Tu Eres Mi Vida
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Pov’s Leon
Era perto das três da manhã, eu estava exausto, havíamos dançado por horas, e a fadiga muscular estava me atingindo. Finalmente eu e Violetta havíamos parado de dançar, ela não cansava de nenhuma maneira, era muita energia para um ser tão pequeno...
Fechei os olhos por um instante, me apoiando na bomba de gasolina. Estávamos em um posto 24 horas, daqueles que sempre aparecem durante uma emergência, bom, a gasolina da minha moto havia acabado, e eu tive que empurrá-la por 3 quilômetros, ou seja, eu estava morto.
Alguns flashes daquela noite acabaram me atingindo, não sei se era porque eu estava com muito sono, ou se eu havia bebido muito, o que não aconteceu, eu sequer coloquei uma gota de álcool na boca, coloquei?
–Amor, meu amor. –Violetta me chamou, a música estava alta demais, era quase impossível ouvi-la. –Acho que vou pegar alguma bebida, quer algo?
–Água, por favor. –Falei e ela sorriu, talvez estivesse satisfeita por eu não ter pedido algo do tipo vodka.
Fui encostar-me no braço de uma poltrona verde perto do assoalho de madeira da casa, tinha um cara dormindo/desmaiado nela, então o que me restou foi o braço da poltrona.
–Leon. Que jogo em! –Era o Alex? O que o panaca queria?
–Muito engraçado, Alex. –Ironizei. — Primeiro você me deseja um sincero “quebre a perna”, e agora bem dizer que o jogo foi bom, não caio na sua.
–Acho que está me confundindo. –Ele falou
–Não, não estou! Você é o Alex Galan, o idiota do time de futebol que eu joguei contra hoje.
–Eu não estou no time, que provavelmente te desejou o sincero “quebre a perna”, foi meu irmão, o Clement. (Gente eu sei que eles são a mesma pessoa, mas aqui serão gêmeos, tudo bem?).
–Clement? O garoto com o penteado estilo “vaca lambeu”? –Perguntei, nem me dei conta do que falei.
–Sim, esse mesmo. –Alex murmurou. –Ele é quem está no time, já faz um tempo que eu saí e ele entrou no meu lugar.
–E porque ele foi tão antipático comigo? –Perguntei e Alex deu de ombros. –Fala sério, seu irmão é um idiota, e o tempo todo eu achei que ele era você, vocês deveriam andar com uma plaquinha do tipo “Irmão idiota” e “Irmão não idiota” facilitaria a vida das pessoas.
–É as pessoas vivem achando isso. –A voz dele saiu com tédio, como se estivesse cansado de tudo isso. –Por isso eu mudei, saí do time e pretendo mudar meu curso na Universidade, não quero ser o futuro empresário, quero fazer moda.
–Moda? –Indaguei e ele assentiu, nossa conversa super esclarecedora foi interrompida por um dos caras do time arrancando a camiseta e as calças, enquanto corria pela sala, aquele ali já tinha passado do estágio “bêbado”.
Quando me virei para fazer mais perguntas a Alex percebi que ele acompanha o garoto sem roupas com os olhos, pelo olhar malicioso de Alex as coisas foram esclarecidas para mim, o cutuquei, tirando-o do transe.
–Você joga no outro time, mas disfarça direitinho, não é? –Alex empalideceu com o meu comentário.
–Você..não...eu..eu...
–Fica tranquilo, seu segredo está seguro comigo. Mas devo admitir que não tenho problemas nem preconceito com isso.
–O problema é meu irmão, certamente ele contaria ao meu pai, e eu estaria ferrado. –Suspirou. — O cara seminu que passou aqui é meu ex.
–Seu ex? –Eu nunca pensei que Alex fosse gay, ele sempre se escondeu na sombra do irmão. Eu já havia trocado algumas palavras com ele, era uma cara legal, por isso estranhei quando o mesmo começou a me tratar mal no futebol, mas na verdade não era ele, confuso não é?
–Não sei por que estou me abrindo com você.
–Pode confiar. –Falei e ele me olhou meio perdido.
–É, você é o tipo de pessoa que me parece confiável. Não me decepcione. –Ele comentou e eu ri.
–Amor, não tinha sua água, eu até briguei com o cara do bar, porque onde já se viu não ter água? Mas não deu certo...Ah, oi! Sou Violetta, prazer. –Vilu cumprimentou Alex, eu ia fazer isso assim que ela parasse de falar, o que não ocorreu.
–Alex. –Cumprimentou de volta. –Foi legal conversar com você, Leon, mas agora vou indo. –E aí ele se retirou, meio desconfortável.
–Brigou com o rapaz no bar? –Perguntei puxando Vilu pela cintura, e depositando um beijo em sua testa. .
–Briguei. –Ela afirmou, e depois riu com uma criança sapeca. Fazia tempo que eu não a via tão feliz, se divertindo dessa maneira. –Você está cansado, não está?
–Um pouco. –Respondi.
–Vamos embora, eu ia te chamar para uma última dança, mas seria tortura. –Ela falou, acariciando meu rosto. Eu estava quebrado, mas achei que uma última dança não faria mal, afinal ela estava se divertindo, e eu adoraria deixa-la com aquele sorriso no rosto por mais alguns instantes.
–Uma dança? Somente uma? –Perguntei e vi os olhos dela brilharem. Fomos para a pista, e a última dança acabou virando três últimas danças, acabamos nos empolgando e nos deixamos levar, mas quando acabou, meu músculos pediram socorro.
Flashback Off
–Leon. –Ouvi que ela me chamava, quando me encontrou apoiado e com os olhos fechados, me olhou com pena. –Amor, me desculpe ter feito você ficar tanto tempo na fest...
–Ei ei ei, eu quis ir, me diverti, não peça desculpas. –Falei a puxando para mais perto, estava confortável demais ali. –Conseguiu comprar alguma coisa na loja de conveniência?
–Hum...Comprei uma batatinha, uma barra de cereal e sua água. –Ela falou me entregando a tão sonhada garrafinha com H2O. –Acho que deveríamos ficar em algum hotel barato, não vou fazer você dirigir até minha Universidade e depois voltar para a sua.
–Sinceramente, eu não concordaria com isso, mas estou cansado demais para recusar. –Falei, sentindo minhas pálpebras se fecharem. –Acho que preciso dormir por uma meia hora.
Não obtive resposta, com muito esforço abri os olhos, e encontrei a pequena olhando um mural de mapas daquela região.
–Acho que temos um problema. –Ela falou. –Ao que parece, o próximo hotel baratinho fica há uma meia hora ou vinte minutos daqui.
–Tudo bem. –Falei bocejando. Quando vi nós dois estávamos sentados nas poltronas da loja de conveniência pedindo um café, era uma forma de me manter acordado.
–Dois expressos saindo. –O atendente falou, ele parecia estar com tanto sono quanto eu.
Violetta estava ao meu lado, e eu com um braço por cima dos ombros dela, fazíamos uma guerra de polegares, e francamente eu era péssimo, estava 18X2 para ela.
–É o cansaço. –Menti.
–Aham sei, “o cansaço”. –Ela ironizou e eu dei risada.
–Opa, 18X3 agora. –Falei assim que coloquei meu polegar em cima do dela.
–Não é justo, eu estava distraída.
–Aham sei, “distraída”. –A imitei e ela fechou a cara. Por incrível que pareça nós não estávamos sozinhos, havia um homem em outra mesa, e ao seu lado um casal um pouco mais velho que nós.
O atendente nos entregou o café, ele estava meio frio e adocicado demais, mas relevamos isso....
....
Vi a luz solar nascendo, os raios vieram bem em minha face, péssima maneira de acordar. Ao me remexer percebi que ainda estava sentado na poltrona na qual eu adormecera sem perceber.
–Você acordou. –Ouvi a voz, agora cansada e sem energia, de Vilu.
–E você parece que não dormiu. –Murmurei.
–Não dormi, fiquei com medo de dormir e o atendente acabar nos expulsando, preferi que você não acordasse. –Ela falou, se aconchegando em meu peito.
–Eu poderia brigar com você, mas...
–Mas você sabe que eu fiz isso porque te amo e me importo com você. –Ela falou e eu assenti, apesar de me sentir meio culpado por ela não ter dormido, eu não poderia deixar de agradecer, não é qualquer um que faz isso por você.
–Obrigado, meu amor. –Sussurrei, dando-lhe um selinho.
–Isso é um relacionamento, meu amor, da mesma maneira que você cede, eu também cedo, faria qualquer coisa por você. –Ela sussurrou de volta, enquanto pagávamos o que havíamos consumido, deixamos o troco por lá, afinal eu dormi ali por umas duas horas e meia.
–O que acha de irmos a aquele hotel? Minhas aulas só começam a amanhã mesmo. –Ela falou, me segurando pela cintura, enquanto eu a guiava até a moto.
–Acho uma ótima ideia. –Concordei dando-lhe o capacete, apesar de ter dormido, eu ainda estava com sono, fora a dor muscular absurda que eu estava sentindo em todos os membros.
Acelerei a moto assim que ela envolveu minha cintura, e me apertou conforme eu acelerava. A observei pelo retrovisor, estava linda, quer dizer, ela é linda, apesar do capacete, eu tinha uma visão quase perfeita de seu ser.
Foi possível ver o sol nascendo enquanto andávamos com a moto até o hotel. Estava tudo indo bem, chegamos ao hotel de estilo retro, era um lugarzinho aconchegante e a recepcionista foi até simpática.
–Finalmente uma cama. –Violetta falou deitando sobre a mesma, eu tirei minha blusa e calça jeans, logo me deitei também. Ela me abraçou e depositou um beijo em meu pescoço.
–Boa noite. –Ela murmurou, toda enrolada em mim.
–Tecnicamente é bom dia. –Falei e soltei uma fraca risada.
–Tenha um bom dia de sono. –Murmurou novamente e eu acabei rindo, e quando eu estava prestes a pegar no sono novamente...
–Leon?
–Sim. –Falei com a voz abafada e grogue, ela sorriu, e passou as mãos pelos meus cabelos, assim eu iria acabar dormindo mesmo.
–Promete que esse semestre as coisas serão melhores? –Perguntou. É, ela tinha medo que as coisas piorassem, não que estivessem ruins, mas Vilu tinha medo que as coisas do nada desabassem sobre nossas cabeças, eu não deixaria isso acontecer
–Não se preocupe. –Segurei em sua mão, colando nossas alianças. –Eu prometo, prometo para você. –Sussurrei, ela sorriu, mas não disse nada, logo nós dois compartilhamos o sono profundo, tendo um ótimo dia de sono...
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