Tróia
2 Acordos...?
Notas iniciais

“Eu vou enlouquecer aqui”, era o que Sasuke pensava,
Ele mal de atrevia a abrir a boca durante o jantar. Deixava que Itachi mante-se as aparências por si, pois, dois Sabakus haviam comparecido ao “simples jantar”. Entretanto, Sasuke prestava atenção em apenas um em específico: Sabaku no Gaara.
Era quase possível ver a tensão no ar, apenas inibida pela conversa “animada” entre Gai, Temari, Itachi e Fugaku. Os príncipes mais novos estavam ocupados demais fuzilando um ao outro com o olhar.
– Então... Sasuke-san...
O jovem Uchiha ergueu o olhar para Gai, a Mão Direita dos Sabakus.
– Pois não? – respondeu, educadamente.
– Qual sua opinião sobre a proposta? Creio que seria bom para a relação pacifista entre o Reino do Fogo e o Reino da Terra que nossos príncipes conhecessem, pessoalmente, nossos costumes e tradições, assim, não haveria desavenças entre nossos povos.
– E como pretende fazê-lo? – Sasuke não estava gostando nem um pouco do rumo daquele debate.
– Gaara-san passaria alguns dias em seu Reino, suponho que não aja problema quanto a isso, certo?
– Nenhum. – Fugaku respondeu pelo filho. – seria bom que nossas famílias estreitassem seus laços, de modo que, através do matrimonio, quando Itachi assumir nossa aliança já seja forte e plena.
– Exatamente, o senhor é sábio, Uchiha-sama.
O rei sorriu minimamente, mas era visível que o elogio havia inflamado ainda meus seu já exagerado ego, tanto que, não viu o rosto em desgosto de Itachi ao ouvir a palavra “matrimonio”.
– Você guiará o jovem Sabaku nesse tempo que ele irá passar conosco – disse Fugaku. – Itachi está ocupado demais com sua preparação, como nosso futuro Rei.
– Sim senhor, pai. – respondeu Sasuke.
“Não acredito” era o que pensava o moreno mais novo.
Ele, sequer, suportava o Sabaku, quem dera passar dias perto dele. Pior ainda, o guiando em seu Reino.
“Não podia ser pior...”.
– Entretanto, Itachi-san estará realmente tão ocupado? – Gai continuou a falar. – pretendia fazer a mesma oferta a ele, Juugo-san poderia guia-lo em nosso Reino.
– Creio que, no momento, sua proposta é um tanto superior aos afazeres de Itachi. – Fugaku refletiu. – o que acha filho?
– Uma excelente ideia, Gai-san, admiro muito o Reino da Terra, seria um enorme prazer visita-los e aprender sua tão diversificada cultura.
Sasuke revirou os olhos, era sempre assim.
Itachi era o filho perfeito.
E Sasuke era sempre O Outro Príncipe. Não que o moreno demonstrasse o quanto aquilo o afetava.
“Que te ver, Naru...”.
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– Kurama-san, Sasuke-sama me ordenou que não o deixa-se sair desse quarto! – dizia uma das jovens empregadas.
– Shh. Ele não vai saber!
– Mas...
– Eu não vou demorar, só quero respirar um pouco de ar puro.
Nem deixou a pobre empregada falar, já havia escapulido do local.
O Uzumaki trajava apenas uma calça branca de linho, junto há uma camisa de mangas longas e gola V, de algodão. Os cabelos loiros recém-lavados estavam devidamente penteados, a mínima brisa já os fazia voarem suavemente, como se um véu dourado cobrisse-os.
Caminhou rapidamente sob as sandálias prateadas que se entrelaçavam aos seus tornozelos, suspirando baixo.
“Sasuke-sama está demorando nesse jantar” pensava.
Naruto, enquanto caminha pelo jardim, localizado por trás do belíssimo palácio, próximo a Casa dos Empregados, uma casa inferior para que a plebe não se misturar-se a família real.
Arrogantes? Sim. Orgulhosos?
Com toda a certeza.
Mesmo que parecessem assustadores, os Uchihas eram respeitados, pois sua “má fama” de descendentes de “sanguessugas”, o que os fazia serem temidos por outros povos, e assim mantinham a segurança do Reino do Fogo,
Era por esse caminho que trilhavam os pensamentos de Naruto enquanto caminhava pelo jardim repleto por rosas vermelhas.
Belíssimas rosas vermelhas.
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Gaara despedira-se demoradamente de Gai e Temari.
Era como se Gai pudesse prever o futuro, pois havia trazido todos os objetos pessoais que Gaara precisaria em sua estadia no Reino do Fogo, cerca de duas semanas. Gai era um pacifista nato, não era de se surpreender que fora escolhido para auxiliar seu Reino em decisões diplomáticas.
O jovem Sabaku ficaria num dos aposentos na ala sul do palácio, de modo que, na altura em que estava, podia ver ao longe as belíssimas colinas repletas por relva e picos congelados, a perfeita visão do por do sol por trás das mesmas.
Realmente, uma visão privilegiada do Reino do Fogo.
Entretanto, no momento, não era possível ver tal beleza, pois já anoitecera, e no céu escuro havia apenas uma belíssima meia lua que brilhava tão intensamente que era possível ver tudo o que se passava nos jardins do palácio.
Então o viu.
Os olhos esmeraldinos de Gaara baixaram para o jardim de puras rosas vermelhas onde, julgara, vira um anjo.
A pele leitosa parecia ganhar ainda mais destaca com a luz prateada do luar. A brisa gentil que sobrava parecia acariciar lhe os fios dourados e longos, jogando-os para o lado.
Gaara desejou, profundamente, vê-lo mais de perto.
“E por que não?”, pensou.
O palácio podia ser grande, mas o Sabaku possuía uma ótima memória fotográfica. O mordomo que o guiara até o quarto, lhe ensinara o básico sobre o local, e o príncipe havia memorizado de primeira.
Não era a toa que estudara cartografia com paixão durante toda a vida.
Além disso, os guardas ficavam no exterior Norte e leste do palácio, não havia necessidade de vigiar a ala dos criados.
Todas as circunstâncias que o rodeavam pareciam o incentivar ainda mais o Sabaku a ir atrás de seu “anjo”.
Não tardou em chegar ao bendito jardim e, quem o visse, jamais diria que ele era um príncipe. Suas vestes não eram nada magnificas ou bordadas. Tratava-se de algo simples, preto e liso, Seda pura, mas, na pouca iluminação, seria bem difícil definir o valor do produto.
Entretanto, era um tanto visível a sofisticação das vestes e a compostura do ruivo, logo, poderia se dizer que se tratava de alguém com alguma importância.
Gaara aproximou-se lentamente do ‘anjo’, sem ser percebido pelo mesmo.
Seus olhos percorriam cada mínimo traço do outro, até mesmo a forma como o vento colava o tecido claro a sua pele, destacando as curvas deliciosamente molduradas.
Era um garoto, um tanto andrógeno, mas, definitivamente, era um garoto!
O Sabaku ficou estático com tamanha beleza a sua frente, além disso, o ‘anjo’ se assemelhava absurdamente ao bebê da pintura em seu quarto!
O Uzumaki, todavia, estava alheio ao que se passava, ocupado demais pensando em Sasuke, e tomando, delicadamente, uma rosa entre dos dedos finos e macios, aproximando-a do rosto e aspirando o aroma adocicado.
– Com licença
Naruto teve um sobressalto quando a voz do ruivo cortou o mórbido silencio, afinal, ele não havia reparado o jovem príncipe ali.
– P-Pois não? – o loiro sorriu nervosamente, — mil perdoes, sei que já passou do toque de recolher e... – calou-se, piscando algumas vezes ao observar melhor Sabaku. – eh... Quem é você? Nunca o vi por aqui.
– Eu... — Gaara mal conseguia pensar, parecia haver uma aura de ingenuidade ao redor daquele perfeito ‘anjo’. – eu não dou daqui.
– Um visitante? Perdoe-me por minhas vestes, estrangeiros não costumam vir a Ala dos Empregados. – curvou-se educadamente, mas logo ajeitou a coluna. – está perdido? Posso ajuda-lo em algo?
“Isso não é bom, Sasuke-sama não gosta que eu fale com outros homens sem sua autorização!” pensava o menor.
Ele não fazia a menor ideia de que estava conversando com uma das poucas pessoas que realmente odiava:
Sabaku no Gaara.
– Não estou perdido, sei retornar aos meus aposentos.
– Oh, então, com licença, eu não deveria estar aqui. – curvou-se, rapidamente, outra vez, logo apressou-se em se virar e passar a seguir o caminho oposto ao do Sabaku.,
– Espera!
Num movimento ágil, Gaara agarrou o pulso do menor, sentindo o calor aconchegante e a absurda macies da pele, mesmo através do tecido claro.
– Sim? – “Ele está me tocando, Sasuke-sama não gosta que outros me toquem”, pensava alertadamente Naruto.
– Como se chama? – Gaara sentia-se afobado, queria, a cada segundo, saber mais sobre seu suposto ‘anjo’.
– Kurama. – respondeu Naruto, usando o pseudônimo que Sasuke lhe ordenara que sempre dissesse. – agora eu, realmente, preciso ir... – tentou se soltar.
– Espere, eu...
Antes que pudesse terminar de falar, numa outra tentativa de se soltar, o loiro quase conseguiu, mas acabou por, causado pelo impulso, escorregar e levar o Sabaku junto, por cima de si.
Gaara se sentiu hipnotizado por um instante.
‘Kurama’ era incrivelmente belo.
Os fios loiros haviam se espalhado ao redor com a queda, de modo que adornavam ainda mais belamente o rosto delicado do outro, as bochechas levemente coradas e os olhos azuis arregalados.
“Se parece tanto com ele”, pensava avidamente o ruivo.
Sentiu a sanidade em si se esvaziar ainda mais ao observar o pescoço alheio, a gola de sua camisa estava puxada para o lado, de forma que um dos ombros de ‘Kurama’ se encontrasse desnudo.
E sua pele leitosa parecia um convite à boca avermelhada de Gaara.
As linhas finas em sua pele lhe pareciam incrivelmente sexys. O ruivo despira mentalmente o loiro, e quase enlouquecera apenas com a própria imaginação.
E seus lábios... Oh, sim! Seus lábios rosados e bem distribuídos, entreabertos, úmidos, um convite aos mais desejosos e impudicos beijos.
Tudo isso se passou na mente do Sabaku em um minuto.
Até que viu O Brinco,
O maldito brinco numa das orelhas delicadas de Naruto.
Uma pedra de rubi, adornada por fios de ouro e prata, o símbolo de um escrevo de luxo. Um escravo particular. Aquele ‘anjo’ já possuía um dono, e pela qualidade de sua marca, deveria ser alguém absurdamente rico.
As suspeitas de Gaara se confirmaram ao ver o símbolo talhado na parte interna do brinco.
Maldito Uchiha.
O ruivo de pôs de pé e ajudou o outro a se levantar, aproveitando para enlaçar-lhe a cintura e colar ambos os corpos, arrancando um ofegar baixo de ‘Kurama’ que quase o fez ataca-lo e possui-lo para si ali mesmo.
– A que Uchiha você pertence? – sussurrou rente ao lóbulo quente do outro, deixando sua voz o mais rouca, e sexy possível.
– C-Com todo o respeito, senhor – Naruto tentava, em vão, se soltar. – m-mas isso não lhe diz respeito, agora, deixe-me ir...!
– Shisui? Acho que não, ele não me parece desses... – continuava a falar o príncipe. – Madara? Tsk, não... Obito? Fugaku-sama? Nenhum deles me parece “esse tipo”. – segurou o queixo de ‘Kurama’, fazendo-o olhar para si. – seria Itachi? Ou então... É realmente quem estou pensando...
Naruto empalideceu, ele precisava se livrar daquele estranho o mais depressa possível!
– Você brinquedinho do Sasuke. – conclui o maior. – é bem a cara dele isso... Mas você é tão belo... – sussurrou, acariciando lhe a face macia. – merece coisa melhor, aliais, merece alguém melhor. – sorriu galante, sim, definitivamente, aquele ‘anjo’ havia chamado a sua atenção.
– Obrigado por sua generosa oferta. – Naruto, finalmente, conseguiu se afastar. – mas, estou feliz com o meu Mestre.
– Eu poderia compra-lo...
– Meu Mestre não me venderia, ele está satisfeito com os meus serviços.
– E que tipo de “serviços” são esses? – tornou a se aproximar do menor.
– Isso só diz respeito a mim e meu Mestre. Com licença.
Não deu mais oportunidades para o ruivo contestar, saiu correndo, os fios dourados voando atrás de si com um véu finíssimo.
“Kurama... Absurdamente belo...”, pensava o príncipe.
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Sasuke não conseguia dormir.
Para ele, era estranho, absurdamente estranho, não ter Naruto em seus braços quando ia dormir. Parecia até que faltava uma parte de si, e seus braços chegavam a pesar por não ter aquele pequeno e cálido corpo entre eles.
Naruto era delicado e sereno, Sasuke adorava a sensação da ele macio do loiro tocando a sua, justo a respiração suave e morna em seu pescoço.
Mas, agora, o leito lhe parecia frio.
Entretanto, Sasuke precisava manter Naruto longe dos outros, o loiro não poderia, em hipótese alguma desconfiar de qual era sua verdadeira origem.
Seu sangue real.
Se descobrisse... Naruto o odiaria? Seria indiferente a isso? Ou ainda pior...
Nunca mais iria querer ver Sasuke?
Se bem que isso era impossível, Naruto era seu... Escravo. Mesmo que odiasse pensar assim, era a verdade.
Afinal, quando o conheceu, essa era a única forma de mantê-lo vivo.
“Não aguento mais, já chega”, concluiu em pensamento.
Levantou-se bruscamente da cama, jogando os cabelos negros para trás, ansioso, um gesto habitual para si. Foi até a porta do cômodo e abriu-a bruscamente, surpreendendo os dois soldados que estavam de guarda.
– Deseja algo, Uchiha-sama? – prontamente perguntou um deles.
– Kurama. – o olhar do príncipe era desfocado, perturbado, apesar de continuar inexpressivo. – tragam-me Kurama, imediatamente, e não permitam que ele seja visto.
– Sim senhor. – o soldado curvou-se rapidamente e em seguida saiu correndo, deixando o Uchiha a sós com o outro.
– Perdoe-me o atrevimento Uchiha-sama, mas vi algo mais cedo que possa ser de seu interesse.
– E por que acha isso? – dizia o moreno relutante, afinal, estava impaciente, queria Naruto, e queria agora!
O soldado ficou alguns segundos em silencio, provavelmente percebendo a aura do Uchiha, mas logo tomou coragem e pronunciou?
– Trata-se de Kurama-san.
Os olhos escuros de Sasuke se avermelharam por um segundo e, finalmente, dignou-se a olhar para o jovem soldado.
– O que é? Fale, depressa!
– Na minha troca, durante a ronda noturna, vi Kurama-san à sós com Sabaku no Gaara-sama, no jardim de rosas vermelhas próximo a Ala dos Empregados.
Sasuke quis gritar: “O QUÊ?!”, abismado, mas se limitou a manter a face vazia de qualquer emoção que estivesse sentindo.
Porém, o jovem soldado suara frio ao ver o forte tom escarlate que tomou os olhos antes ônix do Uchiha.
– Compreendo. – a voz monótona do Uchiha possuía um tom frio, ameaçador. – fez bem em me contar, será recompensado por sua fidelidade.
O soldado sorriu, temeroso, e logo Sasuke tornou a adentrar o quarto, encostando a porta e indo para perto da enorme janela moldurada a mármore branquíssimo, as costinhas revestidas por véus caros tornavam toda ela ainda mais bela.
Sasuke sentou-se sobre o apoio revestido por um acolchoamento macio e próprio para o mesmo, de modo que apenas um de seus pés se apoiasse ao chão.
Levou uma mão até os cabelos, envolvendo os fios negros com os dedos pálidos e o puxando para trás, automaticamente, observou a brilhante meia-lua, com uma mínima, quase inexistente, ardência queimando em sua garganta.
– Não o deixarei impune de macula-lo... – sussurrou. Suas íris avermelhadas refletindo no vidro impecavelmente fino e limpo da janela. – Sabaku...
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