Tsufuru Mania

11 Capítulo IX


Obviamente eram saiyajins. Purin os viu se aproximando pela escuridão, com seus típicos uniformes, se perguntando o que queriam com ele uma hora dessas. Foi então que identificou seus rostos.

- Qual é a boa, carinha? Espero que não tenhamos perturbado seu sono — era Otosu! De trás dele também veio Ichigo.

- Olá! Precisa de uma mã… Digo… — ela parou de falar, desconsertada ao ver que Purin não tinha mais uma das mãos. Chiri apareceu também, junta com os gêmeos Orenji e Ringo, todos rindo da gafe.

- O que vocês estão fazendo aqui? — perguntou Purin. Precisou piscar algumas vezes para ver se não estava sonhando, mas estava feliz em vê-los.

- Acho que temos muito o que conversar, mas por enquanto, precisamos te tirar daqui — explicou Otosu.

- Eu… Não posso sair. Se eles virem que eu sumi, vão matar Keki e os outros sobreviventes.

- Relaxa, já está tudo no esquema.

Todos os saiyajins estavam bastante ocupados. Tinham que reconstruir a cidade, vigiar os prisioneiros, cuidar dos equipamentos tecnológicos e tudo mais que pudesse acontecer. Eles não tinham prática administrando tudo isso. Usavam uma prancheta onde registravam à lápis os estoques e horários dos funcionários, mas às vezes os gerentes ficavam impacientes e esqueciam de trazer consigo a prancheta e anotar qualquer informação importante. Eles não usavam crachás, então qualquer saiyajin de armadura podia andar livremente por boa parte daquele centro científico. Otosu e seu grupo tinham as armaduras, aquelas que roubaram tempos antes. Claro, eles ainda precisavam andar de cabeça baixa para ninguém estranhar os rostos novos, e além disso, aquelas armaduras eram de uma patente mais baixa, o que significava que eles não podiam entrar em áreas mais restritas. Mas desde a manhã seguinte ao Dia da Lua, a companhia de Otosu se infiltrou no exército inimigo para encontrar Purin e seus amigos.

Naquela manhã, duas semanas atrás, os saiyajins nômades acordaram nús e desorientados, em meio a seus acampamentos destruídos. Nos tempos mais recentes, eles eram mais organizados e tinham acampamentos maiores, então definitivamente estranharam quando encontraram tudo aos pedaços, sem causa aparente. Lhes veio à mente uma manhã parecida com essa, dez anos antes. Aquilo estava escondido e empoeirado em suas memórias, como uma lenda urbana que muitos duvidavam que havia realmente acontecido. Mas era real, e estava ali, bem diante deles.

Eles ainda sequer sabiam sobre a transformação em Oozaru, então logo chegaram à conclusão de que haviam sido atacados. Mas por que ninguém havia morrido?

- Se fossem tsufurujins, teriam nos matado, ou nos levado para alguma prisão — eles diziam.

- É, e por que deixaram a gente pelado? Pervertidos! Os tsufurujins são pomposos demais para isso.

- Eu falei para vocês que aquilo tinha acontecido mesmo, a dez anos! Eu sabia que eu não estava louco.

Ficaram jogando teorias uns contra os outros, enquanto se vestiam e tentavam arrumar o lugar. No final das contas, chegaram à conclusão de que aquilo devia ter sido obra dos outros saiyajins, aqueles que não pertenciam aos nômades. Então eles se organizaram para um contra-ataque, ou pelo menos para ir ver os outros possíveis agressores para entender melhor o ocorrido. Se separaram em grupos para procurar.

Assim, Otosu, Chiri, Ichigo, Orenji e Ringo foram para a Cidade Central, onde sabiam que Purin morava, para procurá-lo. Encontraram o lugar destruído e, já usando aqueles uniformes roubados como disfarce, andaram por aí escutando conversas para tirarem suas conclusões.

Os saiyajins falavam principalmente sobre os planos para reconstruir a cidade e sobre o ataque no dia da lua. A companhia de Otosu foi para o centro de pesquisas científicas no norte da cidade, quando ouviram falar que alguns prisioneiros haviam sido levados para lá, por algum motivo. Mesmo com os disfarces, eles se sentiam meio deslocado naquele ambiente, cheio de máquinas de propósitos desconhecidos. Mas tudo bem, pois outros saiyajins ali também pareciam perdidos; aquilo era como um mundo novo, não só para os tsufurujins sobreviventes.

Otosu ordenou que seus amigos se separassem para procurar pistas, e depois se reunirem no que parecia ser um depósito de suprimentos de limpeza, para discutirem um plano. Foi Ichigo que encontrou um garoto baixinho, Keki, sendo escoltado por dois guardas. Ela os seguiu e encontrou o lugar onde ele e sua família estavam presos. Ichigo conseguiu trocar algumas palavras com Keki, que explicou o caminho onde Purin foi aprisionado. Otosu e os outros foram para lá durante a noite, quando o lugar era pouco movimentado.

- Agora só precisamos dar um jeito de tirar vocês daqui — disse Otosu — Vocês serão bem vindos com os Nômades, eu acho. Nossas tribos nunca gostaram muito dos tsufurujins. Na verdade, achamos que vocês são uns bobocas, mas também nos sentíamos assim com os outros saiyajins, e depois daquele extermínio, o clima com eles ficou bem pior. Agora que o Rei Vegeta não tem mais que se preocupar com os tsufurujins, estão dizendo que ele vai se virar contra aqueles saiyajins que não concordam com sua visão de mundo ideal. Vai haver uma nova guerra. De qualquer maneira, não temos culpa pelo que os outros saiyajins ruins fizeram, mas vamos fazer o que for possível para compensar.

Purin parou de prestar muita atenção no meio do discurso, e voltou a olhar para o céu estrelado por aquela janela. Não queria ficar ali, mas também não queria ir para outro lugar. Na verdade, não queria nada em especial, então apenas concordou, sem pensar.

- Maravilha! Você vai adorar o nosso ensopado, é bem melhor do que essa coisa que servem aqui — disse Orenji.

- Cara, falando em ensopado, a gente devia trazer umas colheres e cavar um túnel para longe daqui, ia ser insano! — sugeriu Ringo.

- Nunca que isso ia funcionar! Você devia usar a ideia de Keki e construir uma armadura de ferro — disse Ichigo.

- Ou a gente podia só ir de fininho pela saída, não? — interveio Chiri — Vamos andar mais um pouco pelo local para descobrir qual é a melhor rota, e amanhã, colocamos o plano em prática.

- Que rota? Dez mil saiyajins malvados estão entre nós e a saída. O que poderíamos fazer? — perguntou Purin.

- Vamos atrair a atenção do Rei Vegeta e seus homens. Esvaziar o laboratório todo. Faremos um ataque surpresa do lado de fora para lhes dar tempo e uma passagem segura até a saída — explicou Otosu.

- Uma distração — disse Orenji, para o caso de alguém não ter entendido o plano.

Mais tarde naquela noite, Chiri andou mais um pouco pelo laboratório. A essa altura, ela já estava conhecendo bem o lugar, e até encontrou um mapa, então ela ficaria encarregada de escoltar os tsufurujins até a saída enquanto os outros criavam a distração. Ela também pegou alguns scounters, depois que Purin explicou onde procurar, então todos no grupo poderiam se comunicar enquanto executavam o plano.

Naquele mesmo horário, na madrugada seguinte, Chiri apareceu sozinha para buscar Purin. As luzes ficavam acesas o tempo todo, e ainda havia inimigos acordados aqui e ali, então tinham que avançar com cautela.

- A gente não teve muito tempo para conversar… como você está? — perguntou Chiri, enquanto esperavam a hora de começar o plano.

- Na verdade, ainda não tive tempo para pensar sobre isso. Só sei que estou vivo, e que eu queria dormir e comer uma comida boa.

- Olha, isso tudo é uma droga — esse era o jeito de Chiri de dizer que sentia muito pelo que aconteceu — Mas vamos chutar o traseiro do Rei Vegeta e dos outros, antes que isso tudo termine.

- A barra está limpa, vão rápido — disse Otosu, pelo scounter.

Os dois saíram do quarto, rumo à ala Oeste do laboratório, onde Keki e os outros estavam. Chiri ia na frente, e quando precisavam dobrar alguma esquina, ela avançava um pouco mais para se certificar de que não havia nenhum guarda naquele corredor, antes de sinalizar para Purin que estava tudo bem. Assim foram avançando pouco a pouco, noite adentro. O silêncio era ao mesmo tempo reconfortante e assustador.

- Orenji conseguiu pôr as mãos em uma prancheta onde eles anotam os horários dos guardas — Chiri sussurrou para Purin enquanto avançavam — Ele cuidou para que nenhum deles ficasse de vigia por aqui esta noite. De qualquer maneira, é melhor irmos logo.

Ainda próximos ao complexo de dormitórios onde iniciaram a empreitada, passaram por uma sala grande com televisões, mesas de sinuca, pingue pongue, entre outros. Era uma sala de recreação para os cientistas que outrora dormiam e trabalhavam por ali. Felizmente os saiyajins haviam estabelecido seus dormitórios em algum outro lugar, e não havia ninguém de vigia. Pelo menos, não até aquele momento.

- Ei, você! Onde pensa que vai? — Chiri e Purin congelaram em seus lugares, antes de perceberem que era a voz de Orenji.

- Como assim, onde vou? O chefe me mandou ir ver o prisioneiro — era a voz de um saiyajin desconhecido, chamado Jerry. Ele entrou no salão onde Chiri e Purin estavam, mas felizmente estes já haviam se escondido agachados atrás de um sofá.

- Isso aqui não é mais bagunça, rapaz. Seu nome não está na lista de vigia hoje — interveio Ringo, que se juntou ao irmão. Eles não estavam exatamente tranquilos, mas sabiam mentir bem — Você pelo menos abriu um chamado com o setor de logística para agendar uma vistoria?

- Mas que chamado, o que?! Você não me entendeu, o próprio chefe me mandou ir ver o garoto até o fim da noite — o saiyajin estava ficando impaciente, e continuou a andar rumo ao quarto, agora vazio.

- Você é que não entendeu, a gente não faz mais as coisas de qualquer jeito — disse Orenji — Até começamos a anotar as escalas de horários em duas pranchetas, caso uma delas se perca. Agora o chefe quer que nos organizemos melhor, e se ele te pediu que você ficasse de vigia, provavelmente ele espera que você tenha a iniciativa de abrir um chamado com o setor de logística, antes de sair andando por aí à toa.

Esse tal guarda não era dos mais inteligentes. Ainda assim, talvez ele percebesse que havia algo de estranho, se não fosse pelo sono e indisposição que sentia em ter que ficar de vigia no turno da madrugada. “Mas onde é que abro esse chamado, então?” ele perguntou, com alguma esperança de que alguém abrisse um chamado para ficar de vigia antes, o livrando daquela tarefa.

- Céus, temos que fazer tudo por aqui. Vem, te levamos para lá — disse Orenji, saindo dali junto com o outro saiyajin. Ringo, que havia percebido Purin e Chiri escondidos atrás do sofá, lhes fez um “joinha” e foi embora também.

Após avançarem mais, e agora sem mais interrupções, Chiri e Purin finalmente chegaram até o complexo de dormitórios da ala oeste. Keki estava a um bom tempo apreensivo olhando para a porta, e ficou aliviado ao ver os amigos chegando.

- Vocês conseguiram! — ele disse, tentando não fazer barulho, apesar da empolgação.

Eles passaram pelos outros quartos para reunir os familiares e conhecidos de Purin e Keki, que também estavam alojados ali. Formavam um grupo de cerca de 30 pessoas, e o humor deles não era unânime.

- Fomos capturados por saiyajins e agora estamos sendo resgatados por saiyajins, isso não me cheira bem — uns diziam — é como sair da frigideira para cair no fogo, estou dizendo. Como vamos saber se as celas deles são melhores do que essas onde estamos agora?

- Que comida vocês servem aos seus prisioneiros?

A discussão continuou dando voltas naquele assunto por uns bons minutos. Chiri teve de responder mais de uma vez quem ela era, e qual era o plano, e ela estava ficando impaciente. No final das contas, Razuberi, a mãe de Keki, pôs um ponto final à discussão.

- Vamos confiar no que essa moça está dizendo. Ela é amiga de Purin e Keki, e parece ser uma boa pessoa.

Chiri ficou aliviada — e um pouco feliz com o elogio — e pegou o scounter para mandar a mensagem para Otosu e os outros. “Estamos reunidos e prontos para sair. Podem mandar bala” ela disse, e se virou para os tsufurujins “Meu grupo já deve estar do lado de fora. Eles vão atirar com todas as forças na entrada principal do prédio. Isso deve atrair a atenção dos outros saiyajins para fora, enquanto nós também saímos, mas por uma saída que vai pelo estacionamento, nos fundos”

O prédio inteiro começou a tremer. Foram cerca de 12 explosões na entrada, com intervalos curtos entre uma e outra. Janelas quebravam e objetos caíam no chão enquanto o pânico se instaurava, até mesmo nos tsufurujins, que já estavam esperando isso. Logo que as explosões terminaram, ouvia-se apenas gritaria e os soldados saiyajin marchando às pressas para fora. A essa altura, Otosu e os outros já deviam ter voado para longe dali. Chiri e os fugitivos também começaram seu trajeto até a saída. Ainda precisavam ter cuidado para não serem vistos, o que era difícil por estarem em um grupo tão grande, além de que haveria pouco tempo antes de os soldados perceberem que aquele ataque não havia sido nada aleatório.

Chiri conseguiu guiar os fugitivos até o térreo do prédio. Lá, ainda havia um labirinto de corredores até chegarem à saída do estacionamento. Tiveram de esperar mais alguns momentos antes que todos os soldados tivessem saído, já que qualquer um ali veria um grupo de mais de 30 pessoas tentando fugir. Os minutos pareciam durar horas, mas por fim, eles finalmente avistaram a porta automática que dava para o estacionamento. Foram correndo até lá, já que com a barulheira lá fora, não seriam ouvidos. Quando estavam prestes a sair, Chiri indicou imediatamente que parassem, pois ela viu um grupo de soldados de guarda por ali, esperando que houvesse mais algum ataque ao prédio. Esses saiyajins estavam agitados, discutindo sobre o que havia acontecido.

- Seja lá quem nos atacou, ainda está à solta, e vai atacar de novo, quando menos estivermos esperando — disse um deles, que parecia ser o líder. Ele indicou alguns de seus companheiros — Vocês, vão para a entrada da frente e fiquem de olho em qualquer coisa suspeita

- Espera, acho que a gente devia abrir um chamado com o setor logístico — disse outro.

- Pro inferno com esse chamado, Jerry.

Parte do grupo foi marchando até a porta da garagem, rumo à entrada da frente. Chiri se comunicava com Otosu pelo scounter, enquanto ela e os outros corriam dalí, ainda sem serem vistos.

- Não, não vão pela saída da frente! — disse Otosu — Há alguns soldados vigiando aquelas partes, pelo que vi. Acho que não tem ninguém nas laterais do prédio, então acho que vocês vão conseguir sair por alguma janela.

- Você acha? Hã, que animador — disse Chiri.

O grupo corria, à procura de uma janela que desse para fora. Isso não estava no plano inicial, e naquela situação perigosa em que estavam, era difícil pensar com clareza. Chiri instintivamente queria apenas explodir todas as paredes no caminho e sair voando, mas nenhum dos tsufurijins podia voar ou correr muito rápido, e eles seriam descobertos imediatamente. Por fim, seguiram correndo por um corredor mais longo, e Purin se lembrou de ter passado por lá uma vez. Não havia saída naquele corredor, apenas uma porta na lateral. Foi quando o grupo se virou para passar por aquela porta, que alguém os avistou.

- Encontrei! Encontrei os invasores! Vamos… Espera, é você mesma? — Quem falava era talvez o único saiyajin que poderia reconhecer Chiri. Ninguém menos do que o Grande Nappa, com quem Chiri e os outros lutaram no deserto semanas atrás. Nappa estava muito feliz e confiante, rindo com o alguns soldados que o acompanhavam logo atrás dele — Eu não pensei que teria uma chance de acertar as contas com você. Rapazes, sentem-se e observem; vai ser rápido, mas vai ser um espetáculo.

Chiri estava em grande desvantagem, mesmo com Nappa optando por lutar sozinho. Ainda assim, ela deu um passo à frente. O sangue saiyajin à impelindo para a batalha.

- E eu não pensei que ia precisar te ensinar de novo quem é que manda, mas já que você insiste — ela continuou andando em direção ao oponente, estralando as juntas dos dedos. Ela se dirigiu aos tsufurujins uma última vez — Vão por essa porta, coelhinhos. Eu cuido disso, Eu acho.

Os tsufurujins saíram por aquela porta sem hesitar. Apenas Purin ficou por mais um momento “Só voa para longe daqui, você não tem a menor chance!” ele disse, mas sabia que era em vão. Estava com o scounter no rosto, e assim viu que o poder de luta de Nappa era bem maior, porém, o de Chiri continuava aumentando.

Purin caiu para trás quando a explosão começou. Nappa e Chiri atiraram uma rajada contínua de energia um contra o outro, ao mesmo tempo. A colisão de poderes ficou flutuando entre os dois. A luz ofuscava, o som era muito alto, e as paredes ao redor começaram a rachar. Não demorou muito e Chiri estava dando tudo de si para vencer o duelo. Nappa, por sua vez, usava apenas uma das mãos para segurar a rajada de energia. Não estava realmente fácil, mas ele estava brincando com ela.

Enquanto isso, Keki e os outros tsufurujins estavam do outro lado daquela porta, e assim se encontravam no que parecia ser um aeroporto, com uma grande área ao ar livre logo à frente. Não havia nenhum avião ali, apenas naves espaciais!

Obviamente o chão tremia ali também, e o barulho da batalha no corredor ao lado reverberava por todo canto em um raio de quilômetros. Por aquela área no aeroporto, os tsufurijins viram muitos pontos voando no céu à distância. Os soldados saiyajins chegariam ali em questão de segundos. Sem outra escapatória, alguns tsufurujins ficaram parados, torcendo para aqueles soldados voadores não os avistarem, enquanto outros foram entrando em uma das naves, a maior que havia. Keki percebeu que o primo não estava ali, então, apesar da vontade de sair correndo, voltou para o corredor de antes.

A colisão de poderes ainda estava acontecendo. Nappa gargalhava a plenos pulmões, pois estava quase ganhando. Keki não foi percebido, e dotado de uma coragem desconhecida, fez o único ataque que tinha à sua disposição. Ele tirou o scounter que estava em seu rosto e o atirou. Não mirou muito, pois provavelmente não adiantaria, mas acertou em cheio, bem na cabeça de Nappa. Na verdade, o scounter não apenas acertou na cabeça, mas entrou e ficou entalado na enorme boca de Nappa, que antes estava gargalhando. A surpresa foi tanta que ele se distraiu por um segundo, e assim ele não conseguiu conter o ataque de Chiri, que veio com tudo. A energia de Chiri, somada com a de Nappa, causou uma grande explosão onde ele e os outros soldados estavam, e todos eles foram jogados para longe. Além disso, as paredes ao redor foram derrubadas.

Mesmo após a explosão, o prédio ainda tremia e rachaduras ecoavam pelo lugar. Se o prédio não caísse em cima dos tsufurijins, os saiyajins apareceriam e os capturariam.

- CARAMBOLAS, CARAMBOLAS, CARAMBOLAS! LEVANTA DAÍ, SEU PALERMA — disse Keki, ajudando Purin a se levantar. Ele olhou para Chiri, que estava parada, incrédula — VOCÊ AÍ TAMBÉM, VAMOS DAR O FORA DAQUI.

O trio voltou para o aeroporto, pela passagem da parede derrubada. Pela abertura do teto, viram que centenas de saiyajins se aproximavam do lugar da explosão, logo atrás. Seria impossível sair dali sem chamar atenção.

Todos os tsufurujins haviam entrado na nave maior, e sem outra escapatória aparente, Chiri, Keki e Purin entraram também. A nave estava cheia. Um dos tsufurujins apertava botões aleatoriamente, tentando decolar, enquanto Razuberi estava desesperada perguntando aos outros sobre o paradeiro de Keki. Ela ficou aliviada ao vê-lo entrar.

Purin mandou que todos se sentassem, e começou a digitar no computador da nave, tão rápido quanto possível, com sua única mão, inserindo coordenadas para o único planeta habitável que conhecia. A ideia de sair de seu planeta natal para sempre deve parecer assustadora, mas em meio àquele caos, e o fato de que estavam prestes a serem capturados e mortos, os tsufurujins só queriam sair dali o mais rápido possível.

- Cara, não tem lugar para todo mundo — Keki disse ao primo — Estamos em 33, mas só tem 30 acentos.

Razuberi insistiu em ceder seu lugar. Alguns outros parentes fizeram o mesmo, embora não tão dispostos.

- Ninguém vai ficar para trás. Keki e Chiri, tem naves esféricas menores lá fora, cada um de vocês, entre em uma, e daqui a pouco vou colocar as coordenadas para vocês — Purin disse, enquanto terminava de configurar a nave. Quando estava tudo pronto, ele mandou os passageiros se sentarem, apertarem os cintos e aguardarem a decolagem, que aconteceria em poucos segundos.

Purin saiu da nave maior antes de a porta terminar de fechar. Ele então foi para as naves menores, onde Keki e Chiri estavam, e as preparou para a decolagem — o que felizmente foi bem mais rápido do que configurar a nave maior. Após isso, ele entrou em uma terceira nave esférica, inseriu as mesmas coordenadas, e assim partiu junto com as outras naves. No céu, pela janela da pequena nave, Purin pôde ver que os soldados saiyajin obviamente perceberam a fuga. Eles poderiam ter hesitado em destruir as preciosas naves quando elas estavam no chão, mas agora que elas estavam prestes a partir pelo espaço sideral, os soldados abriram fogo. Centenas de raios cortando o céu de baixo para cima, mas felizmente, nenhum deles acertou os alvos, nem mesmo a nave maior. Alguns soldados tentaram voar mais alto para atingir as naves com as próprias mãos, mas a essa altura, a atmosfera rarefeita, a súbita queda de temperatura e a radiação, acabaram sobrecarregando até mesmo a super fisiologia dos saiyajins.

Dentro de sua nave, uma Chiri ainda ofegante usou o scounter em seu rosto para mandar uma última mensagem.

- É, amigos. Estou de saída, e não sei quando vou voltar.

- Como assim? — disseram Otosu e os outros — Vocês conseguiram escapar? A gente ouviu uma explosão enorme.

- Eu derrotei o Grande Nappa, foi incrível! Vocês deviam ter visto — disse Chiri. Ela conversou um pouco com os amigos, mas rapidamente, o sinal do scounter começou a enfraquecer, e Chiri foi caindo no sono.