Tudo começou aqui
1 E agora é crescer
Notas iniciais
Cecília não tinha mais noção de muita coisa, em plena 7ª série, se considerava a mais diferente de todas as garotas da sua idade, ela lia sim, os livros obrigatórios do colégio, como Pedro Bandeira, porém esse ultimo ela gostava, e muito. Ela gostava de matemática, embora suas notas fossem medianas sentia-se bem em ver que tinha conseguido desvendar mais uma incógnita, era realmente gratificante.
Assistia as mesmas séries e reality shows que o resto de sua turma, seus olhos castanhos amendoados e seu longo cabelo negro e ondulado e frisados estavam sempre presos em um longo rabo de cavalo, e aquele dia estava sem a mínima vontade de esconder as espinhas de sua testa, considerada por ela muito grande, com a costumeira maquiagem de sempre.
Pelo contrario, Cecília mal tinha tocado o arroz e o feijão, provavelmente preparado por sua mãe antes do expediente de trabalho. E só de pensar em pegar o metrô de São Paulo naquela terça feira sentiu-se cansada.
Era da Vila Mariana até a Sé, mas naquele momento sua escola pareceu bem mais longe. Por isso apenas olhou o céu nublado pela janela e se deitou no sofá com tudo, pegou seu celular e discou o numero de sua mãe.
-Cecília está tudo bem? – A voz da sua mãe preocupada, porém mostrava que ela estava com pressa para desligar e continuar seu trabalho como enfermeira em um postinho na Vila Madalena.
-Não estou me sentindo bem para ir na escola hoje. – Respondeu simplesmente a garota.
-Mas filha não é hoje o dia da sua prova? – Perguntou a senhora.
-É mas... Tudo bem vou dar um jeito. Tchau.
-Qualquer coisa me liga.
E então desligou, ela ficou alguns segundos imaginandos os tu-tus. Olhou novamente a jenela, dessa vez focando-se na caótica cidade que se materializava lá embaixo, se Cecilia se concentra-se poderia ouvir as buzinas infinitas.
Alguma coisa que comera não fizera bem, ela não entendia.
Pensou mais uma vez nas meninas de seu colégio, até mesmo sua amiga Giovana, elas eram tão diferentes, era como se ela estivesse no mesmo corpo que sempre teve desde os nove. Isso não deveria importar, sua aparência era apenas sua aparência. Como alguém poderia conhece-la apenas por aquilo?
Mas foi assim, e soube que tudo pioraria a cada ano ao ver que não era mais uma menina e que cresceria a partir daquele momento em diante.
Viu a mancha.
Agora era só crescer
Fale com o autor