Três amigas e o amor.

42 Sílvia - Talvez, o problema seja meu.


— Como assim, você nunca gozou com o seu novo namorado?! – Raquel perguntou, sem rodeios, abismada, quando Sílvia revelou para as amigas sua relação com Artur, durante um almoço, em um restaurante japonês. – Nunca mesmo?! – insistiu, a sua voz saiu um pouco alto demais, chamando a atenção dos homens na mesa ao lado, que olharam interessados.

— Não é bem assim, às vezes eu chego quase lá, mas é legal. Uma pessoa bem interessante – Quase sussurrando, Sílvia tentava se justificar.

— Sexo legal? Pessoa interessante? Então, ele é ruim de cama? Um chato? – Raquel completou, com desdém.

— Ele não é chato, nos damos bem...fora da cama – Sílvia respondeu, reticente. – Nem todo mundo tem um Otávio – rebateu.

— Ah! Não tem mesmo! – Raquel retrucou, com um sorriso maroto.

— E com Pedro? – Ana quis sabe, curiosa, Sílvia a olhou, surpresa, com a ousadia.

— Eu não sei, acho que sim – Sílvia confessou, sentindo seu rosto queimar – Talvez, o problema seja meu, eu não gosto muito de sexo – ela deu de ombros.

— Não tem essa de não gostar de sexo! – Raquel retrucou. — Sexo é como comida, tem a boa e a ruim, tem gente que cozinha mal, tem gente que sabe cozinhar o trivial, que dá para o gasto, e existe o expert, o chef, aqueles cozinheiros franceses do tipo cordon bleu, sabe como, premiado, que faz mágica, leva você para o céu e transforma a sua vida completamente – explica o seu ponto de vista, Silvia olha para Ana, em busca de apoio.

— Tenho que admitir, que Raquel tem razão, Sílvia, não pode fingir só para agradar o cara. Você precisa conhecer um verdadeiro cordon bleu, um chef, o cara que vai mudar sua percepção do mundo e sobre o sexo – Ana admitiu, deixando Silvia ainda mais chocada.

— Quem fala? Olha o que seu expert fez para você, Ana – Silvia contra-atacou.

— Ele pode ser um tremendo canalha, mas o sexo me enlouquecia, era algo que nunca tive antes. O chato nessa história que suas perspectivas ficam muito altas, não dá para se contentar com pouco – Ana declarou, sonhadora, relembrando dos momentos ardentes com Marcelo.

— E você, Raquel? Sempre tão misteriosa com os seus homens – Silvia instigou a amiga.

— Digamos, que eu estou comendo e sendo comida muito bem, ultimamente – Raquel respondeu, com um sorriso malicioso.

— Bem, na verdade... – Sílvia sentiu seu rosto queimar, ficou ainda mais corada, olhando para as próprias mãos, sem coragem de encarar as amigas, quando decidiu revelar o seu segredo, elas esperaram atentas pelo que ouviria. – Logo após em ter me encontrado Pedro com aquela mulher, eu voltei para Paris, estava perdida e desesperada. Andei por toda a cidade, sem destino, até a exaustão. Cheguei a pensar em me jogar no Sena e desaparecer. Então, no fim da noite, eu estava sentada em um banco, sem saber o que fazer da minha vida, quando um homem se aproximou, achando que eu era uma prostituta – ela levantou os olhos para encarar as amigas. – Eu estava com tanta raiva e tão desiludida, que fui com ele.

— Você transou com um estranho em Paris?! – Raquel indagou, sem acreditar. Sílvia confirmou com a cabeça.

— E tenho que confessou que foi muito bom. Não que ele fosse bonito, para falar a verdade, era um homenzinho de meia idade sem nenhum atrativo, mas não era ele, era eu que estava diferente. Era como se eu fosse outra pessoa, então me entreguei, brinquei, seduzi, sem pudores, e, afinal, ele gostou porque me pagou cem euros e ainda me deu uma boa gorjeta – Ao término da história, ergueu os olhos para encontrar as amigas boquiabertas e com os olhos arregalados.

— Talvez, você fosse mesmo outra mulher, naquele momento – Ana concluiu.

— Sílvia, eu entendo que faz pouco tempo e você ainda não o esqueceu seu noivo — Artur falou, compreensivo, olhando para ela, desanimado.

— Não. Eu ainda não o esqueci. Afinal, ficamos juntos muito tempo e eu tinha muitos sonhos em relação ao nosso futuro e, de repente, tudo acabou daquele jeito. Foi horrível! – Silvia dava uma desculpa, para terminar com Artur, seguindo o conselho das amigas, mas, sem aborrecê-lo, sentindo-se até aliviada.

— Mas, acabou, você tem que sair dessa – Artur tentava convencê-la, a continuarem juntos.

— Eu sei! Eu penso nisso, todos os dias, e a cada dia, eu fico melhor. No entanto, ainda, está muito forte dentro de mim – explicou, dramática.

— Sílvia, você tem que dar um tempo, porque tudo isso vai passar. Eu digo em conhecimento de causa – Eles haviam já conversado sobre o seu traumático divórcio, a mulher o deixou pelo seu irmão.

— Obrigada por entender, Artur. Não quero começar algo com alguém, como vingança ou na tentativa de preencher um vazio

— Eu entendo. Talvez, daqui algum tempo a gente pode ter outra chance?

— É. Quem sabe? – Ela não queria fechar porta, talvez, em outra época da sua vida, eles poderiam dar certo, juntos, entretanto, agora, ele não tocou seu coração.

Assim, Sílvia desistiu de tentar se envolver com alguém, até sentir que tinha esquecido Pedro completamente, queria dar um tempo para si mesmo sozinha, conhecer-se melhor para se envolver com alguém.