Tudo Mudou
4 Não.Não. Não!
Notas iniciais
Clary saiu do táxi calmamente. Como se ela não tivesse sumido a horas, como se não tivesse passado a manhã com um estranho, como se a dor não existisse. Era pura mentira, mas ela não demonstraria muita coisa para sua família. Não precisava que ninguém soubesse que era uma trouxa, já havia gente o bastante sabendo disso.
Na porta da casa estavam: sua mãe com feições aliviadas, Luke também, Simon que havia trazido suas malas como ela havia pedido e , por sua tristeza ou raiva, Jonathan se encontrava ao lado deles. Caminhou até eles, indiferente ao seus olhares e abraçou sua mãe.
–Onde você esteve?!- perguntou a voz abafada. — Fiquei preocupada!
–Está tudo bem. Só sai para esfriar a cabeça. Um passeio, não foi nada demais. -justificou.
–Nada de mais?! — esbravejou Luke. — Você sumiu faz quase 19 horas, Clarissa!
–Perdão! Não queria preocupar ninguém, só queria... — parou e pensou em quais palavras diria a seguir. — Sei lá. Só precisava sair. Se me derem licença, eu vou dormir.
–Agora? — zombou Simon, tentando descontrair a tensão.
–Sim, agora. Passei a noite em claro. — disse, mas se arrependeu imensamente disso, quando Jonathan se pronunciou pela primeira vez.
–O que?! Isso não faz bem para você nem para o bebê! — exclamou exaltado.
Clary juntou todas suas forças para não dizer que apanhar do pai do seu filho com certeza era a melhor coisa para ela. Ela apenas o olhou com toda a raiva que tinha, a mágoa dele tê-la traído, mágoa dele não ter confiança nela e principalmente mágoa do tapa que havia recebido. Ela nunca pensou que ele um dia sequer teria capacidade de agredi-la. Mas estava errada.
Pensando bem, tudo o que ela sabia sobre ele, poderia ser apenas uma mentira. Ela, de fato, não o conhecia como pensava.
Se virou e entrou na casa sem dizer nada. Entrou em seu antigo quarto e se trancou lá.O local estava completamente vazio, assim como ela se sentia. Havia somente a cama bem-arrumada e um guardar-roupa velho que estava vazio. Encarou o teto, as pequenas estrelas florescentes que ela e Simon havia posto lá quando crianças estavam velhas e perdendo o brilho.
O cômodo estava triste, amargo e aquilo não estava ajudando seu estado emocional. Sua suposta 'amargura' foi interrompida por batidas irritantes e constantes da porta. Ignorou- as.
As batidas continuaram mais fortes, dando impressão que a porta cairia a qualquer instante. Com um grunhido irritado, abriu a porta com um solavanco.
– O que é? — grunhiu. Lá estava ele. Cabelos bagunçados, a camisa social levemente amassado sob o blazer cinza, jeans escuros e o rosto amassado. Jonathan tinha manchas escuras abaixo dos olhos, a testa franzida e um olhar cansado, como se não tivesse tido uma noite boa.
–Onde esteve? — perguntou. — Procurei você em todos os possíveis locais que você poderia estar, quando não te achei, pensei que houvesse acontecido alguma coisa contigo.
Clary olhou bem para ele, procurando algum sinal de brincadeira, de zoação, mas apenas viu sinceridade em suas palavras. Isso a irritou mais do irritaria se ele estivesse curtindo da sua cara.
– Agora se importa? Se importa como fico ou posso ficar? Se eu estou bem ou não?- disse calmamente, mas podia ouvir a raiva nessas palavras .- Acho que não tinha tempo para isso, quando estava na cama com uma puta brasileira, não é?
Os olhos dourados se arregalaram pela acusação, seus ombros se encolheram como se estivesse sentido dor, como se ela o houvesse lhe socado. Acredite, ela queria muito socá-lo. Apenas o encarou, esperando alguma coisa vinda dele.
–Eu... — sua voz morreu. — Sei que não tem perdão para o que eu fiz. — disse por fim.
–Qual delas? — perguntou Clary com um sorriso nos lábios. — Me trair durante anos ou me bater? Por favor, me diga, eu não faço ideia. — não facilitaria as coisas para ele. Não mesmo.
Ele se encolheu ainda mais. — As duas. — disse baixo. — Fiquei com raiva de tudo e quis descontar em você. Não queria que acontecesse isso e que nem soubesse.... daquilo desse jeito.
–Woah. Eu você ia me contar que tinha amante? — perguntou com falsa animação. — Iria me contar que eu era corna. E esperava o que? Que eu aceitasse? Ou que as coisas seriam diferentes simplesmente por que me contou? Que eu diria que não tinha problemas em você ter duas mulheres?! — Ela já estava gritando. A raiva subiu, seus olhos ardiam e a dor retornou com tudo. — Não, eu não eu aceito essa nojeira!
–Eu sei. Eu sei. Eu mereço isso tudo. Mas você também não podia ter saído sozinha a noite. Você está grávida, porra! — disse, seus olhos ardiam em chamas de raiva. Ele a olhou de cima a baixo, reparando pela primeira vez, pelo que parece, em seu visual. Mas seu olhar estava fixo e m uma única coisa. — Onde conseguiu esta jaqueta?
Puta merda. A jaqueta de Castiel. Ela havia se esquecido disso.
De alguma forma, as palavras que ela tanto queria dizer a ele sumiram, morreram em sua garganta. Eu não sabia o que falar.
–Diga: Onde conseguiu esta jaqueta masculina? — o ênfase na última frase assustou Clary. E ela podia imaginar as várias coisas que poderiam estar passando na cabeça dele pela a jaqueta. Porém, ela continuou em silêncio. — Não vai responder?
–O que quer que eu responda? — disse por fim.
–Sei la. A origem dessa jaqueta, pelo menos. — ele estava seco.
–Consegui ela com um amigo. — não era exatamente uma mentira e nem uma verdade. -
–Um amigo. Tem certeza disso? — lá estava aquela desconfiança que ele mesmo mencionara quando la saiu de casa. Sem mesmo querer, as lágrimas caíram e seu sangue ferveu.
–Não, não tenho! -Gritou. — Eu não sei se o cara que transei seja considerado meu amigo, mas fora isso, eu acho que ele é meu amigo!
–Você transou com alguém?- sua voz era surpresa e ao mesmo tempo raivosa.
–Não era isso que você me acusou, bem eu provei a você que eu tinha mesmo! — Clary não sabia de onde vinha essa coragem ou todas essas mentiras, mas ela estava adorando ver o estado dele. — Eu passei a noite com ele, a manha também e ele ainda me levou para almoçar.
–Ótimo! Ele deveria fazer isso mesmo, quem sabe você não dá mais vezes para ele?- rosnou Jonathan avançando um passo em sua direção. Ela recuou, não receber outro tapa, não saberia como ficaria seu estado depois disso.
–Pois é, né? Mas não é a primeira vez. Sabe, quando eu dizia que ia no apartamento de Simon, pois bem.. — deixou a frase morrer no ar. Ele tentou agarrá-la, mas foi impedido por dois pares de braços.
Luke segurava seu braço esquerdo e Simon o direito, o puxando para trás. Parecia algo difícil pois ele se sacudia tentando alcançá-la.
–Jace, acalma-se! — gritou Luke. Jocelyn entrou no quarto e correu na direção da sua filha a abraçando. Clary encolheu-se nos braços de sua mãe, enquanto soluçava fortemente.
–Tire-o daqui, Lucian! — gritou Jocelyn. Ele se debatia e rosnava de raiva. Depois de muito sacrifício, Simon e Luke conseguiram tiraram Jonathan e o expulsaram de casa. Clary chorava desesperada, a cabeça doia, o peito parecia inflamar e contrair-se com tamanha força, que a dor era insuportável.
–Shh... Está tudo bem, minha menina. — cantarolava sua mãe, afagando seus cabelos carinhosamente.
Uma dor forte surgiu no seu ventre, fazendo-a grunhir de dor. — Clary? — Jocelyn se afastou um pouco para olhá-la. -Clary!
A ruiva sentiu algo líquido viscoso descer nas suas pernas, ela olhou para baixo e viu que estava sangrando, sangrando muito. A dor continuava forte e ela sabia muito bem o que estava acontecendo com ela.
Gritou forte mais pelo medo do que da dor em si. Gritou novamente, desesperada, começou a sacudir suas mãos num ato instintivo de desespero. Ouvia de longe sua mãe chamar por ajuda, mas ela continuava gritando.
Sua cabeça aumentou a dor, sua visão não ganhava foco, estava turva, com pontos pretos em vários lugares. Suas pernas ficaram bambas, tremendo incessantemente, ela desabou de joelhos, com a respiração rala, a cabeça girando, ela sucumbiu a escuridão.
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