Na escola aprendemos a ler mapas. Mas apenas aqueles dos livros. Que são simples e sem graça.

Eu achei um mapa melhor para aprender a decifrar. Fico vendo como meus dedos correm aqui, já te escrevi outras vezes, sempre de um jeito diferente. É que em cada vez que fico ao seu lado, um novo espaço é feito para eu desvendar. Você tem essa fala codificada que fala sobre tudo o que jamais pensei em falar. Essa sua fala que me desconcerta. E eu nem tenho direito a uma legenda para saber ao certo o que suas palavras significam. Os outros, julgam e comentam sobre o que somos, por nossa idade, por sermos corpos de mapas com a linguagem ainda escaça. Mas prefiro que seja assim, ninguém que não seja eu precisa saber te ler. E ninguém sabe me ler melhor que você. O mapa que formamos ninguém mais precisa saber. Esse é nosso território, pequeno e de 4 paredes. A população não é pequena, é o suficiente para que fazemos.

Me mostre onde é o oceano no meu corpo. Me mostre o quão fundo ele é. Você tem Vegas por todo seu corpo, que é um pecado. Mas tem a França no seu beijo e o mundo todo na sua cabeça. Na de cima. Na de baixo é o calor da Califórnia. Seus olhos são passagens para o centro da Amazônia onde as estrelas não tem fim.

Então vamos ligar aquele botão de "foda-se os arrogantes" quero ler o mapa que você é e ver onde ele vai me levar. Eu já sei ler mapas, e você é um, é o mais quente.