Notas iniciais
Yoo mina-san! Este é o último cap. de Tsurai, eu simplemente não acredito que consegui concluir a minha terceira Fanfic! Realmente foi uma honra e um prazer ter dividido esse tempo com vocês, do fundo do coração. Vocês todos foram ótimos, cada um à sua maneira me ensinou muitas coisas, acho que a positividade dessa troca é algo único que vai ficar para sempre. Mas agora vamos deixar a filosofia de lado e vamos ao que interessa, o capítulo final de Tsurai, que por acaso é dedicado à linda Drika Mellark Everdeen que deixou uma recomendação tão única que me fez querer fazer um capítulo lindo para vocês. Obrigada por suas palavras, é recompensador poder ler algo assim de uma pessoa tão especial. Enjoy!

Sasuke levantou Hinata da porta e a levou no colo até a cama, no meio do choro a garota perdera os sentidos ele que acompanhou toda a cena do alto do carvalho onde observava tudo, não perdeu tempo em ir socorrer sua ex-mulher. Depois de algumas tentativas de reanimá-la, Hinata acordou.

― Cadê o Hitachi? O Hitachi? – ela perguntou desesperada.

― Calma, ele não está aqui. – Sasuke respondeu. – Você está bem?

As recomendações médicas foram todas ignoradas, Hinata estava passando muito nervoso naquela gravidez. Mas ninguém poderia culpar Hinata de estar nervosa por ter tido seu filho tirado de si mais uma vez e dessa vez por alguém muito mais perigoso e cruel do que Sakura, o seu implacável pai, cuja palavra nunca voltava atrás.

― Ele falou... que eu tenho que... ficar com Neji, senão ele... vai tirá-lo... definitivamente de mim... — Hinata dizia entre soluços e lágrimas.

― Fica calma, Hina. Deixa que eu cuido de tudo.

― Como, Sasuke? Como?

― Eu vou dar uma jeito... eu te garanto – ele assegurou-lhe.

Certificou-se que Hinata estava fisicamente bem e após preparar um chá calmante para ela, saiu. Hinata acabou adormecendo, teve sonhos agitados com Hitachi, Sasuke e um bebê sem rosto.

***

Neji e Tenten comemoravam a sua felicidade conjugal com um café da manhã regado à romance e beijos apaixonados. Tenten imaginou que Hinata iria se opor, mas conhecendo o jeito meigo da garota, sabia que no fundo ela não se colocaria entre ela e Neji, afinal Konoha inteira sabia que ele morria de amores por Sasuke. Estavam ali aproveitando seus doces momentos íntimos, quando ouviram batidas secas na porta, quando Neji atendeu seu semblante calmo ficou subitamente duro.

― Podemos conversar?

― O que quer Uchiha?

― É importante , é sobre o Hitachi...

Neji deu passagem à ele e indicou que se sentasse. Tenten ofereceu café ao Sasuke mas ele recusou educadamente, Tenten lembrava do seu colega ser pálido, mas ele parecia uma cera branca, ela estava preocupada.

― Hiashi levou-o.

Quando Neji comunicou Hiashi da sua decisão se separar-se de Hinata, o tio não demonstrou nada e não disse nada, embora lá no fundo ele quisesse acreditar que Hiashi apoiaria o rompimento, ele sabia que não seria tão fácil assim. Mas ao ouvir o relato completo de Sasuke, ele não imaginou que seu tio usaria uma criança inocente para fazer valer suas palavras. Tanto Hinata quanto Neji estavam infelizes naquele casamento, não tinha porque forçarem a continuar com aquela farsa. Se fosse antes, Neji até pensaria duas vezes, mas agora que tinha Tenten e teria um filho com ela, ele não se renderia aos caprichos do seu tio, ele lutaria até a morte se preciso fosse.

― Por isso eu estou aqui Neji – Sasuke disse com o olhar sofrido – eu sei que é egoísmo da minha parte mas eu amo demais a Hinata para permitir que ela perca Hitachi de novo. Por isso eu peço para você voltar para ela.

― Está doido? – Tenten se pronunciou irritada.

― É o único jeito! – Sasuke exclamou.

― Não é não, conversem com Hiashi, ele não pode ser tão cruel a esse ponto – Tenten insistiu.

― Não, isso não adiantaria – Neji disse – meu tio é realmente cruel. Uma ordem dele é a lei absoluta acima das leis do homens e até das leis de deus, assim ele pensa. Conversar não vai adiantar nada.

― Então o que você vai fazer? Vai voltar para ela? – Tenten perguntou fechando os punhos irada.

― Não, nunca – ele confortou-a.

― Vai matá-lo? – Sasuke perguntou empolgado. Aquela era uma possibilidade que ninguém tinha pensado.

― Claro não, seu demente! Eu nunca levantaria uma mão contra meu tio.

― E então? – Sasuke e Tenten perguntaram juntos.

Existia uma maneira, Neji sabia que sim. Mas isso o colocaria para fora do clã para sempre. Talvez Hinata e até mesmo Hitachi e o bebê que nem havia nascido seriam expulsos também.

― Sasuke, saiba que só faço isso pelo Hitachi e pela Hinata.

― Eu sei Neji – Sasuke disse seriamente – nós tivemos nossas diferenças mas se nos ajudar nesse momento, terá em mim um eterno aliado.

Tenten ficou de queixo caído. O orgulhoso Uchiha Sasuke jurando lealdade ao ex-rival, tudo em nome da família? Ela ficou impressionada com o valor imenso que ele dava à Hinata e aos filhos.

― Tudo bem, Sasuke. Eu só espero que dê certo. – Neji respondeu um pouco constrangido, ele também estava surpreendido.

Neji terminou seu café sem o clima de romance do início e partiu. Sasuke seguiu-o de perto e foi ver o que o rapaz faria. Viu-o entrar no prédio do Hokage, Sasuke não se aguentava de curiosidade, então entrou junto. Pediram uma audiência e aguardaram, passou cerca de 20 minutos até que um sorridente Hatake Kakashi os recebessem.

― Yoo! O que traz os meus mais valorosos ninjas até mim? – ele os saudou alegremente, mas logo mudou de tom quando percebeu que o assunto era sério.

Sucintamente Neji relatou o ocorrido, quando terminou, Kakashi estava visivelmente constrangido.

― Neji, eu sinto muito... mas mesmo sendo o Hokage eu não posso interferir nos assuntos familiares dos clãs. Você mais do que ninguém sabe que Hiashi tem todo o poder para decidir sobre o futuro dos membros do seu clã. Se ele decidiu que não quer que Hinata crie o próprio filho sozinha, sem a sua presença como marido e pai, ele pode fazer isso.

― Mesmo que ele esteja violando uma lei de Konoha?

― Como assim? – dessa vez era Sasuke quem perguntava.

― Eu sou o tutor legal de Hitachi e de acordo com as leis de Konoha, um tutor legal pode criar a pessoa que está sob sua tutela ou definir que outro a faça. – ele respondeu com um sorriso fino.

Kakashi ficou impressionado com a esperteza de Neji e Sasuke ficou um pouco enciumado por ele mesmo não ter tido aquela ideia brilhante, realmente seu ex-rival fazia jus à fama.

― Você tem razão, Neji – Kakashi concluiu – mas saiba que se for esfregar a lei na cara de Hiashi isso pode significar o seu fim como Hyuuga, não sabe?

― Sim, eu sei. Mas já não me importo com isso. Sou grande o suficiente para cuidar de mim mesmo. E não quero mais ser o capacho de ninguém, agora serei pai de família, terei que dar um bom exemplo ao meu filho.

Kakashi sorriu por baixo da máscara. Aquela geração era sem dúvida a geração mais destemidade de Konoha, ele se orgulhava muito de ter sido mestre de três gênios e agora liderar outros tantos, como Neji.

― Então está certo – Kakashi concluiu – vou pedir aos advogados que cuidem disso, vocês não precisam se preocupar com mais nada.

Ambos agradeceram e saíram em silêncio. Sem trocar uma única palavra, Neji e Sasuke tomaram cada um o seu rumo. Neji voltou para os braços ansiosos de Tenten e Sasuke foi ao encontro de Hinata. Encontrou-a da maneira que a deixou, dormindo um sono inquieto. O mínino barulho que o rapaz fez foi o suficiente para acordá-la.

― Onde ele está? Onde está o meu filho?

― Acalme-se, Hina.

― Como me acalmar? Meu pai levou o meu filho embora, você sabe como ele é.

― É, eu sei. Mas se desesperar não vai ajudar em nada. Hitachi estará com você mais rápido do que você imagina, até lá cuide desse bebezinho também. Não se esqueça dele. – ele disse colocando a mão sobre o ventre dela.

Hinata se acalmou. Não por ela, mas pelo bebê. Ter sangrado por tanto nervoso que passou fez ela sentir muito medo. Não queria perder aquela criança, não poderia perder, já a amava mais que a sua própria vida. Sem Hitachi por perto, havia um abismo entre os dois. E Hinata estava muito envergonhada por Sasuke ser sempre aquele que a salvava. Não queria que ele a ajudasse em nada, para que depois ele usasse isso como arma de barganha.

― Sasuke, eu não sei o que você fez, mas eu só vou sossegar de fato quando Hitachi estiver de novo comigo.

― Você tem razão, Hinata. Eu estou na mesma situação que você, mas apesar de tudo, pelo menos dessa vez a gente sabe onde ele está e que ele está bem.

― Sim, meu pai não faria nada de ruim com ele. Mas o ponto não é esse! Eu sou capaz de cuidar do meu filho sozinha! Não é justo isso o que ele fez.

― Não, não é. Mas isso será corrigido. – ele mudou de tom – até lá, vou ficar aqui cuidando de você.

― Não, Sasuke, não confunda as coisas. Eu disse que entre nós acabou, então acabou mesmo.

Sasuke ficou em silêncio e a observou por um tempo. Talvez no futuro isso mudasse, mas neste momento Hinata só tinha o Hitachi na cabeça, ele resolveu respeitar isso. Preparou uma refeição leve para ela. Hinata reclamou muito, mas acabou aceitando, afinal era pelo bebê. O coração dela estava aflito demais para entrar numa discussão boba com Sasuke.

Não muito longe dali, os advogados do Hokage emitiam a ordem em nome de Neji, instituindo Hinata como responsável pela criação e cuidados para com Hitachi. O documento teve total efeito legal assim que foi assinado pelo Hokage, naquela tarde mesmo, os guardas munidos do documento foram até a casa de Hiashi, o patriarca estava sozinho na sua sala quando eles chegaram. Assim que Hitachi acordou e percebeu onde estava começou a perguntar por Hinata, sua avó desconversava, ela não desobedeceria o próprio marido. O menino passou a manhã toda amuado, perguntando por sua ‘Nata, 'Nata. Hanabi o tentava distrair quando os guardas chegaram. Acompanhados dos advogados, o solicitante, ou seja Neji e o próprio Hokage, ordenaram que o menino fosse imediatamente entregue ao tutor legal dele, do contrário Hiashi seria preso. Uma vergonha daquelas nunca havia acontecido com o clã, um Hyuuga nunca havia sido preso, mas o pior é que um patriarca do clã nunca havia sido desafiado por um dos seus.

― É assim que me paga Neji? – Hiashi perguntou com a voz dura.

― Sinto muito, tio. Mas isso o que o senhor fez foi errado, eu não posso permitir. – ele respondeu fitando diretamente os olhos cinzentos do seu tio.

Hiashi riu com escárnio.

― Permitir? Você não tem que permitir nada! Você está aqui para obedecer as minhas leis!

― Não tio, se suas leis forem egoístas e arbitrárias eu vou ignorá-las.

― Moleque insolente! Você acabou para esse clã! Acabou!

Neji saiu segurando Hitachi no colo e rumou para a casa de Hinata. Deixou Hitachi lá e seguiu para a sua nova casa. Ao chegar, o semblante até então endurecido do rapaz relaxou-se Tenten foi a única a ver uma fina lágrima escorrer dos seus olhos.

***

Hinata estava cochilando sob a constante vigília de Sasuke quando algumas batidas na porta foram ouvidas, ele fez menção de se levantar para abrir, mas Sasuke já fazia isso antes mesmo de ela tentar. Ouviu uma conversa rápida e logo em seguida Sasuke entrava no quarto com Hitachi no colo. O garoto pulou para o colo da mãe, que chorava emocionada. Hinata beijou-o intensamente e apertou muito firme nos braços.

― Obrigada, Sasuke, obrigada!

― Não agradeça a mim, agradeço ao seu primo.

― O Neji?

― Sim.

― Mas como?

Então Sasuke mostrou a ela o documento que a instituía como total responsável por Hitachi até que ele atingisse a maioridade, o que no mundo Ninja acontecia aos 13 anos. Hinata apertou o documento junto ao coração e fez uma prece silenciosa ao seu amado irmão e primo que salvava definitivamente a sua vida.

Não demorou muito para que Hitachi espantasse a melancolia do local com as suas “artes”. Hinata nem se preocupou com a bagunça que ele estava fazendo, afinal ele estava com ela, da maneira que ela queria e precisava. Sasuke somente observava tudo calado, aquele meio sorriso de canto, ele estava muito feliz por ter ajudado a recuperar Hitachi, agora precisava pensar em uma maneira de recuperar Hinata.

*** Alguns meses depois ***

Hinata parecia estar grávida de doze meses, se fosse avaliar pelo tamanho era assim que ela parecia, com doze meses de gravidez, mas de fato ela estava no oitavo mês, no mês seguinte daria a luz a uma linda menina, que se chamaria Sayuri*, como ela escolhera.

Hitachi estava mais elétrico do nunca. Depois de toda a situação de Hiashi levá-lo embora, Hinata foi até Neji agradecê-lo, isso ajudou a estreitar os laços entre ela e Tenten, que sempre foram amigas, mas ficaram meio estranhas uma com a outra depois de todo o ocorrido. Mas vendo que Hinata não sentia nada por Neji, exceto uma amor fraternal e esse passou a sentir a mesma coisa pela prima, Tenten ficou sossegada. As duas costumavam passar algumas tardes por semana juntas, compartilhando os segredos da gravidez e da magia de ser mãe. Quando Neji não estava em missão, treinava com Hitachi, que agora estava um pouco mais grandinho e conseguia se concentrar nos jutsus. Mas os elementos de um eram opostos do outro. Enquanto Neji era um Ninja tipo vento**, Hitachi era do elemento fogo, assim como todos no clã Uchiha. Pelo visto o sangue Uchiha era mais forte que o sangue Hyuuga. Apesar de gostar muito dele e querer treinar com Hitachi, Neji admitiu que Sasuke seria um professor muito melhor que ele, simplesmente por serem do mesmo elemento.

Mas Sasuke havia sido incubido de restaurar a polícia de Konoha, então ele estava entretido nessa tarefa e nem Hitachi nem Hinata o viam há semanas. Depois de ouvir vários nãos de Hinata, Sasuke cansou de se rastejar e resolveu abrir mão. Era fato que ele teria sempre contato com Hinata por causa dos seus filhos e isso já contentava ele. É claro que ele ainda era loucamente apaixonado, mas aquela paixão toda estava amadurecendo e virando um amor desinteressado. Sasuke acreditava que contando que Hinata estivesse feliz, ele também estaria, mesmo que ela nunca mais fosse dele.

Hinata gostava de ser mimada, idolatrada, desejava e cantada por Sasuke o tempo todo, enchia-lhe o ego ter aquele homem maravilhoso de rastejando por ela. Até que subitamente Sasuke parou de cortejá-la, toda vez que ele aparecia, seu maior interesse era o Hitachi e saber da saúde dela e do bebê. Então Hinata começou a se sentir chateada por estar sendo colocada de lado, depois que ele foi para a polícia, ela passou a vê-lo cada vez menos e quando ele aparecia ficava pouco tempo e somente com Hitachi. Cada vez mais Hinata começou a se sentir ignorada e isso a deixava louca, ele teria que continuar implorando pelo amor dela, até quando ela quisesse. Enquanto Sasuke tomava vergonha na cara e passava a agir como homen, Hinata ainda estava presa ao comportamento mimado e infantil. Mas uma pessoa que foi rejeitada a vida toda pelo seu grande amor de infância, pelo pai e pelos membros do clã, Hinata encontrou em Sasuke tudo o que ela queria na vida, alguém para adorá-la como ela era. Isso não mudaria tão rapidamente assim.

Uma tarde, quando o sol não estava muito alto e as sombras dos altos carvalhos cobriam boa parte da terra, Hitachi inventou que queria ir ao lago. Sasuke levou-o lá uma vez e quase toda semana o menino pedia para repetir o passeio, mas Hinata não estava disposta a caminhar até o lago com aquele barrigão. Hitachi estava naquela insistência irritante que as crianças pequenas tem, quando Hinata dizia pela décima oitava vez que não poderia levá-lo.

― Mas ‘Nata!

― Não posso, amor eu juro que se eu pudesse eu ficaria feliz em ir até o lago com você.

― ‘Nata chata!

― Deixa que eu o levo – o timbre grave de Sasuke foi ouvido e a criancinha chutou forte no ventre de Hinata, fazendo-a se inclinar um pouco.

Era sempre assim, o bebê sempre se manifestava com toda a vontade que podia quando ouvia a voz de Sasuke. Hinata odiava o ex por isso. Mas não podia negar que o coração quase parava quando ouvia a voz dele. Ela concordou sem graça, mas então Hitachi que não estava satisfeito insistiu para que ela fosse junto também. Hinata recusou várias vezes, mas ela mesma ansiava por estar um pouco perto do Sasuke, principalmente depois de tanto tempo sem vê-lo.

― Nós podemos ir de charrete, eu posso usar as da polícia, não tem problema, assim você pode acompanhar-nos. — Sasuke sugeriu.

Hinata odiou-se por se derreter diante daquelas palavras e aquele sorriso tão lindo que ele lhe dirigia. Acabou aceitando e após alguns preparativos todos saíram. Hinata levou lanches e sucos para Hitachi e todos, de modo que a situação acabou se convertendo em um piquenique.

Após uma jornada curta que Sasuke teria feito em 2 minutos se não fosse para poupar a ex-esposa e sua imensa barriga, chegaram no riacho. Hitachi não esperou a permissão de ninguém, pulou da charrete imediatamente dentro do lago. Hinata ficou preocupada, mas vendo que ele nadava bem, ela tranquilizou-se. Sasuke amarrou os cavalos e ajudou-a a descer do veículo. Estendeu a toalha que Hinata trouxera e sentou ao lado dela.

― Não vai entrar junto com ele? – ela perguntou.

― Não – ele respondeu olhando diretamente nos olhos dela o que a deixou muito corada.

Hinata cobriu as bochechas com as mãos, mas o estrago já estava feito, ela não se lembrava de ficar corando perto dele, agora isso acontecia só de pensar nele. Hitachi brincou na água em ritmo frenético por cerca de meia hora, nesse tempo, Sasuke e Hinata somente observaram, ambos com um sorriso mole no rosto. Hitachi era uma criança muito bonita e arteira. Arteira até demais na opinião de Hinata. Além disso ele era inteligente e genioso e demonstrava grande respeito quando alguém ia ensinar algo à ele. Resumindo, Hitachi era um filho maravilhoso. Hinata colocou a mão sobre o ventre e pensou se Sayuri também seria tão maravilhosa quanto ele. Pensou se ela sentiria a falta do pai ou lidaria bem com a situação como Hitachi. Involuntariamente uma fina lágrima escorreu da sua face, ela tentou secá-la, mas Sasuke já antecipava seu gesto, colhendo a miúda gota com o indicador. Hinata se encolheu e Sasuke tocou em seu queixo, a pressão mais suave possível. Os rostos já estavam muito perto, os lábios quase entreabertos, ambos já sentiam a respiração quente um do outro.

‘Nata!— o grito agudo de Hitachi tirou-os do transe – quelo meu lanchi!

Sasuke afastou-se sorrindo, Hitachi pulou no colo dele e Hinata foi pegar os lanches.

Papá, você viu u qui eu fiz? Eu pulei benhalto naquela hola.

― Eu vi sim – Sasuke respondeu com um sorriso derretido.

E naquela hola eu gilei i depois saltei i pulei di novo!

― Eu vi tudo, filho – ele pousou um delicado beijo na testa da criança.

Hinata voltou com os lanches e serviu ambos. Hitachi comeu dois e tomou seu suco, em poucos minutos estava dormindo no colo do pai. Sasuke o colocou deitado enquanto degustava o seu. Com Hitachi pulando e brincando perto deles, havia uma desculpa, mas agora o silêncio era constrangedor, principalmente pelo quase beijo que trocaram. Terminaram de comer e Hinata disse que o melhor seria partir, arrumaram as coisas e colocaram Hitachi deitado sobre algumas roupas secas no fundo da charrete. As mãos se tocaram de leve ao concluírem a tarefa, então Sasuke a beijou.

Não daquele jeito de antes, como fogo e paixão para todo lado, mas de um jeito terno e carinhoso, um beijo de amor, daqueles que só é possível dar ou receber quando se tem total certeza de que seus sentimentos nunca vão mudar, de que aquela pessoa sempre será amada apesar de tudo. Um beijo de amor verdadeiro que poucos terão a chance de receber durante uma vida. Hinata retribuiu aquele da mesma maneira que Sasuke, ela o amava e agora estava certa disso, mais do que nunca, o homem ideal para ela sempre foi Uchiha Sasuke, mas ela esteve cega demais, preocupada demais para perceber isso. Separaram-se e partiram sem dizer uma palavra, nenhum dos dois queria quebrar o encanto daquele momento.

Ao chegarem diante da casa de Hinata, ela estava com os olhos rasos de lágrimas, mas não deixou que nenhuma escorresse bobamente pelo seu rosto. Enxugou-as discretamente antes disso, Sasuke aparentemente não percebeu. Ele a ajudou com Hitachi, Hinata acomodou-o na cama, depois ela o acordaria para tomar banho e jantar, por ora achou bom que ele dormisse um pouco.

Sasuke deixou as coisas do piquenique improvisado sobre a mesa e se despediu.

― Eu já vou indo, Hinata. Amanhã pretendo levá-lo para ficar comigo em casa, pois depois disso vou para uma missão longa e não sei quando eu volto.

― Tudo bem. – ela disse com o coração apertado por ter ouvido “Não sei quando eu volto”.

Sasuke ainda permaneceu na soleira, ele estava com cara de quem faria ou falaria alguma coisa, mas nenhum som sairia daqueles lábios. Já Hinata só pensava que aquele beijo poderia ter sido o último e ela não queria pensar que aqueles lábios seriam de outra se ela não tomasse uma providência imediata. Hinata só conseguia pensar que quando Sasuke cruzasse aquela porta seria irremediável e para sempre. E ela não queria isso.

― Adeus, Hinata.

― Adeus... – “Não, o que estou fazendo? Não posso deixá-lo partir, não posso!” — ... Sasuke, fica?

**** 6 meses depois ****

Hinata se espreguiçou acordando. O bebê chorara a noite toda, ela estava exausta, mas teria que levantar para preparar o café. Hitachi levantou e arrastou os chinelinhos até o berço da irmã. Pegou ela no colo, Hinata apreensiva que ele derrubasse, mas ele nunca derrubava. Hitachi começou a brincar com a irmãzinha. Sayuri ria alto e soltava gritinhos excitados com as brincadeiras dele. Hinata sorriu vendo como os filhos já eram unidos apesar da tenra idade. Preparou o café enquanto manteve o olho neles, colocou a mesa e chamou Hitachi que grandinho já tomava café sozinho. Pegou Sayuri no colo e começou a dar de mamar para ela. A menina era uma versão miniatura da própria Hinata, exceto pelos olhos negros que ela herdara do pai. A japonesinha mantinha os olhos brilhando na mãe enquanto mamava e isso enchia Hinata de orgulho e amor.

Então ela sentiu, um toque delicado e o perfume inesquecível. O lírio branco que sutilmente seu esposo deslizava pela sua face. De brincadeira ele roçou a flor na testa do bebezinho que sorriu encantada e subitamente perdeu toda a fome, pois quando Sasuke aparecia, Sayuri esquecia de todo o resto. Hinata cobriu o seio e passou Sayuri para o colo dele, contemplou a flor delicada e pousando ao lado da xícara de café, falou:

― Enquanto você estiver por aqui ela não vai mais querer mamar.

― Tudo bem, eu espero você terminar então.

― Claro que não, amor. Você fica tão pouco tempo com eles, e ela tem o dia inteiro para mamar à vontade.

Trocaram um suave selinho e Sasuke tentou tomar café com Sayuri no colo, mas a menina adorava tanto o pai que ficava pendurada no pescoço dele, nessas ocasiões, a única pessoa que conseguia distrair a criança era Hitachi com suas brincadeiras malucas. Ele pegou Sayuri do colo do pai e foram os dois, meio engatinhando, meio se arrastando brincar na sala enquanto os pais tomavam café tranquilamente. Era a maneira de Hitachi ajudá-los a ter algum momento de privacidade, o menino sorriu, pois mesmo na sua inocência entendia que seu pai e sua mãe se amavam e que aquela família poderia ser considerada a mais feliz de Konoha.

Notas finais
Sem fogos de artício e um hentai memorável, foi assim que terminou Tsurai. Acho que Sasuke e Hinata mereciam um final tranquilo e doce, uma mostra do cotidiano feliz que eles tem como casal e família, espero que não tenham se desapontado, mas estou cada vez mais tendendo para sutilezas do que situações muito pesadas. Tsurai estava programada para conter 10 ou 12 capítulos, mas a coisa acabou tomando forma própria e mais do que uma mera continuação, Tsurai cativou um público só seu, separado de AB. A história poderia ter tomado mil direções possíveis, mas como sempre, eu deixo a coisa solta e o resultado me agradou muito. Não se acanhem em mandar seus reviews e MPs, mesmo que eu demore um pouco eu vou responder à todos. No mais, obrigada por me acompanharem até aqui, um super kissu para todos! PS: caso queiram, há um capítulo especial que reservei para o final do final. É o Hitachi já adolescente e mostra o futuro dele e da sua família e de alguns amigos especiais. Se quiserem ver esse capítulo publicado em Tsurai, me digam nos reviews. Mas não vou aguardar para sempre, até o dia 10 de agosto eu aguardo por vocês, depois disso eu vou marcar a FIC como encerrada, aí não vai dar mais para incluir nada, sabem como funciona, né? Kissu!