Notas iniciais
"Faça-me acreditar que estamos juntos, que estou amparada em seu coração. Mas por dentro e por fora, eu me tornei em água, como uma lágrima na palma da sua mão" Per Gessle

Sasuke abriu os olhos com dificuldade, ele sentia-se confuso e não tinha certeza de onde estava. A cabeça e o corpo estavam doloridos, ele sentia-se enjoado. Havia alguém olhando diretamente para ele, mas ele não conseguia identificar o rosto da pessoa, a visão desacostumada da claridade o impedia. Aos poucos os olhos foram se acostumando e ele conseguiu identificar quem o olhava de maneira terna com aqueles olhos peculiares.

― Hinata...

― Está tudo bem, Sasuke – ela disse com a voz suave enquanto pousava a mão sobre a dele – você esteve dormindo por vários dias, estava muito machucado, mas agora já está melhor. O médico vai liberá-lo em poucos dias.

Ele retirou a mão sob a dela com brusquidão e com dificuldade sentou-se na cama e apoiou as costas na cabeceira. Hinata o ajudou na tarefa. Sasuke ficou observando a maneira solícita que ela o tratava. Não se lembrava exatamente como foi parar no hospital, mas é claro que se lembrava da Hinata e de tudo o que havia acontecido entre eles. Toda a rejeição durante o casamento, o filho maltratado que agora estava perdido no mundo, tudo era culpa dela e não era devido a falsa declaração de amor que ela lhe fizera que ele iria permitir que ela ficasse por perto, causando mais problemas e tirando a paz dele.

Ele não sabia ao certo quanto tempo havia se passado desde a última vez que a viu, mas ela parecia mais linda do que nunca, aquele jeito tímido e doce, aquele corpo carnudo que colocava ele em alerta. Mas não, Sasuke não estava disposto a ceder aos seus encantos, sabia que assim que cedesse ela pisaria nele e o destruiria como fez da última vez. Como ele sabia que não podia contra ela, e que se ela permanecesse muito tempo diante dos seus olhos, logo ele estaria aos seus pés implorando um por um beijo, Sasuke optou por repeli-la.

― Saia daqui.

― Sasuke...

― Saia daqui, Hinata. Eu posso ter ficado inconsciente mas não me esqueci do que você fez. – seu tom de voz era baixo mas agressivo.

― Sasuke eu... eu me arrependi, lembra do que conversamos?

― Eu lembro. Lembro de ter sido claro quando falei que não te queria mais, você se lembra dessa parte? – ele falou ironicamente.

Hinata calou-se. Quando o médico disse que o golpe na cabeça provavelmente faria ele se esquecer de algumas coisas, ela inconscientemente rezou para que ele se esquecesse da parte em que a havia rejeitado. Mas aparentemente disso ele se lembrava, assim como de todo o resto. Tentar mentir para mantê-lo por perto não ajudaria em nada. Não que ela quisesse mentir para ele, mas a paixão a estava deixando cega, estava a ponto de tentar qualquer coisa para ter o amor dele devolta, mas só por esse primeiro diálogo ela percebeu que talvez não houvesse salvação para a relação dos dois.

― Eu me lembro... desculpa por incomoda-lo com isso – ela respondeu baixando os olhos, era difícil sustentar o olhar de um homem como ele.

Sasuke achou que ela fosse insistir, assim ele poderia humilhá-la mais um pouco, mas Hinata optou por guardar seus sentimentos para si mesma e ele desapontou-se. Com ela em silêncio ele não tinha como saber se ela ainda o queria. A pior parte de amar uma pessoa e não ser correspondido é que você sempre fica na expectativa de que essa pessoa passe a te amar também, mesmo quando esse sentimento te destrói. Sasuke observou Hinata se levantar e ir até a porta.

― Hinata – ele chamou e ela virou-se para olhá-lo –meu advogado vai procurá-la ainda nessa semana. Eu quero o divórcio.

― Sasuke...

― O que achou? Que eu fosse continuar casado com você?

― Bem eu... sinceramente eu não pensei nisso.

― Mas eu pensei e está decidido, ele vai levar os documentos para você assinar e espero que você não me cause problemas com isso também. – a voz saiu mais agressiva do que esperava.

Sasuke pensou ter visto o brilho de uma lágrima naqueles olhos perolados antes de ela sair fechando a porta atrás de si.

***

Como prometido, Sasuke enviou um advogado até Hinata. Ele já havia recebido alta no hospital, mas não queria contato algum com ela. Hinata não leu os documentos, somente assinou sem mais perguntas. O advogado ficou intrigado, ou a garota era mesmo tudo o que o seu cliente havia dito que ela era ou ela simplesmente queria se livrar daquilo tão rápido quanto ele. De qualquer forma, foi fácil, simples e ela não questionou as cláusulas abusivas que Sasuke havia insistido para incluir, como por exemplo ela não teria direito a nada do que pertencia a ele. Hinata estava pouco se lixando para os bens materiais de Sasuke, ela só queria a ele e claro, mais do que tudo, queria encontrar Hitachi.

No período em que Sasuke esteve desacordado, Hinata aproveitou para buscar informações sobre a possível localização de Hitachi. Claro que não encontrou nada palpável, mas ainda se lembrava das palavras de Sakura, de que ela havia dado o menino a um casal de comerciantes e que esses provavelmente iriam para a Vila Oculta da Nuvem. Com o tempo que havia passado desde que eles partiram, seria mais dificultoso encontrar Hitachi, mas como uma Hyuuga, ela sabia que todos deixam pistas que poderiam ser seguidas. Se ninjas fazem isso, civis com certeza teriam deixado mais pistas que ela não teria problemas em seguir. Desconfiava que assim que recuperasse Hitachi, teria que travar uma guerra contra Sasuke pela guarda dele, ainda mais agora que estavam oficialmente divorciados. Mas isso não a impediria de ir em busca do seu filho, ela errara como esposa e como mãe, mas estava disposta a reparar seus erros, se ela não era mais esposa de Sasuke, pelo menos mãe do Hitachi ela seria. Arrumou suas coisas e partiu em silêncio na madrugada.

***

Hinata já estava bem longe dos arredores de Konoha, o dia já havia clareado e os sons característicos da mata acordando, aos poucos preenchiam o local. Ela corria macia e silenciosamente sobre as árvores, causando o mínimo movimento nos galhos. O Byakugan ativado dava-lhe a visão quase 360° do ambiente numa distância de vários quilômetros a frente e atrás. Tentar localizar pistas pelo chakra de Hitachi já não era possível, se ele realmente havia passado por ali, não havia mais evidências da sua presença. Além disso, como um bebê ele ainda não tinha controle algum sobre o próprio chakra, qualquer oscilação no seu humor poderia aumentar ou diminuir a intensidade do chakra, e ao contrário do que poderiam imaginar, isso mais atrapalhava do que ajudava, pois os bichinhos da mata se comportam de maneira semelhante. Hinata acabaria seguindo mil pistas e nenhuma delas seria do Hitachi. O melhor era tentar verificação visual, comerciantes sempre deixam rastros por onde passam, estava difícil encontrar algum, mas ela não desistiria facilmente.

Depois de algumas horas, percebeu que estava sendo seguida. O chakra do perseguidor não estava focalizado nela, mas há muito tempo ele estava seguindo a mesma rota que a sua. Hinata achou estranho, pois em situações de perseguição é comum a pessoa ocultar o chackra. Resolveu averiguar para não ter problemas adiante. Parou no alto de uma árvore e aguardou em silêncio. Subitamente o perseguidor parou também e ela não conseguiu mais sentir o chakra dele, provavelmente ele havia ocultado. Hinata ficou alerta, pegou uma kunai e aguardou observando. De repente, sentiu-se ser lançada do alto da árvore diretamente ao chão. O tal perseguidor foi rápido e sutil o suficiente para não permitir que ela percebesse sua aproximação.

O joelho dele sobre suas costas a imobilizavam, uma das mãos fortes e grandes o suficiente para segurar ambas as mãos dela no alto da sua cabeça, enquanto a lâmina afiada da kunai era pressionada contra o seu pescoço. Hinata queria vê-lo e mostrar que era ela, porque a inconfundível presença dele já revelara a sua identidade.

― Sasuke, sou eu! – ela gritou preocupada que a revelação da sua identidade fosse um incentivo para matá-la.

Sasuke saiu de cima dela e a soltou, sem a ferir.

― O que está fazendo aqui? – ele perguntou agressivamente.

― Eu que te pergunto, o que faz aqui me atacando do nada? – ela se defendeu também.

― Eu vou buscar o Hitachi, então senti um chackra a minha frente, precisava averiguar quem se tratava.

― Você vai buscá-lo? Sabe onde ele está?

Sasuke não queria compartilhar informações com a ex, mas não poderia mentir.

― Não sei, mas vou descobrir... e você? Está em alguma missão? – ele tentou não parecer curioso como estava.

― Sim, mas não é oficial. Eu vou em busca dele também.

― Não vai não. Essa tarefa é minha.

― Eu vou sim, Sasuke. O Hitachi é meu filho e tenho todo direito de ir em busca dele.

Em uma fração de segundos, Sasuke tinha a kunai novamente pressionando o pescoço dela.

― Você não vai ficar no meu caminho. – ele disse numa voz que revelava sua intenção de machucá-la.

― Me solta! – ela tentou o empurrar para longe, mas em vão.

― Eu estou falando sério, Hinata. Já estamos bem longe de Konoha, posso matá-la aqui mesmo e ninguém vai saber.

― Pode me matar, Sasuke, mas vai perder a chance de ter a ajuda de uma excelente ninja rastreadora.

― Foda-se. Não preciso de você para achar o meu filho!

― Já eu acho que ganharíamos mais se trabalhássemos em conjunto. – ela tentou negociar.

― Eu não me importo com o que você acha, suma daqui antes que eu te mate! – ele pressionou a kunai mais ainda.

― Sasuke, me ouve pelo menos. Eu não duvido que você possa encontrar o Hitachi sozinho, mas o meu Byakugan vai facilitar essa tarefa.

Sasuke ponderou. Por mais inútil que ela tenha sido como mãe, ele não poderia negar que ela era uma das melhores ninjas rastreadoras que se tinha notícia. Realmente o Byakugan poderia ajudá-lo. Lentamente afrouxou a pressão sobre a garganta dela, observando como o local ficara avermelhado com tanta facilidade.

― Está bem. – ele disse por fim – mas o mínimo erro ou aborrecimento que você me causar e eu te mato.

― Fica tranquilo, vou ficar longe do seu caminho – ela respondeu sem se abalar – qual é o seu plano?

Sasuke não queria ter que falar que não tinha nenhum, ele simplesmente saiu a esmo, sem analisar muito bem o que deveria ser feito para achar o filho. Hinata percebeu, mas não queria expô-lo e aumentar sua ira.

― Veja – ela começou – eu estava pensando em tomar a direção da Vila Oculta da Nuvem que fica no País do Trovão, é para lá que Sakura disse que os comerciantes foram. Mesmo tendo se passado bastante tempo e eles já não devem estar por lá, é provável que eles tenham feito negócios nas vilas que ficam pelo caminho, podemos tentar encontrar pistas nessas vilas.

Era um bom começo, mas Sasuke não admitiria. Somente resmungou alguma coisa incompreensível e saiu correndo adiante. Hinata o seguiu de perto e logo estava à sua frente. Ele poderia liderar a expedição, mas ela como rastreadora obrigatoriamente teria que ir adiante se quisessem que a busca gerasse algum resultado. Ter a visão constante da sua ex logo à sua frente, deixou Sasuke irritado. Por mais que ela fosse uma excelente ninja e pudesse ajudar, não havia como fugir do fato de que ela seria uma distração, ao mesmo tempo que era desagradável. Suavizava poder olhar aqueles longos cabelos ondulando ao vento enquanto ela corria, ao mesmo tempo que traziam seu perfume até ele. Sasuke diminiu um pouco o passo a fim de ficar mais distante dela, de modo que o seu perfume não o deixasse tonto e perdesse de vez a concentração. Isso tudo só contribuiu para deixar o Uchiha irado, mesmo depois de tudo, sua ex-mulher ainda o tinha na palma da mão. Ele queria desesperadamente apagar o que sentia, mas com ela ali à sua frente ele não conseguiria esquecer.

― Eu vou matá-la. Assim que eu encontrar o Hitachi, vou matá-la. – ele dizia entredentes – só assim para acabar com o que sinto.

Hinata por sua vez estava focada em encontrar pistas dos comerciantes e do Hitachi. Para ela seria difícil conviver com ele, sabendo que ele não a amava mais, mas o foco era o filho de ambos. Eles teriam que ser maduros o suficiente para conseguir ir adiante com aquela missão, eles eram os únicos interessados em recuperar o próprio filho, então ou trabalhariam em conjunto ou não conseguiriam nada. Embora distante, ela podia sentir o chakra dele irritadiço. Sasuke era um ninja de altíssimo nível, para ele deixar seus sentimentos transparecerem através do seu chakra é que as coisas não estavam fáceis para ele também. Hinata resolveu ignorar a perturbação que isso lhe causava e continuou com sua busca.

O dia findava e eles já estavam bem longe de Konoha, longe o suficiente para não poder desistir. Agora só poderiam ir para frente. Não havia nenhum vilarejo por perto, mas eles precisariam descansar um pouco. Assim que escureceu, Sasuke alcançou Hinata e ordenou que ela parasse.

― Existe um lago próximo daqui. Vamos fazer uma pausa de algumas horas antes de continuar.

Hinata assentiu e o seguiu. Sasuke encontrou o lago com facilidade. Uma pedra grande com uma abertura serviria de abrigo para ele, nada foi mencionado quanto ao abrigo de Hinata. Ela se resignou a procurar um para si própria, não muito longe do dele. Achou uma pequena caverna onde ela caberia se deitasse encolhida. Comeu as provisões do dia e tentou pegar no sono, segurando a kunai na mão direita para qualquer ocorrência.

Lá do seu abrigo, Sasuke observou Hinata se escondendo como um bichinho no primeiro buraco que encontrou. Ele sentiu um aperto no peito ao ver como ela coube no espaço apertado e ocultou a entrada com alguns galhos de árvores. Quando viveram juntos, Hinata parecia tão vaidosa e preocupada com o próprio bem estar, mas agora ela não se queixou de não ter um lugar decente para dormir, de não poder comer uma refeição completa ou banhar-se. Por falar em banho, Sasuke agradeceu que ela não tivesse inventado de tomar um, assim ele não teria que lutar contra a vontade de ir espiá-la, “Eu sou tão idiota, mesmo depois de tudo eu ainda a...” – ... desejo era a palavra que ele censurou a si mesmo. Naquela noite ele não dormiu, como sempre, nunca dormia em missões, mas dessa vez passou a noite entretido com outra coisa. Ficou calado e quieto tentando pensar em como não pensar na Hinata durante o resto daquela missão.

Notas finais
Fãs de SasuHina manifestem-se. Kissu! PS: Capa escolhida pela linda da Carol Costa! PS2: Não consegui avisar a ninguém que acompanhava porque o sistema bloqueou o envio das MPs e eu não quero a minha conta bloqueada, entendem né? Link para a FIC Ano Baka que é anterior a essa http://fanfiction.com.br/historia/359502/Ano_Baka_Aquele_Idiota_NaruSaku_-_SasuHina/