor, se não acordar agora, não vai comer pão de queijo. – Peeta fala suavemente, e acordo salivando pelo pão de queijo.

— Pão de queijo – gemo, abrindo os olhos devagar e vendo Peeta sorridente à minha frente.

— Até gemendo “pão de queijo” você é tremendamente sexy. – Peeta beija o meu pescoço, e eu agarro o seu, abraçando-o com força.

— Senti sua falta. – Falo e as lágrimas invadem os meus olhos.

— Também senti, amor. Ei, não chora. – Ele afasta-se um pouco, limpa as minhas lágrimas e beija-me ternamente.

— Como estão os seus avós? – pergunto, para ver se tiro o foco de mim.

— Estão quase como novos. Mas eu estou aqui por você. O que está acontecendo? – Missão fracassada.

— Não está acontecendo nada. Podemos falar em outra hora? Estou com fome – peço, levantando-me da cama com uma camisola colada ao corpo.

— Eu trouxe pães de queijo, mas eu acho que você já está comendo muitas guloseimas – observa.

— O que quer dizer com isso? – pergunto irritada.

— Só que está mais cheinha. Mas eu gosto assim – responde, levantando as mãos em rendição, quando lhe atiro um chinelo.

— Quer saber por que estou mais cheinha? Quer saber o que está acontecendo comigo? Pois eu vou dizer! – falo irritada. Malditos hormônios.

— Calma, miúda! – pede e respiro fundo algumas vezes para soltar a bomba.

— Estou grávida, imbecil!

— Grávida, grávida? – pergunta, sorrindo feito um bobo.

— Qual a parte de ‘grávida’ que não entendeu? – indago irônica.

— Katniss, eu vou ser pai! – fala eufórico. Acho que nunca vi Peeta Mellark tão feliz.

— Não está chateado comigo? – pergunta insegura.

— Chateado, Katniss? Sério isso? É a segunda melhor coisa que me aconteceu na vida. – Ele me abraça intensamente. Sinto-o sorrir com o rosto no meu cabelo. Depois, ajoelha-se à minha frente.

— Olá, bebê, é o papai. Nós amamos muito você. – Acaricia de leve o meu ventre, como se pudesse de alguma forma me machucar e, depois, dá vários beijos.

Não conseguiria pensar numa reação melhor do que a que Peeta teve. Ele me ama, ama nosso filho e seremos uma família.

— Nós também amamos você, Peeta – declaro, recebendo um olhar cheio de emoção, cheio de amor. Peeta levanta-se e beija-me delicadamente, suas mãos estão ao redor do meu rosto e ele faz carinho ali.

— Merecemos comemorar – fala entre vários beijos. Eu rio e concordo.

Três anos depois…

Estou vendada, algemada à cama e totalmente à mercê do meu Dominador. Sinto o cheiro doce das velas e logo elas são derramadas no meu corpo, está quente, mas não o suficiente para causar dor. Peeta passa uma das mãos pelo meu corpo, espalhando a vela derretida.

— Peeta – chamo suplicante. Estamos há tempo demais utilizando as velas e eu começo a ficar nauseada com o cheiro doce delas.

— Quieta, Katniss – manda. Mas já não sou capaz.

— Se não parar com as velas, eu vou vomitar aqui – resmungo, sentindo-me pior.

— Vou abrir a janela para entrar ar, então. Depois vou desamarrar os seus pulsos e amarrar suas pernas. – Amarrar minhas pernas? Sinto a brisa fresca entrar e o cheiro doce desaparece de repente. Os meus pulsos são soltos e depois as minhas pernas são afastadas e amarradas com algemas de couro.

— O que vai fazer? – pergunto, não sabendo o que esperar. É sempre diferente, mesmo depois de três anos.

— Pode tirar a venda, se quiser. – Eu a tiro de imediato só para ter o prazer de olhar o meu marido, no seu melhor papel de safado e Dominador, completamente nu. Quase salivo de expectativa, como se ele fosse a melhor das sobremesas. E, por acaso, um tiramisù agora não ia nada mal.

— Isso é a barra de extensão? – observo. Vocês podem não acreditar, mas em três anos, esta é a primeira vez que Peeta ‘finalmente’ usa aquilo em mim.

— Não é isso que vive me pedindo? – pergunta, esticando um pouco a barra. Grito de surpresa.

— Não grite muito alto, não vamos querer acordar ninguém, não é? – Provoca. E a tortura recomeça. Com beijos suaves, Peeta vai subindo pelas minhas pernas, até chegar lá, onde sabe que estou necessitada de atenção. E, em poucos minutos, eu explodo em milhões de pedaços.

— Mas já, Katniss? – Peeta pergunta incrédulo. Fico envergonhada na hora, e só quero é tapar o meu corpo do seu olhar inquisidor. Malditos hormônios.

— Desculpa – digo apenas.

— Ultimamente, tem sido muito rápida. Aconteceu alguma coisa? – pergunta confuso. Já passamos por isso antes, mas acho que ele não refletiu bem no assunto. Não quero contar nada a ele agora.

— Pode me soltar? Minhas pernas estão doendo. – peço, ele faz isso rapidamente e senta-se ao meu lado.

— O que está havendo? – Agora está preocupado, mas eu não respondo e levanto-me assim que ouço o conhecido choro.

— Tenho que ir. – Visto o robe apressada e saio dali.

— Daisy, a mamãe está aqui. – Pego-a no colo com cuidado. Está ficando pesada e, em breve, não poderei mais segurá-la. Dou-lhe um pouco de água e embalo-a até que adormeça de novo, deito-a no berço e vou ver o berço ao lado. Áster dorme profundamente.

Minhas filhas estão com 2 anos e 4 meses. Parece que crescem cada vez mais a cada dia que passa. Foi uma surpresa boa, quando descobrimos que eram gêmeas. Se Peeta estava feliz por ser pai, imaginem quando soube que vinham duas meninas a caminho? Ele ficou todo cuidadoso, não me deixava fazer quase nada e ainda me mimava com guloseimas. Havia pai melhor que ele? Com certeza, não!

— Em que está pensando? – sussurra, abraçando-me por trás. Estou encostada ao batente da porta envidraçada da varanda do quarto das meninas e uma mão repousa no meu ventre, inconscientemente.

— Quando descobrimos sobre elas, estava tão feliz. – Encosto a minha cabeça no seu ombro, ele envolve mais o meu corpo com os seus braços fortes.

— Eu continuo feliz, por ter vocês três na minha vida. – Beija o meu pescoço, causando-me um arrepio.

— Nós quatro, você quer dizer. – Olho de esguelha e o vejo confuso.

— Não, Katniss. Vocês são só três – contrapõe.

— Em breve, seremos quatro. – Ele me gira, deixando-me de frente para ele.

— Está grávida? – pergunta de olhos arregalados.

— Estou.

— É possível eu amar você mais ainda? – indaga sorridente.

— Claro, eu sou maravilhosa – brinco, e lanço o cabelo para trás do ombro. Ele ri e me abraça apertado.

— Amo tanto você, miúda. Amo vocês quatro.

— Também amamos você, loiro.

— Que seja menino desta vez – brinca.

— Acredita, Kile vem a caminho. – Acaricio meu ventre e ele fixa os olhos lá.

— Kile? Gostei. – Suas mãos vão de encontro às minhas.

— Kile. – Sussurro.

Peeta e eu nos beijamos com carinho, palavras doces e juras de amor. E eu só desejo ter este homem comigo para toda a eternidade, e que nosso amor continue a dar frutos. Daisy, Áster e Kile são a prova disso.

FIM

Notas finais
Espero que tenham gostado e, se eu tiver tempo, espero poder participar de outros projetos como este. Espero vocês nos comentários! Um beijo cheio de amor para todas as leitoras e parceiras. PS: Daisy e Áster são duas flores. Kile é porque eu amo a série ‘A Seleção e A Herdeira’