Tsufuru Mania
16 Capítulo XIV
O tempo estava mais caótico do que nunca em Remonpai. Rei Vegeta olhou ao redor com escárnio, procurando sua oponente, mas encontrou apenas a escuridão, frequentemente interrompida por raios que iluminavam tudo: um planeta fantasma, quase sem vegetação, e as poucas criaturas vivas ficavam escondidas em seus buracos.
- É uma escolha muito estranha para um campo de batalha, e seu futuro túmulo — disse Vegeta, sua voz retumbante se sobrepondo aos trovões — Bem, aqui estou. Apareça!
E ninguém apareceu. É verdade que Chiri chegou no planeta apenas quase uma hora depois, mas quando finalmente ela chegou, ficou escondida, observando, calculando e ganhando tempo.
O Rei rapidamente ficou impaciente, voando a esmo pelo planeta. Em sua ira ao receber o desafio, acabou esquecendo de trazer seu scounter para o campo de batalha. Ele começou a atirar rajadas de energia no chão, causando explosões que devastavam o ambiente já bem devastado. A situação estava fora do controle do Rei, o que o deixava furioso. Mesmo assim, ele continuou procurando, e quando já estava pensando em desistir, viu algo parado no ar, muitos metros à sua frente. Era Chiri.
- Foi mal pela demora, velho.
- Até que enfim apareceu. Eu estava começando a achar que você estava escondida, tremendo de medo. Nesse caso, eu explodiria o planeta inteiro e iria embora.
- Aposto que você estava torcendo por isso, não? É a primeira vez que te vejo sem seus guarda-costas, então aposto que você achou que ia escapar da luta e se safar.
- Olha só quem fala! Você marcou este combate pelo trono supremo do Planeta Vegeta, mas muito longe do Planeta Vegeta. Eu tenho certeza que você tem centenas de amigos escondidos por aqui, prontos para te ajudar. Ou isso, ou qualquer outro tipo de truque para te dar alguma vantagem. Mas já adianto que não irá servir para nada. Eu sou invencível; meus socos são bombas atômicas, meus chutes são terremotos, e minha energia é como o fogo infinito do inferno. Já derrubei exércitos sozinho, poderia destruir planetas inteiros se quisesse, e jamais perdi um combate sequer.
- Você devia me agradecer por te poupar de ser humilhado diante de todo seu exército. Você vai perder. Suas palavras são um monte de clichês vazios, seu reinado é patético. E seu cavanhaque é tosco.
Por mais que Chiri estivesse no ápice de sua autoconfiança, ela sabia que estaria em desvantagem em um combate de igual para igual. Ela era uma guerreira honrada, mas não tinha medo de usar quaisquer estratégias à sua disposição para igualar o jogo. A troca de insultos era algo típico no início das lutas entre os saiyajins, mas com isso Chiri tinha um objetivo em mente: O Rei Vegeta era sábio demais para perder o foco com meros insultos, mas o que ele ainda não percebia era que, a cada minuto que passava, a radiação invisível do planeta afetava seu corpo, enquanto Chiri estava imune a isso, já que comeu os cogumelos mágicos no caminho para lá. Fora isso, ela estava mais acostumada com a atmosfera única de Remonpai.
- Você está começando a me deixar entediado — o Rei Vegeta finalmente assumiu uma postura de combate — Prepare-se para conhecer o verdadeiro terror!
- Cai dentro!
Rei Vegeta voou rápido. Chiri se adiantou e deu o soco, calculando o momento exato em que o oponente teria chegado até ela. Mas Vegeta desviou e quando se virou para contra atacar, Chiri já havia voado para baixo. Mais uma vez, ele foi até ela, mas seu golpe acabou atingindo apenas o chão quando ela desviou, causando um tremor violento. Isso continuou por um tempo, Chiri desviando de golpes e voando para longe, até que dessa vez, Vegeta se adiantou e atirou uma rajada de energia. Chiri agachou para se desviar, e então teve de dar cambalhotas ao redor do oponente para desviar dos próximos ataques de energia.
Apesar da forte ventania, essa sequência de explosões levantou nuvens de poeira ao redor de Vegeta, que por isso, teve de parar para encontrar a oponente, mas não podia ver nada. Chiri, por outro lado, ainda usava o scounter, e assim conseguia ver seu alvo e pulou para atacar. Apesar da alta velocidade, Vegeta conseguiu escutá-la e segurou o punho dela meio segundo antes de quando seria atingido pelo soco. Mas Chiri aproveitou seu momentum e deu-lhe uma cabeçada. Aquilo não chegou a machucar Vegeta, mas surpreso por ser um ataque inesperado, ele acabou soltando o punho, e Chiri aproveitou para atingi-lo com um dropkick, assim também impulsionando-se para longe. Ela então parou e ficou correndo saltitando em círculos, para zombar do oponente.
- Uau, até que foi um bom aquecimento, mas… — Chiri disse, fazendo alguns alongamentos para aumentar o deboche. Não dava para perceber por causa da distância, mas o início do combate já a deixou sem fôlego — espero que esteja pronto para terminar o reinado mais curto da história de Planta. Eu já acertei dois golpes, e você, nenhum.
A provocação funcionou, mas apenas por alguns segundos, e Vegeta rapidamente se acalmou.
- Está satisfeita com seu showzinho? Não conseguiu nem me fazer cócegas. Eu, por outro lado, já aprendi todos os seus movimentos. Não vou errar meu próximo golpe.
- É? Então faça valer.
Os dois ficaram se encarando à distância por um tempo, enquanto começou a chover. Vegeta calculava friamente qual seria seu próximo ataque, enquanto Chiri aproveitava esses preciosos segundos para descansar. Furacões, raios e trovões por todo o lado, mas por um momento, parecia que não havia nenhum som, nem nada no mundo além daquelas duas presenças, se preparando para destruir uma à outra.
O momento finalmente chegou e Vegeta voou para atacar. Ele não esperava por isso, mas Chiri voou em sua direção também e o atacou de frente. Assim começou-se uma sequência frenética de golpes por ambas as partes. Socos e mais vários socos, alguns chutes, uma cabeçada e todo tipo de golpe — Chiri chegou a morder o braço de Vegeta quando quase foi atingida por um soco, mas acabou não surtindo muito efeito. Foram golpes furiosos, com muito dano e pouca estratégia. Chiri acabou levando muito mais dano com isso. Ela sabia que seria assim, mas também sabia que não poderia só ficar provocando e fugindo do Rei, antes que ele se irritasse e simplesmente explodisse o planeta. Precisava deixar a isca próxima, para que Vegeta passasse a maior quantidade possível de tempo sendo afetado pela radiação de Remonpai. Mas Chiri estava ficando cansada e acabou caindo no chão depois de levar um golpe. Vegeta ia dar um soco final com o braço direito enquanto a oponente estava caída, mas ela conseguiu desviar e reverter o golpe em uma chave de braço.
Vegeta tentava se libertar da chave, mas Chiri continuou segurando e torcendo o braço dele tanto quanto pôde. Aquilo continuou por mais dois importantes minutos, até que Vegeta começou a socar as costelas dela com o outro braço, e ela então teve de soltar. Isso deixou Vegeta muito irritado, e agora livre, ele iniciou mais uma sequência de ataques. Dessa vez, porém, não conseguiu acertar nenhum; além do braço doendo, estava com vertigem e um calor desproporcional. Então Chiri conseguiu contra atacar cada vez mais golpes, até que Vegeta se afastou, ao perceber que estava em desvantagem.
- Hã, o que foi? — disse Chiri, limpando o sangue do queixo — Está se sentindo meio mal? Acho que está pegando um resfriado.
- Você… — o Rei Vegeta estava ofegante, olhando para as próprias mãos trêmulas. Ele já havia percebido que não tinha muito tempo — Você quase me pegou… Quase. Já sei porque você escolheu este campo de batalha, mas não pense que você ganhou de mim por um truque barato como este. A partir de agora, vou lutar com tudo.
A confiança de Chiri se abalou um pouco ao ver o oponente rindo. E então foi se abalando mais ainda, quando ele começou a gritar, carregando sua energia, aumentando ainda mais o caos no planeta.
……..
O planeta inteiro parecia tremer enquanto o Rei Vegeta acumulava seu poder, que transbordava de seu corpo iluminando tudo ao redor.
Chiri ficou espantada, vendo os números no scounter subindo descontroladamente. Ela removeu o aparelho, que já não servia para muita coisa, e aproveitou o intervalo para carregar sua própria energia também, pois percebeu que levaria ainda mais tempo para seu oponente ficar realmente cansado, e a próxima etapa do combate seria mais difícil.
Depois que os dois terminaram, a atmosfera do planeta ficou um pouco menos caótica, voltando ao caos padrão. As nuvens não chegaram a descobrir o céu, e voltou a chover. Chiri e Vegeta ficaram se encarando por um tempo, ainda emanando uma aura dourada que evaporava as gotas de chuva ao redor deles.
E então os dois atacaram. Chiri ficou onde estava e começou a atirar rajadas de energia repetidas vezes, e Vegeta revidou com o mesmo golpe. Os feixes de energia colidiram entre os dois continuamente, lançando mais ondas de choque e fazendo o chão ao redor deles rachar. Isso também levantou bastante fumaça como da outra vez, mas agora a energia que ambos emanavam permitia com que fossem vistos, então Vegeta pôde ver a oponente se aproximando para atacar, e ele sumiu, reaparecendo meio segundo depois, atrás dela para desferir seu próprio ataque, que também não acertou. Em meio à fumaça, um continuou tentando atacar o outro, que sumia, atacava e errava também.
Chiri lutou ferozmente, mas Vegeta ainda não usava todo seu poder, e seus ataques começaram a acertar mais, visto que já durante o combate, havia aprendido tudo sobre os ataques e esquivas da oponente. Pouco tempo depois, Chiri não conseguia mais revidar, e o espírito competitivo de antes começou a dar lugar ao instinto de sobrevivência. A escolha de desafiar o Rei dos saiyajins já não fazia mais tanto sentido em sua cabeça, mas ela continuou lutando, ainda que sem muita honra — chegou a tentar agarrar a cauda de Vegeta, o ponto fraco da maioria dos saiyajins, mas não conseguiu.
Ao levar um grande soco, Chiri foi arremessada para longe, colidindo com uma montanha e causando estrondo e um deslizamento. As rochas foram caindo e cobrindo o local onde ela estava. Vegeta parou para admirar o trabalho, mas Chiri aproveitou que estava escondida entre as pedras para preparar um ataque carregado.
Naturalmente, o Rei Vegeta pôde ver que ela estava prestes a lançar uma grande rajada de energia, mas ele ficou parado, curioso para ver como seria. E depois de um tempo, com as duas mãos, Chiri atirou todo seu poder.
Um impacto como aquele poderia causar grandes danos, talvez até colocar um fim no planeta. Mas com uma mão, Vegeta rebateu a rajada para cima, que foi voando infinitamente para o espaço. Chiri estava esgotada, e ver aquilo a fez se dar conta de que já havia perdido o combate.
- Achei que tinha sido mentira quando você disse que derrotou Nappa, mas com um ataque desses, não tenho mais certeza — Vegeta começou a subir pelo céu. Ia lançar mais um golpe de energia para acabar com a oponente, e talvez o planeta inteiro, mas apenas após dar seu último discurso — Se não tivesse resolvido me desafiar, você…
Vegeta parou de falar quando ouviu outra voz. Não era de Chiri, e vinha de muito longe, de modo que ele teve dificuldade de ver de onde vinha. Mas então ele viu que o som vinha de um ponto brilhante na parte de cima de uma montanha, no horizonte. Essa voz entoava uma música, com palavras em um idioma a muito esquecido.
Essa voz vinha de ninguém menos que Konbu. Ela estava lá longe, segurando seu cajado no alto, conjurando uma magia. Enquanto ela cantava, seus velhos amigos morcegos sorrateiramente voaram por trás de Vegeta e atacaram seus olhos, conseguindo cegá-lo temporariamente. Porém, isso não era a magia que Konbu conjurava, mas sim o que veio a seguir. As pesadas nuvens começaram a se afastar uma da outra, revelando pela primeira vez em anos, o céu noturno de Remonpai. Konbu se lembrou bem da história que seus hóspedes contaram, e esperando por um pouco de sorte, ela torcia para que seu plano desse certo, e deu mesmo; pelo buraco nas nuvens, entrou uma leve luz branca, e Chiri não pôde deixar de olhar para cima, o que fez com que ela visse a lua cheia.
Aquilo já foi suficiente para ativar a transformação. A consciência de Chiri se dissipou, dando lugar à fúria, enquanto seus olhos ficavam vermelhos e ela aumentava de tamanho. Dez metros, vinte metros, trinta metros. Sua armadura saiyajin se partiu, de modo que lhe restou apenas o traje de Remonpai, que se esticou até o tamanho final. Pêlos cresceram por todo seu corpo, e suas proporções mudaram, dando-lhe a aparência de um macaco gigante. A transformação estava completa.
Quando Vegeta finalmente conseguiu abrir os olhos de novo, os morcegos foram embora. Konbu já havia se escondido de volta dentro da montanha, e as nuvens sombrias de Remonpai voltaram a cobrir o céu. E o monstro gigante estava próximo. Em forma de Oozaru, Chiri estava pronta para atacar descontroladamente qualquer coisa que estivesse em seu caminho.
- Eu não esperava que esta luta fosse chegar a este ponto… Mas não faz diferença — Vegeta estralou o pescoço, pronto para atacar novamente — Vou acabar com você mesmo assim.
Chiri ainda não havia percebido o inimigo, e estava descontrolada dando socos no chão e em montanhas próximas. Ela apenas sentiu um impacto no peito, depois nas costas, braços e pernas. Vegeta não queria arriscar ficar por muito tempo perto do monstro, então atacava, sumia e procurava uma brecha para atacar novamente. Ele nunca havia lutado contra um Oozaru, mas sabia que com um tamanho daqueles, não deveria ser tão rápido. Infelizmente para ele, mesmo que a transformação não tenha aumentado tanto assim a agilidade de Chiri, ela ainda foi capaz de pegá-lo antes de ser atacada novamente, e o jogou para baixo. Depois ela seguiu com uma sequência de socos rápidos, o esmagando cada vez mais contra o chão. Foram golpes brutais e impiedosos, sem qualquer planejamento. Como um vulcão em erupção, queimando tudo em seu caminho.
Por fim, Vegeta foi arremessado para longe, colidindo contra uma montanha. Talvez ele tivesse mais chances de sobreviver se continuasse lá, escondido. Mas a sequência de golpes que levou o deixou furioso — além de muito machucado. Então ele se levantou, e após levar alguns instantes mais para se recobrar, voou rápido para atacar novamente, dessa vez ciente de que precisava ter mais atenção.
Chiri viu o inimigo se aproximando em alta velocidade e deu um soco. Vegeta não recuou e colidiu de propósito contra o punho dela, confiante de que poderia quebrá-lo, mas não conseguiu e foi jogado para longe novamente, se estatelando contra o chão. Chiri pulou até ele, para iniciar uma sequência de ataques como antes, mas desta vez Vegeta voou na direção dela atingindo-a na barrinha, e continuou voando para mais alto, levando a oponente junto.
Os dois foram subindo por centenas de metros. Chiri dava golpes na própria barriga, tentando atingir o oponente, que apesar desses golpes, continuou a levando para mais alto. Ele a soltou quando não conseguiu subir mais, já que o frio e a falta de oxigênio ficaram insuportáveis.
O Oozaru, em sua fúria descontrolada, tinha dificuldades para voar, então caiu com tudo no chão. Feito isso, Vegeta atirou uma rajada de energia, que atingiu em cheio.
- MORRA! — gritou Vegeta, após atirar, e voou de volta para o chão. Estava cansado e ensanguentado — Como ousa fazer com que eu tenha que voltar ao meu exército neste estado? Sua punição será ficar…
Antes que ele pudesse terminar a frase, o monstro se levantou. O golpe não havia sido tão forte assim devido ao cansaço, e agora Vegeta começou a sentir algo que quase nunca sentia: medo.
O Rei Vegeta continuou tentando, mas em força bruta, não conseguia chegar no nível do Oozaru. Acabou acertando poucos golpes, e recebendo muitos. Resolveu concentrar sua energia em uma mão e dar-lhe um formato longo e afiado, como se estivesse segurando uma espada. Já sem qualquer desejo por terminar o combate de forma majestosa, ele usou a espada para atacar descontroladamente a cauda da oponente, em uma tentativa de cortá-la, já que isso encerraria a transformação, mas errou.
Manter a espada custava muita energia, e ele estava ficando sem. Além disso, ele não estava acostumado a ficar em tamanha desvantagem, sozinho. Num certo ponto, ele teve de voar alto e longe, para não ser atingido por mais um golpe, mas Chiri pulou na direção dele.
Vegeta olhou para trás e viu que o monstro se aproximava, o que era uma visão medonha. Estava ficando difícil manter a espada “ligada”, então ele a atirou, sem olhar. Continuou voando por um tempo, mas percebeu que os rugidos da criatura haviam parado, olhou para trás e viu a coisa caindo, pois afinal, a espada acabou atingindo sua cauda.
Estava voltando ao tamanho original e, ao atingir o chão, já era a Chiri de antes, com ferimentos, roupas rasgadas e desacordada.
- Eu… Não tenho mais tempo para isso. Você já era.
Foi preciso algum tempo para se recuperar. Mas ele estava aliviado e ainda tinha muita energia, agora que tinha tempo para se concentrar. Vegeta continuou no céu e olhou ao redor. Viu que sua nave não estava muito longe dali. Então olhou de volta para a oponente caída e se preparou, pois ia atirar uma última rajada de energia, e talvez destruir o planeta inteiro também. Mas antes disso, ele viu também, a alguns metros dali, um ponto brilhante no chão. Precisou voar um pouco naquela direção, e logo viu o que era, embora pensou que estivesse enganado; era Purin, o tsufurujin, parado e encarando-o.
- O que está fazendo aqui? — gritou Vegeta
- O que você acha? Vim te desafiar — disse Purin, com um sorriso desafiante.
Eles ficaram se encarando por um tempo. De tão curioso com a situação, Vegeta até esqueceu que seria melhor para ele ir embora dali o quanto antes, já que a radiação o consumia cada vez mais rápido. Na verdade, ele até achou graça da situação.
- Me desafiar, é? Quanta ousadia.
- Você acha? Então venha e cale a minha boca — Purin continuou parado ali, e por alguma estranha razão, parecia estranhamente calmo.
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