Tsurai - continuação de Ano Baka
22 Hitachi
Notas iniciais
Sakura estava ocupada com seus afazeres domésticos que não reparou quando o ninja alto de porte elegante adentrou à sua casa. Ele vestia o tradicional quimono, um pouco aberto no peito, ao lado do corpo uma espada embainhada. Ele a abraçou por trás e poucou a cabeça na curva do pescoço dela, aspirou seu perfume e direcionou um belo ramo de flores de cerejeira, o delicado perfume das flores era tão delicioso quanto o dela.
― Okaasan.
― Hitachi!
Sakura virou-se de frente para ele e o abraçou enquanto mantinha um sorriso nos lábios. Seu filho tornara-se um rapaz lindo, as donzelas da Vila Oculta da Folha morriam de amores por ele. Sakura se afastou um pouco e fitou aquele rosto idêntico ao do pai, se não fosse os olhos, Hitachi se passaria por Sasuke sem nenhum problema.
― Eu consegui, okaasan. – o timbre da voz dele já havia se definido em um tom grave e melodioso, uma voz sedutora. – estou na ANBU.
― Que bom filho, fico tão feliz por você! – ela respondeu sinceramente. – E já contou para a sua mãe?
― Sim, eu falei com ela logo que recebi a notícia, ela ficou bastante feliz.
Ficaram ainda conversando um pouco até que Naruto surgiu. Sempre que Hitachi aparecia, Naruto tratava de aparecer também para se certificar que nada estava acontecendo. Ocorre que quando completou 5 anos, Hitachi percebeu que havia algo muito estranho com ele. Embora tivesse acesso irrestrito à casa de Sakura e a chamava de mãe e era tratado como um filho por ela, Hitachi percebeu que não havia semelhança física alguma entre ele e Sakura. Depois de muito pensar, um dia após voltar da academia ninja, enquanto ela o ajudava com a lição, ele tomou coragem e perguntou.
― Okaasan, a senhora é minha mãe mesmo?
Sakura não ocultou nada dele. Contou toda a história que estava por trás, tomando o cuidado de poupar Sasuke e Hinata, não citou que o menino sofrera maus tratos na primeira infância, mas disse que ela havia o pegado para criar desde de muito cedo, mas depois ele voltou para a guarda dos verdadeiros pais.
― Então quer dizer que você não é minha mãe?
― Eu sou sim, mas de um outro jeito – ela respondeu bondosa – quem o teve foi Hinata, ela é a sua verdadeira mãe.
Hitachi pensou por vários dias. Observou Hinata e depois observou Sakura, as duas eram muito diferentes, mas ambas o tratavam com toda a doçura e cuidado. Ele concluiu que amava as duas, e que independente do que dissessem, ele seria o único sortudo que se tem notícia que teria duas mães. E assim foi até a adolescência, até que Sakura passou a despertar outro tipo de sentimento nele. Ele continuava frequentando a casa dela, quase sempre após a academia ninja Sakura o ajudava com as lições e servia o almoço para ele junto com seus filhos. Hitachi chegava em casa ao cair da tarde, Hinata não perguntava nada, ela já havia aprendido a dividir Hitachi com Sakura.
Uma tarde estavam só os dois, Sakura lavava a louça do almoço enquanto Hitachi fazia sua lição de casa. Hitachi estava muito confuso, tendo sonhos estranhos, acordava molhado e suado e sentindo constantemente um perfume de cerejeira que ele não sabia da onde vinha.
― Mãe, eu estou apaixonado por você!
Sakura gritou assustada e deixou quebrar vários pratos, Hitachi correu para ela e imediatamente tomou suas mãos, ela não havia se machucado. Na ânsia da sua juventude, o garoto que já era muitos centímetros mais alto que ela, a agarrou pelos ombros e selou seus lábios com um beijo desajeitado.
― Não! – Sakura o empurrou – isso está errado!
― Mas você mesmo me disse que não era a minha mãe!
― Mesmo assim... o que está fazendo filho?
― Eu não sei mãe...
Sakura tentou esquecer o incidente e por vários dias Hitachi não apareceu. Ela ficou preocupada. Então Naruto, que sabia que o garoto estava sempre lá o abordou na academia ninja, já que agora ele estava sempre por perto para recrutar algum talento especial para a ANBU. Ao invés de inventar qualquer desculpa, Hitachi desafiou Naruto para um combate: o vencedor ficaria com Sakura.
Naruto ficou doido e exigiu explicações, elas vieram mais atrapalhadas do que o desafio e a confusão estava armada. Rapidamente espalhou-se por Konoha que Hitachi estava apaixonado por Sakura e que lutaria até a morte contra Naruto pelo amor dela. Muitos palpitaram que era isso mesmo o que poderia acontecer, sendo que o garoto passava mais tempo com ela do que com a própria mãe, a maioria concordou que Hitachi estava confuso e que Sakura o havia seduzido. No final não teve combate algum. Todos conversaram com ele e o fizeram entender que era impossível. Hitachi adoeceu, mas depois sarou. Uma tarde, muitos meses depois do ocorrido, ficou com saudades dela e foi a visitar, Naruto observou tudo bem de perto e concluiu que o pobre coitado do rapaz só poderia ter se apaixonado mesmo, sua esposa era linda e desejável, sentiu pena do garoto, mas permaneceu de olhos bem abertos, afinal ele era um Uchiha-Hyuuga e a fama destes os precediam.
Mas aonde floresce uma flor rosada pode florescer duas. Kushina a mais velha dos Uzumaki-Haruno crescera muito nos últimos meses. Ela era provavelmente a única a ignorar Hitachi e isso chamou a atenção do garoto. Hitachi agradeceu que Sakura não era sua mãe de sangue, embora sempre seria sua mãe de coração, porque assim poderia ter a sua filha e não seria nenhum pecado. E a despeito de toda a rejeição o garoto era insistente e não desistiria tão cedo, um traço herdado da verdadeira mãe.
Ao contrário de Sasuke e Hinata que fecharam a fábrica com Sayuri, Naruto e Sakura tiveram cinco filhos, a mais velha, Kushina que recebeu esse nome em homenagem à mãe de Naruto, os gêmeos Minato e Jirayia que receberam esses nomes em homenagem ao pai e padrinho de Naruto respectivamente e o casal de gêmeos que Sakura chamou de Tsunade em homenagem à sua mestra e o menino recebeu o nome de Eduardo, porque Sakura achava o nome exótico e diferente dos nomes que se viam em Konoha*. As crianças Uzumaki-Haruno tomavam quase todo o tempo de Sakura e Naruto e eles se desdobravam na tarefa de criá-los, mas eles eram muito felizes apesar de tanto trabalho.
Hinata optou por ter só dois filhos, pois assim que ela e Sasuke reataram, começaram os rumores de que Sasuke só havia voltado para ela para encher a casa de filhos e assim restaurar mais rapidamente o clã Uchiha. Mas embora Sasuke realmente quisesse ter mais uns dois ou três filhos, ele preferia abrir mão disso se fosse parar ver a esposa feliz. E dois filhos já davam bastante trabalho, nesse ponto ele realmente admirava Naruto e Sakura por darem conta de uma casa com cinco crianças.
Outro que parou num número bem pequeno de filhos, foi Neji. Ele e Tenten tiveram somente Hizashi, que recebeu esse nome em homenagem ao pai de Neji, e não queriam outros filhos por enquanto. Neji como sempre, continuou sendo o mesmo cara sisudo de sempre, mas quando estava em casa com a sua família, ele adquiria um semblante mais leve e feliz. Neji, depois de tantos conflitos na infância e adolescência, tornou-se uma pessoa feliz. Ele foi perdoado por Hiashi, assim como Hinata. Mas a glória dessa tremenda conquista estava nas mãos de Hitachi, que na ocasião em que retornou para Hinata ainda era muito pequeno e não entendia o motivo de tanta rixa, continuou querendo ver seu vovô e sua vovó como sempre fazia. Hinata não teve escolha a não ser levar o menino para ver o avô. Ela temia muito que o pai resolvesse prendê-lo lá para sempre, mas Hiashi sempre devolvia Hitachi no horário combinado, e assim foi por vários anos até que no aniversário de 10 anos de Hitachi, Sasuke e Hinata deram uma grande festa e convidaram a todos os amigos e familiares. Nesse dia, Hiashi foi pela primeira vez na nova casa de Hinata que era mesma casa antiga que eles foram morar quando se casaram pela primeira vez. Passado o momento inicial de constrangimento, logo a harmonia familiar foi estabelecida e Hinata e Neji sentiram-se novamente aceitos pelo seu patriarca. Sentimento esse que foi confirmado quando dias depois foram chamados à casa principal e Hiashi publicamente declarou que as portas do clã estavam de novo aberta para os seus amados filhos. Choros, lágrimas e risos se misturaram. Hitachi só sorria, demorou mais ele conseguiu novamente unir aquela família.
União. Essa era uma palavra complicada demais e um tanto polêmica para a família Uchiha-Hyuuga, pois enquanto Sakura era respeitosa e amavelmente tratada como okaasan, Hinata era tratada como ‘Nata. Hitachi não chamava ela de mãe, não por não considerá-la mas pela simples falta de hábito. Embora Hinata fosse a primeira em muitas coisas, ela não tinha o mais simples: nunca havia ouvido a palavra “mãe” ser direcionada à ela pelos lábios de Hitachi. Sua vida estava completa, ela tinha o amor e devoção de Sasuke, dois filhos lindos e uma respeitosa carreira como ninja rastreadora, seu pai havia novamente a aceitado como membro do clã. Não havia nada em falta na vida de Hinata, a não ser um aperto no peito toda vez que Hitachi chamava Sakura de okaasan e à ela dirigia um carinhoso ‘Nata. Mas não era a mesma coisa. Ela queria ser chamada de mãe, okaasan, mamã ou haha**, como Sayuri fazia. Como via as outras crianças chamando suas mães.
Estava concluindo a análise de alguns mapas para uma missão especial que teria dali a alguns dias quando Sasuke entrou. Ele trazia Sayuri pela mão, a garotinha trazia um imenso buquê de lírios brancos e colocou-os todos no colo da mãe. Hinata deu um beijo no rosto da menina e um leve selinho em Sasuke. Quando Sayuri descobriu que foi aquela flor que seu pai usara para conquistar a sua mãe e que a mesma significava o seu próprio nome***, o principal hobby de Sayuri passou a ser colher essas flores para Hinata, devido a isso a casa dos Uchihas-Hyuugas estava sempre perfumada e enfeitada com lírios. Ficaram os três separando as flores e ajeitando nos vasos quando Hitachi chegou. Beijou os três e uniu-se à eles na tarefa de arrumar as flores. Assim que terminaram, Sasuke foi cuidar dos seus assuntos e Sayuri o seguiu. Ficaram somente Hitachi e Hinata. Hinata voltou aos seus mapas e Hitachi permaneceu em silêncio a observando.
― ‘Nata, o que está fazendo?
― Estou analisando alguns mapas para uma missão.
― Que missão?
― Não posso dizer, amor. É secreta.
― Você vai ficar fora por muito tempo?
― Só uns 2 ou 3 dias, mas não se preocupe, seu pai vai cuidar de tudo enquanto eu estiver fora.
Hitachi ficou com o coração apertado. Não por medo de acontecer algo à sua mãe, ele sabia que ela era uma ninja de altíssimo nível, sua angústia devia-se ao fato de ficar tanto tempo longe dela. “Só uns 2 ou 3 dias...”, isso para Hitachi era uma eternidade. Ele contaria os minutos, e pior, dois ou três dias, isso significaria que ao final do segundo dia ele estaria louco de ansiedade pela volta dela e teria que esperar mais um terceiro dia sem saber se aquele seria o prazo final. Isso tudo deixava ele aflito. Sayuri amava a mãe, mas como ela era mais apegada ao pai não sofria tanto com a ausência de Hinata. Hitachi as vezes chorava sozinho no seu quarto pensando nela e sonhando com o momento de abraçá-la novamente. Mas na frente dos outros não demonstrava nada, nenhuma reação, nenhum sentimento poderia ser lido naquele rosto. Até nisso ele era idêntico ao pai. Seria egoísmo pedir para ela não ir, como ninja que ele também era, ele sabia que ela tinha deveres perante Konoha e que isso a realizava. Mas como lidar com sua ausência? Ele já era considerado adulto, mas diante de Hinata sentia-se um menino, queria o colo e os cuidados dela. Resignou-se e jogou esses sentimentos lá no fundo, trancou com uma chave e manteve a mesma postura de sempre. Ele poderia esconder isso de todos, mas não de Hinata. Ela sabia ler aqueles olhos como ninguém, conhecia todas as nuances pelas quais eles passavam e com isso diziam o que o seu filho sentia. Naquele momento Hitachi estava triste e tentava ocultar isso como sempre fazia.
― Eu vou voltar logo amor, será uma missão rápida.
― Não é isso, ‘Nata. Eu bem... não é nada mesmo... deixa pra lá.
Assim como Hinata, Hitachi sempre ruborizava quando queria esconder seus sentimentos. O garoto estava numa luta intensa pelo fugor das suas bochechas. Ela que já havia aprendido a dominar isso e só ruborizava diante das declarações de Sasuke, achou muito fofo o jeito dele. Sorrindo, segurou-o pelo rosto e aplicou dois beijos em cada maçã do rosto de Hitachi. Como se fosse possível, isso deixou o garoto mais vermelho ainda.
― Te amo tanto, Hitachi... tanto, tanto que não saberia como expressar em palavras.
Hitachi sentia isso, Hinata não precisaria dizer vinte vezes por dia como ela dizia. Eles tinham uma relação muito especial que poucos entendiam. Era algo doce e dolorido ao mesmo tempo, havia muito cuidado de ambos em tudo o que dizia respeito aos sentimentos um do outro. Hitachi queria todo o bem do mundo para a sua ‘Nata e só aceitava dividí-la com o seu pai e sua irmã porque também amava a esses. Mas se fosse possível, queria Hinata só para si, queria toda a atenção dela para ele, todo o amor e carinho da sua mãe ele queria que fossem dele. E diferente de Hinata que não tinha palavras para expressar o tamanho do seu amor, Hitachi conhecia uma. Uma que ele nunca usava, mas que naquele momento representaria tudo o que estava no seu coração e na sua alma. Naquele momento aquela era a palavra perfeita para dizer o que ele sentia. Uma palavra mais linda que amor, mais linda que o próprio nome dela.
― Também te amo, mãe.
Nesse momento mãe e filho se abraçaram, ambos tinham lágrimas finas escorrendo pela face. Agora sim, a vida de Hinata estava completa e perfeita.
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