Tudo Pode Mudar
6 Capítulo 6: Lugar novo
Notas iniciais
–Já terminamos? — eu perguntei impressionada. — Ainda são 11:00!
–Verdade! — ele disse sorrindo. — Acho que somos os únicos, pelo visto. — ele disse olhando a turma que estava bem preocupada, procurando desesperados as respostas nos livros e as folhas.
–Não acha melhor a gente dar uma revisada?
–Acho sim.
Terminamos de revisar as respostas e ficamos conversando bem baixinho para não atrapalhar os outros alunos.
–Posso fazer uma pergunta? — eu disse.
–Claro.
–Por que você não entrou logo nos primeiros tempos?
–Estava tendo problemas com as notas da outra escola. — ele disse sussurrando. — Eles não estavam querendo liberar para colocar no sistema daqui.
Quando eu ia responder, a professora veio olhar o que estávamos fazendo com uma cara de brava.
–Então, pelo visto vocês já se tornaram grandes amigos, hein? — a professora disse, chamando a atenção da turma toda para gente. — Pararam até o trabalho para ficarem conversando. Pelo visto, você não faram mais trabalhos juntos.
–Mas professora, — eu disse entregando a folha do trabalho. — já acabamos tudo.
–Em 1h e 20m? — a professora perguntou surpresa. — É impossível!
–Não, professora, não é. — Stefan disse. — A Luíza estudou a noite inteira essa matéria e eu já tinha tido uma semana antes de vir pra cá. Sabíamos as respostas.
–Pois é, professora. A senhora sabe que não fico conversando quando estou fazendo trabalho. — eu disse sorrindo para o Stefan, que sorriu de volta.
–Se vocês terminaram mesmo, — a professora disse sem querer acreditar muito. — podem descer e esperar o horário para a saída. Sexta darei os resultados dos trabalhos.
–Tá bom. — disse Stefan e eu e levantamos.
–Acho que a professora não acredita na gente. — disse Stefan rindo, quando saímos da sala.
–Deixa ela. — eu disse rindo junto. — Quando ela ver as respostas, vai ver que estamos certos.
–Verdade.
–Quer que eu te mostre a escola? — eu perguntei.
–Ótima ideia. — disse ele sorrindo.
Stefan sempre estava sorrindo. Isso era uma coisa que eu percebi assim que o conhecera e gostei nisso nele. Eu estava me sentindo tão mal ultimamente e ter ficado com ele só aquele pouco tempo, me fez me sentir melhor.
Mostrei toda a escola para ele. Mostrei os lugares que os alunos mais gostavam de ficar e os que menos gostavam. Mostrei o refeitório, a quadra, a biblioteca, o auditório e falei um pouco da escola também. Lá, estávamos livres pra sair da sala a hora que quiséssemos e ficar no pátio ou só andando por lá mesmo, mas quem ficasse em sala, respeitava os professores. Só conversávamos se fosse baixinho e não fosse atrapalhá-los.
–Qual o lugar que você mais gosta da escola? — ele me perguntou.
–Hmm... nenhum desses que eu te mostrei... — eu disse meio pensativa, se mostrava ou não o lugar para ele.
–Não? Mas você não me mostrou a escola toda? — ele disse parecendo meio confuso.
–Na verdade, não. — eu disse.
–Tem algum portal secreto aqui? — ele disse rindo e eu ri junto.
–Atrás da escola tem uma pequena floresta que fazemos trilha às vezes com o professor de Educação Física. Lá, tem um cantinho que eu gosto de ficar pra pensar na vida. — eu disse resolvendo revelar. Me senti a vontade contando isso pra ele. — Você vai ser a primeira pessoa que eu mostro esse lugar.
–Sério? — ele disse.
–Aham. Esse é o meu lugar favorito. Vou pra lá todo dia agora, praticamente. Só não fui hoje, porque estava com o Ygor e o Yago no recreio.
–Se você vai na hora do recreio, como seus amigos nunca vão junto?
–Eu peço pra eles não virem. Gosto de ficar sozinha lá. Muitas vezes estamos rodeadas de gente e eu não gosto disso. Por isso que me acham meio antipática aqui na escola. Mesmo as minhas amigas falando com muita gente, eu não falo. — eu disse meio triste, olhando para baixo. Me doía ser assim. Ser tão isolada do mundo.
–Hey, — ele disse levantando meu rosto. — não fica triste. Eu também sou assim. Meus amigos me acham estranho por não ficar naquela roda enorme de gente ou por recusar ir pra balada com eles.
–É bom saber que tem mais uma pessoa como eu nesse mundo. — eu disse sorrindo e ele sorriu junto. — Mudando de assunto, vamos na cantina comprar um pedaço de torta? Eu pedi pra dona Sônia guardar pra mim.
–Claro.
Fomos até a cantina, compramos os pedaços de torta e fomos para o meu lugar favorito. Onde eu podia ser eu mesma: a estranha que não fala com ninguém e poderia pensar na vida, o quanto eu a odiava.
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