Tudo de Mim

32 Um convidado inesperado.


Notas iniciais
Queria dedicar esse capítulo a Luciana que deixou uma recomendação muito fofa para a história. E que lindo nome você tem hahaha Obrigada, Luci. De coração. Beijos!

A formatura foi um saco. Nem sei como aguentei tanto tempo. Acho que foi mais pelos meus pais, pelos meus amigos e pelo Lorenzo que fez questão de aparecer.

Quando a cerimonia terminou foi como uma onda de alivio e euforia. Todos gritaram, pularam, se abraçaram, sorriram, riram. Tudo de bom ao mesmo tempo.

Não tínhamos planejado uma festa de formatura, mas um dos amigos do Christian garantiu naquele momento que tínhamos entradas VIP para uma baladinha para jovens que tinha recentemente inaugurado no centro da nossa cidade.

É claro que eu topei. Nós topamos.

Fazia um tempinho que eu não ia a uma festa de arrasar.

— Tem certeza de que não quer ir junto? – Perguntei ao Lorenzo, logo após me despedir dos meus pais, agradecer por tudo e eles terem partido direto pra casa.

— Tenho. – Ele sorriu, maravilhoso. — Esse momento é de vocês.

Olhei para trás, onde o Christian estava me esperando junto da Fabi, os dois abraçados e sorridentes, depois olhei para o pessoal que ainda estava ali, esperando para irmos todos juntos, caminhando mesmo, já que não era tão longe assim.

— Por favor. Vamos? Eu quero que você esteja presente nesse momento.

E era verdade. Era quase uma necessidade. Eu estava doida para me divertir e sentia que mesmo que fosse com meus amigos, meus colegas, não seria o bastante.

Eu queria o Lorenzo junto comigo. Cada vez mais presente na minha vida.

Estávamos dando tão certo. Com ele eu me sentia confortável, calma e em paz. Havia muita conversa, beijos, abraços, carinho e cumplicidade. Nada de brigas, discussões, ciúmes, intrigas. Apenas coisas boas. Ao lado de uma pessoa boa.

— Tudo bem. Eu vou com vocês.

Eu dei pulinhos, grata por tudo.

Foi uma longa noite.

Assim que entramos na boate, fui rapidamente arrastada até o bar, onde por sermos quase todos maiores de idade – finalmente— pedimos nossas bebidas e fizemos um brinde. Depois fomos até a pista de dança, onde eu e a Fabi fizemos um show, enquanto Christian e seus amigos pulavam em volta, feito macacos, rindo e gritando.

Lorenzo ficou de longe, só observando.

Ele era meio tímido para essas coisas.

A Fabi também era até pouco tempo atrás. Até o Chris entrar em sua vida e desestruturar tudo. De uma forma boa, é claro. Ele só faz maravilhas a ela. O relacionamento deles a deixou mais solta, mais desinibida, mais confiante e até mais divertida, risonha.

Eu já amava a Fabi de antes, mas agora eu amava ainda mais essa Fabi.

Já estava muito cansada um tempo depois, com aquele salto, mesmo que pequeno, apertando meu pé. Deixei a Fabi curtir com o Chris e fui procurar o Lorenzo, encostado em um canto, mexendo no celular com uma expressão bem séria.

— Deixa isso para lá. – Tirei o celular de suas mãos e guardei em seu bolso. Depois peguei o que ele estava bebendo e virei com tudo. — Vamos nos divertir.

E antes que ele tivesse tempo de abrir a boca para argumentar, eu o ataquei, pressionando contra a parede e o beijei profundamente. Não achei que ele iria se entregar tão facilmente. Mas foi exatamente o que aconteceu. Suas mãos me puxaram pela cintura para mais perto e sua língua afundou dentro da minha boca.

Depois de tanta pegação num cantinho escuro, nós fomos até o bar de novo, nos sentamos e fomos com tudo. Conclusão: ficamos totalmente bêbados em muito pouco tempo. Tanto que ele mesmo tomou a iniciativa de me arrastar de volta até a pistas de dança e dançar juntinho de mim como nunca tínhamos feito antes.

— Acho que não estou em condições de dirigir. – Lorenzo disse risonho e cambaleante. Já se passavam das duas e meia da madrugada.

Nós estamos pendurados um no outro em busca de apoio, saindo da boate.

— Vamos para casa. Tudo que eu preciso agora é de um banho e deitar na minha caminha. – Só de pensar na cena, sentia meu corpo amolecer.

— Não! De jeito nenhum. Se aparecermos assim na sua casa, seus pais vão me odiar. Vamos a outro lugar. Quero te levar em um lugar. Vem!

Ele me puxou pela mão e fomos até a avenida em busca de um táxi.

Cinco minutos depois chegamos a um...

— Motel? – Perguntei, abismada.

Lorenzo caiu na risada.

— Pois é.

E eu ri também, sem acreditar.

Eu desci e parei em frente a construção, olhando cada detalhe com certa admiração enquanto ele pagava o taxista.

Era meio fascinante.

— Uau! Eu nunca vim a um motel. – Observei, ao sentir a mão fria dele tocar na minha.

— Nem eu.

Depois da recepção, subimos um curto lance de escadas e paramos bem em frente a porta que a recepcionista tinha no enviado.

— Tem certeza que o número do quarto é 27?

A bebedeira fazia como que eu não visse as coisas da forma como elas realmente são.

— É, bom, não tenho certeza. Mas acho que sim.

E quando enfiamos o cartãozinho na porta e ela abriu, foi uma vitória.

Era um quarto imenso, muito bem decorado, com uma cama redonda imensa, muito espelhos, velas, frigobar com bebidas e uma banheira com hidromassagem.

Tirei minha roupa em dois segundos e fui correndo até a banheiro, que para minha sorte já estava cheinha de espuma.

Uma delícia. A água quentinha.

— Eu amo banheiras. – Falei, de olhos fechados. Totalmente relaxada.

— Vou pedir algo para a gente comer. – Ouvi Lorenzo dizer.

Eu me recusei a sair da banheira mesmo depois que a comida chegou. Então, Lorenzo se juntou a mim, trazendo a bandeja consigo. Depois de comer, nós nos divertimos, jogando água um no outro e rindo. Molhados tudo em volta, mas foi bem legal.

Depois, quando o sono voltou a bater, eu me levantei e me enrolei em um roupão. Lorenzo me abraçou por trás e me guiou até a cama, onde nós deitamos bem próximos um do outro.

Fechei meus olhos, sentindo o cheirinho de sabonete vindo dele.

— Desculpe por não transar com você agora mesmo. Estou tão exausta!

— Não tem problema. Eu também estou sem condições.

Eu sorri. Ele sorriu. E nós capotamos.

Acordei no outro dia com o sol batendo na minha cara, por termos esquecidos de puxar as cortinas. Lorenzo já estava acordado, tomando seu café da manhã.

— Ei, comilão. Nem me esperou!

Ele soltou uma risadinha.

— Me desculpe.

Depois de comer uma torrada e beber um copo de suco de manga, eu me levantei da cama. Mas queria ficar ali para sempre. Era tão confortável!

— Podíamos aproveitar a banheira pela última vez. – Sugeriu o Lorenzo com um olhar bem malicioso.

Eu captei a mensagem na hora.

— Ah, não sei, não. Deve estar tarde e meus pais devem estar preocupados comigo e com o meu sumiço.

— Relaxa. Já cuidei de tudo. – Ele piscou. Lindo, todo deuso, só de jeans e sem camiseta. Os olhos azuis acinzentados tão calorosos. — Mandei uma mensagem para eles.

— Você disse a eles que estávamos em um motel?

— Não, claro que não! Eu não disse nada. Só disse que estávamos bem e voltaríamos em poucas horas.

— Horas? Eu pensei que iriamos embora agora.

— Não. – Ele se levantou e veio até mim. — Não sem antes aproveitarmos um pouquinho daquela banheira.

Ele me pegou no colo e me levou até lá aos berros.

Eu sabia me fazer de difícil quando queria.

~*~

Enquanto a mamãe foi no shopping comprar nossas roupas de natal para não fazermos feio na casa do Christian, ajudei o papai a montar o berço.

Foi uma tarefa bem difícil, porque tanto eu quanto ele éramos muito ruins naquilo. Entender um manual de instruções era bem mais difícil do que parecia.

— Ufa. Acho que conseguimos. – Me joguei no chão de maneira dramática, sentindo o suor escorrer por todo o corpo. Era um dia muito quente e abafado.

Enquanto eu tomava um banho morno, papai garantiu que prepararia algo para almoçarmos e quando eu desci, ele só tinha preparado uns pãezinhos com manteiga e um suco de laranja artificial, eu quase nem acreditei. Mas resolvi não dizer nada. Porque era obvio que se não fosse a mamãe essa família não era absolutamente nada.

Pelo menos tive a quem puxar.

E para piorar, ele praticamente me obrigou a assistir um jogo de futebol com ele.

Quando a mamãe chegou com sacolas de roupas e uns lanches do Mc Donald’s para a gente comer, eu quase beijei os pés dela de tanta felicidade por vê-la em casa.

Assim que devorei meu lanche como uma esfomeada, subimos para mostrar nossa obra-prima: o berço montado no quarto.

Estava tão perfeito, que nem tinha caído ainda. Era seguro. Pode confiar.

— Hum, acho que está bom. – Ela o analisou. — Enfim – Ela sentou-se na cama com as sacolas aos pés. — Venham ver o que eu comprei para vocês.

Para o papai uma camisa nova em um tom clarinho de azul, uma calça jeans e sapatos. Para ela um vestido longo de grávida na cor vermelha e sandálias de tira. Para mim, um vestidinho – como já era de se esperar – curto nas cores preto e branco com um cintinho marrom de couro.

— Nossa, é muito lindo, mãe. – Na verdade eu não tinha tanta certeza assim se era isso que eu gostaria de usar na festa. — Obrigada.

Sorri, peguei minhas coisas e saí rapidamente de cena.

No meu quarto, peguei meu celular, esquecido sobre a cama e vi que tinha uma mensagem para mim do Lorenzo.

“Não esqueça de atualizar o portfólio. ”

Ah é verdade, quase tinha me esquecido desse grande detalhe. Meu portfólio barra site estava pronto há algumas semanas já. Quando Lorenzo nos mostrou pela primeira vez, todo pronto, estávamos todos na sala e minha mãe chorou muito, toda cheia de orgulho. Foi fofo, porém meio esquisito. Porque ela chorou, tipo, muito.

Como eu estava de férias e sem nada de interessante para fazer, tinha saído muito por aí, para explorar e fotografar coisas novas mesmo sem a companhia do Lorenzo. Ele achou que isso era bom para mim. Para adquirir mais confiança e mais material para o portfólio que para o meu próprio bem, nunca deveria ficar parado.

Peguei minha câmera, aquela que ele tinha me dado de presente de aniversário, e transferi as novas fotos que tirei nela para o meu notebook e passei as próximas horas trabalhando nas fotos, mexendo na iluminação, ajustando a posição, mexendo no brilho, alterando o contraste. Tudo que as tornassem ainda mais bonitas.

Assim que postei tudo no portfólio, peguei meu celular e digitei uma mensagem rápida para o Lorenzo.

“Dá uma olhada lá e vê o que achou do novo material. ”

Alguns minutos depois:

“Perfeito!"

~*~

O tão esperado dia da festa de natal.

Minha mãe fez questão de chegarmos cedo. E nos fez garantir que íamos nos comportar bem e sermos refinados para não envergonhamos aquela gente. Era como ela se referia a todos, 99 por cento dos convidados, que tinham muito mais grana que a gente. O que para mim nunca foi um problema. Mas que para ela parecia ser.

Fabi e seus pais já estavam por lá e foram os primeiros que nós cumprimentamos. Eram basicamente os únicos que nós conhecíamos de verdade.

Christian se aproximou com os pais, todo iluminado, e fez as apresentações. Enquanto nossos pais estavam entretidos, conhecendo um ao outro, puxei-o para um canto.

— Cadê seu primo?

— Não sei. Ele ainda não chegou?

Fiz que não, me sentindo apavorada.

Me afastei, para longe do barulho da música, e tentei ligar para o Lorenzo. Mas não deu em nada. Porque ninguém atendeu e não ajudou muito.

Talvez eles estejam a caminho nesse exato momento.

Ótimo, porque eu não queria ficar sozinha hoje à noite. Meus pais tinham assuntos de adultos para tratar com outros adultos. Fabi tinha o Chris e eu... Só tinha o Lorenzo nesse momento e queria sua presença essa noite mais que tudo.

Ao olhar em volta, pela primeira vez desde que cheguei, notei na decoração do lugar.

Tudo em tom de vermelho, verde e dourado. Com vários enfeites natalinos espalhados por toda parte. A maioria dos convidados com roupas nos mesmos tons, espalhados pelas mesas no jardim, em volta da piscina iluminada.

Lá dentro, na sala de jantar, a mesa para o baquete estava pronta, cheia de comidas estranhas, mas que pareciam perfeitamente deliciosas para mim.

Ah, e como pude não reparar na grandiosa árvore de natal colocada próxima a porta de entrada? Era linda. A mais linda que já vi em toda vida. Dez vezes melhor do que a pequenina que tínhamos montada na sala lá de casa. Da época em que nasci.

— Oi. – Ouvi um sussurro próximo a mim.

Quando me virei, lá estava ele, a estrela da noite.

— Lorenzo! – Eu a abracei e me deu um beijo de leve.

Cumprimentei seus pais muito educadamente, me perguntando mentalmente porque diabos eles tinham demorado tanto. Eu já estava pensando seriamente em chorar e passar minha triste noite lá em casa vendo o Especial de Natal na Globo do Roberto Carlos.

— Aconteceu algo? – Perguntei, quando seus pais se afastaram.

— Sim. Mas não vamos falar sobre isso agora. – Ele sorriu.

Estava tudo ocorrendo muito bem, mesmo com nós sentados na mesa com nossos pais que não pararam de se exibir, para mostrar quem era o melhor filho.

Claro que nenhum de nós se importava mesmo com isso.

Éramos todos bons. Só que cada um do seu próprio jeito.

— Não posso ficar aqui nem mais por um segundo. – Cochichou o Chris e eu suspirei aliviada, grata por pelo menos uma pessoa aqui compartilhar da mesma ideia que eu. — Vamos para o meu quarto e jogar alguma coisa.

E lá fomos, sem que ninguém notasse.

Chris ligou seu videogame e essa foi a salvação da noite. Fizemos uma espécie de discuta de casais. Fabi e Chris. Luci e Lorenzo. Quando era nossa vez de fazer pontos para garantir nossa vitória, Fabi desceu para pegar uns petiscos.

— Precisamos desempatar esse negócio aqui. – Protestou o Christian, quando percebeu que estava perdendo, porque a Fabi, coitada, era bem ruinzinha.

Já eu era um arraso. E o Lorenzo mais ainda.

Éramos uma dupla imbatível.

— Você não sabe perder, amigo. – Levantei e dei uma batidinha no ombro dele só para tirar o sarro. — Vai, senta aí. Montra que você é bonzão.

E foi o que ele fez, com um sorriso convencido, sentando-se ao lado do Lorenzo para uma nova rodada. Eu me acomodei na cama e observei de longe.

— Luci, preciso te contar uma coisa. – Fabi disse baixinho o bastante para os garotos não ouvirem. Ela colocou os petiscos de lado e me puxou.

Fomos para o corredor.

— O que foi? Não venha me dizer que a minha mãe está pagando mico lá fora. – Só de imaginar a cena não consigo conter o riso.

— Não, não é isso. Sua mãe está muito bem-comportada ao lado do seu pai recatado. É outra coisa. Acho que muito pior do que isso. Acredite.

— Ta. – Revirei os olhos, impaciente. — Então fala logo, mulher.

Ela me olhou bem nos olhos.

— É o Alex e ele acabou de chegar com o irmão.

Não, não, não, não.

Como é que eu tinha esquecido disso?

Espera. Ai meu coração. Acho que vou enfartar.

— Meu Deus! E agora, Fabi? Eu jurava que ele não vinha!

— Você o convidou? Não acredito! Você nem me contou!

— Eu achei que não precisaria! Porque achei que nem morto ele daria as caras, mas pelo visto eu me enganei. Ai meu Deus, não sei o que vou fazer.

— Você precisa ir até lá!

— Não!

— Sim! Você o convidou!

— Mas foi um erro!

— O.K. Mas ele não conhece ninguém aqui e...

— Já entendi.

O erro era meu e agora eu tinha me virar.

— Mas antes, me dá um tapa, por favor.

Ela arregalou os olhos.

— O quê?

— É. Isso. Me bate. Bem na cara. Eu mereço.

Foi a vez de ela revirar os olhos.

— Não seja ridícula. Ele é só o seu ex-namorado.

— Certo. – Suspirei fundo. — Só um ex-namorado.

Que merda eu tinha na cabeça? Um ex-namorado na festa que eu estava com o meu atual namorado. Mas será que o Lorenzo era mesmo meu namorado?

— Você acha que eu deveria convida-lo para subir e jogar com a gente?

— Oh, não. Isso seria demais. Eu acho. Não sei!

— Fabi, me ajuda!

— Vai lá, desce, e o recepciona. Vou dar um jeito de levar os garotos lá para baixo de novo e vamos ficar do seu lado. Sem que isso seja muito estranho para ninguém. Como se fossemos todos bons amigos. Certo?

Assenti, nervosa.

Eu não tinha um plano melhor, além de agir naturalmente.

— Certo.

Notas finais
O próxima capítulo terá algumas surpresas. Posso adiantar que... Lorenzo tem algo a dizer que pode mudar tudo. Alex e Luci terão um momento deles e... Difícil. Mas acho que vocês vão gostar. Comentem e eu postarei o próximo capítulo ainda essa semana. Beijos!