Tudo Culpa dos Golfinhos

2 Dedo Mindinho Miserável


Notas iniciais
Oe Eu não sei o que escrever aqui, então vou falar pudim. Pudim :3 *os personagens da história são baseados em pessoas reais; não necessariamente possuem a mesma personalidade* *eu não sou um menino, então se a narrativa do Cody ficou gay, avisem. Não sei escrever como um menino* Enjoy it!

Oito anos depois.

POV: Cody Okumura

– Você é minha melhor amiga — comecei falando assim que a Larissa abriu a porta da sua casa. — Esteve comigo quando eu precisei, e posso confiar mais que qualquer pessoa. Passaria horas aqui falando o quanto você é importante pra mim, mas tem uma pergunta que vim treinando durante todo o caminho pra cá. Uma pergunta que... Bem, uma pergunta.

Passei a mão pelos cabelos, desesperado, enquanto via um mínimo sorriso divertido abrir a expressão da Lares. Ela ergueu as sobrancelhas, com confiança, e pude perceber que ela estava querendo gargalhar. Ela sabia o que eu queria perguntar. Por isso, antes mesmo de perguntar, ela deu espaço para que eu pudesse entrar em sua casa e respondeu:

– Não.

– Mas por que não?

– Porque não.

– Me empresta teu carro, Lares, por favor.

– Não!

– Sua fedida — resmunguei, sentando no sofá. — Por favor.

– Não.

– Vai.

– Porra — ela riu. – Não. Talvez. Pra que você quer o carro?

– Duas coisas. A primeira é me encontrar com meu primo. Sabe, ele brigou com os pais e tá sem ter pra onde ir. Ele vai passar um tempo comigo e... Preciso buscar ele.

– Qual a segunda?

– Uma festa.

– Tudo bem – ela se rendeu. – Você vai com meu carro, mas tenho uma condição.

– Qual?

– Eu também quero ir – abri a boca pra falar, mas ela me cortou: — Nem pense em retrucar, eu passo na tua casa às quatro pra te pegar.

Eram três e meia.

– Na verdade — me levantei do sofá. — Eu sabia que você ia dizer sim, e que ia querer ir comigo, então trouxe uma mochila com roupas e escondi lá fora.

Ela me olhou cética, travando o maxilar. Ela costumava travar o maxilar quando queria rir.

– Eu vou tomar banho e me arrumar no quarto da Gi — ela disse, indo para o corredor. — Meu quarto é todo seu.

Eu ri e voltei pra frente de sua casa, onde eu tinha escondido a mochila com minhas roupas.

Quando entrei de novo na casa dela, deixei meus chinelos perto da porta e me dirigi ao seu quarto, que tinha vários golfinhos espalhados, desde adesivos à pelúcias. Aquilo era meio que o paraíso. Eu queria ter golfinhos no meu quarto, mas eu não tinha; e eu amava golfinhos. Eu era o Dolphin Boy.

Joguei a mochila em cima do lençol azul desarrumado da cama, que ficava em frente à gigante janela, pegando só o necessário para um bom banho. Tranquei a porta do quarto, e entrei no chuveiro. A Lares era rica, então tinha banheiro no quarto. Ó que ostentação! Brincadeira; risos.

Fui tomar banho e o único pensamento que eu tinha enquanto fazia isso era "cuidado para não escorregar, cuidado para não escorregar". Eu tenho constantes traumas de chuveiros sem tapetinhos no chão. Sério, qualquer um pode escorregar, bater a cabeça no chão, e morrer. Imagina que constrangedor morrer como vim ao mundo, só que em proporções maiores, se é que me entende.

Quando saí do banho, enrolei-me na toalha verde, prendendo-a na cintura, e fui até o quarto. Tirei a roupa da mochila, então olhei de relance para a janela, que estava aberta.

Meu primeiro pensamento foi fechar a janela, até que olhei através dela.

De frente para a janela, tinha outra janela, do quarto de uma menina, de outra casa. E ali, na visão da janela, tinha uma menina, que me lembrava bastante a branca de neve, pois a) ela tinha cara de meiga, com sua b) pele bem branquinha e seus c) lábios vermelhos, provavelmente por causa do frio. Ela era linda. A única exceção para sua semelhança com a princesa, eram seus cabelos. Seus cabelos eram ruivos como fogo, e bem mais longos do que a representação da Disney. Ela era linda.

Se ela olhasse em minha direção, eu estaria fodido, porque eu estava nu, olhando descaradamente na direção dela, que estava sentada em uma cadeira rosa, mexendo em seu celular, com os pés para cima e rindo. Ela tinha covinhas; eu mantinha um sorriso torto nos lábios.

Fui fechar a janela, mas tropecei antes, batendo o dedo mindinho no pé da cama.

– Dedinho filho da puta! –praguejei.

Foi triplamente constrangedor, porque eu ia caindo devido a dor, então eu soltei um gritinho talvez feminino demais. Daí ela olhou na minha direção e minha toalha caiu em meus pés.

Eu estava nu na frente dela!

Ela se levantou assustada, olhou na minha direção, olhou pra baixo, olhou pro meu rosto. Ela soltou um gritinho e tampou os olhos.

– Desculpa! — ela gritou, depois ficou repetindo mais baixo. — Desculpa, desculpa, desculpa. Ai, meu Deus.

Eu me abaixei pra pegar a toalha, e cobrir o meu grandão, completamente constrangido. Ela fechou as cortinas, e eu fui me vestir.

Quando terminei, procurei uma pedrinha, ou qualquer coisa que eu pudesse jogar na janela da garota. Por fim, encontrei um dado do banco imobiliário da Lares. Em seguida, joguei na janela.

Ela abriu uma brecha da cortina, como se estivesse se protegendo do vizinho tarado, mesmo que eu não fosse o vizinho dela.

– Desculpa — gritei de onde estava.

Ela apenas me olhou zangada e constrangida, assentiu e fechou a cortina.

Juntei minhas coisas na mochila e já ia sair quando vi a maçaneta da porta mexendo. Duas batidas depois, a Lares gritou:

– Você está pronto?

– Só um minuto — respondi.

Espiei mais uma vez a janela da frente, mas a moça ruiva tinha bloqueado qualquer chance que eu tinha de poder vê-la novamente naquele momento.

– Cody, querido — gritou a Lares, cheia de ironia, do outro lado da porta. — Caso não se lembre, de Sparks até Las Vegas são seis horas de carro, então se você quiser chegar a tempo para curtir alguma coisa...

Abri a porta, interrompendo seus resmungos sobre minha demora. Ela estava com uma roupa que qualquer menina descreveria perfeitamente, mas eu não sou menina, então basta dizer que a blusa era branca e a saia era preta; seu rosto estava carregado de maquiagem, marcando principalmente os olhos, além, é claro, do seu melhor amigo batom vermelho.

A Lares estava gata.

Ah, por favor, minha melhor amiga era gata desde o dia que nasceu.

– Estou aqui — sorri.

– Você está pegável– ela riu e eu fiz uma careta enquanto ela se olhava no espelho. – Meu cabelo está um cu.

– Tá legal – elogiei.

– Sim, legal – ela resmungou irônica.

Vi a Lares pegar uma mochila preta e jogar algumas peças de roupa lá dentro, assim como pertences pessoais. Enquanto isso, eu estava jogado em sua cama, olhando o teto e, sem nenhum motivo aparente, pensando na ruiva da casa ao lado.

– Anda, Cody – disse Lares, tirando-me dos meus pensamentos. Ela me pegou pelo pulso e começou a me puxar para fora de sua casa. – Estava lerdando de novo! Falei com você umas quatro vezes e você continuou olhando para o teto feito um retardado, como se tivesse um pênis sorridente pendurado ali. Se bem que, acho que você não curtiria um pênis sorrindo para você. Ou curtiria? Ai, mano, eu quero chegar logo nessa festa. Deve ter bebida liberada para menores, não deve? Cody, sua anta, fala alguma coisa.

– Você não precisa beber pra ficar bêbada.

Lares riu e me soltou para que eu pudesse entrar no carro. Ela sentou no motorista e sentei no banco ao lado, colocando o cinto em seguida.

Há alguns anos, a Lares havia me dito que o carro de uma pessoa podia dizer muito sobre a personalidade dela, e é verdade. Assim que entrei, pude identificar o perfume amadeirado dela, além de poder ver um pote de vidro com um estoque bastante cheio de camisinha, jogado no banco de trás; um batom, que eu tinha absoluta certeza de que era vermelho; e uma caixa no chão, que tinha um livro policial e algumas fitas de bandas antigas, entre elas Pink Floyd.

Isso definitivamente refletia bem quem era Larissa Khouri – principalmente a parte das camisinhas.

Dez minutos de estrada, me lembrei de um pequeno detalhe:

– Sua mãe deixou você dirigir até Las Vegas?

Ela pisou no freio bruscamente e olhou pra mim, de olhos arregalados.

– Esqueci – deu de ombros e voltou a dirigir. – Pega meu celular na minha bolsa.

Peguei o celular e disquei o número da mãe da Lares, que por acaso não atendeu. Liguei para a Gi, e no segundo toque ouvi:

Alô?

– É o Cody aqui, vou colocar no alto falante – avisei.

– Oi deusa – cumprimentou a Lares.

O que foi?

– Não tô conseguindo falar com a mãe – Lares disse. – O Cody precisou urgentemente de mim. Estou indo para Las Vegas, avise a ela; amanhã eu volto.

Las Vegas?

– É, vou passar a noite lá. Acho que o Cody vai pagar minha hospedagem, já que ele está me arrastando nessa – ela olhou pelo canto do olho pra mim e eu assenti. – Ele acabou de dizer que sim. Amanhã eu volto.

Tá, tchau.

Avise para mamãe! – ela repetiu. – Beijo.

Desliguei o celular da Lares e fechei os olhos, encostando meu corpo na cadeira do carro, e ouvindo a música que soava na rádio. Ao prestar atenção na letra, algumas memórias foram tomando conta da minha mente.

Que bela primeira impressão eu transmiti. Até porque é ótimo seu primeiro contato visual com alguém estar livre de peças de roupa. Eu tive que rir desse pensamento.

– Rindo do que?

– Nada.

O que será que ela tinha pensando naquele momento? Quando a toalha caiu, ela olhou pra baixo. Aquilo foi mais que constrangedor; eu não podia encarar ela nunca mais na minha vida sem me lembrar da vergonha que passei. Mas o que será que ela tinha achado?

Comecei a sorrir.

Eu precisava conversar com ela, não sabia como ou porque, mas eu precisava.

– Quem é sua vizinha, Lares? – perguntei.

Ela virou a cabeça em minha direção e pareceu analisar minha expressão. Por fim, ergueu as sobrancelhas e voltou a se concentrar na estrada.

– Em? – insisti.

– Maria Cecília Talarico — ela respondeu. — Ninguém que você queira se meter.

– Por que não? — eu mantinha meus olhos fixos nela.

– Se aproxime que você vai descobrir.

Franzi as sobrancelhas, mas mesmo assim olhei pra frente e me esforcei para não me lembrar do constrangedor momento que a toalha caiu no chão, ou me lembrar dos segundos anteriores, quando ela sorria para o celular e suas covinhas ficavam à mostra.

Não pensar em Maria Cecília Talarico.

Anotado.

Notas finais
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