Notas iniciais
Yooo Mina-san! Vocês não podem imaginar a felicidade dessa pobre ficwriter ao ver que a lindíssima Hinataa recomendou a FIC! Fofa, você me fez muito feliz com suas palavras doces e encorajadoras, com certeza me sinto muito recompensada por uma pessoa tão linda estar curtindo meu trabalho, então o mínimo que posso fazer é dedicar esse cap. à você! Enjoy! PS: Esse cap. também é dedicado à linda Carol Costa que faz aniversário hoje. Parabéns, Carol! Muitas felicidades!!!

Hinata não conseguiu dar uma resposta decente para Neji, e quanto mais o tempo passava, mais constrangedora a situação ficava. O garoto já estava mais rubro do que alguma vez tenha ficado na sua vida, e ela para ajudar olhava-o com os olhos arregalados e a boca aberta.

― Hinata... nós precisamos partir o mais breve possível – ele tentou mudar de assunto.

― Mas Neji nii-san... casar? Eu e você?

― Hinata, são ordens de Hiashi-sama. Como sou o parente mais próximo da família primária e temos mais ou menos a mesma idade, ele acredita que juntos podemos liderar o clã com justiça.

― Sim, claro... liderar o clã.

Não que Hinata tivesse sentimentos românticos pelo próprio primo. Sempre soube que ele era um cara discreto e focado em seus treinamentos, mas saber que teria que se casar com ele somente para que juntos pudessem liderar o clã a deixou desanimada. Teria um segundo casamento na sua vida e esse provavelmente seria tão desgraçado quanto o primeiro. Só de pensar em ficar presa em um relacionamento por convenções a deixava desiludida. “Será que nunca serei verdadeiramente amada na minha vida?”, ela pensou desconsolada enquanto olhava o rapaz calado à sua frente. Igual à Hinata, Neji não queria casar-se por esse motivo. Mas os membros da família secundária sempre existiram para servir aos da família primária. Era assim que as coisas foram no passado e era assim que seriam para sempre. O que Hinata não sabia era que Neji nutria sentimentos amorosas por ela desde criança. Quando o pai dele morreu, ele passou a odiar os membros da família primária, mas seu amor por Hinata continuou firme. Somente quando a paixão de Hinata por Naruto tornou-se notória, ele passou a menosprezar a garota, a forma doentia que encontrou de puní-la por não amá-lo. Obviamente, Neji cresceu e amadureceu, todos esses sentimentos mesquinhos foram deixados para trás e só restou nele o amor sincero por sua prima. Não um amor fraternal que se espera entre primos que são praticamente irmãos, mas um amor apaixonado e quente. Mesmo que isso não combinasse com ele, Neji era o único a saber quantas homenagens solitárias Hinata recebeu e quantas mulheres passaram pela cama dele enquanto seu pensamento estava nela.

Mas ele não falaria desses sentimentos para ela. Pelo menos não por enquanto. Hiashi deu uma ordem, mas Hinata poderia muito bem negar-se a se casar com ele, ainda mais depois de já ter sido casada com outro homem e sofrer tudo o que sofreu com a rejeição da própria família. Ela poderia muito bem resolver romper os laços com os Hyuuga e negar-se a casar com ele. Enquanto ele não ouvisse a resposta dela, não falaria tudo o que sabia dos planos de Hiashi, além do mais, fora instruído a só dar todas as informações que possuía, assim que adentrasse no território de Konoha, e eles estavam muito longe ainda.

― Neji nii-san – Hinata finalmente conseguiu falar – eu... bem isso de se casar... Você sabe que fui casada por quase um ano com o Sasuke, não sabe?

― Sim, eu sei.

― E você não se importa com isso?

― Hiashi-sama deu uma ordem. Não posso dizer não ao patriarca do meu clã.

Então era isso. “ Ele só está cumprindo com a sua obrigação”, Hinata pensou. “Se pelo menos ele gostasse um pouco de mim...”

― Neji nii-san, sendo assim... eu te libero desse compromisso. Você não precisa destruir a sua vida por causa de uma ordem do meu pai.

Nenhuma emoção poderia ser lida naquele rosto. Hinata estava rejeitando o seu primo abertamente e ele aparentemente não sentiu nada com isso. Isso reforçou mais ainda a ideia de que aquele casamento não significaria nada para ele. Mas se por fora Neji não demonstrou nada, por dentro ele estava sendo despedaçado. Como sempre, Hinata não dava a mínima para ele, aos olhos de Neji, ela o enxergava como o membro genial da família secundária e só. Não o via como homem, mas como uma peça estratégica em um tabuleiro, assim como seu tio o via. Seria humilhante demais para ele ter que se rebaixar mais ainda e implorar que ela se casasse com ele. Neji não faria isso.

― Eu entendo Hinata.

― Neji nii-san, não é por você... bem – Hinata achou melhor ser sincera com ele – eu ainda amo o Sasuke, mas ele me fez sofrer muito, tanto que estou disposta a esquecê-lo. Não acho que um casamento por conveniência vai me trazer o que preciso.

― Não precisa se justificar Hinata.

― Não! Eu quero que você saiba que sempre o considerei como um irmão, eu não ligo para essa besteira de família primária ou secundária, para mim somos todos iguais. Eu sempre soube que meu pai queria me casar com você, mas acho que você merece mais do que isso. Eu sei que não sou eu a garota que você gosta.

“Como você pode saber disso?”, ele queria dizer mas não disse. Hinata já havia dado todos os motivos do mundo para rejeitá-lo, aquela conversa só iria prolongar a sua agonia. Ele tinha uma missão a cumprir, que era levá-la de volta para Konoha em segurança, e ele faria isso. Casamento era algo que seria decidido depois. Provavelmente Hinata mudaria de ideia quando ouvisse a proposta do seu pai, então Neji pensou que se tivesse que conquistar o coração da garota tinha que ser antes de ela ficar frente a frente com Hiashi, pois só assim saberia se eles dois poderiam ser um casal feliz e não somente líderes justos, como Hiashi queria.

― Hinata, eu realmente não quero que você se justifique. Sei que você passou por muitas coisas, mas não te julgo. Hiashi-sama deu a ordem, e eu como membro da família secundária não pude dizer não, mas mesmo se eu pudesse dizer não, eu não diria.

Isso era o mais longe que ele poderia ir sem se expôr tanto e correr o risco de se machucar, ele torceu para que Hinata tivesse entendido o recado. Por sorte, ela não quis continuar aquele diálogo, pois duas coisas poderiam acontecer e ambas eram aterrorizantes para Neji. A primeira é que ela poderia perguntar mais sobre o que ele queria dizer com aquilo até que Neji confessasse seu amor por ela, e a segunda era que ela poderia rejeitá-lo novamente. Doeria mais ser rejeitado depois de confessar seus sentimentos. Ele optou por calar-se.

Partiram de madrugada. Da terra quente de Kumo subia vapor e orvalho, anunciando que o próximo dia seria mais um dia quente do verão escaldante. Ambos agradeceram imensamente pela escolha de aproveitar o frescor da madrugada. Para dois Hyuugas especialistas em rastreamento, uma missão de retorno era algo absolutamente simples. Mas mesmo assim foram as semanas mais difíceis para Neji, ele queria quebrar o gelo e se aproximar de Hinata, mas um dia terminava e o outro começava sem ele tomar coragem de falar com ela. Já Hinata, lembrava-se perfeitamente das palavras dele na noite em que deixaram Kumo, e seu significado não explícito. Porém isso não foi suficiente para ela tentar uma aproximação. Aos seus olhos, Neji sempre foi um cara cujas palavras davam margem a várias interpretações, ela não queria arriscar mais o seu coração em algo tão incerto.

Foi nesse clima, que em algumas semanas, cortando caminho pelos lugares mais inóspitos e descansando o mínimo possível, Hinata e Neji chegaram a Konoha.

****

Sasuke permaneceu em Kumo. Demorou um pouco para cair a ficha dele de que não havia nada para ele naquele país, nem Hitachi e nem Hinata. Foi com muito desgosto que ele voltou para a hospedagem naquela noite e descobriu que Hinata fechara a sua conta, no dia seguinte rastreou-a e descobriu que seu chakra estava longe, ela partira em direção à Konoha. Havia outro Hyuuga junto de si, mas Sasuke não soube identificar quem era. Pensou que fosse algum dos capachos da família secundária que eram guarda costas dela antes de se casarem. Ao mesmo tempo que ele queria sair mundo à fora em busca de Hitachi, ele também queria saber dela, naquela briga interior, a ânsia de saber de todos os passos de Hinata ganhou. E ele acabou retornando para Konoha também.

Alguns dias depois da chegada de Hinata, Sasuke chegou a Konoha. Incrivelmente já havia se passado dois anos desde que partira em busca de Hitachi. Aparentemente a vila ainda era a mesma. A casa que construíra quando casou-se com Hinata ainda estava lá, assim como o apartamento que ele ocupou quando era solteiro, mas como esse não era dele, já havia sido alugado para outro ninja ativo. Por sorte, ele não havia vendido a casa, então voltou pra lá. Estava tudo empoeirado, mas Sasuke não estava com disposição para limpar nada. Virou o colchão e jogou um lençol por cima, dormiu por uns dois dias seguidos.

Quando resolveu acordar, foi tratar de seus assuntos. Limpou a casa, e ao final do dia foi até o escritório de Kakashi, que havia assumido como Hokage assim que Naruto abriu mão do cargo. Kakashi ficou genuinamente feliz ao vê-lo, o sensei sempre o trataria como um garoto problema e no fundo Sasuke sabia que ele era isso mesmo. Sasuke contou que não havia encontrado Hitachi, mas iria novamente em busca do garoto assim que organizasse algumas coisas. Kakashi pareceu muito constrangido ao ouvir isso, mas não disse nada, pelo contrário, disse que Sasuke era livre para encontrar o próprio filho, mas que queria poder contar com ele quando precisasse. Sasuke agradeceu e saiu. A noite caía quando ele adentrou no Ichiraku, dois anos haviam se passado, mas o lugar era o mesmo, o mesmo cardápio, os mesmos banquinhos de madeira desgastados, o mesmo loiro escandaloso comendo o seu rámen...

― Naruto. – Sasuke disse calmamente e sentou-se ao seu lado.

― SASUKE!!! – Naruto berrou deixando o amigo com vergonha e chamando a atenção das pessoas.

― Cala a boca, seu dobe.

― Teme, maldito! Por onde andou?

― Estava procurando pelo meu filho – Sasuke pareceu não notar o constrangimento de Naruto quando ele disse isso – e você? O que faz da vida?

― ANBU.

Sasuke pediu um rámen e acompanhou Naruto. Em poucos minutos ele ficou sabendo de tudo o que aconteceu na vila nos últimos dois anos. Não que Naruto fosse fofoqueiro, mas numa vila com Konoha todos sabem da vida de todo mundo, ainda mais ele que já havia sido Hokage e agora ocupava uma posição de destaque, sendo o primeiro homem de confiança do atual Hokage. Após comerem, saíram andando a esmo e jogando conversa fiada. Sasuke estranhou que Naruto estivesse sozinho, pois ele se lembrava muito bem que ele havia se casado com a Sakura e sob quais circunstâncias ele fizera isso, mas resolveu calar-se, não queria se intrometer na vida do amigo, e principalmente não queria saber de nada que envolvesse Haruno Sakura. Durante a missão em Kumo, aos poucos ele lembrou-se de tudo o que acontecera, e só de pensar em dar de cara com a rosada, ele tremia de ódio. Mas ele sabia que não poderia mais medir forças com ela, enquanto ele tinha genjutsus, Sakura tinha algo muito pior e letal: taijutsu. O dela era o mais forte que já havia experimentado, não queria cair nas mãos dela novamente. Mas secretamente, se tivesse chance, ele com certeza a mataria.

Ficou espantado quando os passos de Naruto o conduziu para uma casa de chá. Não se lembrava de ter uma em Konoha quando partira dois anos antes.

― Foi uma das primeiras coisas que Kakashi mandou construir assim que o segundo filho dele nasceu – Naruto disse rindo. – parece que nosso sensei nunca vai tomar jeito.

Sasuke observou Naruto entrar e imediatamente, várias garotas o cercaram, falando com as vozes dengosas e se insinuando para ele. Sasuke também não foi ignorado, embora sua recepção não tenha sido tão calorosa quanto a do loiro, pelo visto o amigo já era um velho cliente.

Naruto dispensou as garotas prometendo que logo logo daria uma chance a todas, Sasuke revirou os olhos com a atitude prepotente do amigo. Sentou-se no balcão e pediu saquê. Sasuke o acompanhou. Então, quase se desequilibrou e caiu da cadeira, quando viu ao fundo do ambiente, surgir semi-nua e num andar provocante, os curtos cabelos rosas, as formas esguias.

― Naruto-kun! – a jovem se jogou nos braços dele e sem pudor nenhum trocaram um obsceno beijo de língua.

Sasuke ficou de boca aberta ao olhar bem e ver que aquela não era a Sakura. Depois de muita pegação explícita e uma promessa para mais tarde, Naruto finalmente deixou a moça partir e ir atender os seus outros clientes. Sasuke estava constrangido demais para perguntar, mas a curiosidade era maior.

― Naruto, essa não é...?

― Não Sasuke, não é.

― Mas vocês não estavam casados?

― Sim, estávamos.

― O que aconteceu? Você era tão apaixonado.

Naruto pareceu não ter gostado de ouvir isso, suspirou e com uma batida seca, pousou o copo de saquê na mesa.

― Isso não é da sua conta.

Para receber uma resposta assim do Uzumaki, era porque a coisa tinha sido feia mesmo. Resolveu não se meter na intimidade do amigo, além do mais achou bom que ele e a Sakura não estivessem mais juntos, se por acaso encontrasse com a rosada, poderia matá-la e Naruto não seria um empecilho.

― Dobe, fico feliz por você. Finalmente enxergou a vadia que ela é.

Sasuke não esperava pelo que veio a seguir. Da cadeira onde estava, Naruto saltou com uma voadora direto na garganta dele, o golpe fez saquê, garrafa, balcão, cadeiras, moças e tudo o que estava por perto ir para os ares. Imobilizando o Uchiha somente com um pé, Naruto comprimiu a garganta dele. Sasuke era tão forte quanto Naruto, mas não via uma insanidade semelhante àquela há muito tempo, nem quando se olhava no espelho via uma sede por sangue tão grande quanto aquela.

― Não fale um A da Sakura, senão eu te mato.

Comprimiu mais a garganta do amigo antes de soltá-lo. Sasuke já estava meio roxo e tossiu dolorosamente assim que se viu livre. Levantou olhando Naruto de canto, não iria se arriscar a falar mais nada contra Sakura, mas agora mais do que nunca estava curioso para saber o que acontecera.

― Eu não vou te falar, Sasuke. Você vai ter que descobrir sozinho – Naruto desdenhou.

― Caralho, Naruto. Eu fico longe por dois anos e você me recebe na voadora?

― Não fale dela e isso não vai acontecer de novo, é simples.

― Filho da puta.

― Cuzão.

Naruto sorveu o último gole de saquê. Seu pequeno show só não causou sua expulsão porque ele realmente era um cliente VIP, o mais fiel de todos. Frequentava a casa quase que diariamente quando não estava em missão e deixava lá uma grande quantia. Claro que ele estava de saco cheio por muitas coisas, coisas que Sasuke nem sonhava quais seriam, não queria ter que descontar a raiva no amigo, mas o imbecil teve que falar mal da Sakura perto dele, tomou o que merecia.

― Foi mal, Teme – ele continuou com a voz apaziguadora – esquece isso, só não toque no nome da Sakura perto de mim, é melhor.

― Tá...esquece o que eu falei. Casamento é uma merda mesmo.

― O seu também acabou, né? – Naruto perguntou de um jeito meio infantil.

― Se for ver bem, nem começou. Aquela vaca era apaixonada por um idiota.

Ambos riram. Só o tempo para fazer ambos rirem de algo tão sério que alguns anos antes era o motivo da maior discórdia entre eles.

― Soube que ela voltou pra Konoha – Naruto jogou um verde.

― Eu sei.

― Ela e o Neji-san chegaram há uma semana atrás. Agora o clã Hyuuga está em festa.

― Neji? Festa? Como assim? – Sasuke estava mesmo curioso, não imaginou que a pessoa que a acompanhou no retorno à vila fosse o gênio dos Hyuugas.

― É Teme, o Neji... não me diga que... você ainda não está sabendo? – Naruto olhou-o espantado.

― O quê? Do que eu não estou sabendo?

― Eles vão se casar. Já foi anunciado.

Sasuke tomou o resto do seu saquê e deixando algumas notas no balcão, saiu sem mais palavras.

Notas finais
Dois mistérios nesse cap vou deixar para vocês opinarem, mas isso não muda o fato que só vamos saber nos próximos caps. 1º Hinata rejeitou Neji, mas depois alguma coisa aconteceu que fez ela mudar de ideia e aceitar a se casar com ele. Arriscam? 2º Naruto e Sakura não estão mais juntos :( O que pode ter acontecido para separar esses dois? Kissu!