Tudo começa com um sentimento

2 O leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Parte 1


Notas iniciais
Espero que gostem.

Era uma vez duas meninas e dois meninos: Susana, Lúcia, Pedro e Edmundo.

Esta história nos conta algo que lhes aconteceu durante a guerra, quando tiveram de sair de Londres por causa dos ataques aéreos. Foram os quatro levados para a casa de um velho professor, em pleno campo, a quinze quilômetros da estrada de ferro e a mais de três quilômetros da agência de correios mais próxima.

Há quilômetros e quilômetros dali, achava-se uma história parecidíssima, porém, apenas uma garota, filha única. Saía de Londres para fugir dos ataques. A garota chamada Anastácia Romanov, foi levada para a casa de uma simpática senhora, Polly Plummer. Era uma casa grande e convidativa. A única coisa em que Anastácia lamentava era que não tinha ninguém com a idade dela na casa — Na verdade, na casa havia pouquíssimas pessoas, apenas Sra.Plummer, as duas criadas e a própria Anastácia – mas Anna, era acostumada com a falta de companhia. Seus pais não eram o que se poderia dizer “presentes”, o pai de Anna, era mais preocupado com os negócios da família, e sua mãe se importava mais com vestidos caros e o chá das cinco com outras esposas de homens bem sucedidos, como o pai de Anna. Por isso, Anna não ia ao colégio como as outras crianças, ela tinha um professor particular, que ia em sua casa todos os dias, e por esse mesmo motivo, as únicas crianças que conhecia, eram os filhos dos amigos dos pais, que a única coisa em que pensavam eram em suas aulas de equitação. Tinha sido muito difícil os pais de Anna, deixarem-na ir para tão longe, mas não havia outro remédio.

Certa vez durante um almoço, silencioso e um tanto constrangedor, Polly informou:

_ Anastácia querida, teremos de sair daqui o mais depressa possível. Os ataques estão se arrastando e não estamos longe da cidade o suficiente. Pois então, suba e arrume suas coisas. Pegaremos o próximo trem.

_ Se me permite Sra.Plummer, para onde iremos? _ Perguntou Anastácia erguendo seus olhos azuis e brilhantes.

_ Iremos à casa de um velho amigo, no campo. E há outras crianças. Não é formidável? _ Respondeu a senhora com um sorriso.

Anastácia abriu um sorriso, estava mais feliz do que demonstrava.

E como o esperado, as duas arrumaram suas bagagens, indo então, pegar o trem para a casa do professor, Digory Kirke.

A viagem foi pouco longa e cansativa, mas chegando lá, o cansaço de Anna foi espairecido quando olhou para a casa gigantesca. Teve uma bela recepção, todos estavam esperando as duas. Depois de ser apresentada para as criadas, o professor Digory, – pelo qual, gostou na hora – foi a vez das crianças. Pedro, era o mais velho, tinha catorze anos. Susana, era a garota mais velha, tinha treze anos. Edmundo, era o garoto mais novo, tinha doze anos, a mesma idade de Anna. E por fim Lúcia, onze anos; a mais nova e mais simpática de todos. Os cinco brincaram o resto da tarde, e na hora de dormir conversou com Lúcia:

_ Deve ser tão legal ter tantos irmãos. Sempre ter o que fazer... _ Dizia Anastácia sonhadora.

_ É... é. _ Disse Lúcia cabisbaixa. A verdade era que há dois dias, Edmundo tinha entrado no guarda-roupa, e se encontrado com Lúcia lá. Ele viu que tudo que ela dizia era verdade, Nárnia realmente existia. Mas não foi isso que ele disse para os irmãos, Pedro e Susana:

_ Ah, é mesmo! Eu e Lúcia estivemos brincando imaginando que era verdade tudo aquilo do país maravilhoso dentro do guarda-roupa.

Lúcia havia ficado arrasada.

_ Lú, sei que não é da minha conta, mas você parece infeliz. _ Disse Anastácia preocupada.

_ É, você tem razão. _ Disse Lúcia.

_ Pode me contar, sabe? Sei que nos conhecemos hoje, mas... pode confiar em mim.

_ Você não acreditaria. _ Disse Lúcia. _ Nenhum dos meus irmãos acreditaram. Apenas Edmundo que viu, mas ele diz que não.

_ Então é por isso que está assim, Lú? _ Perguntou Anna _ Vou entender se não quiser me contar, mas você poderia experimentar. _ Continuou Anastácia levemente curiosa.

Lúcia soltou um suspiro pesado.

_ Tudo bem. Mas, você tem que acreditar realmente. _ Disse Lúcia se levantando e calçando suas botas. _ Vem, Anna.

Anastácia seguiu Lúcia. As duas tentavam ao máximo não fazer barulho algum, olhando atentamente para os lados. Seguiram assim até chegarem ao quarto do guarda-roupa e fecharem a porta.

_ Por que estamos aqui? _ Sussurrou Anastácia.

_ Dentro do guarda-roupa há um país chamado Nárnia! _ Sussurrou Lúcia em resposta e de uma vez só.

_ O que? _ Anastácia falou um pouco mais alto.

_ Era isso que eu disse para meus irmãos, mas eles não acreditam em mim. _ Disse Lú.

Anastácia nada disse. Não sabia o que dizer à Lúcia, e nem o que pensar.

_ Você não acredita em mim, não é? _ Lúcia perguntou com lágrimas nos olhos.

_ Não, não é isso Lúcia. _ Precipitou-se a dizer, Anastácia. _ Apenas é... incomum. _ Anastácia queria mesmo acreditar em Lúcia, mas pense bem; não são todos os dias que alguém diz que tem um país dentro do guarda-roupa!

Lúcia olhou pra o chão. E segundos depois, ergueu a cabeça com um sorriso.

_ Há uma maneira de você ter certeza.

Anastácia sorriu também.

_ Me diga então.

Lúcia puxou Anna pela mão e seguiu até o guarda-roupa. As duas entraram lá dentro, procurando o fundo, sem encontrá-lo.

E como num passe de mágica – e poderia se dizer que era isso realmente – as duas meninas se viam pisando em neve macia e branca.

Anastácia olhava para tudo aquilo encantada. Cada floco que caía, cada árvore coberta pela neve branquinha e também um lampião no meio de tudo aquilo. Por fim seus olhos se sobre caíram em Lúcia, que sorria, mostrando todos os dentes.

Anastácia foi até ela sorrindo também.

_ Bem vinda a Nárnia! _ Disse Lúcia.

Notas finais
Reviews são o combustível da fic pessoas, então, por favor comentem! Obrigada.