Tudo Começou em Letras
21 Capítulo 21 — Rupturas
Assim que a porta tinha se fechado atrás de Adam, Vincent havia ficado parado no meio do quarto, o peito subindo e descendo rápido demais. O silêncio parecia zombar dele. Por alguns segundos, apenas encarou o espaço vazio onde Adam estivera minutos antes, o lençol ainda amassado, o cheiro dele ainda preso ao travesseiro.
— Porra! — explodiu, alto, a palavra ecoando contra as paredes.
Pegou o celular quase com violência, os dedos trêmulos enquanto desbloqueava a tela. Digitou uma mensagem, apagou. Digitou outra.
Adam, espera.
Apagou.
Não foi nada do que ele disse.
Apagou de novo.
Por favor, fala comigo.
Enviou. Depois outra. E mais uma.
Nada de respostas.
A frustração crescia como algo físico, apertando o peito, subindo pela garganta. Ele passou a mão pelos cabelos, andando de um lado pro outro.
Aquela noite tinha saído completamente do controle, e não no sentido casual ao qual estava acostumado. Não tinha sido só sexo. Não tinha sido só mais alguém dividindo a cama.
Ele fechou os olhos por um instante. A imagem de Adam não saía da sua cabeça; o jeito tímido, a pele arrepiando fácil, o rubor que subia sempre que Vincent o elogiava, da forma como desviava o olhar. Vincent tinha achado aquilo… lindo. Desarmante. Uma pureza que beirava a ingenuidade. Algo raro demais para ser tratado como descartável. Era a forma como Adam parecia descobrir o mundo com ele.
Ele tinha gostado daquilo mais do que admitiria em voz alta. Tinha gostado demais.
E Marcel tinha estragado tudo em segundos.
A raiva subiu quente, urgente, sem pedir permissão. Vincent se levantou de novo, vestiu qualquer coisa sem pensar, pegou o celular e saiu do quarto decidido, os passos rápidos pelo corredor.
Encontrou Marcel no pátio, encostado numa mureta, rindo de alguma coisa que Miles dizia. Marcel levantou o olhar primeiro e abriu um sorriso largo, despreocupado.
— E aí, cara — Marcel começou a dizer.
O soco veio antes que a frase terminasse.
O impacto foi seco. Marcel cambaleou para trás, levando a mão ao rosto, completamente surpreso. Miles deu um pulo para frente.
— Ei! Ei! O que tá acontecendo? — exclamou, assustado.
Vincent estava possesso. O sangue parecia pulsar nos ouvidos.
— Por que você falou aquilo? — gritou, avançando um passo. — Por que você tinha que abrir a boca daquele jeito?
Marcel piscou algumas vezes, ainda tentando entender, a mão cobrindo metade do rosto. Então soltou uma risada curta, incrédula, levando a outra mão à boca.
— O quê? — disse, entre surpreso e divertido. — Então se apaixonou pelo moleque?
Aquilo foi o estopim.
Vincent avançou de novo, o punho fechado, mas Miles foi mais rápido dessa vez. Segurou-o pelos ombros, fazendo força para afastá-lo.
— Vincent, para! Para com isso! — disse, tenso. — Tá maluco?
Marcel ainda ria, agora com um brilho provocador no olhar, mesmo com o rosto vermelho.
— Relaxa, cara — provocou. — Eu só falei a verdade.
Vincent se debateu contra Miles, a mandíbula travada, os olhos escuros de fúria.
— Você é um filho da puta — rosnou.
Miles conseguiu empurrá-lo um pouco para trás, mantendo distância entre os dois.
— Chega — disse, firme. — Isso já passou dos limites.
Vincent respirava pesado, o corpo inteiro tenso, como se ainda quisesse avançar. Os punhos ainda fechados tremiam levemente. Miles continuava segurando seus ombros com firmeza, tentando ancorá-lo ali.
— Vincent, que porra foi essa? — perguntou, ofegante também. — O que aconteceu?
Vincent não respondeu. O maxilar estava tão travado que doía. Ele manteve os olhos fixos em Marcel por um segundo a mais do que deveria. Marcel já não sorria com a mesma facilidade, mas ainda mantinha aquele ar insolente que só piorava tudo.
Miles apertou um pouco mais o aperto, tentando forçá-lo a encará-lo.
— Você nunca fez esse tipo de coisa.
Vincent puxou o braço com força, conseguindo se soltar do toque. Não empurrou Miles, não disse nada, simplesmente se virou de repente, como se ficar ali fosse insuportável. Deu as costas aos dois e saiu andando rápido, quase tropeçando de tanta pressa.
Não olhou para trás.
O caminho de volta até o dormitório pareceu mais longo do que o normal. O vento frio batia no rosto, mas não conseguia esfriar o nó que se formara no peito. A cada passo, a raiva ia dando lugar a outra coisa mais pesada, mais silenciosa. Culpa. Medo. A sensação amarga de que tinha falhado.
Entrou no prédio e subiu as escadas de dois em dois, o coração acelerado. Quando chegou ao quarto, fechou a porta com força demais, o barulho ecoando no espaço vazio. O silêncio voltou a se instalar, cruel, lembrando-o de que Adam não estava ali.
Vincent passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro irregular, e deixou o corpo escorregar até sentar no chão, encostado na porta. Pegou o celular outra vez, desbloqueou a tela quase sem pensar.
Nenhuma resposta.
O silêncio do quarto parecia mais pesado a cada minuto. Vincent ficou ali sentado no chão por um tempo indefinido, o celular largado ao lado, a tela já apagada. A imagem de Adam saindo, o olhar ferido, voltava em flashes incômodos, sempre acompanhada da risada de Marcel.
Ele se levantou devagar e percorreu o quarto com o olhar. As coisas de Marcel estavam por toda parte; a mochila jogada na cadeira, os tênis largados perto da cama, o cheiro dele impregnado no ar. Aquilo tudo embrulhou seu estômago.
Não conseguiria mais dividir o mesmo espaço. Nem fingir normalidade.
A decisão veio de forma abrupta e por impulso. No dia seguinte, mudaria de dormitório. Já sabia que havia um quarto vago no prédio ao lado, um lugar mais silencioso, longe o suficiente para não ter que cruzar com Marcel no corredor ou ouvir sua voz atravessando as paredes. Ia verificar a disponibilidade logo cedo, antes que tivesse tempo de reconsiderar.
Vincent sentou na cama, passando a mão pelo lençol ainda amassado da noite anterior. A lembrança do corpo de Adam ali, tão próximo, tão entregue, fez o peito apertar de novo. Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
***
Adam chegou ao dormitório com a sensação de que estava andando embaixo d’água. Cada passo parecia exigir mais esforço do que devia. A conversa com Tyler ainda ecoava na cabeça, especialmente a última frase.
Ele abriu a porta devagar, esperando encontrar o quarto vazio para poder simplesmente deitar e encarar o teto até o mundo fazer sentido de novo.
Mas Finn estava lá, sentado na própria cama, tênis ainda nos pés, mexendo no celular com uma energia completamente diferente da que Adam sentia no corpo.
— Adam! — Finn disse assim que o viu, levantando o rosto com um sorriso fácil.
— Oi — Adam respondeu, forçando um sorriso.
Finn ainda sustentou o próprio sorriso por meio segundo, depois murchou.
— Você tá… estranho — Finn disse, largando o celular de lado. — O que houve?
Adam fechou a porta atrás de si e ficou parado por um instante, como se precisasse decidir se atravessava ou não uma linha invisível.
— Eu… — começou, a voz saindo mais baixa do que pretendia. Limpou a garganta. — Eu preciso falar uma coisa com você.
A mudança no rosto de Finn foi imediata. O sorriso sumiu de vez.
— Tá — respondeu, ficando sério. — Pode falar.
Adam fechou a porta, deu dois passos para dentro do quarto e se sentou na cama. O coração começou a bater mais rápido. Ele pensou nas palavras de Tyler. Pensou no que estava prestes a colocar entre eles.
— É sobre… — começou.
De repente, a porta se abriu sem bater.
— Finn! — Isabelle entrou já falando, segurando um caderno contra o peito. — Você não esqueceu, né? A gente combinou de terminar a parte da análise hoje.
Finn piscou, claramente pego de surpresa.
— A análise… — repetiu, como se estivesse tentando puxar algo da memória.
Isabelle franziu a testa.
— Não lembra? A atividade em dupla? Pra amanhã? Você disse que hoje à noite a gente fechava tudo.
Finn levou a mão à testa.
— Merda. É verdade.
Ele olhou para Adam, meio culpado, meio dividido.
Isabelle finalmente pareceu notar o clima no quarto. Olhou de um para o outro, sentindo algo fora do lugar, mas não perguntou.
— Se não der agora, eu posso voltar depois… — ela disse, incerta.
— Não, não — Finn respondeu rápido demais. — A gente faz agora. Melhor resolver isso logo.
Adam então sentiu a coragem, que já estava por um fio, se desfazer de vez. Finn voltou o olhar para ele.
— Mas primeiro. Adam… você tava dizendo…?
Adam hesitou por um segundo longo demais. A verdade estava ali, na ponta da língua, mas Isabelle já estava abrindo o caderno, puxando a cadeira para a escrivaninha.
O momento tinha se quebrado.
— Não é nada urgente — Adam disse, rápido. — A gente fala depois.
Finn o encarou por mais um instante, como se quisesse ter certeza.
— Tem certeza?
Adam assentiu, evitando sustentar o olhar.
— Tenho.
Finn pareceu aceitar, ainda que não totalmente convencido.
— Tá. Depois a gente conversa.
Isabelle já começava a falar sobre gráficos e referências, ocupando o espaço com naturalidade.
Adam sentou na própria cama, as mãos entrelaçadas, olhando para um ponto fixo na parede enquanto os dois começavam a discutir o trabalho.
Ele tinha aberto a porta, mas não atravessado.
***
Os dias passaram sem grandes acontecimentos, pelo menos na superfície. Adam voltou à rotina. Continuou trabalhando no sebo, organizando prateleiras, atendendo clientes, ajudando Laura com o mesmo cuidado de sempre. Para quem olhasse de fora, ele parecia funcional. Normal. Só um pouco mais quieto.
Vincent continuava mandando mensagens. No começo, Adam via as notificações surgirem na tela e sentia o estômago se revirar. Não respondia. Não bloqueava. Apenas deixava ali, num limbo silencioso. Não queria se sentir vulnerável daquela forma novamente.
Com os amigos, ele se mantinha presente. Sentava com Finn, Tyler, Min-su e Isabelle nas aulas, no dormitório, no pátio, na biblioteca, espalhando livros e folhas de trabalho pelas mesas grandes. Ria quando era esperado que risse, comentava o básico, participava das conversas acadêmicas como sempre fizera. Às vezes, até se pegava esquecendo por alguns minutos do peso no peito, especialmente quando Min-su falava demais ou Isabelle reclamava de algum professor com indignação teatral.
Mas algo tinha mudado. Adam sentia.
Era sutil, quase imperceptível, mas constante. Tyler continuava ali, fisicamente presente, mas seu jeito era outro. As brincadeiras ainda existiam, as piadas rápidas, os comentários atravessados, só que, agora, Adam raramente era o alvo direto. Tyler fazia graça com Finn, provocava Min-su, implicava com Isabelle, mas deixava Adam de fora.
Adam percebia nos detalhes. No riso que vinha um segundo atrasado quando ele falava. No olhar que desviava rápido demais. Na ausência do toque casual no ombro, da piada cúmplice que antes sempre o incluía.
E aquilo doía mais do que qualquer discussão.
Porque fazia Adam se sentir deslocado dentro do próprio grupo, como se ocupasse uma cadeira que já não era totalmente dele. Como se estivesse ali por inércia, não por escolha. Às vezes, ele se pegava observando Tyler de longe, tentando identificar em que momento exatamente tudo tinha rachado, e percebendo, com um aperto no peito, que sabia muito bem a resposta.
Ainda assim, Adam não dizia nada. Não puxava uma conversa séria, não questionava, não pedia explicações. Continuava aparecendo, continuava sentando-se à mesa, continuava fazendo sua parte nos trabalhos. Fingir normalidade parecia mais fácil do que admitir que, além de Vincent, ele também estava perdendo suas amizades.
***
Era uma tarde arrastada no sebo. O movimento estava fraco, o ar carregado daquele cheiro de papel antigo e poeira boa que normalmente acalmava Adam, mas naquele dia não fazia efeito. Ele organizava uma das prateleiras do fundo, alinhando lombadas por ordem alfabética, sério, automático, como se cada gesto fosse apenas uma forma de ocupar a mente.
— Adam.
A voz o atravessou como um choque.
Ele se virou rápido demais, o coração disparando antes mesmo de confirmar o que já sabia. Vincent estava ali, parado a poucos metros, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, o olhar tenso, quase desesperado. Por um segundo, o mundo pareceu encolher ao redor deles.
— O que você tá fazendo aqui? — Adam perguntou, mais alto do que pretendia, o susto ainda evidente.
— Eu… — Vincent respirou fundo. — É que você não responde minhas mensagens, não atende minhas ligações. Eu precisava falar com você.
Adam sentiu o peito apertar. Olhou em volta, como se de repente o sebo tivesse ficado pequeno demais para aquela conversa.
— Eu não quero conversar — disse, já se virando para pegar um livro fora do lugar, qualquer coisa que não fosse olhar para Vincent.
— Adam, por favor — Vincent deu um passo à frente. — Eu sinto muito pelo que o Marcel disse. Aquilo não reflete o que eu penso. Nunca refletiu. Ele é um idiota, sempre foi, e eu…
— Não — Adam o interrompeu, a voz baixa, mas firme. — Já passou.
Não tinha passado. Mas ele não conseguia dizer mais nada. Ficou encarando a lombada de um livro como se ela exigisse toda a sua atenção. O silêncio entre os dois era pesado.
Vincent o observava, frustrado, os maxilares tensos.
— Eu preciso que você acredite em mim. — disse, mais baixo.
Adam respirou fundo, pegou o livro e começou a andar em direção ao balcão, decidido a encerrar aquilo. Foi então que sentiu a mão de Vincent segurar seu braço, firme, mas sem machucar.
— Adam — Vincent disse, urgente. — Por favor, acredite em mim.
O toque fez o estômago de Adam revirar. Ele ia puxar o braço de volta quando uma voz conhecida cortou o ar.
— Ei! — Finn apareceu do outro lado do corredor, o rosto imediatamente mudando ao reconhecer Vincent. — Que porra é essa?
Finn se aproximou rápido, o olhar indo da mão de Vincent no braço de Adam para o rosto pálido do amigo.
— Solta ele — disse, já alterado. — O que você acha que tá fazendo com o meu amigo?
Vincent soltou o braço de Adam na mesma hora, como se tivesse sido queimado.
O clima ficou tenso, pesado. Vincent olhou de Finn para Adam, procurando algum sinal, qualquer coisa. Adam permanecia imóvel, o olhar baixo, incapaz de intervir.
— Eu não vim causar problema — Vincent murmurou.
— Pois não vai — Finn respondeu, firme. — Sai daqui.
Por alguns segundos, Vincent pareceu considerar discutir. Mas então apenas assentiu, derrotado, deu um último olhar para Adam, longo, carregado de coisas que não cabiam ali, e se virou, saindo do sebo sem dizer mais nada.
O silêncio que ficou foi estranho, desconfortável.
— O que ele queria com você? — Finn perguntou, ainda tenso, virando-se para Adam. — Ele te ameaçou? Falou alguma merda?
Adam abriu a boca para responder, o peito apertado, as palavras finalmente se formando.
— Com licença — uma voz interrompeu.
Um cliente estava parado ao lado do balcão, com um livro aberto nas mãos, esperando atendimento. Adam piscou, como se só então se lembrasse onde estava.
— Eu já volto — disse para Finn, a voz baixa.
Ele se virou para o cliente, forçando um profissionalismo que não sentia, enquanto Finn permanecia ali, olhando para a porta por onde Vincent tinha saído, claramente disposto a não deixar aquilo passar em branco.
Quando o cliente saiu, levando o livro debaixo do braço, Finn não demorou a voltar ao assunto. Ele se aproximou do balcão, baixando um pouco o tom de voz, mas sem esconder a tensão.
— Tá. Agora me explica direito — disse. — O que aquele cara queria com você?
Adam sentiu o estômago afundar. A mentira já se formando antes mesmo de ele decidir usá-la.
— É que… — respondeu. — A gente se esbarrou na faculdade outro dia… discutimos. Eu xinguei ele. Aí ele veio tirar satisfação.
As palavras soaram estranhas até para ele. Vazias. Mal encaixadas. Adam sentiu um incômodo imediato, uma culpa surda por colocar aquela versão no lugar da verdade, por transformar algo tão intenso em uma explicação banal.
Finn franziu a testa.
— Você xingou ele? — repetiu, surpreso.
— É — Adam deu de ombros, fingindo desinteresse. — Foi coisa boba.
Finn não pareceu totalmente convencido, mas assentiu.
— Bom — disse, sério. — Se esse cara se aproximar de novo, você fala com a gente. Comigo, com o Tyler, com todo mundo. A gente se junta e resolve. Você não tá sozinho.
O nó na garganta de Adam apertou.
— Finn… deixa pra lá — pediu. — Não precisa disso.
Antes que Finn respondesse, Laura apareceu do fundo do sebo, apoiando o cotovelo no balcão com um sorriso curioso.
— Ah, então seu crush veio hoje? — disse, casual. — Demorou para ele aparecer por aqui.
Adam sentiu o coração dar um salto.
— Laura… — murmurou, num aviso silencioso.
Finn virou na hora.
— Que crush?
Laura abriu a boca para responder, mas parou ao perceber o olhar desesperado de Adam. Entendeu na hora. Sorriu de canto, mudando o tom.
— Ué — disse, fingindo naturalidade. — O crush do Adam. O que apareceu aqui hoje de manhã logo que o sebo abriu.
— Hoje de manhã? — Finn insistiu, animado de repente. — É o cara do Tinder? Qual o nome dele mesmo, Adam?
Adam engoliu em seco. Os olhos vagaram pela prateleira atrás do balcão, buscando qualquer coisa para se agarrar. Pararam numa lombada próxima, letras brancas destacadas sobre o fundo escuro: Caleb.
— É… — disse, quase num sussurro. — O nome dele é Caleb.
Finn sorriu imediatamente.
— Que bom, cara — falou, sincero. — Fico feliz por você. De verdade.
Adam forçou um sorriso de volta, pequeno, frágil. Por dentro, sentia o peso da mentira se acomodar no peito, somando-se a todas as outras. O nome falso ecoava estranho na cabeça, enquanto o verdadeiro, Vincent, permanecia ali, silencioso, impossível de apagar.
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