Notas iniciais
Callie decide que é hora de tentar dar um passo maior e chamar Arizona para sair. Acontece que enquanto Callie tenta restabelecer um vínculo de seriedade, Arizona talvez não deseje o mesmo...

Arizona Robbins

Arizona não foi para casa muito pensativa. As pessoas tendem a levar as coisas muito a serio, ela pensa. Nos últimos meses, seus fracassos em relacionamentos tão catastróficos quanto os de Callie, fizeram dela ainda mais forte do que qualquer uma. Arizona sabia bem como ligar e desligar as emoções, mas ela sabia exatamente quando e se valia mesmo a pena. O problema é que ela não conseguia realmente ligar para alguma coisa no exato momento, pelos boatos que havia ouvido sobre Callie, pensou em ser uma boa diversão.

Havia mentido sobre estar indo para casa. Estava indo para algum outro bar, encontrar algumas velhas amigas e talvez, só talvez, esperar que Callie a ligasse. Não estava ansiosa pelo momento, mas seria muito bom ter uma distração.

– Arizona Robbins? Estou vendo direito ou é alguma miragem? – uma de suas amigas a avistou de longe – Sempre uma deusa!

Arizona era famosa entre as amigas. Tinha o sorriso mais bonito, os olhos mais claros... Era definitivamente a mais bonita. Mas a questão não era ser a melhor. Arizona também era a mais solteira entre as amigas, algumas delas eram casadas, com homens ou não, eram felizes. Talvez Arizona invejasse um pouco daquilo, mas nunca chegou a comentar. As palavras simplesmente não saiam...

– Deixa eu lhe informar das novidades! – Julie a puxou pelo braço e ela se sentou. – A Karma vai pedir o divorcio.

Arizona olhou para a amiga com o canto dos olhos quase chocada, mas não comentou, apenas ergueu um copo e brindou. Ela era casada com uma veterinária, da qual nunca realmente gostou. Ela e Karma já haviam tido um relacionamento breve, provavelmente sua futura ex esposa já sabia disso, talvez fosse por isso que ela não conseguia olhar para sua cara. Mas dane-se, Arizona pouco ligava.

– Finalmente vai estar livre de novo! – ela finalmente comentou.

– Você deve estar adorando isso. – disse mais uma de suas amigas.

– Algumas pessoas valem ouro... – ela olhou sorridente para Karma. – Você merece o melhor.

– Um brinde a nós, meninas! Karma na pista de novo! – Julie era a mais sem noção entre todas. Puxou o brinde e todas beberam como loucas, repetindo doses até perder o fio da consciência.

Nessa noite, ela e Karma ficaram próximas, o que ela pensou que seria divertido. Mas ainda estava um pouco sóbria, diferente das amigas que estavam se esvaindo da bebedeira. Ela sabia que não era se aproveitar de Karma, mas quem notaria? Talvez sua consciente ficasse pesada amanhã, mas colocaria a culpa na vodka. Quando pensou em tomar alguma atitude, seu telefone vibrou. Karma já estava em cima dela, se insinuando, sem noção de nada ao seu redor. Arizona retirou o celular da bolsa, viu que já eram quase três da manhã, era melhor voltar para casa. Então, quando viu o número desconhecido, abriu a mensagem curiosa.

“Estou perdendo o sono por você. C.”

Um sorriso involuntário surgiu no seu rosto, mas ela se recompôs. Por que tinha beijado Callie no final das contas? Seria só uma diversão, não é mesmo? Arizona tentava se convencer disso, não queria ceder aos encantos dela. Culparia a vodka mais uma vez pelos seus erros emocionais.

“Será que eu consigo fazer você perder o controle também? Az.”

Assim que a mensagem foi enviada, Arizona sentiu um enorme aperto no coração. Tomou mais três doses e pensou: Amanhã eu vou culpar a vodka. E beijou Karma.

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Arizona levantou assustada, com Karma do seu lado, nua. O bipe na cabeceira não parava de tocar e ela finalmente percebeu o quão atrasada estava. Se vestiu e decidiu que era a hora de acordar sua amiga, afinal de contas, ela ainda era legalmente casada.

– Karma, hora de você ir! – ela sussurrou no seu ouvido.

– A Arya vai me matar... – ela disse com uma voz sonolenta e ainda embriagada. – Mas a noite valeu a pena...

– Valeu, mas eu preciso trabalhar. Por favor, Karma, anda, eu não posso me atrasar.

Arizona levantou a garota e praticamente tentou empurrá-la porta a fora, enquanto terminava de se vestir. Sem muito sucesso, conhecia a insistência de Karma, mas não tinha tempo para alimentá-la.

– Eu te ligo? – Karma perguntou antes de sair.

– Olha, depois vemos isso.

– Já imaginava que a resposta fosse não. Foi muito bom ser usada por você, Arizona Robbins.

Karma bateu a porta irritada, com toda a força. Arizona saiu pelos fundos e usou as escadas, não queria a encontra novamente. Foi inevitável, enquanto pegava o carro, mas não se olharam. Arizona entrou as pressas no hospital e infelizmente a primeira pessoa com quem encontrou, foi Callie, se trocando também no vestiário.

– Então somos duas atrasadas! – ela comentou com um sorriso, Arizona mal conseguiu retribuir. – Tudo bem?

– Tudo ótimo. – seu sorriso amarelo era horrível em esconder a verdade, tinha machucado uma das suas melhores amigas. Não que não tivesse acontecido antes, mas achou que já tinha superado.

Arizona puxou a blusa e sentiu uma enorme pontada abaixo de um dos seios, mas não comentou nada. Ajeitou o sutiã e percebeu Callie e todos no resto do vestiário perplexos olhando para ela. Algumas das internas tinham o rosto bastante conhecido, o que fez ela ficar ainda mais envergonhada, mas vergonha não a inibia.

– O que foi? – ela perguntou, mas quase todos desviaram os olhares.

– Me desculpa Dra. Robbins, mas será que isso é uma mordida?

– Cristina! – ouviu uma outra interna loira dar uma cotovelada nela.

– Que é, eu quero mesmo saber.

Arizona se voltou para o espelho e observou. Bem abaixo do seio esquerdo, uma mordida vermelha e roxa, da noite passada. Nesse momento ela corou de vergonha e puxou imediatamente uma blusa para cobrir, mas já era tarde. Arizona se sentiu culpada por deixar Callie ver aquilo, mas seus sentimentos se embolaram no momento que ela saiu da sala como um rojão. Não queria magoá-la, foi o que pensou primeiro. Engraçado como todos ao meu redor se machucam... E se reclusou de pensamentos dolorosos. Arizona havia se prometido também, nunca mais se importar e nem sofrer. Será que isso era um sinal que já não era mais capaz de manter o controle?

Callie Torres

– Com calma katrina, não arraste o mundo com você. – brincou Mark quando Callie passou furiosa por ele. – O que aconteceu?

– Não me venha com suas brincadeiras estúpidas, Mark!

– Ei, calma ai Torres! – ele pôs a mão no ombro da amiga e a encarou. – Respira, e me conta exatamente o que aconteceu.

– Arizona, aquela loira da pediatria...

– O que tem ela? – Mark controlou o riso. – Parece que o fora não bastou.

– Ela me beijou! Do nada! Depois me dá o número do telefone dela, como se estivesse interessada, mas com certeza, já tem gente suficiente na cama dela.

– E desde quando você é favor de compromissos? Não era só uma diversão que estava procurando?

– Não enche meu saco. – ela se desvencilhou dos braços de Mark e saiu em direção a sala de trauma, estava muito afim de por ossos no lugar.

– Entendi errado ou Callie estava chateada por causa de uma mulher? – Callie ouviu quando Addie encostou perto de Mark.

– Nem me pergunte...

– Não está mais chateado comigo... Está?

– Vamos só fingir que não aconteceu. – as palavras de Mark sairam frias como gelo.

Mas Callie não estava mais interessada em se envolver nos problemas dos amigos, já tinha os seus. Sua cabeça estava completamente confusa, não sabia em qual direção ir. Saiu do prédio e ficou sentada do lado de fora sob uma chuva fina que caia lentamente. Não demorou muito a Addie aparecer com um rosto coberto por lágrimas, o que fez Callie se sentir ainda pior.

– Pode apostar que eu tô bem pior que você. – Callie disse tentando fazer Addie se sentir melhor, menosprezar a dor normalmente funciona.

– Você se sente atraida por ela e sentou ai para fingir que não tem nada acontecendo com você. – ela limpou as lágrimas. – Minhas dores são reais Callie, eu estraguei tudo! Pedi o Derek, magoei o Mark e transei com um interno... Que tipo de vaca eu sou!

– Vai com calma, Addie. Você não fez nada errado, tá bom? O Mark vai acabar te perdoando.

– Não é isso Callie. Acontece que toda vez que eu decidir não ligar, eu deixei algo bom passar... Não faça isso com você. Está perdendo uma oportunidade!

– Com quem? Com a Arizona? Ela está transando com alguém.

– Você também estava. O que tem isso?

– Que eu não queria pensar nela assim... Ah, já não sei!

– Chama ela para sair! Esquece essa coisa do “foda-se”, se dê ao trabalho de correr atrás dela.

– E o que faço depois que tudo acabar? Passo por outro sofrimento e paro aqui de novo? Isso é desgastante.

– Callie, tudo vale a pena, nem que seja um pouco. Se nada te agrada, o problema não é o mundo, mas você. Sabe o quanto te adoro... E odeio ver você assim! Tem que se impor de novo, passou por momentos bons também.

– Lembranças...

– Guarde-as, Callie. Agora, por favor, vai atrás da loira antes que isso também se torne outra lembrança.

Pior que ela está certa. E se não estiver? Foda-se!

Arizona Robbins

Arizona não estava tendo um de seus melhores dias. O que podia dar errado, estava incrivelmente conseguindo dar. E agora toda vez que ela pensava em Callie, sentia a dor da pontada daquela mordida e como foi constrangedor todo mundo vê-la exatamente ali.

– É verdade a história da mordida? – Karev se curvou no balcão e encarou Arizona, que apenas fingiu sorrir.

– Você também?

– Vou te dar a boa notícia: Todos sabem. Eu você tirava a Yang do quadro...

– Se veio aqui entregar seus colegas, está perdendo tempo. Quarto dezenove, menino de sete anos com diarreia. – ela assinou o prontuário e entregou a Karev em um tom provocante. – Boa sorte!

Karev saiu batendo os pés enquanto Arizona afundava a cabeça entre os cotovelos, exausta. Sua cabeça não parava de girar, achou até que fosse desmaiar. Quando percebeu que seu celular estava vibrando e então o retirou do bolso.

“Joe’s, 7h. Dentro? Tenho que falar com você. C.”

Os joelhos de Arizona falharam e ficaram bambos. Ela pensou no que deveria dizer ou se deveria responder. Não queria imaginar aquilo como um encontro, não queria ter um encontro, mas queria ver Callie.

“Estarei lá. Az.”

Foi tudo que conseguiu responder.Callie nostalgico... Uma morena de olhos escuros, sorriso bonito... Era exatamente como a sua ex, que havia também partido seu coração. Talvez seja essa sua resistência. Não queria se apaixonar por Callie, mas sabia que era fácil de acontecer. Desejou ter recusado, mas já era tarde.

Callie Torres

– Ela não vai aparecer. – Callie repetiu pela décima vez, com um copo de cerveja na mão.

– Paciencia é uma virtude, sabia? – disse Mark meio distraido, olhando para a bunda de uma mulher que passara.

– Você é o cara mais desvirtuado que já conheci. E... Ai meu deus! –Callie pulou para se esconder atrás do ombro de Mark. – Não acredito nisso!

– Sério? É assim que você trata seus casos de uma noite?

– Eu só não quero que ela me veja.

– Nossa, ela é gata mesmo! Qual o nome? Talvez ela seja bi...

– Não perguntei.

Como assim não perguntou? Eu também faço isso as vezes, mas sinceramente... Valia a pena perguntar.

– Cala a boca e fica na minha frente!

Mas foi tarde, seu caso de uma noite já havia a visto. Callie tremeu e saiu de trás de Mark, que escostou a mão no ombro dela.

– E ela está vindo...

– Cala essa boca. – Callie terminou entre dentes. – Ei!

– Estava se escondendo, não é? – ela sorriu e Callie ficou ainda mais constrangida.

– Eu vou pegar... Outra bebida! – Mark disse batendo amigavelmente no ombro de Callie e sorrindo para a garota. – Prazer... Não perguntei o seu nome.

Não deu tempo de ela responder, Callie esticou os olhos e avistou Arizona bem atrás dela. Seu olhar era fixo no seu caso de uma noite, percebeu que ela estava suando frio.

– Catherine. – suas palavras sairam secas. Ela se virou e encarou Arizona, o que fez Callie ficar desconfortável.

– Arizona... Pensei que nunca mais veria você.

– Perai, vocês se conhecessem? – Callie saltou os olhos de nervoso.

– Arizona é a minha ex-noiva. E ela não tem problemas em dizer isso, tem Arizona? – Cathy se virou para Arizona que estava quase pálida. – Ela tem o mau costume de transar com o anel no dedo.

– Se disser mais uma palavra, vou acabar com você. – lágrimas brotaram dos olhos dela, mas já era esperado.

– Desculpe a falta de educação. Te vejo por ai... – ela olhou para Callie com um olhar sugestivo. – Se algum dia descobrir seu nome.

Ela se inclinou e deu um selinho em Callie na frete de Arizona. Ela mal pode acreditar que estava acontecendo. Arizona limpou as lágrimas na roupa e correu para longe. O problema não estava em Catherine estar de volta, mas ela se recusava a imaginar Catherine com Callie.

Notas finais
Próximo Capítulo: A Little Bit Lost A presença de Catherine deixa Arizona louca, ela não consegue lidar com o fato dela estar interessada em Callie. Addison faz uma revelação que choca todos no hospital e Mark e Alex tem uma briga que ameça seus empregos. E aí gente, espero que tenham gostado! Sugestões ou críticas? :D