Tudo culpa da Kin

1 Capítulo único


Notas iniciais
Olá, pessoas Bom, conheci a Kin em um chat de jogos no discord e essa fanfic se originou de uma tentativa falha de fazer um rp (entendedores entenderão). Conheci o Roku no mesmo lugar, aquele maldito falsiane -.- Falha porque eu vejo tudo como uma fanfic em potencial. Mas enfim. Espero que gostem. Boa leitura ^^

Paro em frente ao portão cinza e respiro fundo pensando pela, provavelmente, milésima vez o porquê de eu estar ali.

Ah é.

Kin me mandou uma mensagem com um simples "Vem aqui em casa AGORA", e quando eu perguntei o que era só disse "Te dou chocolate" e, bem, se ela pensa que vai me comprar com doce, está completamente certa.

Enquanto eu pensava na possibilidade de virar as costas e ir embora como se nada tivesse acontecido, o portão é aberto por ninguém mais, ninguém menos que o Rokuryuk, peste mais nova, vulgo irmão da Kin.

— Oi, trouxa. -acenei pra ele.

— A coisa tá te esperando lá no quarto. Sem perguntas ou reclamações, só entra, pelo amor de Hades.

— Você é uma desgraça, pirralho. Só disse "oi".

— Para de resmungar e vai! -me puxou pra dentro e fechou o portão.

— Credo. Grosso. O que foi dessa vez?

— Ela pegou meu jogo de Dragon Ball.

— Pensei que só jogasse lol.

Ele só revirou os olhos e resmungou algo que eu tô muito foda-se pra prestar atenção.

— Meu jogo. -ouvi ele falando da porta do quarto. Vi a caixa do DVD sendo jogada pra fora e ele saindo reclamando.

Kin sendo Kin.

Entrei, já esperando uma almofada na cara, ou sei lá.

Mas nããoo.

— Oi Full.

— Que porra é essa?

Eu mal acreditava naquilo que eu estava vendo. Onde diabos essa criatura tinha conseguido essas coisas?

— Onde caralhas tu conseguiu isso?

— As pedras?

— Tudo!

— Ah.

— Kin...

— Fiz o meu irmão comprar. -sorriu.

— Vocês são loucos.

Tinha uma espécie de maca no meio do quarto. Aquelas estofadas e com travesseiro que você só vê em spa ou filmes. Kin estava de bruços, balançando despreocupadamente as pernas e a cabeça, com um fone de ouvido. Tinha uma toalha jogada da cintura pra baixo e graças a Deus acho que vi um short. Tinha umas pedras coloridas alinhadas por suas costas, tipo aquelas coisas que você só veria na TV. Pedras quentes? É, talvez.

— Me faz uma massagem, Full.

— Nop.

— O quê?

— Não.

— Por quê?

— Por que não.

— Eu comprei uma cesta de chocolates. Uma cesta. -enfatizou.

— OK. Cadê ela?

— Você vai comer antes e ir embora.

— Tenho que ver se é verdade né. -dei de ombros.

— ROKU! -meio minuto depois ele estava lá.

— Mostra a cesta pra essa morta de fome.

— Ei! -bati na sua perna- Só morro por comida. -e fui atrás do menino.

É, tinha o tal chocolate, e ainda ameacei o Roku com uma faquinha de mesa e consegui alguns. Coitado do menino. Vai crescer como uma criança traumatizada.

— Kin. -entrei no quarto.

— Viu lá?

— Sim. Agora fala, o que era mesmo?

— Faz uma massagem aqui nas minhas costas? Estão doendo mais que bunda de gay.

— Perguntar pro seu irmão.

— Quê?

— Oi?

— Meu irmão?

— Falei nada. -desconversei.

O Roku não era gay.

Eu acho.

— Enfim. Começa pelos ombros, tá, Full?

— Desde quando você tem dor nas costas? -comecei com uns socos desleixados. Depois de tirar as pedras, claro.

— Ahn... Hoje?

— Por quê as pedras?

— Parece conversa de drogado, mas ok. Achei que ficaria bonito. -riu.

— Certeza que tu não fumou paçoca né?

— Sim. Pelo menos não paçoca. -riu.

— QUÊ?!

— Brincadeira, Full.

— Seei.

Continuei meu trabalho, descendo pela extensão da sua coluna.

— Aproveita e passa esse hidratante. -mostrou o vidro em cima da cama.

Voltei desde o começo, dessa vez massageando com o bendito hidratante.

— Para de gemer, porra. -briguei.

— Não tô. É um suspiro.

Comecei a rir. Louca.

— Sabia que tem umas partes mais avermelhadas nas suas costas? Tava treinando o Kama Sutra com o namorado? Hmm.

— Eu nem tre... Que namorado?

— Você não tem namorado?

— Não.

— E aquele loiro lá?

— Ex.

— Treinavam o Kama Sutra?

— Não.

— Então tá.

— Você é doida, Full.

— Enfim. E essas vermelhidões?

— Roku. -resmungou.

— Kama Sutra com o Roku?

— PARA DE PENSAR EM KAMA SUTRA, SUA PERVERTIDA.

— Taa. -concordei, entre gargalhadas.

— Isso foi porque pedi ao meu irmão idiota para fazer a massagem. E depois de quase me matar, ele disse pra te chamar.

— Obrigada então, Roku. –ironizei, revirando os olhos.

Acho que ela acabou cochilando antes de eu terminar. Perfeito. É o tempo de eu ir pegar meus chocolates com o Roku e sair correndo daqui.

Peguei meu celular, tirei uma foto da Kin babando e me virei para sair dali. Mas gelei quando uma mão fria segurou meu pulso.

— Já vai, Full?

— Vai matar o cão de susto, desgraça. -gritei, e ela soltou uma risada debochada.

Ela ficou de pé, derrubando tudo o que tinha no caminho, e foi vestir uma roupa.

— Pra uma massagista, você é uma ótima amiga.

— Me explorou e ainda reclama. Eu mereço...

— Foi bom, mas não ótimo.

— Cala a boca, Kin. Sua chata.

— Obrigada, Full. -beijou minha bochecha antes de sair do quarto.

— Sua gay! -gritei.

Fiquei ali mais alguns minutos vendo absolutamente nada interessante no meu celular, com a impressão de que estava esquecendo algo muito importante.

Espera um pouco...

— MEU CHOCOLATE!

Sai correndo feito doida, escorreguei no piso, perdi uma chinela no caminho e dei de cara na porta do quarto do Roku, já que ela não abriu quando eu puxei.

Ela abria pra dentro e eu não lembrava?

— Que merda, Fulgel.

— Oi Roku. Me dá meus doces.

— A Kin acabou de sair daqui, disse que ia te entregar, e espera, você disse que eu era gay?

— Vou matar a sua irmã. Sério. -dei um tapa na minha testa e depois um na testa dele.

— Ficou doida?

— Sim. Para matar!

— Fulgel, você me chamou de gay, e me bateu. Eu que devia te matar.

Estava possessa demais para ver a mão do Roku levantada na altura do meu pescoço, e quando vi, já não dava mais para evitar. Ele me beijou.

Roku. Me. O QUÊ??!!

— Que porra é essa, Roku? -perguntei e, sem esperar resposta, bati em sua cara e fui atrás da Kin.

— KIIIIN!

— FUUULL!

— Desgraçada. -resmunguei.

— Você é muito cara de pau, sabia? Tipo, muito mesmo. -fiquei de pé na frente dela.

Ela estava sentada numa cadeira de balanço que tinha na varanda.

— Eu sei de outra coisa que daria certo com essa sua definição. -sorriu.

— Maldita pervertida. Depois fala de mim.

— Estava brincando, Fulzinha. -se esticou para apertar minha bochecha.

— Menina, que vontade de arrancar teu cu com alicate. Mas enfim. Temos coisas mais importantes, tipo...

— Seus chocolates.

— Seu irmão. -falamos juntas.

— O quê diabos vocês dois tem? Além de tesão reprimido.

— Ele não é gay?!

— Isso foi uma pergunta ou uma afirmação? -cruzou os braços.

— Boa pergunta. Excelente, na verdade. Mas sério, ele acabou de me beijar! Tipo, quase agora! -comecei a gesticular feito doida.

— Para de fazer isso. -me chutou- Finalmente ele teve coragem né. Se bem que até eu teria...

— O quê?

— Ahn?

— Fala.

— Oi?

— Tu é toda noiada, Kin.

— Olha quem fala né. Doida e pervertida.

— Ei!

— Fala, Full.

— Doida não! -começamos a rir.

— Devia ter droga naquele chocolate. Só pode. -comentou.

— Onde comprou? –perguntei.

— No caminhão da esquina.

Eu juro que não sabia se ria ou chorava. Mas no fim, joguei meu celular em cima dela enquanto ria.

— Louca. Cadê ele? O chocolate.

— No mesmo lugar. Com o meu irmão.

— Mas ele disse que você... Ahh. Você disse pra ele falar aquilo?

— Exato. Mas a parte do beijo foi coisa dele mesmo. Por falar nisso, vão se assumir quando?

— Assumir? Ele tem 15 anos! Vou ser acusada de pedofilia.

— Ele tem 17. E você 19. Não tem nada demais. -deu de ombros.

— Ele é feio.

— Nem você acredita nisso, né? -riu.

— Não. Mas deixando isso de lado, vamos falar do mais importante. Cadê o chocolate?

— Vamos pegar logo, sua gulosa. -ficou de pé.

— Não faz mais que sua obrigação.

— Cala a boca. E obrigada pela massagem, Full.

— Por nada, Kin.

— Quando vai fazer de novo?

— Espero que nunca mais.

— Você é uma chata, Full.

— Eu sei. Mas você também é.

— OK. Empatamos. -jogou as mãos para o alto.

— Só vamos pegar esse chocolate, por favor.

— Pega meu irmão, Full. -correu na minha frente.

— Só quero meu chocolate, fia. -joguei meu último pé de chinelo na direção dela, e fui andando calmamente até lá.

Tudo por um chocolate.

Ou seria tudo por uma massagem?

Bem, tudo culpa da Kin.

Notas finais
Digam o que acharam e faça um serzinho feliz~~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!