Tudo Pode Acontecer
13 Até amanhã.
Notas iniciais
– Eu fiquei sabendo que o juiz Barnes está fora do país.
– Raphael Barnes? E você sabe o motivo? – Dean perguntou, deixando os papéis que examinava em cima da mesa.
– Ainda não. Um dos meus garotos está cuidando disso.
– Quem?
– Gabriel Speight, Dean. Confie em mim, ele vai descobrir o que precisamos.
– Precisamos confiar no sistema, Victor. Se o juiz viajou, deve ter um ótimo motivo.
– Presumo que não seja da nossa conta também – Henricksen sentou-se de frente para o loiro, encarando-o seriamente.
– Não é, e cuidado quando estiver satisfazendo sua... Curiosidade – Dean aconselhou.
– Não se preocupe – Ficaram alguns minutos em silencio e Victor voltou a falar — Já sabe quando vai ser o julgamento do Winchester?
– Seria em cinco meses, mas agora que Barnes está fora do país, eu não sei.
– Você vai tomar o lugar do acusador? – O moreno perguntou, olhando para os papéis espalhados pela mesa do escritório.
– Eu não queria, mas o garoto, Gary Frankel, não tem família ou advogado atual.
– Já organizou as provas contra o Sam?
– Não há muitas, na verdade.
– E o que são essas pastas abertas em cima da sua mesa. Vejo o nome do Winchester em todas as suas anotações – Victor perguntou, num misto de preocupação e curiosidade.
– Eu estava revendo alguns casos antigos. Tanto os que foram parar nos Arquivos Mortos quanto os considerados “solucionados” – Dean fez aspas com os dedos, enquanto organizava algumas das folhas em suas respectivas pastas.
– Posso dar uma olhada?
– Não é nada, só paranóia minha. Poupe seu tempo – Warner tentou disfarçar o quão frustrado estava com aqueles casos.
– Se é sua paranóia, então também é minha. Somos parceiros, Dean – Henricksen pegou uma das pastas das mãos do outro detetive e começou a ler os arquivos – O que temos aqui? O caso dos Burne? Esse era um caso do Novak, porque está examinando isso?
– Porque eu... – Dean suspirou – Porque, na época, ele era meu parceiro. Na verdade, ele era o Obi-Wan pro meu Skywalker, ok? Eu era novo e ele me ensinou muito. Eu era muito curioso naqueles tempos e dei uma olhada nos arquivos, enquanto ele estava trabalhando nesse caso. Nunca acharam um culpado e eu achei isso muito estranho, porque você sabe como ele era bom. Como ele ainda é bom.
# FLASHBACK ON #
13 anos atrás...
– Bom dia, Dean – Castiel disse, acordando o loiro, que se assustou um pouco – Passou mesmo a noite aqui?
– Sem dor, sem ganho – O loiro passou a mão pelo rosto e pelos cabelos, espreguiçando-se em seguida.
– Café?
– Por favor.
O moreno deixou suas coisas em cima da cadeira e andou até uma cômoda onde tinha uma máquina de café. Ficaram em silêncio enquanto o mais velho preparava o café e Dean tentava acordar. Estava com uma dor de cabeça terrível, mas não era pior do que a dor incômoda em suas costas. Levantou-se da cadeira e andou até Castiel, que abriu um grande sorriso debochado para ele.
– Deveria parar de dormir no trabalho. Vai acabar se matando desse jeito – O moreno disse, colocando um pouco de café em uma xícara e a entregando para o loiro.
– Eu não conseguiria dormir muito em casa, de qualquer maneira.
– Não são as horas de trabalho que vão fazer esse caso ser solucionado, Dean.
– E o que vai, então?
– O esforço necessário aplicado a coisa certa – Castiel sorriu.
– Ou seja...
– Já assistiu Star Wars?
– Não sei onde essa conversa vai chegar, mas já assisti sim. Por quê?
– Ok, no começo de tudo, quando o Anakin ainda estava em treinamento, não importa quantas horas ele passou praticando algo, mas o tanto de foco e esforço que ele colocou para conseguir acertar todas as vezes. Ou se quando ele estava treinando com os sabres de luz, não importa se ele passou semanas ou horas treinando, desde que ele atingisse o objetivo.
– Está mesmo me comparando com o Anakin?
– Talvez eu possa ser seu Obi-Wan – Castiel disse e riu – Mas o que eu quero dizer é que você não deve se matar de trabalhar por tanto tempo. Só faça o seu melhor, e as respostas virão até você.
– Entendi, Mestre – Dean brincou – Desculpa ter dormido no seu escritório de novo.
– Não tem problema. Só quero que se cuide melhor. Você ainda é jovem tem muito que aprender.
– Você não é muito mais velho do que eu, só tem 22 anos.
– E você só tem 18 anos e acabou de entrar aqui. Quando eu comecei, eu tinha a sua idade.
– E você é o melhor.
– Modéstia a parte, eu sou realmente bom. Mas você pode ser ótimo – O moreno passou um braço pelos ombros largos do jovem – Pode ser melhor do que eu. Vejo um grande futuro para você, Dean. Por isso quero que se cuide mais, porque quero que você, quando estiver com seus 30 anos, olhe para trás e diga: “Nossa, o Castiel tinha razão”.
– Você adora ter razão – Dean sorriu para o moreno e suspirou.
– Eu adoro mesmo – Novak andou até a mesa de seu escritório – Mas você fez algum progresso ficando aqui a noite toda?
# FLASHBACK OFF #
– Então você achou que era simplesmente impossível que ele falhasse em um caso? É isso? Olha Dean, eu entendo que você se inspirou muito no modo como ele trabalha, e ainda se inspira, mas ele não é um deus. Ele também erra.
– Esse não é o caso aqui. Ok, talvez seja. Mas sempre tem um culpado. As pessoas não morrem assim do nada. Sempre. Tem. Um culpado – Dean disse pausadamente.
– E você acha que o Winchester esteve envolvido?
– Eu não sei...
– Ele tinha 17 anos! – Victor exclamou como se fosse óbvio que Sam não poderia estar envolvido naquelas mortes.
– Eu sei! Por isso eu não estou dizendo que ele teve alguma participação.
– Mas também não está dizendo que ele não teve.
– E o que eu devo fazer então? – Warner se levantou de sua cadeira e começou a andar pelo escritório. Os olhos perdidos, vasculhando respostas pela sala como se elas fossem aparecer magicamente em sua poltrona, ou na estante, ou em algum canto no chão.
– Olha, Dean... – Henricksen levantou-se e andou até o parceiro, colocando uma das mãos em seus ombros tensos – Por que não vai para casa? Descanse um pouco, pare de pensar nessas coisas por algumas horas. Agora que o juiz resolveu viajar, temos mais tempo para montar a acusação e ver outras provas, ok?
– Mas eu... – Dean tentou falar, mas foi interrompido.
– Mas eu preciso de você inteiro. Parece que você vai desmaiar a qualquer momento.
– Tudo bem, Victor. Vou guardar minhas coisas e ir para casa.
– Não, só vá para casa. Eu guardo esses papéis e amanhã damos uma olhada neles, certo?
– Certo. Obrigado – Dean sorriu levemente e pegou o paletó que estava apoiado em cima da cadeira – Até amanhã.
– Até amanhã, Dean.
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– Já está tarde. Acho melhor eu ir embora – Bela disse e se levantou após ficarem um tempo em silêncio apenas um olhando para o outro.
– Ah, ok. Até amanhã, eu acho – Sam disse, levantando-se também.
– Até amanhã, Sam. Acho que estamos progredindo. Não temos muito a nosso favor, mas não vou parar de procurar, ok?
– Tudo bem, Bela. Só tenho a agradecer a você – Ele esticou a mão para a morena, que sorriu.
– Disponha – Ela pegou em sua mão, despedindo-se — Só não abuse.
– Pode deixar. Tchau, Bela.
Ela saiu pela porta, deixando-o sozinho no apartamento.
No dia seguinte eles terminariam o que começaram nessa tarde. Isso era a única coisa que passava pela mente do Winchester. Bela e o caso. Ele tem muito pouca esperança de se livrar dessas acusações, mas ela parece estar tão animada, ela parece ver uma luz no fim desse túnel.
Sam até pensou em dizer a verdade para ela. Ele não sabe o porquê, mas sente como se estivesse mentindo para ela sobre o seu passado, mesmo que o assunto nunca tenha surgido. Ele tenta ao máximo afastar esses pensamentos, mas todas as vezes que ele fecha os olhos, ou fica ocioso por algum momento, eles voltam a assombrá-lo.
Bela parece não perceber o quão desconfortável ele fica em sua presença. Ela parece não perceber o quanto suas mãos tremem, ou como o corpo forte do moreno se arrepia ao mínimo dos toques. E Sam tenta ignorar esses fatos também. Porque ele não pode se deixar levar novamente. As coisas não terminaram muito bem da ultima vez, e não é da Bela que estamos falando.
Continua...
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