Nunca invejei tanto um celular como invejei o meu naquela tarde.

Você o concertava, e não imagina o quanto estava sedutor fazendo aquilo. Tão intelectual e ainda tão você, seu sorriso a cada passo que conseguia fazer algo, me faziam não parar de te olhar. Um parafuso caiu, junto com todos os da minha cabeça. Eu fui procurar, o seu parafuso e o meu juizo. Achei quase todos os que cairam, mas faltou dois. Um do meu celular e outro da minha cabeça. Não sei se você me olhou enquanto eu procurava, eu espero que sim. Porque eu te olhava, e desejava ser uma máquina, só para sentir seu toque. Dos técnicos, o meu favorito você virou. Não por sua beleza, que sim você tem, embora não veja. Mas foi por sua cabeça, sua forma de seduzir na conversa.

Sei que eu não devia te desejar como desejo, é uma insanidade, um erro do meu sistema, mas quando te vejo, é inevitável, te desejo.

Você entende de tudo, sem se gabar por isso, esse seu intelectual timbre, me faz pensar no paraíso.

Então penso se te disperto a mesma ideia, se te disperto algum desejo, com você é mais difícil saber, porquê você é tão contido, controlado, tão...Você!

Mas acho que devo dispertar, porquê você é fechado e quase não deixa que se aproximem de você, mas comigo você sempre deixa.

Ah querido, deixa rolar. Eu serei a máquina e você minha assistência.