Tudo É Possível

4 4 - Fatos |Parte II|


Notas iniciais
"A verdade é o modo mais fácil de se machucar o coração das pessoas."

“O médico, simplesmente, foi embora antes de me dar alguma explicação razoável. Ele só disse que era melhor eu me recuperar primeiro antes de saber todos os fatos.

Eu sou uma criança. Crianças querem respostas imediatas.

Eu tentei ignorar o fato que ele tinha feito isso, e tentei sair da cama para procurar as informações, mas não deu muito certo. As minhas pernas estavam com várias faixas, e não se moviam. As minhas costas, mais especificamente, na cintura, doíam. Isso me manteve preso naquela cama.

Estava em um hospital desconhecido, todo enfaixado, preso a uma cama, sem saber que dia era aquele e não tinha informações dos meus pais.

Não aguentaria passar nem mais um dia naquele local se continuasse desse jeito, quanto mais passar três semanas. Mas por não conseguir sair daquele lugar, não me restava muitas opções. Eu só podia esperar e pensar em algum plano para saber onde estavam meus pais.

–-- x ---

Os dias foram passando, e todo dia, o médico vinha me perguntar como eu estava. E eu sempre respondia no automático que eu estava melhor. E sempre, logo após as minhas respostas, ele anotava no papel alguma coisa.

Todos os dias, eu tentava me forçar a sair daquela cama. Mas as pernas não me obedeciam. Eu pensava que era devido ao fato delas estarem enfaixadas ou por causa dos remédios que eu tomo para dor. O médico disse que eles relaxam os músculos e que a dor some por um tempo.

Mas sempre era assim. E isso já durava quase duas semanas. Ninguém me falava nada. Nunca me falaram o que estava acontecendo comigo ou com os meus pais. E nesse tempo, algumas pessoas estranhas passaram no meu quarto. Mulheres se diziam ser donas ou assistentes de orfanatos. E uma assistente social sempre vinha com essas pessoas.

Não entendia o porquê delas sempre quererem saber sobre mim e o que eu faço. Chegava até ser um pouco irritante. A princípio, elas sempre falavam que eu era um bom garoto e que adorariam que eu conhecesse o tal orfanato, mas depois que saíam, a assistente social falava alguma coisa e elas logo gritavam no corredor. Diziam que era para eles terem falado o meu problema desde o início, pois não teriam suporte para uma pessoa como eu.

– O que tem de errado comigo?

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Quando as minhas dores foram passando mais, eu conseguia forçar o meu corpo a jogar as minhas pernas para a beirada da cama. Elas ainda estavam enfaixadas, e não tinha vistos os machucados delas desde o momento que eu entrei nesse hospital.

Ao menos, eu já conseguia ficar sentado por um bom tempo. Era melhor do que ficar eternamente deitado e olhando para o teto, mas mesmo assim, eu precisava procurar os meus pais.

– Matthew? O que você está fazendo? – uma enfermeira tinha entrado no quarto.

– Eu só queria andar pelo hospital.

– Não tem como você andar com essas pernas enfaixadas. – ela foi em direção à porta e de lá, trouxe uma cadeira com rodas – Se quer passear pelo hospital, sugiro que seja aqui em cima.

Então ela me carregou e me ajeitou em cima daquela coisa estranha.

Ela saía me empurrando pelos corredores daquele lugar que fedia a remédio. E toda vez que passávamos por uma sala fechada, eu perguntava quem estava lá dentro, com o intuito de saber se era os meus pais que estavam por lá.

Ela apenas dizia que não.

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Eu me ajeitava na cama quando o médico, mais uma vez, veio com o seu papel e as perguntas rotineiras, mas ele começou diferente dessa vez.

– Então, Matthew, você está sentindo as suas pernas?

– O que?

– Você consegue move-las?

– Ainda não. Mas deve ser por causas desses remédios, não é? – o médico ficou em silêncio e foi logo passando para outra pergunta.

– E o ferimento em suas costas? Ele ainda dói?

– Um pouco. Mas já melhorou muito. – ele anotava mais ainda naquele pedaço de papel.

– E como foi andar numa cadeira de rodas?

– Ah? – aquela foi a pergunta mais estranha de todas.

– Como você se sentiu ao andar numa cadeira de rodas?

– Eu não gosto de andar nela.

– Por que?

– Porque eu não faço nada.

Ele mais uma vez pegava o seu papel e anotava. Então ele deu um suspiro e me disse que eu teria que aprender a andar nela, mesmo que não gostasse. Que seria melhor e facilitaria mais a minha vida.

Tentei não ficar com mais raiva, pois sabia que não resultaria em nada. Minhas vontades não eram respeitadas naquele local. E eu só queria sair o mais rápido possível do hospital. Mas antes do médico ir embora, eu lembrei das vezes que as mulheres de orfanatos vinham me ver e perguntei o que elas fariam comigo.

– Bem... É bem provável que você vá para algum desses orfanatos depois que tiver alta.

– Mas por que?

– Você irar morar num deles.

– Mas eu não quero morar num orfanato! Eu quero morar com os meus pais!

O médico, mais uma vez, ficou em silêncio. Eu já estava cheio dessas coisas que ele fazia. De não ser informado. De não poder voltar para casa. De ter que conhecer gente estranha. Eu não aguentava mais!

– Matthew... você quer saber de tudo?

De repente, os meus pensamentos param. Eu já estava no início da terceira semana naquele local, sem saber de nada, e agora ele resolve me explicar. Então eu não demorei muito a confirmar. Eu queria saber da situação toda. Eu precisava saber.

Mas eu não gostei de saber.

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Você sofreu um acidente horrível na madrugada que você estava viajando com seus pais. Um caminhão estava indo em direção ao carro de vocês em alta velocidade. E infelizmente, o motorista estava bêbado e não conseguia guiar adequadamente o veículo. Ele então, se chocou com força na traseira do carro que o fez capotar e disparar pedaços de metal para todos os lados. Alguns desses pedaços se alojaram na cabeça do seu pai, outros perfuraram o peito de sua mãe. E ambos não sobreviveram. Não tinha o que ser feito para salvá-los. Nós realmente tentamos de tudo! Mas eles faleceram minutos depois de chegarem ao hospital.

E você Matthew... o seu caso não é tão bom quanto o deles. Um dos pedaços perfurou as suas costas, na parte da cintura, e atingiu sua coluna e afetando a medula dorsal. Tentamos de todos os jeitos evitar o que poderia comprometer a sua vida inteira, mas não conseguimos.

Você não poderá mais andar. Não importa quanta fisioterapia faça, ou os meios que use para recuperar o movimento das pernas. Você precisará usar, para sempre, uma cadeira de rodas.

Notas finais
Estou em dúvida se eu ainda faço uma parte três, mas acho que já deu para explicar a pergunta do Francis. Então eu acho que vai ser só até a parte dois mesmo~~ Bem, depois eu decido~~