Tudo O Que Sabemos
6 Histórias Revividas
Notas iniciais
Scully ficou sem reação por alguns instantes, as últimas palavras de Mulder ainda reverberando em sua mente, especialmente duas. Nosso filho.
Ela piscou repetidas vezes antes de tornar a focá-lo. "Um filho? Você disse que tivemos um filho?"
Mulder inspirou, limpando o rosto com o dorso da mão. Não havia percebido uma lágrima rolar.
"Sim. William."
Scully não resistiu à curiosidade. Era insano, improvável e estranho, mas algo a impelia a perguntar... "E quando foi? Digo, quando ele nasceu? Nós nos casamos? Por que o perdemos? Ele… morreu?"
Mulder tentou não sucumbir à dor que ainda o assolava sempre que tocava no tema. Mas, agora que tinha começado, precisava ir até o fim. Sentando-se novamente na beirada da cama, ao lado de Scully, suspirou antes de começar.
"Nós não nos casamos, mas ficamos juntos. Muito antes disso, ainda no nosso segundo ano de parceria, você foi levada por Duane Barry, um homem perturbado que dizia que precisava que você fosse abduzida no lugar dele. Você ficou dois meses desaparecida. Retornou muito fraca, quase morrendo. Um ano depois, descobriu um implante metálico no pescoço e o retirou. Logo depois desenvolveu um tipo desconhecido de câncer e ficou, mais uma vez, à beira da morte. Eu consegui acesso ao chip que você extraiu do seu corpo e, uma vez reimplantado, você se recuperou. Algum tempo depois, eu revelei a você o que tinha descoberto na época do seu câncer: devido às experiências a que foi submetida no tempo da sua abdução, você ficou estéril. Consegui alguns dos seus óvulos preservados e eles ficaram guardados numa clínica até que você me disse que queria muito ter um filho e me pediu que doasse o meu esperma. Eu concordei, e fizemos a única tentativa que podia ser feita. Mas não deu certo."
"Então, como...?" ela perguntou, surpresa.
"De alguma forma, seu sistema voltou ao normal quando o chip foi reimplantado em seu pescoço. A sua condição prévia à retirada dele foi restabelecida. Mas não sabíamos disso na época. Então, pensamos que a fertilização não tinha dado certo e continuamos tocando nossas vidas como parceiros e... bem, acabamos nos tornando mais do que isso. Sempre existiu uma atração e, depois de tudo que passamos juntos, era natural. Quando você descobriu que estava grávida, lógico, foi uma grande surpresa. Para todos. Especialmente pra você que não acreditava ser mais possível."
"E ele chegou a nascer? Esse filho?" ela perguntou sem se dar conta de que seus olhos estavam marejados também.
"Sim" um pequeno sorriso adornou os lábios de Mulder, tornando o momento agridoce. "Você deu o nome do meu pai a ele. Mas ficamos pouco tempo com William. Logo depois que ele nasceu eu tive que fugir por circunstâncias alheias a minha vontade... bem, enfim, comigo longe você não teve muita opção. Nosso filho tinha uma fisiologia diferente dos outros..."
"Como? Alguma deformidade? Anomalia genética?"
"Não" Mulder negou com a cabeça. "Devido às experiências que fizeram com nós dois ao longo desses anos, a fisiologia de William era diferente. Tinha componentes que, embora inativos no nosso sistema, estavam ativos no dele."
"Que componentes?"
"De origem alienígena. Para resumir, a fim de garantirem a colonização da Terra, com a conivência dos homens infiltrados no governo que estavam aliados às forças alienígenas, foi criada uma espécie de super soldado, seres que se parecem com humanos mas que são geneticamente alienígenas, altamente resistentes, cuja finalidade é serem usados na repopulação do nosso planeta. William tinha em seu sangue alta concentração de magnetita, o único elemento capaz de destruir esses soldados. Por isso ele era altamente valioso, tanto para os colonizadores quanto para a resistência humana. Se os colonizadores o destruíssem estariam destruindo também a nossa chance de sobrevivência na Terra, e se as forças de resistência o preservassem, poderiam usá-lo como matriz de pesquisa para desenvolverem seres capazes de derrotar os super soldados. Enfim, nem preciso dizer que William passou a ser perseguido pelas duas vertentes e o que isso causou. Mesmo quando um dissidente do Projeto da colonização o injetou com uma solução que inativou a concentração de magnetita no sangue dele, você soube que ainda continuariam a perseguir nosso menino mesmo assim. Então, fez a única coisa que pôde para protegê-lo... abriu mão dele e o deu em adoção."
Ao final do relato, Scully estava inexplicavelmente em prantos. As lágrimas desciam por seu rosto sem que pudesse evitar. Mesmo aquela sendo uma história maluca, digna dos melhores roteiros de ficção científica, ela não sabia explicar por que sentia o peito doer como se tivesse realmente passado por tudo aquilo. Então, assim que ergueu os olhos para encará-lo, as palavras de Mulder na outra noite invadiram sua memória…
"Sei que é difícil para a Scully que você é agora acreditar em mim, mas se a Scully que você vai se tornar está aí dentro, em algum lugar, sei que ela vai sentir que é a verdade."
... x ...
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