Três amigas e o amor.

36 Raquel - O que estou fazendo?


O que estou fazendo? Raquel considerou quando sua mente emergia em alguns instantes de lucidez, para depois se perder entre beijos e carícias intensos. Suas mãos deslizavam sobre a pele macia dele, sentindo seus músculos bem definidos e seu cabelo curto e crespo, as nádegas rígidas. Sou uma mulher solteira, lembrava-se a cada acesso de culpa. Contudo, logo em seguida esquecia-se, à medida que as mãos de Otávio percorriam seu corpo, acariciava seus seios e ele beijava sua boca, seu pescoço, seus cabelos.

— Raquel, eu sempre quis você – sussurrando ao seu ouvido, isso a excitou ainda mais, quando ele pegou a mão dela e a levou para o quarto.

Eu estou indo para a cama com outro homem, Raquel pensou, sem acreditar que aquilo estivesse acontecendo, no entanto ela o seguia, docilmente, ansiosa por isso.

No quarto desprovido de Otávio, ficaram frente a frente, ele a olhou nos olhos e sorriu feliz, ela retribuiu o sorriso. Depois com calma, começou a despi-la lentamente, peça por peça, apreciando cada segundo, ela fez o mesmo.

— Eu sempre a imaginava, assim, achava que era bonita, mas você é linda – A essa declaração, Raquel sorriu vaidosa, nua diante dele.

Otávio segurou a rosto dela entre as mãos e a beijou, primeiro, suavemente, depois os beijos ficaram mais ardente. Raquel podia sentir o corpo forte e musculoso dele contra o dela, as peles quentes se roçando, como se todos os seus sentidos estivessem exasperados. Mas, a boca de Otávio continuou a descendo pela curva do seu pescoço, até seus seios, beijando, sugando e acariciando, continuou seu caminho pela barriga lisa dela, chegando no seu sexo, beijando-o como nunca foi beijada, ávida, com o ventre em brasas. Já, não questionava o que era certo ou errado, só queria aquele homem dentro dela, para explodir de prazer.

No meio da noite, Raquel acordou, em uma cama estranha em um quarto escuro, demorou um pouco para se lembrar onde estava, olhou para o lado e viu Otávio dormindo, profundamente, respirando pesado, tentou levantar-se para ir para casa, mas ele se mexeu e colocou o braço sobre ela e a puxou de encontro ao seu corpo, então se aconchegando, fechou os olhos e voltou a dormir.

Acordou, novamente, no quarto iluminado pelo sol, estava sozinha na cama, com o gato miando e passeando ao lado dela, sentiu o cheiro de café fresco se espalhando pelo apartamento, levantou-se, pegou uma camiseta largada no chão e vestiu, foi para o banheiro, deu uma olhada o visual, estava horrível despenteada, a maquiagem borrada, assim lavou o rosto, tentou ajeitar os cabelos um pouco e foi para a cozinha. Otávio cantarolava feliz, preparando o café da manhã, usando apenas um short. Ela recostou no batente da porta e o observou por um teto, admirando suas costas largas e fortes com aquele belo tom castanho. Quando ele se virou surpreendeu-se ao vê-la ali, sorriu como ela nunca o vira sorrir antes.

— Bom dia! Espero que goste de torrada? – perguntou, em um tom casual.

— Bom dia. Sim, eu gosto – Raquel respondeu, sem jeito, por estar tão desarrumada, mas, no fundo não se importando.

Otávio pegou duas xícaras e pôs café nelas.

— Gosta de café puro? Eu só tenho açúcar.

— Gosto. Açúcar, está bom – Raquel disse, franzindo a testa, porém conformada, pois nunca tomava nada com açúcar, muito menos comia algo pela manhã.

Ele colocou açúcar no café e sentaram se para comer no sofá e Raquel percebeu como estava faminta, não tinha comido nada, desde o fatídico restaurante de saladas, na tarde anterior.

— Preciso ir agora – Raquel falou, assim, que terminaram – Quero tomar um banho.

— Claro – ele aceitou, com tranquilidade.

Então, Raquel pegou as roupas espalhadas pelo quarto e foi para casa, sem comentar nada sobre a noite passada, estava ao mesmo tempo feliz e confusa. Não sabia o que pensar, havia traído Vitor, mas não possuía nenhum sentimento de culpa, pois, aquela noite foi maravilhosa, nunca se sentiu assim na vida. Já em casa, tomou um banho, vestiu-se e ficou andando pelo apartamento, sabendo que só uma parede a separava de Otávio, estava ansiosa, por isso tinha que sair dali. Porém, antes resolveu telefonar para alguém, quem sabe conversar. Primeiro, tentou Ana, que estava péssima, não queria conversa, a coitada tinha se apaixonada pelo cara errado. Depois, telefonou para Sílvia, que havia saído com o namorado novo. Sua mãe, também, estava viajando de férias com o seu atual marido. Não encontrou mais ninguém, próximo o suficiente para dividir suas dúvidas. Foi quando, a campainha tocou, Raquel olhou pelo visor, era Otávio. Meu Deus, o que ele quer? Pensou, por um segundo, antes de abrir a porta.

— Olha, Raquel, eu não sei muito bem o que aconteceu ontem. Ou melhor, eu sei que estou interessado em você desde que a vi pela primeira vez, e agora, depois do que aconteceu entre nós, não quero abrir mão disso. Podíamos nos dar uma chance – declarou, em um único folego.

— Eu não posso! E o Vitor? – questionou, sentindo-se dividida entre aqueles dois homens, Vitor que lhe dava segurança, mas não era dela, e Otávio quem mal conhecia, mas que lhe transmitia confiança e mexia com ela de um jeito que nunca aconteceu antes.

— Vitor é casado, Raquel! Olhe para você, agora! Aqui, sozinha, enquanto, ele está não sei aonde com a esposa! O que você quer para sua vida? – instigou-a, tocando direto na sua dolorosa ferida.

— Não sei! Não posso mudar assim, tão de repente! – Ela estava consternada, queria muito Otávio, mas achava que precisava ser fiel a Vitor, apesar dele ser casado.

— Você quem sabe! Eu tentei, mas você que tem que assumir o controle da sua vida, a decisão está nas suas mãos, não a jogue fora a chance de escolha sem refleti, só se vive uma vez. Eu estarei aqui do lado, se mudar de ideia — falou com tranquilidade e depois dirigiu se para a porta ao lado.