Tsurai - continuação de Ano Baka
19 Irresponsabilidade
Notas iniciais
No dia seguinte, Rock Lee apareceu com a cara amassada, mas um sorriso radiante estampado. Neji surgiu logo em seguida e ele parecia o mesmo apático de sempre, se não fosse por um quase indefectível ar de preocupação.
― A Tenten, amigo? – Lee perguntou com um sorriso debochado.
― Cala a boca, Lee – Neji retrucou mal humorado. De bobo o amigo só tinha a cara.
Tenten surgiu depois de alguns minutos, ela mal falou com os colegas de equipe, estava envergonhada demais para olhar para Neji e Rock parecia saber de tudo, mais um motivo para constrangê-la. Tomaram um rápido café e após pagar a estadia saíram. O resto da viagem correu sem maiores problemas, Tenten evitou Neji o máximo que pôde. Ela sabia que aquilo tinha sido um deslize da parte dele, Neji havia se casado com a musa da sua vida, então aquela noite não significava nada para ele, ela fora somente um passatempo.
Neji somente lutava para esquecer, mas ele não conseguia. Tenten era exatamente tudo que ele sonhou que Hinata seria, quente, passional, apaixonada, única. Enquanto a esposa o desprezava, ele estava agora diante de uma mulher que poderia dar a ele tudo o que ele queria, mas era impossível e irremediável. Um casamento entre Hyuugas só acaba quando um dos cônjuges morre, por isso o alto indíce de traições, mas num clã onde todos tem visão quase 360° os escândalos eram sempre muito bem encobertos, ou do contrário o símbolo deles estaria frequentemente manchado de sangue. Neji não queria nem pensar que isso vazasse, se mantivesse as coisas no escuro poderia ter Tenten quando quisesse.
Chegaram em Konoha no final daquela semana. Enquanto Neji esteve fora, Sasuke cumpriu sua promessa de visitar Hinata todas as tardes, eles passavam a tarde trancados no quarto somente transando de todas as posições que o corpo roliço de Hinata permitia. Sasuke sempre partia ao cair da noite depois de passar um tempo com Hitachi. Por ele, ele ficava ali abertamente, jantaria com o seu filho e passaria a noite com ela, mas Hinata não queria de maneira alguma que Hitachi soubesse o que se passava ali. Depois seria ela quem deveria responder às insistentes perguntas dele, e ela não teria criatividade para isso.
Cada vez que Sasuke partia, ele levava consigo um pedaço do coração dela, Hinata chorava muito, pois no final ela havia estava fazendo tudo o que ele queria, sendo sua amante, da maneira mais suja e errada. Mas com o retorno de Neji ela colocaria um fim naquilo, nunca mais se deitaria com o seu ex-marido, nunca mais trairia seu esposo.
Mas Neji voltou e Sasuke continuou indo vê-la. Diferente de antes, Neji passou a sair algumas noites na semana, ele alegava ir discutir assuntos de alta importância com os anciãos do clã, mas na verdade ele ia se encontrar com Tenten. Depois do gelo quebrado e ficando claro que Neji queria muito mais do que apenas uma noite com ela, Tenten passou a recebê-lo sempre que ele queria, e com a rejeição de Hinata, ele passou a querê-la cada vez mais. Sasuke não queria perder tempo indo ver onde o seu rival estava, se fizesse isso descobriria que assim como Hinata, Neji também estava pulando a cerca e isso daria abertura para vários questionamentos que o Uchiha faria. Mas Sasuke não queria perder tempo indo atrás de um macho, sendo que tinha uma fêmea muito receptiva aguardando por ele.
Mal Neji saia, Sasuke chegava. Hinata se sentia péssima com isso, mas só de pensar nos beijos que ele daria ou nas mãos dele no seu corpo, ela esquecia que estava adulterando com o seu ex-marido e se entregava. E assim as coisas continuaram, Neji com Tenten e Hinata com Sasuke. Quando estavam longes dos respectivos amantes, Neji e Hinata eram os melhores marido e mulher do mundo, afinal ambos estavam tão apaixonados pelos seus amantes que não viam motivo para brigar ou se irritar com mais ninguém. Mas os finais de semana custavam a passar, Neji obrigatoriamente tinha que ficar com Hinata e a família dela, Hiashi era muito rigoroso com isso, ele queria ver de perto que seus sucessores finalmente poderiam liderar o clã com justiça. Tenten aflita de um lado, Sasuke nervoso do outro e longe deles Neji e Hinata brincando de casinha, fingindo uma felicidade que não existia.
Até que Hanabi na sua inocência juvenil, resolveu salvar o grupo. Inventou um passeio para ela, a mãe e Hitachi que duraria um final de semana inteiro. Se já era angustiante passar o final de semana na casa principal junto com todos, só com Hiashi era uma verdadeira tortura, aquele velho era muito chato, sempre falando sobre política, honra, deveres, a supremacia do clã e outras coisas que para Hinata não significavam nada. Mas estar grávida tinha as suas vantagens. Hinata inventou uma indisposição e disse que precisava voltar para casa, Neji a agradeceu mentalmente e acompanhou-a. Seria um excelente álibi para ir ver Tenten, então ele perguntou a Hinata se ela não se importaria que ele passasse a tarde treinando. Hinata respondeu que não, no seu íntimo ela também gostaria que ele saísse para que ela pudesse passar algum tempo com Sasuke. Neji saiu e Sasuke entrou no quarto em seguida.
― Que cruel seu maridinho... saindo assim e deixando a esposa grávida sozinha – ele disse ironicamente.
― Some daqui, Sasuke – embora o que ela queria dizer era “Vem aqui meu amor”.
Sasuke ignorou a grosseria dela. Os dias em que Hinata estava brava eram os dias em que ela estava mais quente.
― Cadê o Hitachi?
― Foi em um passeio com Hanabi.
― E ninguém pediu a minha permissão?
― A mãe e o tutor legal dele permitiram. – ela respondeu seca.
Sasuke resmungou. Depois do casamento, Neji tornou-se legalmente o tutor de Hitachi. Hiashi queria que ele o adotasse e o que o nome Uchiha fosse apagado da certidão do menino, mas ele ainda seria Uchiha-Hyuuga Hitachi, pois Sasuke reconhecia a paternidade e nenhuma lei poderia retirar isso dele. Depois de muita discussão os advogados chegaram a conclusão que o melhor seria que Neji se tornasse tutor legal de Hitachi, Hiashi reclamou, mas com Sasuke vivo e sendo o pai biológico do menino e querendo ter direito de ser o pai verdadeiro dele, não teve jeito. Hiashi precisou abaixar a cabeça diante da lei que era maior do que seus caprichos.
― Vamos aproveitar o dia só nós dois então?
― Não, eu não estou me sentindo muito bem.
― Isso foi o que você contou para aquela múmia do seu pai, mas pra mim você pode falar a verdade.
― Eu não quero, Sasuke. – Hinata se encolheu na cama.
Sasuke a pegou no colo e saiu com ela pela janela. Correu por entre as árvores, tomando cuidado para não machucá-la. Hinata permaneceu quieta, no fundo ela estava adorando ter sido “sequestrada” por ele. Sasuke correu com ela no colo por cerca de 30 minutos, então parou. O local era ermo e tranquilo, somente o som da mata e das águas de uma cachoeira poderiam ser ouvidos. Sasuke a pousou na grama com delicadeza. Andaram por alguns minutos e chegaram em uma cachoeira. Hinata conhecia muito bem aquele lugar, ali fora um local de treino para ela, ao mesmo tempo em que era um local que iria para pensar na sua vida.
― Eu costumava vir aqui antes. – ela disse com o olhar perdido.
― Eu sei.
― Como sabe?
― Eu também vinha aqui, mas sempre que eu chegava você ia embora, naquela época eu achava que você me odiava.
― E agora você pode ter certeza. – Hinata respondeu amarga.
Sasuke deu aquele sorriso de canto, charmoso e safado. Hinata poderia mentir sobre diversas coisas, mas não sobre o que sentia por ele.
― Que tal um mergulho? – ele disse enquanto tirava o quimono.
Hinata observou o corpo nú dele, másculo e forte. Ficou com raiva por ele ser tão bonito, se pelo menos tivesse algo feio em Uchiha Sasuke, mas ele era perfeito, lindo, irritantemente lindo. O rapaz mergulhou e ficou nadando tranquilamente.
― Vem Hina, a água está gostosa – ele convidou.
Estava um calor terrível e Hinata estava entrando no quinto mês de gravidez. Na sua casa ela sempre tomava banhos frios, para suavizar o inchaço e refrescar-se. A barriga ainda não estava tão grande, ela possivelmente teria alguma mobilidade. Timidamente tirou as roupas, mas manteve a roupa de baixo. Entrou na água com cuidado, colocou um pé sentiu imediatamente a sensação refrescante, colocou o outro e entrou. Nadou um pouco para o lado oposto ao de Sasuke, ele alcançou-a sem nenhuma dificuldade, agarrou-a pela cintura.
― Me solta.
― Porque você é tão chata comigo?
― Porque será?
Ele a beijou com carinho e conduziu as mãos dela em volta do seu pescoço. Hinata abraçou-o com força, os beijos quentes e ansiosos de ambos, os dois corações batiam desesperadamente. Sasuke livrou-a da peça íntima e afastando uma das pernas encaixou-se entre ela e começou a penetrá-la. Amaram-se na água da cachoeira, o som da queda d’água abafava os gemidos intensos de Hinata, quando terminaram ficaram abraçados um ao outro beijando-se com carinho. A criancinha no ventre de Hinata agitava-se. Sasuke pousou uma das mãos sobre ela e sentiu um chute.
― Ou esse bebê me ama ou ele me odeia, toda vez que eu estou com você ele fica agitado assim.
“É porque ele é seu, seu idiota!”, ela pensou mas disse:
― Verdade? Não percebi – ela mentiu descaradamente.
― Como não? Olha os chutes que ele está dando!
― Ele provavelmente quer chutar-lhe a cara por tratar a mãe dele assim.
― Molequinho danado... esse vai ser o seu primeiro e último filho com o Neji, entendeu?
― Por que está falando isso?
― Porque os próximos serão meus.
Hinata não disse nada, se Sasuke soubesse que aquele filho era dele, que ela nunca havia estado com o seu primo, será que ele a aceitaria como esposa? Ela desvencilhou-se dele e nadou até a margem, ela tentou esconder as lágrimas molhando o rosto, mas Sasuke conhecia todos os seus detalhes, o vermelhinho do seu nariz indicava que ela estava chorando. Ele se aproximou por trás e pousou a cabeça na curva do seu pescoço, enquanto apoiava as mãos na sua cintura.
― Por que isso agora?
― Isso o quê?
― Essas lágrimas.
―Não estou chorando.
― Está sim.
Hinata virou-se para ele. Será que ele não entendia que ela estava morrendo por dentro? Será que ele ainda não havia percebido que ela não queria um amor clandestino como aquele? Hinata o agarrou e o beijou com força enquanto o apertava o mais que podia em seus braços. Sasuke retribuiu o beijo com a mesma intensidade. Ao separarem-se para recuperar o fôlego, ele pousou a testa na dela e ali ficaram.
― Por que você não pode ser meu?
Sasuke queria responder que ele era dela, mais do que todas as pessoas, Hinata era a única que poderia um dia dizer ser possuidora dele. Mas se qualquer palavra nesse sentido fosse reacender a discussão ele não falaria nada. Não queria ter que dizer que não seriam mais marido e mulher, somente amantes. Hinata procurou a resposta nos olhos dele mas ela não veio.
― Eu te amo tanto, Sasuke... tanto, tanto.
Ele permaneceu em silêncio. Queria dizer que a amava mas ele não acreditava que seus sentimentos fossem tão intensos assim se esperava um filho de outro. Na sua mente, se Hinata o amasse tanto quanto dizia, ela teria se recusado a se deitar com Neji e deixar que ele fizesse um filho nela. Sasuke não queria correr o risco de ser pisado de novo, ela provavelmente estava sentimental devido à gravidez, assim que aquela criança nascesse ele seria chutado para longe da vida dela e do Hitachi. Hinata se dedicaria somente ao seu novo filho e marido e a ele não restaria nada.
― Hina... vamos curtir esse momento.
― Curtir Sasuke? Curtir? Eu não posso mais fazer isso! Eu não quero mais ser a sua amante, eu não aceito mais essa sujeira!
― Não é sujo...
― Por que não?
“Porque eu também te amo...” essa frase não foi dita. Ficaram se olhando mas Hinata não obteve a resposta que queria e Sasuke não foi homem o suficiente para dá-la. Ela saiu de dentro da água e vestiu as roupas. Sasuke imitou o seu gesto, o sol estava abaixando e logo ficaria frio, já tinha sido uma aventura muito grande tirar uma moça grávida do conforto da sua casa para libertinamente transarem na cachoeira. A última coisa que ele queria era que ela adoecesse ou passasse mal.
― Vamos voltar, Hina.
― Eu volto sozinha...
― Deixa disso. Eu te trouxe, eu te levo.
Ele a pegou no colo com delicadeza e refez o percurso entre as árvores. Sasuke percebeu que durante todo o caminho de volta Hinata chorou em silêncio. Ele não queria que ela sofresse, mas também não queria sofrer, por enquanto as coisas ficariam assim e ele não mudaria. Quando chegaram a casa estava em silêncio, ele não poderia se demorar pois logo Neji chegaria. Entrou pela janela do quarto e colocou-a na cama. Ao olhar o rosto dela, sentiu o coração se apertar, Hinata havia chorado muito, estava com os olhos inchados e a face avermelhada.
― Você está bem? Quer que eu faça algo por você?
― Quero.
― Pode pedir Hina, eu faço tudo o que você quiser. – ele respondeu beijando suas mãos.
― Nunca mais volte aqui.
― Tudo menos isso.
― Essa é a única coisa que eu quero de você, Sasuke. Suma da minha vida e me deixe em paz. Você pode ver o Hitachi quando quiser, mas não a mim.
― Eu não quero isso, Hina.
― Você não tem que querer ou deixar de querer, vai ser assim.
Sasuke ficou observando o rosto bem desenhado da sua ex e ficou pensando se aquilo não era um joguinho para que ele cedesse e casasse de novo com ela.
― Hinata, se você estiver dizendo isso para me forçar a qualquer coisa...
― Sim, é para te forçar a entender que eu estou colocando um ponto final nessa palhaçada! O Neji tem sido um esposo maravilhoso, ele não merece isso o que estou fazendo.
― Ele merecendo ou não, nós vamos continuar. – Sasuke respondeu com raiva – Você vai ser minha sempre que eu quiser, enquanto eu quiser!
A palavra “enquanto” trouxe uma série de pensamentos à Hinata. Enquanto ele quisesse, isso significava que uma hora ou outra ele poderia não querer mais, só de pensar que um dia seria chutada por ele após ele se cansar dela, causou uma dor no peito tão intensa que essa dor se irradiou para todo o corpo, principalmente o ventre. Hinata se encolheu na cama quando sentiu uma pontada aguda no útero e soltou um gemido fraco.
― Hina, hina! Você está bem?
― Saia daqui! – ela gritou com os olhos cheios de lágrimas.
Sasuke fez menção de se levantar, então viu uma grande mancha de sangue na cama.
― Hinata, você está sangrando, vou levá-la ao médico – ele disse preocupado. – eu não quero que você perca o bebê.
― O que te importa se eu perder ele? Ele não é seu!
― Mas você me disse que esse filho era do Sasuke. – Neji disse friamente da porta recém aberta.
― NEJI! – Hinata gritou desesperada. Atrás dele, uma moça que ela conhecia muito bem. – Tenten? – ela perguntou aflita.
Sasuke ainda estava tentando processar a frase de Neji, o filho era dele?
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