E ela chorava. Chorava por algo que nem ela mesma sabia. Chorava porque o aperto no peito era forte demais para ser ignorado. Chorava porque estava sozinha e não havia ninguém para perguntá-la o motivo.
Chorava porque a droga da máscara havia sido arrancada. Estava em um estado contínuo de felicidade, ou era o que todos pensavam. "Tudo bem" já era praticamente o seu bordão. Se alguém lhe perguntava como estava? "Tudo bem". Como foi seu dia? "Tudo bem". E as aulas? E o curso? E os desenhos? E as histórias? E a garota respondia.

"Tudo bem"

Porque, se tentasse explicar, desabaria, se tentasse mentir por mais tempo, enlouqueceria.
E a garota sentia ódio. Odiava dizer que estava tudo bem. Odiava chorar. Odiava usar aquela máscara. Odiava o fato de que o "Tudo bem" estava tão preso a si que esquecera como sentir o resto das coisas. Odiava não conseguir agir como se estivesse mal quando todos estavam.
E odiava quando todos sumiam, e a garota deixava a máscara cair. E então, tudo voltava de uma vez, com mais força do que nunca.
E ela chorava.

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