Tsufuru Mania
9 Capítulo VII
Todos ficaram parados por alguns instantes, pensando que se tratava de uma parte bizarra do espetáculo. Alguém deu um grito e, como se aquilo tivesse sido o sinal de largada, todos correram.
Alguns foram esmagados em poucos segundos, quando os saiyajins, em forma de macaco gigante, desceram ao chão. Eles pulavam, chutavam, davam socos e atiravam jatos de energia pela boca, tudo descontroladamente, e por vezes acertando até uns aos outros. As forças armadas começaram a atirar de todos os lados, mas isso não parecia causar muito efeito nos monstros. Alguns desses tiros pelo menos distraíam eles, dando alguma oportunidade para os civis fugirem.
Aqueles que estavam próximos a estações de metrô conseguiram se abrigar no subterrâneo da cidade, enquanto outros entravam nos prédios. Mas os saiyajins voavam e atacavam tudo que mexia ou estava parado, e o chão aqui e ali ficava marcados por crateras, e os prédios desmoronaram em uma confusão de fumaça e concreto. No final das contas, sobreviver em parte era uma questão de sorte.
Purin e Keki tentaram se manter juntos, e no final das contas, só estavam seguindo o fluxo aleatório de pessoas onde estavam. Conseguiram seguir por uma das ruas que cruzavam a avenida, a fim de se afastar de onde a aglomeração principal se concentrava. O grupo entrou em um prédio comercial pequeno, onde finalmente tiveram algum tempo para parar e pensar.
- Eu preciso encontrar a minha mãe! — disse Keki
- Deixa disso! Você vai virar picadinho logo, se for lá fora! — respondeu Purin, parando o primo. Eles ficaram em silêncio, tentando bolar um plano — Vamos definir um ponto de encontro, e quando tudo se acalmar…
Sequer houve tempo para completar a frase, quando um dos macacos gigantes apareceu. Ele levantou a parte de cima do prédio, como se estivesse abrindo um pote de biscoitos, revelando todo o primeiro andar, onde os tsufurujins estavam. Eles tiveram alguns segundos para sair correndo por uma saída no fundos, enquanto o saiyajin destruía o pedaço de prédio que ele acabara de arrancar.
O grupo foi ficando disperso quando alguns dos sobreviventes seguiram por becos diferentes naquela rua.
- Droga, eu deixei o meu celular cair! Tinha pegado ele para ligar e… Preciso pegá-lo de volta — dessa vez Purin não teve tempo de parar Keki, e correu junto dele. Eles estavam sozinhos.
Aquele saiyajin deve ter se distraído com alguma outra coisa para quebrar, pois ele não estava mais lá. Foi um pouco difícil encontrar o que restou daquele prédio, já que boa parte do quarteirão já havia sido transformado em ruínas. Além do fato de que a destruição ainda reverberava ao redor daqueles dois tsufurujins, impedindo que pensassem com clareza. Encontraram um monte de corredores e escombros familiares, então começaram a procurar no chão, de vez em quando olhando para o céu, como se pudessem fazer alguma coisa, caso fossem atacados.
- Achei! — disse Keki, com um sorriso triunfante que não combinava com o lugar.
Keki se agachou em um canto enquanto fazia ligação. Surpreendentemente alguém atendeu, e o garoto começou a falar freneticamente.
Purin foi ali perto na entrada da frente, para ver o movimento. O exército Tsufurujin havia chegado com armas mais pesadas, como tanques, jatos e até alguns robôs gigantes, que na verdade não chegavam a ser tão grandes contra os saiyajins transformados. Nada fazia efeito, e os agressores destruíram tudo impiedosamente.
Havia um saiyajin diferente dos outros; maior e mais imponente que os outros, inclusive vestindo uma capa vermelha gigante. Obviamente, Purin nunca o tinha visto pessoalmente, mas ainda que estivesse transformado, seu rosto e sua voz ainda preservam algumas características de um certo saiyajin, que apareceu na televisão algumas vezes, como o inimigo número um dos tsufurujin. Era ele mesmo, o Rei Vegeta. Parecia ser o único que preservava sua consciência, e destruía os jatos facilmente, como se fossem moscas, enquanto disse: “Resistir é inútil! Rendam-se, se assim desejarem, mas vão acabar morrendo de qualquer jeito”.
Inconscientemente, Purin já havia chegado a uma fria conclusão, sobre como tudo isso ia terminar, lá no fundo de sua mente, ele decidiu o que fazer, enquanto correu de volta para onde Keki estava, ainda falando no celular com sua mãe.
- Diga para irem lá no Centro Científico da cidade, assim que possível! Daqui a pouco nós vamos para lá também… O laboratório, com as invenções do nosso avô… As naves, o espaço… — disse Purin, seus pensamentos tão frenéticos quanto a bagunça lá fora.
A quanto tempo esse ataque havia começado? Minutos, horas, ninguém conseguia ter uma noção exata. Purin e Keki andavam escondidos pelos becos da cidade, avançando aos poucos. Quando precisavam atravessar alguma rua, esperavam até que ela ficasse tão tranquila quanto possível. Às vezes algum saiyajin ainda estava lá, arrancando as partes de um tanque de guerra, ou correndo atrás dos soldados atirando neles. Vários pontos estavam em chamas, então eles precisavam ser criativos com as rotas que escolhiam seguir.
Num certo ponto, precisavam atravessar uma área mais aberta da cidade, onde os prédios eram mais baixos e forneciam menos cobertura. Estavam esperando o momento certo para atravessar esse trecho, mas uma sequência de explosões foi se aproximando cada vez mais para onde eles estavam, então saíram correndo, à toda velocidade. Passaram bem perto de alguns dos monstros, mas a confusão era tanta que felizmente nem foram notados. Também precisavam tomar cuidado para não serem alvejados pelos soldados tsufurujin, ou mesmo pelos jatos, que à essa altura, apenas já bombardeavam a cidade nos pontos em que pareciam haver menos civis e mais monstros.
Após atravessar aquele trecho, Purin e Keki entraram em uma rua que parecia mais segura, até perceberem que ela não tinha saída. Eles deram meia volta, mas um dos saiyajins agora bloqueava o caminho. E a criatura os avistou. Ela foi correndo na direção deles, derrubando postes, carros e caminhões como se fosse nada. Teria atingido seu alvo também, mas parou no meio do caminho, urrando de dor. Começou a pular e dar voltas em torno de si, como se estivesse tentando pegar a própria calda, que estava chacoalhando loucamente.
À princípio, Purin e Keki não entenderam o que estava acontecendo, mas então viram algo preso à cauda do monstro, e esse algo estava golpeando a cauda incansávelmente. Não dava para acreditar, mas era ele mesmo: Bito. Ele se segurava na cauda com uma mão, e com a outra, a golpeava com um objeto afiado — nada mais do que um pedaço de ferragem que ele encontrou na rua.
Foram necessários vários golpes, mas no final das contas, a cauda se desprendeu do corpo e caiu no chão com um estrondo. Muito rápido, o macaco gigante começou a se transformar diante dos três tsufurujins; foi diminuindo de tamanho, os pelos foram sumindo, e assim voltou a ser um saiyajin normal, nú e inconsciente no chão.
Bito, que estava cheirando a álcool e sangue, começou a pular de alegria, berrando todos os palavrões que conhecia — não eram muitos, porque no final das contas, ele ainda era um tsufurujin. Purin e Keki tiveram que acalmá-lo.
- É ISSO AÍ, DESGRAMA! O INCRÍVEL, O IMPOSSÍVEL, O INACREDITÁVEL BITO SALVOU A PORCARIA DO DIA, MELECA!
- Cara, obrigado por nos salvar, mas cala a boca! — disse Purin, olhando ao redor. Felizmente ou não, a cidade ainda estava uma bagunça, então os gritos de Bito não chamaram atenção.
E assim o trio saiu dali. Purin e Keki quase tiveram de puxar Bito, que parecia um animal selvagem, ansioso para lutar contra mais saiyajins. Eles resolveram entrar no prédio na ponta daquela rua sem saída, e por sorte, encontraram uma porta que dava em um beco que estava bem mais tranquilo. Seguiram caminho por ali.
Conseguiram avançar por vários metros, e já começaram a se sentir aliviados, à medida que se aproximavam do objetivo. Mas então um dos macacos gigantes passou voando sobre suas cabeças, atirando no chão sem um alvo específico. O tremor fez com que Purin, Keki e Bito caíssem no chão, e os prédios desmoronaram ao redor deles.
Não houve tempo para nada além de tentar se proteger. Purin levou alguns instantes para perceber que estava gritando de dor; um pedaço de parede e vários destroços caíram em cima de seu braço.
Keki e Bito fizeram de tudo para tentar levantar a parede, mas ela não se mexia. Enquanto isso, o barulho atrás deles não diminuiu
- Minha… Minha mão… Ela virou farelo — disse Purin. Ele olhou para a parede caída, depois olhou para trás. Não era seguro continuar ali, e também não havia como ele próprio sair — Vão embora. Vão logo!
- Seu paspalho, pensa que vai conseguir se livrar da gente assim tão fácil? — disse Bito. Algo havia despertado dentro dele desde que o ataque começou horas antes, e à essa altura, ele estava quase irreconhecível. Antes do ataque, talvez o próprio Bito duvidasse que fosse capaz de algo assim, mas naquele momento, talvez sem hesitação, ele usou aquele pedaço de serragem que ainda estava em sua mão, para cortar o braço de Purin.
Foi um corte único e rápido, bem mais fácil que com a calda do saiyajin. Keki obviamente ficou perplexo por alguns segundos, mas ao ver o primo gritando de dor, deixou que seus instintos tomassem conta de si. Felizmente ele costumava prestar atenção às aulas da escola e uma delas era de primeiros socorros, que não parecia tão importante na época. Keki arrancou um pedaço da própria camisa, que já estava meio rasgada, e usou como atadura para cobrir o braço de Purin.
- Droga, a gente tem que sair daqui logo! — disse Bito, enquanto tomava a dianteira pelo caminho que estavam seguindo.
Keki tentou ajudar Purin a se levantar. Este conseguiu correr aos tropeços por alguns metros, mas estava ficando sem energia, então Keki o colocou nos ombros para carregá-lo.
- Vamos, cara, não desmaie agora — Purin conseguiu ouvir Keki dizer, enquanto ficava cada vez mais difícil continuar acordado — Estamos quase chegando no laboratório…
“Por aqui” gritou Bito, vários metros à frente. Ele estava em uma parte mais aberta da cidade e corria para entrar em outro beco, onde estaria mais escondido. Keki tentou apertar o passo com o primo nos ombros, mas antes que pudesse progredir muito, outro macaco gigante apareceu. Bito foi visto pela criatura, e ao perceber isso, entrou o mais rápido que pôde no prédio mais próximo. Keki teve que se segurar para não dar um grito que chamaria atenção demais; o saiyajin disparou uma rajada de energia pela boca, no prédio onde Bito acabara de entrar. A construção toda desmoronou com uma grande explosão lançando ondas de choque e destroços para todos os lados.
Keki olhou para aquilo por alguns instantes, e sem ter mais o que fazer, deu meia volta e procurou outro caminho. À essa altura, as piscadas de Purin ficavam cada vez mais demoradas, até que ele por fim, perdeu a consciência.
…….
Purin acordou bastante tempo depois, sem saber onde estava. À princípio, pensou que o ataque dos saiyajins havia sido um sonho estranho, mas aos poucos, foi entendendo o que aconteceu, então olhou ao redor, procurando Keki ou qualquer rosto conhecido. Mas estava sozinho, em um quarto escuro. Havia apenas escuridão e silêncio. Purin estava com dor no braço direito, e ao olhar, se lembrou que não tinha mais aquele braço até antes do cotovelo. Estava coberto por bandagens novas, não aquelas improvisadas que Keki fez. Aliás, onde ele estava?
Aquilo era um quarto normal, e a porta estava aberta mostrando um corredor, com luzes também apagadas. Purin ia se levantando, até que viu alguém andando pelas sombras, em sua direção.
- Olá! — era ninguém menos que Sunakku — te procuramos por toda parte.
O ambiente era estranho demais para que Purin tivesse tempo de se sentir aliviado ao ver o amigo. Logo em seguida, outra pessoa apareceu, confirmando suas suspeitas. Exalando uma aura inconfundível, ele também veio andando pelo corredor, com a capa vermelha esvoaçando atrás de si. O homem que venceu a guerra e agora era o rei não só dos saiyajins, mas de todo o planeta.
- Saudações, Purin — disse o Rei Vegeta.
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