Tudo Mentira?
13 12° - Capitulo
Notas iniciais
O passado não reconhece o seu lugar: esta sempre presente.
Por Marie
Olhei no espelho, não tinha certeza se essa roupa estava boa para um jantar, afinal não sabia como essas pessoas eram. Garrett disse que se eu quisesse poderia ir mesmo usando pijama, mas isso estava fora de cogitação. Ele havia me convidado para jantar, primeiramente achei melhor não e ficar no quarto, pedir algo para comer aqui mesmo, mas depois que ele disse que algumas das pessoas que estavam ali participariam da reunião também aceitei, seria uma forma de me enturmar. Adorava Garrett, mas tomava todo cuidado possível para ele não levar para o outro lado nenhuma atitude minha. Ate o amava de certo modo, mas nada mais do que como amigo, infelizmente um alguém ainda ocupava boa parte do meu coração apesar da magoa e eu duvidava que uns anos mudassem esse meu sentimento.
– Bella onde esta a bolsa do... UAU! Esta linda mulher! — Sophia falou assim que entrou no quarto. – Esta um arraso hein, vai conquistar quem essa noite?
– Engraçadinha, vou jantar com Garrett – ela sorriu maliciosa. – E com outras pessoas. – ela revirou os olhos. – Mas não devo demorar, antes da meia noite quero estar de volta, amanhã quero conhecer o central park, pois daqui dois dias teremos a primeira reunião e pelo jeito não terei mais tempo depois disso e... — fui interrompida pela batida na porta. – Deve ser ele, bem estou com meu celular ligado qualquer coisa...
– Te ligo, pode deixar só que se for estender a noite me avisa. – ela piscou e fiquei tentada a jogar meu salto em sua cabeça. Peguei apenas minha bolsa e sai.
Garret estava encostado contra a parede estava usando uma camisa polo e uma calça jeans, ambas pretas.
– Esta encantadora.
– Ah obrigada – senti minhas bochechas ficarem quentes. – Você também.
– Estou encantadora? – ele me olhou alarmado.
– Não.. Quero dizer, ah você entendeu. – ele riu.
– Sim, sim, bem vamos? — ele me ofereceu o braço.
Durante o percurso conversamos sobre a estadia no hotel e outras banalidades, assim que chegamos ao restaurante um maître nos levou até uma mesa um pouco distante das outras, estranhei, mas não comentei nada, após nos acomodarmos notei que não haviam outras cadeiras o que me fez olhar para Garret com um olhar indagador ele apenas forçou um sorriso. O maître avisou que logo um garçom iria nos servir, agradeci assim que ele saiu me voltei para Garrett.
– Você me enganou. – o acusei.
– Não foi bem assim... – gemi frustrada. – Ok, ok foi de caso pensado, mas para ser honesto chamei uma pessoa, mas deixei a entender que bem... Não precisava vir, mas não disse nada diretamente.
– Garrett já disse que não quero...
– Eu sei, só que caramba Marie a mais de um ano venho tentando ter um encontro amigável com você.
– Já disse por mais que o considero um ótimo amigo que me ajudou quando mais precisei, mas quero deixar nosso relacionamento restritamente ‘’profissional’’.
– Como já disse eu sei, só que Marie você nunca me contou tudo o que aconteceu antes de me conhecer, sei que isso tem haver com...
– Não gosto de tocar nesse assunto – o interrompi. – é muito pessoal.
– Notei isso, mas você é diferente de qualquer mulher que conheci, estarei mentindo se falar que nuca te imaginei de outra forma, mas consegui ver mais em você, estaria disposto a mudar para tê-la ao meu lado sei que pode ser apavorante, mas não estou apaixonado, não ainda. – ele riu. – Afinal você é totalmente apaixonante, só sei que estou muito atraído por ti, e que gostaria que reconsiderasse essa minha proposta de nos conhecermos melhor. – ele falou pegando minha mão e me olhando, sabia que ele estava sendo sincero, o conhecia o suficientemente para isso, mas eu estaria disposta a me abrir novamente para um relacionamento? Não sabia.
– Eu não sei. – respondi apenas. – Sabe que não posso pensar apenas em mim...
– Pare Marie, já ouvi essa frase tantas vezes, pare de tentar de se esconder atrás disso.
– Ta, mas é verdade, eu prometo que irei pensar, mas sabe que é mais para não do que sim.
– Nossa isso realmente já é algo. – ele sorriu de modo encantador. – Mas então vamos comer, pois estou faminto, e considere isso apenas um jantar de amigos. Não quero que fique desconfortável. – disse em tom brincalhão.
Assim que o garçom chegou anotou nossos pedidos e ficamos jogando conversa fora, ele falava um pouco sobre seu primo e sua empresa e acabou por me convidar a ir jantar na casa dele amanhã, porém recusei gentilmente, a última coisa que precisava era a família dele levantar hipóteses, já bastava às pessoas da empresa.
Estávamos terminando a sobremesa quando fomos interrompidos.
– Garrett há quanto tempo meu caro. – falou um homem, com os cabelos loiros curtos e olhos verdes, trajando um conjunto social impecável.
– Demetri, faz tempo mesmo. – ele falou. – imagino que tenha sido chamado também.
– Pois sim, cheguei hoje à tarde, tentei vir mais cedo, só que sabe Heidi esta grávida e passou mal essa semana por conta dos enjoos.
– Não sabia, mas meus parabéns e deixe-me apresentar essa é a Marie minha assistente.
– Obrigado Garrett, e é um prazer conhecê-la. – ele falou pegando minha mão direita e a beijando. — Bem vou indo, não quero interromper o encontro. – ele piscou e saiu, fiquei tentada a dizer que não era um, mas fiquei quieta.
– Demetri se casou há três anos, e acho que esse foi à última vez que o vi. – Garrett comentou e logo voltamos para outros assuntos.
Já era quase dez horas quando estávamos no elevador voltando para os quartos, o silêncio predominava com cada um perdido em seus pensamentos.
A porta do elevador se abriu e saímos.
–Boa noite, creio que talvez não nos veremos amanhã. – Garrett falou.
– Talvez. – assenti e me virei para abrir a porta.
– Marie.
– Sim.
–Posso me arrepender do que estou prestes a fazer, quero dizer isso pode ser um ponto a meu favor ou não, porém irei me arrepender eternamente se perder uma oportunidade dessas. – ele falava apressado e foi difícil entender o que estava querendo dizer.
– Não estou... – antes de formular minha pergunta seus lábios foram de encontro aos meus, fiquei estática, em choque, não sabia o que fazer, nunca imaginei que algo desse tipo fosse acontecer, senti seus braços me rodearem e ele forçar mais a boca sobre a minha, entreabri os lábio lhe dando a chance aprofundar mais o beijo, fechei os olhos e deixei o momento tomar conta, a quanto tempo não beijava? Devo dizer que Garrett sabia beijar e muito bem, porem não consegui sentir nada demais, era apenas um beijo sendo trocado ali, nenhum sentimento envolvido. Não era como aqueles de outrora, onde sempre que os lábios dele se encostavam aos meus aquela corrente elétrica se sobressaia, quando eu perdia a noção do tempo e ás vezes esquecia até o meu nome.
Meu deus o que eu estou fazendo? Pensando em outro, enquanto beijo Garrett. No mesmo momento interrompi o beijo virando o rosto e seus lábios ficaram sobre minha bochecha.
– Acho melhor você entrar. – apenas assenti e entrei. Fechei a porta com uma força desnecessária e encostei-me à mesma.
– Nossa demorou hein... – Sophia apareceu, olhou-me atentamente. – Acho que foi mais do que um jantar. – a ignorei e peguei o pequeno embrulho entre seus braços, só ele para me acalmar agora, eu tinha muito do que pensar.
***
Levantei-me disposta a ter uma conversa com Garrett, mal tinha conseguido dormir, por fim pensei muito e cheguei a uma decisão, sim poderia tentar algo afinal gostava muito dele, mas não tínhamos aquela química de casal o melhor mesmo era já dar um ponto final do que ficar enrolando e o deixar achando que poderíamos ter algo mais.
Depois de me trocar avisei a Sophia ainda sonolenta que daria uma saída e que já voltava e que meu anjo ainda dormia em minha cama.
Primeiramente fui para seu quarto, em frente ao meu, mas ninguém atendeu, resolvi ir para o restaurante talvez ele estivesse lá fui em direção e o encontrei, mas não sozinho ele estava com o Demetri e uma moça loira, eles conversavam animadamente, não seria o melhor momento para conversar. Virei-me disposta a ir embora, mas uma voz me interrompeu.
– Marie? — me virei e vi Garrett se levantando.
– Ah oi, desculpa não queria atrapalhar.
– Que é isso. – ele sorriu — Venha tomar um café conosco. – não tinha como recusar assenti e ele puxou uma cadeira para mim. – Bem essa é a Jane, ela é a editora de uma revista que irá divulgar o nosso produto. – trocamos um cumprimento educado, e logo me vi envolvida numa conversa agradável.
O tempo passou e eu nem ao menos notei, mas quando vi só havia Garret e eu na mesa, essa com certeza era a melhor oportunidade.
– Garrett...
– Sim?
– Sobre ontem.. – comecei hesitante. – Bem eu quero dizer que você beija muito bem. – rimos. – Mas peço que você entenda que não quero ter nenhum envolvimento, eu realmente não me sinto preparada para isso..
– Marie se é por conta do que passou, saiba que não teria a canalhice de fazer o mesmo.
– Não é isso... é que bem, não rolou nada, foi apenas um beijo trocado não senti aquelas coisas, entende? Nenhum sentimento havia ali, apenas um momento e nada mais. E o vejo também como um grande amigo e não quero que nada venha atrapalhar nossa amizade, ontem foi algo bom, mas não quero que isso fique entre nós, você merece uma mulher que irá ama-lo como um homem. – peguei suas mãos. – Sabe que o considero muito e é por isso que estou sendo sincera com você, e espero que entenda meu ponto de vista.
Por um momento pensei que ele simplesmente se levantaria e ia embora, mas não ele apenas pegou puxou minhas mãos e as beijou...
– Ah Marie, Marie, entendo o que quer dizer, para ser sincero também não senti ‘nada’ – ele fez umas aspas — com nosso beijo, claro que tinha uma curiosidade e uma imensa vontade de ficar com você, porém como você mesma disse não rolou aquela química, e eu amo você independentemente de tudo, quero que continuemos amigos, ontem foi apenas um momento agradável e muito bom, mas realmente é melhor continuarmos assim, amigos. – ele sorriu e consegui respirar mais aliviada.
– Bem isso tirou um enorme peso de minhas costas, me sinto até mais leve.
– Cuidado para não voar.
– Besta. Bem eu vou indo agora, pois darei uma volta pelo central park, aproveitar que o tempo esta bom.
– Até me ofereceria para ir, porém tenho uns assuntos para resolver hoje, e tem certeza que não quer ir ao jantar na casa de meu primo?
– Sim, já sabe o por que. – assentiu. – Espero que se divirta. – dei um beijo em seu rosto. – Até mais.
Levantei mais disposta, estava realmente me sentindo muito bem, esperava apenas que essa calmaria fosse longa.
***
Estava nervosa, extremamente nervosa, e o motivo? Bem nem sabia. Acordei agitada essa manhã, como se algo fosse acontecer, mas o que era? Também não sabia.
Talvez fosse ansiedade, mas já estive em outras reuniões desse tipo e nunca me senti assim, talvez por ser uma reunião mais importante que as outras, pensei comigo mesma, devia ser.
Segurei meu cabelo em dúvida se o deixava preso ou solto.
– Solto fica bem melhor. – Sophia falou entrando com Liam em seus braços.
– Obrigada, vai assim mesmo. E você meu lindo o que acha? – falei pegando meu bebe, suas mãozinhas foram para meus cabelos e ri. – Entendi os quer solto também. – beijei sua testa e aquele cheiro característico de bebê me inebriou. – Mas como esta cheiroso, você vai ficar coma tia Sophi hoje, e não vai dar trabalho né meu anjo? – brincava com sua pequena mão enquanto falava.
Ainda era difícil o deixar, sei que devia estar curtindo esses momentos preciosos com Liam, mas depois do parto difícil que tive entrei em uma pequena depressão pós parto, não fora tão ruim quanto umas eram, mas ficar sozinha com ele em casa estava se mostrando uma tarefa difícil, o modo como ele fora gerado me assombrava, não que não o quisesse estava longe disso, mas tinha medo de em algum momento surtar, então depois de muito pensar, voltei a trabalhar assim que ele completou um mês e meio de vida, obvio que ficava só meio período, uma exigência de Garret para que eu voltasse a trabalhar, e o serviço com certeza me ajudou e muito, meu bebe agora era minha luz, meu ar. Enquanto estávamos no avião Garrett comentou que depois que terminássemos tudo aqui em NY eu teria que voltar e pegar umas férias para passar mais tempo com meu príncipe, tentei discutir, mas não adiantava, agora não estava sozinha Sophi ficaria comigo e com certeza estava levando isso da melhor maneira possível.
O som de uma batida na porta me tirou dos devaneios. Deixei Liam no colo de Sophi pegando minha bolsa e abrindo a porta, Garrett me esperava trajando um terno de corte perfeito.
– Pronta?
– Sim.
Assenti para Sophi e logo estávamos a caminho da empresa com um carro alugado, olhava as paisagens distraidamente, NY com certeza era enorme e muito diferente dos outros lugares de onde já estive principalmente da minha cidade natal, balancei a cabeça como se fosse afastar meu passado.
Bem agora que notava que nunca havia perguntado o nome do primo de Garrett e o nome da empresa, devia ser conhecida, mas não fazia a mínima ideia de empresas famosas de joias, alias talvez Tifanny? Será que seu primo era presidente? Então devia ser mais velho, bem mais velho, bem, talvez o filho do fundador? Ah Marie não seria mais fácil perguntar?
– Chegamos! – Garrett anunciou e olhei surpresa.
– Mas já?
– Bem onde estamos não fica a quinze minutos de distância daqui.
– Hum...
Não falei mais nada, Garrett me ajudou a sair do carro e entregou a chave ao manobrista, o elegante prédio a nossa frente era tão alto quanto os outros, e não fazia a mínima ideia de quantos andares poderia possuir, com certeza o primo de Garrett era um homem poderoso.
Assim que entramos notei como o hall era totalmente elegante, com estofados nos cantos, pessoas vestindo as mais finas roupas andando de um lado para o outro, balcão de atendimento portas de elevadores, entre várias outras coisas.
– Um momento que já volto Marie? – Garrett falou e sua voz soou distante, assenti e continuei a olhar maravilhada, quando poderia imaginar que estaria num lugar desses? Às vezes nem tudo acontecia por acaso, se não tivesse passado pelo que passei ainda poderia estar naquela pacata cidade, talvez ainda... – Pronta? – Garrett apareceu segurando algo em suas mãos que notei que eram tipos de crachás, obvio que era preciso usar numa empresa desse tamanho. – Bem devemos estar um pouco adiantado, mas pelo que fui informado meu primo ainda não chegou, mas minha prima sim, se quiser irei lhe apresentar a ela. Gostaria?
– Sim seria um prazer. – sorri, enquanto isso ele prendia meu crachá em minha roupa, notei que algumas pessoas olhavam, mas as ignorei. Quando terminou fomos em direção ao elevador, Garrett cumprimentou o moço o qual conduzia ele. Vi ele apertar o 62º, um dos últimos. Tinha no total de 65ºandares pelo que vi.
Assim que chegamos fomos para um pequeno hall onde tinha algumas pessoas conversando entre si. Provavelmente elas participariam da reunião.
– Garrett. – uma voz fina chamou minha intenção, uma mulher um pouco mais baixa que eu veio em nossa direção seus cabelos eram longos, suas feições miúdas e usava um salto enorme junto com uma combinação lilás.
– Allie. – eles se cumprimentaram com um abraço. – Bem deixe-me apresenta-la a Marie.
– Oh, é um prazer conhecê-la, — ela falou me abraçando e dando-me um beijo no rosto. — Garrett falou muito de você ontem para mim e meu irmão. – Olhei para Garrett e ele se desculpou com o olhar. – E meu nome é Alice, mas esse aqui gosta de me chamar de ‘Allie’, melhor do que os apelidos ridículos de quando era mais nova. — Ah então ela era Alice, bem o seu nome não me era estranho e alguns traços de seu rosto também me eram familiar.
– É um prazer conhecê-la também.
– Bem você devia ter ido ontem, foi muito divertido. – ela trocou um olhar com Garrett e riram.
– Ah bem é que tenho umas obrigações que não poderia deixar de lado, mas agradeço mesmo assim, quem sabe uma próxima oportunidade?
– Pode ter certeza que cobrarei. Bem talvez vocês queiram entrar e se acomodarem, meu irmão ira chegar a qualquer momento. Até mais, e bem podemos tomar um café depois da reunião, o que acham?
– Acho que sim. Marie? – olhei e assenti, não tinha o porquê recusar um café.
– Ah que ótimo então combinado. – dizendo isso ela saiu e foi para outro lado.
– Espero que não tenha se assustado, minha prima sempre foi assim, um tanto elétrica.
– Gostei dela.
– Acho isso ótimo. Vamos.
Entremos por uma porta dupla adentrando numa sala bem ampla de reuniões, algumas pessoas já se acomodavam e fiquei olhando ali, eu não poderia me sentar ali.
– Garrett...
– Não se preocupe não ira sentar ali. – suspirei aliviada. – Já tinha conversado com Alice, você poderá ficar sentada ali. – ele apontou para um canto onde tinha uma poltrona com uma pequena mesa ao lado. – Poderá ficar ali fazendo as anotações essenciais, sabe que não precisara falar nada, só me ajudar a lembrar de tudo depois. – ele piscou e ri, me acompanhou até a poltrona e depois de poucas palavras trocadas ele foi se acomodar na mesa central, e como sempre umas pessoas ficaram olhando, as ignorei e pus minha bolsa ao meu lado retirando minha caderneta e uma caneta. Marquei o titulo e esperei, enquanto um a um iam se acomodando prestei atenção ao redor, e agora tinha notado que havia esquecido de perguntar a Garrett o nome da empresa e de seu primo. Bem logo saberia provavelmente, mas... Claro no crachá com certeza teria o nome da empresa, discretamente o tirei e o virei, sorri para mim mesma, mas senti meus olhos se arregalarem ao ler o nome “Cullen’s Jewelryv”, não podia ser, sentia minhas pernas pesarem sobre o assento e uma lembrança que tentava guardar a todo custo veio à tona.
(...)Edward Cullen dono da empresa Cullen’s Jewelry(...)
Oh meu Deus não podia ser, devia ser alguma brincadeira do destino, ia me levantar para ir embora, mas era tarde demais, ele entrou trajando um terno cinza claro, seu rosto era sério, parecia mais velho do que me lembrava, não era possível que isso estivesse acontecendo. Eu devia ter notado isso, tudo estava indicando, mas ignorei e agora ele olhava como se estive procurando algo, estava paralisada mal conseguia respirar, mas alguém o chamou e sua atenção foi desviada, meu coração parecia que ia sair pela boca a qualquer momento, minhas mãos tremiam, pensei que poderia desmaiar a qualquer momento.
Logo a reunião começou e mal me consegui concentrar, sempre me pegava o reparando, como um ano podia mudar as pessoas, e agora notava como ele ainda me afetava seu jeito, sua voz, tudo nele ainda me atraia e muito mais.
Mas sempre que lembrava que tudo foi baseado numa mentira, sentia meu coração se apertar e tudo que tinha acontecido depois.
Depois de um tempo que mais se pareceu anos a reunião acabou e assim que foram saindo logo me levantei e sai também, porém não podia ir embora sem Garrett, fiquei num canto afastado de todos esperando por ele.
– Ola. – olhei para o lado e vi que era o mesmo homem a qual chamou ele no inicio.
– Oi.
– Você é a assistente de Garrett não? – ele sorriu mostrando seus dentes perfeitos.
– Isso.
– Bem vocês não têm nenhum envolvimento? – fiquei chocada por sua audácia, será que as pessoas eram assim aqui.
– Acho que isso não é da sua conta. – falei ríspida.
– Opa, opa, calma, desculpe por ser indelicado, mas só queria saber por que se não gostaria de saber se não quer ir tomar algo comigo agora.
– Acho que não Alistair. – Alice falou interrompendo, agradeci imensamente a ela. – Já marcamos um compromisso agora, quem sabe depois.
– Clara senhorita Alice. – ele falou.
– Senhora, sou casada lembra?
– Como esquecer — ele piscou. – Bem então até mais ver Marie.
Falando isso ele saiu.
– Alistair é um cara super bacana e legal, só que não quero que ele atrapalhe nada do que... – ela se calou e mudou de assunto. – Mas bem isso não vem ao caso, vem quero lhe apresentar meu irmão. – ela falou e passou a me puxar em direção à sala novamente. Tentei resistir, mas me vi caminhando junto com ela, não podia, não agora, não estava pronta para encara-lo novamente, tentei negar, mais sabia que Alice era irmã dele, agora notava os traços mais fortes em comum.
– Alice acho melhor deixarmos para outra hora ele deve estar ocupado.
– Que isso Marie, ele, meu marido e Garrett devem estar apenas fofocando. – falou entrando e fiquei do lado de fora.
– Que bom que encontrei você aqui ainda. Esqueceu que iria te apresentar a Marie? — Alice falou.
– Ah sim, desculpe-me... – ouvi sua voz e paralisei novamente, dei um passo para trás e Alice apareceu.
– Que isso Marie, meu irmão não é nenhum bicho de sete cabeças, às vezes talvez. – ela riu. – Vem! – falou puxando meu braço e entrei na sala junto com ela.
E pela primeira vez desde que entrei olhei em seus olhos, sua boca estava aberta como se fosse falar alguma coisa, mas a fechou a primeira coisa que vi foi confusão depois surpresa em sua fisionomia, ele abriu a boca como se fosse pronunciar algo, mas a fechou, depois de piscar falou...
– Isabella... – meu nome.
Por Edward
Eu não podia acreditar que ela estava ali, na minha frente a poucos passos de mim, depois de mais de um ano. Quantas vezes sonhei com esse momento? Quantas vezes repassei em minha mente tudo que queria falar com ela quando a reencontrasse, só que agora nada saia, dizer seu nome em voz alta depois de tanto tempo, foi como a realidade caindo completamente em mim.
Caramba ela estava aqui finalmente, e com certeza não a perderia novamente. E como se tivesse tomado dei um passo para frente me aproximando dela e sem mais a puxei para meus braços, e nesse momento senti que estava no meu lugar, seu cheiro era o mesmo, que me inebriava, finalmente senti que podia voltar a viver com ela aqui.
– Como senti sua falta. – sussurrei. – Ah Bella porque sumiu sem me deixar explicar. – a senti fazer mais pressão sobre minha cintura onde suas mãos repousavam, Sentia seu corpo tenso no meu, a entendia, pois também estava um pouco. – Precisamos conversar. — Nos afastei um pouco, mas mantendo minhas mãos em sua cintura, seu rosto estava abaixado, pousei minha mão direita em seu rosto querendo que olhasse para mim, mas senti algo molhado e sabia que ela estava chorando, afinal quanta dor devo ter lhe causado. — Bella, por favor...
– Posso saber o que esta acontecendo aqui? – nesse momento fui puxado para o presente momento, havia me esquecido completamente que não estávamos sozinhos. Virei-me para Garrett que estava de pé nos olhando confuso. – Então? Como você conhece Marie? E como sabia do primeiro nome dela?
– Marie? – falei comigo mesmo e olhei para Bella que continuava com o rosto virado.
–Oh meu Deus! Edward ela que é Bella, a sua Bella, agora finalmente entendi tudo. – Alice falava exasperando.
– Do que esta falando Lice? Como Marie e Edward se... – nesse momento vi a compreensão bater em seus olhos. – Não posso acreditar nisso, Marie é verdade? É ele o...
– Não diga nada Garret. – Bella se pronunciou pela primeira, sua voz foi mais um bálsamo para mim. – Eu vou embora. – ela me largou e se afastou de mim, um desespero tomou conta do meu ser, não eu não a perderia novamente, antes dela se afastar segurei seu braço com força.
– Não antes de conversamos.
– Não tenho nada para falar com você. – ela tentou sair do meu aperto mais a puxei novamente para mim. – Esta me machucando Edward. – assim que suas palavras saíram afrouxei meu aperto.
– Desculpe-me não queria machuca-la...
– Não se preocupe, — ela me cortou. — afinal já estou acostumada a ser machucada por você. – com isso a soltei.
– Bella...
– Estarei te esperando no saguão Garrett para irmos embora. – ela falou indo em direção à porta e saindo
– Não vou deixar você fugir de mim novamente. – falei sem ao menos saber se fui ouvido, dei um passo pensando em segui-la.
– Deixa-a em paz Edward, não me obrigue a detê-lo. – Garrett falou parecendo determinado.
– Não pode me impedir Garrett.
– Não só posso como irei, Marie é muito mais do que apenas uma funcionária minha e se ela não o quer por perto farei com que isso aconteça. Ainda mais por saber agora que foi você o grande causador de tudo pelo o que ela passou.
– Você não sabe de nada. Então não tente se intrometer.
– Sei o suficiente para não deixar um canalha, filho da puta como você se aproximar dela novamente.
– Você não é dono dela pelo que saiba. – falei com os dentes trincados, só em imaginar em alguém tentar me afastar dela novamente fazia eu perder o pouco juízo que tinha. – E não vai me deixar longe dela. – me aproximei dele.
– Essas briga estou disposto a comprar, mesmo você sendo meu primo. – ele também se aproximou.
– Calmos rapazes, por favor, não queremos nenhuma luta aqui. – Jasper falou pela primeira vez ficando entre mim e Garret. – Essa discussão de cabeça quente não levará nenhum a lugar nenhum, é melhor os dois esperarem para terem uma conversa civilizada.
– Acho que tudo já foi dito aqui Jasper. Espero que tenha entendido Edward.
– Espero que você me entenda, por Bella brigarei ate meu último suspiro, então se vai mesmo querer me deixar longe dela, o melhor será me matar. – ele me encarou por um momento e saiu.
Joguei-me na cadeira mais próxima suspirei, e comecei a rir seco.
– Edward?
– Eu a reencontrei Allie, finalmente, apesar de não ser do modo que sonhei e esperava, mais a reencontrei.
– Estou tão feliz por isso meu irmão. Mais tem que ir com calma, ela ainda esta ressentida pelo o que aconteceu no passado.
– Deu para notar, mais preciso que ela me escute para começarmos nos acertar.
– Mas Garrett irá dificultar um pouco as coisas. – Jasper comentou.
– Ele acha que pode me impedir.
– Edward você tem que fazer Garrett ser seu amigo nesse momento, não inimigo. Parece que ele e Bella são bem próximos, então se ele estiver do nosso lado suas chances com ela será a melhor.
– Só temos um problema Allie, ele parece interessado nela, isso se já não tiverem algo, afinal eles se conhecem a pouco tempo, e ela trabalha para ele num lugar muito privilegiado, ainda mais que provavelmente não tinha nenhuma experiência para o cargo na qual ocupa.
– Esta querendo dizer que ela transou com ele só pra ter o cargo no qual esta. – Alice perguntou.
– Claro que não!
– Foi o que deu a entender. – Alice suspirou puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado. – Sabemos o quanto sofreu durante esse ano Edward, mas ela também, provavelmente mais do que você, não consegue imaginar o que passou pela a cabeça dela depois de tudo que aconteceu? De se sentir como uma macinha de modelar na qual você brincou e depois deixou de lado?
– Sabe que não foi assim.
– Eu sei, só que ela não Edward! Você tem reconquista-la, porém não vai ser fácil. Mas estaremos aqui para ajuda-lo no que precisar, sabe disso.
Olhei para Alice e Jasper e sabia que os dois me ajudariam no que fosse preciso para reconquistar Bella, e eu usaria de todo tipo de subterfúgio para tê-la comigo novamente, e claro que já tinha algo em mente.
– Acho que preciso ficar um pouco sozinho, pensar. Irei para minha sala. – falei seguindo meu caminho.
– Senhor Cullen. – Anita me cumprimentou. Apenas acenei e entrei em minha sala, fui em direção as garrafas de whisky que ficavam ali, enchi o copo e tomei num gole só, e enchi novamente sentando-me no sofá.
Tantas coisas se passavam por minha mente, me sentia um pouco entorpecido por tudo que acabara de acontecer, tinha medo de dormir agora, acordar e descobrir que tudo não passou de um sonho, apesar de ter muito real.
Continuei ali com meus pensamentos e tomando meu whisky, mas nada que me fosse embebedar. Por fim decidir o que fazer, sentei em minha cadeira pegando o telefone.
– Anita venha até minha sala, por favor, e traga seu caderno de eventos.
– Sim senhor Cullen.
Menos de um minuto se passou até Anita entrar com um caderno preto e caneta. Ela se sentou em minha frente e fui direto ao ponto.
– Darei uma festa para o próximo final de semana aqui no salão de eventos da empresa e quero que você providencie tudo o que for possível. E claro que ganhara uma comissão por esse trabalho extra. Então o que me diz?
– Oh é claro senhor Cullen, ficarei feliz em ajuda-lo.
Sorri.
Logo passei a explicar o que queria que fosse feito, Anita também opinou e juntos depois do que pareceu horas ela saiu com praticamente tudo pronto, agora era só colocar em pratica. E tinha certeza que tudo daria certo.
Afinal tinha que dar.
Bella você será minha novamente, só que desta vez para sempre.
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