Notas iniciais
Enjoy.

Antes mesmo do dia raiar, Sasuke e Hinata partiram. Não trocaram uma palavra durante todo o trajeto, se tivessem trocado talvez não perdessem tanto tempo, pois ambos corriam a esmo. Os acontecimentos da noite anterior estavam vivos na mente de ambos e não queriam uma aproximação para não tornar aquela viagem mais desagradável ainda do que já estava. Hinata mantinha consigo as duas pistas importantes que encontrara: o garfo de ouro e o macacãozinho infantil, crente que tais objetos a pudessem levar até o seu filho. Percorreram durante muitas horas silenciosas, que se tornaram dias. Quando se deram conta, já havia várias semanas que saíram em busca de Hitachi e não haviam encontrado nada. Sentiram raiva, fome, frio, temor, mas não deram o braço a torcer para se aproximar um do outro e diminuírem a dor de suas misérias com a doçura do sentimento que bem lá no fundo ambos nutriam um pelo outro.

Compartilhar dias em uma caçada solitária com Hinata, mostrou ao Sasuke que ele ainda estava apaixonado pela ex-mulher, e que o sentimento provavelmente não morreria com convívio, secretamente ele pensava que mesmo que se morassem em planetas diferente ele ainda a amaria, mesmo odiando sentir isso. Já Hinata começou a enxergar novos qualidades em Sasuke, como ele era decidido e seguro de si, firme e convicto. Guardava suas crueldades para quando era necessário ou algo o desagradava muito, mas na maior parte do tempo era uma pessoa calada e solitária, do tipo melancólico que despertava nela um intenso desejo de cuidar dele, de ficar perto para ele não se sentir só. Os momentos que passaram juntos fez crescer sua admiração por ele e com isso seu amor se aprofundou, mas ela já tinha sofrido muito para tentar uma reaproximação. Não queria correr o risco de ser rejeitada de novo, não por ele. Se no passado a rejeição do Naruto só a fez ter mais vontade de conquistá-lo, agora se sofresse uma nova rejeição de Sasuke, que ela passara a amar mais que a vida, ela sentia que poderia morrer.

A busca em conjunto acabou se tornando uma busca solitária. Eles compartilhavam o mínimo de contato possível somente para obterem as informações necessárias para prosseguirem. Andaram por vilarejos e vilas ninjas ocultas, buscando pistas, conversando com as pessoas, sempre em direção ao País do Trovão onde ficava a Vila Oculta da Nuvem, onde tinham certeza que poderiam encontrar Hitachi. Vários meses se passaram, depois de enfrentar perigos e privações, até que chegaram na Vila Oculta da Nuvem, que ficava numa região bem escondida e inóspita. Chegar lá foi tão difícil quanto atravessar países e vilas hostis, mas graças ao rastro de sangue que a Kusanagi deixou por onde esteve, eles puderam chegar, pelo menos fisicamente, sãos e salvos.

Ao adentrar os portões da Vila Oculta da Nuvem, Sasuke e Hinata foram submetidos a uma rigorosa entrevista, onde tiveram que dar detalhes de todo o ocorrido e expressar claramente que acreditavam que Hitachi pudesse estar sob os cuidados de alguns dos moradores dali. Precisaram usar o antigo contato de Naruto com Killer Bee como era conhecido o Jinchuuriki do Hachibi, o Bijuu de Oito Caudas. Sasuke tomou o cuidado de ocultar que fora ele mesmo quem aprisionara Killer Bee anos antes na Quarta Grande Guerra Ninja.Os guardas não gostaram muito de Sasuke, mas pela doce presença de Hinata eles permitiram que eles adrentassem na vila e procurassem por Hitachi, só não podiam garantir que todos cooperassem, ainda mais porque envolveria levar de volta uma criança que possivelmente já havia sido registrada como cidadã de Kumogakure no Sato, porém esse seria um problema para resolverem depois, se é que de fato encontrariam o filho deles.

Andaram pelas ruas, estavam exaustos. Sasuke procurou uma hospedagem e após descansarem um pouco, saíram buscando informações pela vila, porém não juntos, cada qual seguiu o seu caminho. Além da informação que possuírem ser muito genérica, eles não tinham noção por quem procuravam, de fato não sabiam nada a respeito do tal casal de comerciantes, nenhum nome ou características físicas, então suas perguntas eram vagas e imprecisas, e as respostas que recebiam eram iguais. Vários dias passaram rapidamente em Kumo e eles estavam prestes a desisitir, quando um dia almoçando em um restaurante, por simples curiosidade, Hinata pediu um prato tipicamente ocidental, ao ser servida, recebeu um talher idêntico ao que encontrara na mata, a única diferença é que ao invés de dourado, esse era prateado. Intrigada, Hinata perguntou onde haviam comprado aquele talher.

― Oras de Seiji-san, claro!

― Seiji-san?

― Sim, o mais importante comerciante da Vila.

Hinata continuou com cara de paisagem, então a mulher afirmou que ela não era de lá, para não conhecer a fama de Seiji-san. Explicou dos artigos luxuosos e exóticos que ele vendia, e como especialmente as mulheres o adoravam pelos belos vestidos e tecidos que ele trazia de outros países.

― Eu realmente não sou daqui – Hinata respondeu – eu sou de Konoha.

― Konoha? Humm.

A mulher a ficou observando por um tempo até que pareceu ter se lembrado de algo importante, então de repente exclamou.

― Ah, Konoha! É claro! Nossa foi tão triste o que aconteceu...

― O que aconteceu?

― O filho deles, coitadinhos. Eles não sabiam que essa vila estava sendo atacada e foram para lá fazer negócios. Foi lastimável a perda deles.

Hinata sentiu o coração disparar. O relato da tal mulher era muito semelhante ao de Sakura. O casal para quem ela dera Hitachi também havia perdido o bebê naquele breve confronto que a vila teve, seria muita coincidência se não fossem eles, ainda mais com as pistas que possuíam.

― Onde posso encontrá-los? – Hinata perguntou desesperada.

A mulher desconfiou do repentino interesse de Hinata, mas vendo que parecia ser uma boa pessoa, acabou dando o endereço. Hinata espantou-se pois ficava na rua principal da vila e já havia ido lá várias vezes, perguntara sobre Hitachi e não recebeu informação nenhuma. “É claro que eles negariam, eles não querem devolver o Hitachi pra gente”, ela pensou já deixando o estabelecimento e indo em busca de Sasuke. Encontrou-o com cara de poucos amigos nos limites da vila, Sasuke havia tentado obter informações com um grupo de chuunins, mas claro que não obteve nada de concreto e por fim acabou brigando com eles, extravasando a raiva que sentia por estar tão longe e ao mesmo tempo tão perto de Hitachi. Hinata ignorou o seu mau humor e relatou o que havia descoberto, ao mostrar o endereço para o ex-marido, sua reação foi muito semelhante à dela mesma.

― Mas nós já estivemos lá várias vezes! Perguntamos e eles disseram não saber de nada! — ele falou.

― É claro que não diriam nada! Eles podem ter achado que viemos atrás do Hitachi e como não querem devolvê-lo, optaram por calar-se.

― Que droga! Deveríamos ter sido cautelosos! Imagine o tanto de pistas que perdemos por ter falado tão abertamente sobre esse assunto. Talvez já tivéssemos encontrado Hitachi antes se não tivéssemos sido tão ingênuos!

― Sasuke, agora o que temos que fazer é agir com esperteza.

Então Hinata narrou seu plano. Não chegaria lá com sua cara e suas roupas pedindo para que eles devolvessem Hitachi. Ambos fariam Henge no Jutsu para mudar a aparência e se aproximariam para obter informações, depois dependendo de como as coisas se desenrolassem, eles se revelariam como os verdadeiros pais de Hitachi, ou poderiam até mesmo...

― Vamos sequestrar ele – Sasuke concluiu.

― Eu não pensei nisso, Sasuke – Hinata declarou.

― Mas eu pensei – ele continuou – se esses imbecis desses comerciantes não nos devolverem ele por bem, será por mal.

― Calma, Sasuke. Não vamos nos precipitar, não podemos por tudo a perder agora que estamos tão perto.

― Calma nada, Hinata! Você não vai me dizer como agir quando se trata do meu filho, a culpa disso tudo foi sua!

― Mas se não fosse por mim, você ainda estaria correndo em círculos no meio do mato! Fui eu quem encontrei o Hitachi!

Sasuke contraiu os músculos do maxilar, o punho fechado pela ira. Hinata tinha razão, ela havia encontrado todas as pistas que levaram a Hitachi, além disso o plano dela parecia bom. Chegar sorrateiramente para obter informações parecia uma atitude mais “ninja” do que chegar quebrando tudo e levar o menino à força e com isso atrair a ira dos moradores de Kumo, se fosse para levar Hitachi embora sem o consentimento dos comerciantes, eles fariam isso na calada da noite, silenciosamente. Eles estavam lá como estrangeiros, ele sabia que estavam sendo vigiados pelos guardas do Raikage. Não era o momento de bobear e atrair a atenção negativamente.

Hinata passou a dar informações muito detalhadas do que fariam e o que falariam para não levantar as suspeitas dos comerciantes. Sasuke ficou calado e terminou de ouvir o plano dela.

****

O forte sol castigava a população de Kumo. Àquela hora da tarde, todos procuravam por uma maneira de se refrescar: banhar-se no rio, um banho gelado, uma cerveja, qualquer coisa refrescante servia para aliviar o calor. Mas a nova sensação da cidade, era que a loja de Seiji-san, além de todos os artigos luxuosos que costumeiramente estavam expostos, havia adquirido uma máquina em um país longínquo onde ao colocar leite, açúçar e frutas, a tal máquina transformava a mistura em um delicioso creme gelado, que além de refrescar imediatamente parecia causar vício, pois as pessoas não se contentavam com somente uma porção, elas queriam duas, três ou quantas o seu dinheiro pudesse pagar, por isso o local estava cheio. Crianças e adultos, ninjas e civis, todos esperavam ansiosos pela sua porção do delicioso creme gelado.

Um casal também se espremia entre as pessoas para pegar a sua porção. Eles vestiam roupas comuns e não aparentavam ser ninjas, apesar do porte atlético do rapaz. Ninguém se preocupava com a presença deles, pois eram absolutamente comuns e muito provavelmente eram civis da vila. Kumo era uma vila grande, então não dava pra esperar que todo mundo conhecesse todo mundo. Cientes da sua anonimidade, o casal portava-se normalmente, aguardando na fila até a sua vez.

Quando finalmente foram atendidos, o rapaz pediu dois de cereja. A mulher que atendia prontamente começou a preparar a mistura e aguardou o máquina fazer o seu trabalho, enquanto isso observou o casal e logicamente, não pôde deixar de ouvir a conversa deles, já que falavam bem diante de si.

― O pequeno Sasuke adoraria isso, não é querida? – o jovem perguntou.

― Sim, mas não vamos falar dele agora, senão vou começar a chorar – a moça respondeu.

― Você precisa superar isso, já faz bastante tempo.

― Eu tentei mas... sem conseguir engravidar de novo está difícil.

Nesse momento, a mulher penalizou-se com o relato deles.

― Escuta – ela começou cautelosa – é do filho de vocês que estão falando?
_ Sim – a jovem respondeu – infelizmente ele morreu apenas alguns meses após nascer e eu não consigo superar.

― Eu tive sorte – a mulher continuou – aconteceu algo semelhante comigo, mas consegui adotar uma criança linda, que está sendo a alegria da minha vida.

O casal olhou-a com genuíno interesse, como se a incentivasse a falar mais. Então a mulher relatou tudo o que havia acontecido com ela e o marido ao tentar fazer negócios em outra vila. Por azar esta estava sendo atacada e eles foram atingidos, o bebê e alguns empregados morreram então ao irem ao hospital da vila, uma das médicas sugeriu que eles adotassem um bebê que havia ficado orfão por causa daquele conflito. Eles não pensaram duas vezes e saíram de lá com um bebê lindo e saudável. Claro que doía muito o fato de terem perdido o verdadeiro filho, mas a criança era tão adorável que eles enxergavam tudo o que aconteceu como uma providência divina para colocar aquele bebê no caminho deles.

― Em que vila isso aconteceu? – o jovem perguntou.

― Em Konoha – a mulher respondeu enquanto retirava o creme pronto e o colocava em duas tigelas pequenas.

― E o seu filho adotivo, como ele está?

― Ele está ótimo! Saudável, lindo e feliz.

― As pessoas não questionaram o que aconteceu com o seu filho verdadeiro?

― Sim e eu não ocultei de ninguém, mas o menino é parecido com nosso filho. Branquinho, cabelos negros e espetados, ele pode ser criado por nós sem problemas, mas acho que não vou ocultar a verdade dele quando chegar a hora. Se bem outro dia apareceram uns ninjas de Konoha perguntando sobre uma criança desaparecida. Fiquei com medo de que eles levassem meu filho embora e acabei não falando nada.

― Entendo – ele respondeu pegando a sobremesa e pagando em seguida. – Boa sorte para você e sua família.

― Ah, obrigada! E sinto muito pelo filho de vocês, espero que possam ter outro novamente.

Eles sorriram em agradecimento e saíram em silêncio enquanto experimentavam o tal creme, que mesmo doce, desceu com um sabor amargo pela garganta de ambos.

****

Sasuke entrou sorrateira e silenciosamente no quarto. A janela entreaberta dava passagem ao ar fresco da noite. Hinata entrou atrás dele, ambos observaram a riqueza e o cuidado dos objetos do quarto, deixando claro que aquela família amava Hitachi e estavam se esforçando ao máximo para dar um lar de verdade à ele, coisa que nenhum dos dois foi plenamente capaz de fazer. No centro do cômodo, um berço ricamente ornamentado, decorado com bichinhos e motivos infantis, os tons de azul claro e escuro, o perfeito ninho para um bebê descansar tranquilamente. Aproximaram meio cautelosos, postando-se cada um de um lado do berço. O coração de ambos batia apressado e meio descompassado, poder recuperar Hitachi depois de tanto tempo era quase como um sonho. Sasuke até pensou que poderia permitir que Hinata visse o menino, já que ela ajudara muito a recuperá-lo. Hinata, por sua vez, acalentava o desejo de todos serem uma família novamente.

Mas todos esses sonhos e desejos secretos foram suavemente despedaçados ao olharem com mais calma o rosto da criança que dormia serenamente, completamente alheia de tudo o que se passava ao seu redor. Eles se entreolharam confusos, o bebê era exatamente como a descrição da esposa de Seiji-san, mas não era Hitachi. Sasuke se debruçou sob o berço e afastando um pouco o lençol que o cobria, para ver melhor. Nenhum traço correspondia ao de Hitachi, o seu filho que era uma cópia dele. Já aquele bebê dormindo não era nada parecido. Enquanto Sasuke insistia na identificação visual, Hinata passou a ler o chakra da criança.

― Não é ele, Sasuke. – ela sentenciou – esse bebê não tem traços do meu ou do seu chakra.

― Não é possível... – a voz dele saiu meio estrangulada.

Sasuke não queria acreditar que o bebê dormindo tão calmamente não fosse o seu filho. Ativou o Sharingou, o analisou de novo, liberou um possível genjutsu.

― Sasuke, vamos sair daqui! – Hinata insistiu, percebendo que a qualquer momento o ex-marido começaria a chamar atenção com seu chakra alterado. – Não é ele!

Com dificuldade, ela o puxou para fora do quarto. Sasuke praguejou, chutou e xingou. Só não chorou porque o seu orgulho não permitia. Hinata praticamente arrastou Sasuke para longe da casa. Ele estava muito alterado com aquela descoberta, respirava com dificuldade e puxava o ar em longos suspiros, como se tivesse acabado de correr uma maratona, o peito subia e descia rapidamente. Sasuke tinha um excelente preparo físico, aqueles sintomas não eram de cansaço pela curta corrida que deu até se afastar da casa dos comerciantes, mas sim pelo extremo choque emocional que sofrera. Hinata preocupada, tentava acalmá-lo, não esperava doçura da parte dele, mas a reação de Sasuke a assustou.

― SOME DA MINHA FRENTE!!! – ele berrou e a ela coube somente sumir mesmo.

Notas finais
Hitachi não está em Kumo. Sei que muitos de vocês já suspeitam onde ele realmente está, mas mesmo assim peço a gentileza de aguardarem os próximos pois não vou demorar a revelar. Vocês vão morrer do coração se eu disser que mesmo depois dessa reação do Sasuke, no próximo cap. terá hentai? Kissu!