Três Príncipes, Três Princesas
71 É festa
Notas iniciais
Jasper
— E o que Edward tem feito a respeito?
— Jasper, lamento, mas não acho que isso seja da sua conta, alias, se ele me pega conversando com você, isso não acabará nada bem. Por favor, desça do carro e me deixe trabalhar em paz.
Pesando no que ele me disse, encarei a entrada do palácio Celeste e imaginei como o salão de festas estaria agora apinhado de gente para comemorar o aniversário de meu irmão caçula.
E infelizmente eu não seria uma dessas pessoas.
— Amum, não estou aqui e você não me viu, agora seja razoável e me diga que atitude ele tomou. Logo estarei de volta ao trabalho e preciso me atualizar. E fique tranquilo, Edward está ocupado demais no momento. Nem se lembra de que existo.
— Então se atualize com ele, pelo amor de Deus. Edward anda fora de controle quando o assunto é você, sobrou até para o pobre do Sam. Imagina o que acontecerá comigo se ele pelo menos imaginar que estou te passando essas informações? Ele nem gosta de mim.
Levantei as sobrancelhas e fechei a expressão deixando que ele percebesse que aquela não era a resposta que eu queria.
— Ok, ok...
Estendeu as mãos em sinal de rendição e então desabou tudo que eu precisava saber.
— Recebemos mais uma ameaça essa semana através da intercepção de um sinal de rádio deles. Era coisa grande, tipo avisos fortes de que recuássemos nossas tropas e de que desistamos de nossa invasão ou então nos arrependeríamos.
— Recuamos?
— Não, claro que não. As tropas já estão nas fronteiras e na costa, só esperando pelo sinal de seu pai.
— Que ainda não aconteceu...
Influenciei para que ele continuasse a falar.
— Não aconteceu porque seu pai nunca foi a favor da investida. E agora com sua saída foi fácil dobrar seu irmão que está muito mais preocupado com a gravidez da esposinha.
— Não fale assim dela. Respeite seu superior e sua alteza.
Amum teve a decência de ficar envergonhado.
Ah, se fosse Edward o ouvindo falar assim da mulher. O castigo de Sam seria fichinha.
— Desculpe. Eu não quis... é que você sempre...
— Tá, tá. Siga meu exemplo e verá onde irá parar. Agora, foque no que é seu trabalho. Quer dizer que Edward está de braços cruzados perante tal ameaça?
— Eu não disse isso. Aliás, braços cruzados é o que ele menos está. O homem reforçou a segurança como um louco.
— Mas, ele está agindo de dentro para fora quando deveria estar fazendo o contrario. Isso são medidas paliativas. Ele precisa acertar o cerne. Acabar disso de vez. As meninas precisam de paz.
— E elas estão tendo. Ele voltou a esconder delas a real situação.
Merda! Eu sabia que o que ele fazia era o certo em nossa concepção: proteção acima de tudo.
Porém, quando se convive com uma Swan sabe-se, na marra, que mentir não é uma boa coisa. Alice surtaria assim que descobrisse a verdade. Isabella então...
— Tudo bem, Amum. Edward sabe o que faz. E...
— Jasper, eu não quero ser inconveniente, mas já estamos nos arriscando. Saia do carro. Alice já me proibiu de deixar você se aproximar. Ela vai colocar minha cabeça a prêmio se pegar você aqui. A confusão de hoje mais cedo é prova disso.
Droga! Ele estava certo. Infelizmente, hoje quando Alice ia para casa se aprontar para a festa, a surpreendi parando bem ao lado da porta do carro. Tentei argumentar, implorando por uns minutinhos a sós com ela. Porém, foi em vão, ela não só fechou o vidro na minha cara como travou a porta.
Alice não estava para brincadeira. E eu estava começando a achar que não tinha mais jeito mesmo.
— Tudo bem, você está certo. Já vou. Mantenha sua atenção em seu trabalho. Volto a falar com você em breve.
Devagar, abri a porta do carro e desci o mais silenciosamente possível, evitando assim que os repórteres acampados de frente o palácio, me notassem.
Eu entraria em meu carro e esperaria até que Alice saísse e resolvesse voltar para casa.
Ela não me deixava estar com ela. Porém, não podia me impedir de cuidar de minha filha e dela de longe.
Isso eu podia fazer e faria.
Edward
— Hum, acho que já está na hora de se sentar.
— Eu não acho. Estou muito bem aqui.
Para provar seu argumento, ela se balançou com mais graciosidade. A pequena protuberância que abrigava meus filhos, em nada a atrapalhando.
— Amor, já estamos na terceira música. E fiquei sabendo que você ficou 5 horas na sala de cirurgia hoje.
— Sentada. Só observando Jacob fazer um lindo procedimento numa coluna vertebral. Seus informantes não te contaram isso? Hum, ato falho. Se eu fosse você não pagaria pelo que estão te informando. É embromação, dinheiro fácil.
Sorri para ela, inalei o cheiro de seus cabelos, que hoje estavam totalmente soltos, e, sem me conter, beijei sua testa e acariciei a barriga.
O humor, graças a Deus, estava bom e controlado no momento.
— Princesa, eu preciso circular em minha festa. Os convidados e puxa- sacos, de papai, gostam de ser adulados.
— Hum, sou boa bajuladora.
— Não, você não é. Odeia essa parte de nossa vida. Venha, vai se sentar e jantar agora.
Para provar quem mandava naquela relação, ela firmou os pés no chão e levantou a sobrancelha perfeita para mim, quando tentei fazê-la andar.
— O quê? Isabella...
— Não quero me sentar com Tânia. Quem a colocou em nossa mesa? Podemos ir para casa? Odeio essas festas.
Eu não disse...
— Princesa, é uma festa formal. O certo é que a família esteja reunida e na mesma mesa.
Olhei para lá vendo minha avó, meus tios, meus pais e meus primos, reunidos.
Também não fiquei feliz com aquilo, mas protocolos são protocolos.
— Tudo bem. Eu entendo, mas não compreendo. Por isso, prefiro ficar dançando.
— Isabella Swan com medo e protelando? Quem é você e o que fez com minha esposa?
Instintivamente, ela colocou a mão sobre a barriga e acariciou os bebês.
Eu não precisava de uma resposta.
— Alice, Rosie e Emm estão lá também. Além de mamãe e papai, é claro. Eles não vão deixar que ela nem chegue perto de você.
— Tá...
Respondeu a contragosto fazendo um biquinho adorável. Que quase me fez perder a linha e mordê-la bem no meio do salão de festas.
Contive-me, com muito custo, e tentei puxa-la novamente.
Totalmente em vão.
Bella não saiu do lugar.
— O que foi agora?
Voltei-me para ela e me amedrontei com o riso que encontrei em seu rosto bonito.
Ela estava tramando.
— Eu me sento se você dançar com sua mãe.
Não falei...
— Princesa, eu não posso dançar mais. Preciso fazer uma social, lembra?
— Só uma musiquinha, Edward. Olha como ela nos observa. Está triste e com saudades de você, amor. Dance com sua mãe, por mim.
— Bella...
Preparei-me para negar. Porém, ela sabia como me pegar.
— Tudo bem, então vou fazer a social com você. Vamos circular.
E então foi ela que passou a me puxar.
Merda! Eu queria que ela se sentasse e descanse. Os pés estavam levementes inchados dentro das sapatilhas pretas.
Eu teria que ceder.
— Tudo bem, criaturinha irritante. Vamos para nossa mesa.
Ela sorriu lindamente, se colocou na ponta dos pés e me beijou, para deleite dos milhares de celulares e suas potentes câmeras.
— Obrigada! Amo você demais, meu príncipe.
— Assim como amo você, princesa.
Enlacei sua cintura e a puxei para meu objetivo final.
Um sorriso bobo não deixava meus lábios e isso era de se admirar. Eu estava numa festa chata, quando preferia estar em casa nos braços de minha mulher, porém, era o máximo poder exibir ela e meus bebês para todo o reino.
— Até que enfim, achei que iam virar a noite dançando.
— Inveja, Rosie?
Rosálie olhou enviesada para Emmett que estava muito entretido devorando um prato enorme de comida.
— Exibida.
Conduzi Bella até a cadeira ao lado da irmã.
— Cunhada, preciso de um favor, pode fazer companhia a Bella por mim?
Olhei sugestivamente em direção a Tânia. Não precisou que explicasse mais nada a ninguém.
— Claro que sim. Deixe comigo.
— Bells, você precisa experimentar esse frango. Está uma delícia. Garçom...
Alice puxou a atenção dela e pude então cochichar com Rosie e meu irmão.
Dando assim o primeiro passo para quebrar o restinho da tensão que havia ficado entre Emmett e mim, desde a última visita a Forkian.
— Não deixem que ela se aborreça. Ângela está preocupada com a azia e as tonturas e não quer que ela se stresse à toa.
— Tudo bem, irmão, fique tranquilo. Charlie não pode vir, mas nos recomendou, umas quinhentas vezes, que cuidasse dela. Acho que ele imaginou que Tânia estaria aqui.
— Ok, eu agradeço a ajuda. Prometo não me demorar. Só preciso resolver uma situação.
Emmett concordou e sorriu para mim, dando seu passo decisivo em nossa reaproximação também.
Voltei-me para Bella, alisei seu ombro e beijei sua cabeça, me despedindo. Para logo depois ir até Esme.
— Dança comigo, minha rainha?
Dolorosamente, vi os olhos de minha mãe se encherem de lágrimas. Ela não merecia mesmo o que eu andava fazendo com ela.
— Eu apreciaria muito.
Deslizei a mão dela sobre a minha e ignorando todos os olhares de assombro de minha família,e a levei até o centro da pista.
A orquestra tocava uma música suave, agradável aos ouvidos e a dança. Tornando assim impossível o ato de ficar parado.
Foi com gosto que me coloquei de frente para ela e segurei uma de suas mãos, enquanto deslizava a outra por sua cintura.
— Gosto dessa música.
Puxou assunto.
— Eu sei.
Murmurei, sentindo meu coração se aquecer quando Esme acariciou minhas costas. A intimidade do ato me fez abaixar a cabeça e inspirar o cheiro inebriante, de mãe, que só ela tinha.
— É bom ter você aqui, mãe.
Ela sabia que eu não falava da festa e sim de meus braços.
— É bom estar aqui, querido.
Mentalmente, e com a promessa de fazer isso pessoalmente depois, agradeci a minha esposa por ser a criaturinha mais insistentemente irritante do universo.
— Agora é um bom momento para começar a pedir desculpas?
Respirei fundo e devagar, adiando a resposta. Havia pensado demais a respeito de toda aquela situação. O problema era que a teoria era fácil, agora a prática...
— Não precisa se desculpar, mãe. Vamos dar esse assunto por encerrado? Não concordo, nem aceito as atitudes que tomou naquele dia. Porém, não posso e não vou, ficar remoendo isso. Só peço, na verdade imploro, para que não faça mais isso. Deus é testemunha do quanto me custou não gritar com Bella naquele dia. Não me tente assim, mãe. Não sou tão forte.
Ela tirou o rosto de meu ombro e então me encarou com aquele seu jeito intenso.
— Eu entendo sua ira, filho. Agi por impulso. Vi uma oportunidade de ajudar seu irmão e a agarrei, com unhas e dentes, sem pensar nas consequências. Jasper precisava de socorro e...
— Mãe...
Deslizei, carinhosamente, o polegar pelo rosto delicado e, aparentemente, tão cansado dela. Eu podia jurar que havia rugas novas ali, graças a mim e a Jasper.
Eu não ia ficar chateado, não hoje.
— Podemos não falar de Jasper? É meu aniversário. Podemos falar do presente caríssimo que você vai me dar?
Ela sorriu brilhantemente e não coube alternativa a não ser se calar. Mesmo que parecesse muito difícil fazer isso.
A música acabou e outra começou, não saímos do lugar. Era maravilhoso se sentir em casa.
— Você está certo. Mas, um dia, quando seus filhos já estiverem em nosso meio, voltaremos a essa conversa e então você poderá me dizer o que é capaz de fazer e não fazer por eles.
Instintivamente, olhei por cima do ombro dela e admirei Bella sentada entre as irmãs, com um sorriso grande nos lábios enquanto, distraidamente, acariciava o pequeno ventre.
É, eu não precisava que eles nascessem para ter a certeza de que faria qualquer coisa para que ficassem bem.
— Me fale sobre eles, estamos querendo lhes dar espaço para curtirem esse momento. Mas, preciso dizer que custa muito a mim, a seu pai, Charlie e Renée, não estarmos presentes em todas as consultas e ultras.
Isso era fato, desde a consulta de Forks, nos recusamos a convidar a família toda para aquele momento. Eles faziam uma confusão... Mas, deixa-los de fora não parecia justo também.
Talvez na próxima...
— Eles estão tão grandes, mãe.
Eu sabia que agora quem estava com um sorriso bobo era eu.
Esse assunto era tão mais fácil, tão melhor!
— Entramos na décima terceira semana. Eles estão com cerca de, 11 cm e pesando mais ou menos 20g cada um. Estão formadinhos. Orelhas, pezinhos, mãozinhas, com dedinhos já separados. A cabeça é meio desproporcional em relação ao corpo, mas Ângela disse é normal. E a boquinha, mãe? Eles já a abrem e fecham, parecendo que estão bocejando. Bella os chama de peixinhos preguiçosos ou de peixinhos nadadores.
Continuei falando e falando e Esme só me olhava e absorvia tudo que eu narrava, achando aquele assunto à oitava maravilha do mundo.
— E como ela está? Os enjoos matinais passaram?
— Sim, graças a Deus. Entramos na fase do aumento do xixi agora. Ela sentiu algumas dores e me deixou louco, cheguei a ligar para Charlie em uma madrugada, porém, a doutora também disse que era normal, segundo ela o útero e o corpo de Bella estão se expandindo para abriga-los.
— Você já percebeu como ela está mais bonita, filho? O cabelo, a pele? Já a elogiou? Ela precisa disso agora.
Mais uma vez, olhei para Bella e não pude conter um suspiro apaixonado.
— Digo isso a todo instante. Encho o celular dela de mensagens exatamente com este conteúdo. Estamos também na fase da sensibilade alterada. O choro e a irritação vêm do nada. Até Stephan vem se controlando. As roupas têm ficado apertadas e isso a incomoda. Alice que tem me socorrido como pode. Ela desenvolveu uma coleção de grávidas, somente para ela e a irmã. Os sapatos é que tem sido um pesadelo. A senhora não imagina como ela ficou chorosa por não poder calçar saltos hoje. Sapatilhas, aparentemente, não combinam com vestidos de renda.
— E você tem surtado?
— Estou me segurando, por enquanto, e fazendo o máximo para ajudar. Encho-a de hidratante de manhã, prevenindo as estrias que ela jura que já tem, mas que eu não vejo. Seguro sua mão e falo palavras dóceis quando começa a chorar e me calo quando se irrita, deixando que desabafe. O que é bastante complicado. Esses dias ela chegou em casa esbravejando mil pragas em Jacob porque ele, supostamente, roubou um paciente dela. Mãe, o pobre do homem ligou implorando desculpa, mesmo sabendo que era acordo deles, com Ângela e tio Aro, que ela diminuísse o ritmo. É complicado. Ajudo como posso. Mas, às vezes me sinto impotente.
— Acho que todo pai, que tenha o mínimo de consideração, pense assim, filho. Não se crucifique. Você tem feito o máximo que pode. Tenho certeza de que ela, não te julga por isso.
Concordei mesmo que achasse que ainda não fazia o bastante.
— Vocês vão se sair bem. Serão pais exemplares.
— Tivemos bons exemplos.
Murmurei feliz para ela, que me devolveu o agrado com olhos marejados e emocionados.
Dançamos mais duas músicas ainda falando sobre meus bebês. Era bom e não se via o tempo passar quando o assunto girava em torno de algo milagroso.
E quando eu estava quase me rendendo ao cansaço e pronto para me juntar a nossa família, fui presenteado com mais uma façanha de Bella.
— Ela é incrível, não é?
Concordei com Esme. Pelo menos acho que acenei afirmativamente, porque meus olhos estavam hipnotizados em minha princesa, que deslizava pelo salão nos braços de Stephan.
— Minha rainha, eu lamento, mas, se conheço minha esposa, tenho uma missão a cumprir agora.
Vasculhei o salão até encontrar meu alvo perto do bar, completamente deslocada, com um copo de água na mão.
— Não deixe sua mulher muito tempo naqueles braços, ou nunca mais aguentaremos o ego grande e supervalorizado dele.
— A senhora está completamente certa.
A beijei na testa e a levei de volta para seu lugar, junto a meu pai, em nossa mesa.
— Sua esposa gosta mesmo da plebe. Ela dança com seguranças, Edward. Isso é um insulto a nossa família e a nossa condição.
— Um insulto para nossa família é tê-la em nossa mesa, Tânia. Aliás, preciso saber quem te convidou para minha festa.
Olhei sugestivamente e carrancudo para minha avó.
Ela só pode cravar os olhos nos meus, dizendo talvez, que aquilo não se repetiria.
— Sua prima precisava lhe mostrar o quanto o cabelo dela cresceu, Edward. Talvez devêssemos lembra-la do que acontece quando se mexe com uma das esposas de vocês.
Vovó se defendeu e atacou. Típico dela.
— Tânia, cale-se. Ou vá embora.
Tio Eleazar a repreendeu.
— Isso seria bom, mas, como sei que não irá acontecer, peço a licença de todos. Preciso também envergonhar o nome da família dançando com a secretária de minha esposa.
Tomei de uma vez, a bebida amarga e forte que Emmett me estendia, com o intuito de me acalmar, e por fim, parti em busca de Bree. Era hora de fazê-la se divertir um pouquinho e depois, com muito orgulho, entregá-la a Stephan e pegar minha mulher de volta.
Um plano ardiloso de voltar a aproxima-los.
Só Bella mesmo...
********
Bella
— Por que você não dorme? Está lutando contra o sono. Eu te carrego quando chegarmos.
Neguei com a cabeça e forcei minha consciência a reagir.
Estávamos dentro do carro a caminho de casa, depois de uma festa cansativa.
— Não estou com sono. Só cansada e com dor nos pés.
Menti e me deliciei quando ele arrancou meus sapatos, puxou meus pés para seu colo e passou a massageá-los.
— Está mentindo e não precisa disso. Você foi maravilhosa hoje. Pode dormir agora. O dia foi corrido e a noite longa.
— Fique caladinho, Edward. Já estamos chegando. Só preciso que continue com seus dedinhos aí.
Quase gemi no meio da frase quando ele colocou mais pressão nos movimentos.
— Stephan tem sido má influência, você anda atrevida.
A voz dele era brincalhona, em parte por causa dos drinques a mais, em parte porque estava feliz mesmo. E olha que ele ainda nem tinha ganhado seu presente.
Se bem que a maneira como acordeio-o hoje pode até ser considerado um presentão.
Não é todo dia que uma grávida está disposta a esperar pelo marido, nua em seu próprio banheiro.
Foi um banho e tanto!
— Stephan tem sido um excelente segurança e amigo, tanto que lhe dei o restante da noite de folga. Só espero que ele aprecie o presente e agora faça as coisas certas. Portanto, deixe-o de fora disso.
— Acho que vou baixar o salário dele. Onde já se viu, dançar com minha mulher e ainda ficar me provocando enquanto cheirava seus cabelos. É pedir para morrer ou apanhar.
— Hum! E você achou ruim provoca-lo de volta, dançando com a mulher dos sonhos dele, não é?
— Claro que achei ruim. Ela não era você.
Abri os olhos, desencostei do banco e me inclinei para ele, exigindo que seus lábios viessem para os meus.
— É seu aniversário, minha vida, você deveria estar recebendo declarações e massagens. Não eu.
— Não estou carregando os melhores presentes de todos. Você já me dá demais. Agora relaxe e curta. Pode crer que vou cobrar o meu, assim que passarmos pelas portas do nosso quarto.
Contive uma risada e voltei a me recostar no banco.
— Se Stephan estivesse aqui diria que estamos sendo promíscuos inoportunos e enxendo-o de inveja.
— É verdade. Ainda bem que ele não está aqui e... Demetri, por que parou na porta da frente? Pode colocar o carro na garagem, entramos pela porta que leva a cozinha. Está frio, não quero que Bella se resfrie.
— Ei...
Bati no ombro dele, desci os pés, abri a porta e comecei a descer do carro antes que a ladinha começasse.
— Bella, você está descalça. Pare! Onde pensa que vai? O que está fazendo?
Estendi a mão para ele.
— Não vou pegar um resfriado. Venha! Quero te mostrar uma coisa.
Ele levantou meus sapatos e acenou com eles.
— Tá, eu calço. Mas agora desça daí.
Peguei os sapatos de sua mão, segurei em seus ombros e os calcei.
Depois agarrei sua mão e passei a puxa-lo para a garagem.
— Princesa, já estamos aqui na frente, vamos entrar por aqui mesmo. Está fio. Esse vestido é fino demais.
— Ah não, Edward! Deixe de ser resmungão. Está irritando a mim e aos peixinhos.
Quando paramos de frente a porta, acionei o controle, que Zafrina havia me entregado e então meu presente se fez ver.
— O... O que é isso?
Os olhos e a boca dele estavam abertos em total assombro.
— Hum, segundo Rósalie é um 488GTB. Mas, eu não sei bem o que significa. Os detalhes técnicos você terá que ver com ela. Só sei que é um carro que homens gostam. Que corre muito, que têm bancos de couro e quatro lugares, porque a minha não tem e não dá para levar as crianças para passearem quando crescerem e se elas puxarem seu gosto por carro... Tentei já agrada-las também.
Acho que estava falando e falando para ninguém, porque Edward há muito já me deixara e estava ao lado do carro, olhando-o e alisando-o como se fosse uma joia raríssima.
— É o brasão de nossa família?
Traçou os dedos pelo capô, onde o Leão dos Cullen reluzia ao lado do tradicional cavalo que identificava a marca.
— É. Eu queria substituir pelo outro símbolo, mas Rosie disse que algumas coisas não se podem personalizar ou retirar. Então a solução foi colocar ao lado. Mas, o do centro do volante conseguimos substituir.
Ele deu a volta do carro e embaixo, na porta, deslizou o dedo pelo nome Cullen gravado em letras grandes e delicadas.
— Bella, não estou entendendo...
— Não precisa entender, só dê uma olhada.
Devagar, fui até a parte do fundo da garagem e retirei de dentro do meu próprio modelo do carro, que papai havia me dado e que, aliás, eu nunca havia usado, e peguei o estojo estrategicamente guardado ali, por Stephan.
— Aqui. Para você.
Ele agarrou a caixa preta, desfez o laço, que obviamente também era vermelho. E contemplou, com assombro, a chave.
— Amor...
— Feliz aniversário, meu príncipe.
— Você, você está me dando um carro? Um carro de... O quê? Dois milhões?
Santa ilusão! Será que eu devia lhe contar que aquele modelo era de última geração e que só para colocar aquelas “coisinhas que Rosie fazia” já acrescentava algumas somas consideráveis naquele valor?
Não! Melhor não!
— Estou. Vi como seus olhos brilharam quando meu pai me deu o meu.
Torci o nariz e apontei para o modelo do canto. O que eu faria com aquilo?
— Ah, princesa.
— Edward!
Dei um gritinho quando ele me pegou no colo e me girou.
— Você é demais, Bella. Demais! Terei que me superar demais no seu próximo aniversário. Princesa, não sei nem o que falar. Ah, Deus! Foi caro demais, Bella. Preciso te ajudar a pagar e...
— Ei! Pare de pensar em minhas finanças. Não estrague meu momento. Entre lá e veja se aprova.
— Eu... eu...
Edward olhou para mim, olhou para o carro e então voltou a olhar para mim.
— Não posso, princesa, não agora. Se eu entrar naquele carro vou ter que experimentar e aí não poderei apreciar a outra parte de meu presente.
Sorri brilhantemente para ele e comecei a andar em direção a porta que me levaria ao interior de nossa casa.
— Aproveite seu presentinho de rodas aí, meu amor. Porque esse seu presente aqui está exausto demais para fazer qualquer coisa. Podemos continuar comemorando amanhã.
— Promete?
Ele veio até mim, segurou meu rosto entre as mãos e deu beijinhos doces enquanto acariciava os bebês. Parecia em dúvida em qual decisão tomar.
— Prometo.
Então, ele se ajoelhou e beijou o topo de minha barriga.
— Amores, papai vai sair um pouquinho. É bem rapidinho, prometo. Já está bem tarde e mamãe precisa descansar. Que tal dormirem agora? Juro que amanhã terão um chocolate quente bem delicioso se se comportarem.
Acariciei os cabelos dele e me deliciei ao imaginar em como bom pai Edward seria.
— Promessa é dívida. Vamos querer chocolate amanhã, numa caneca bem grande e fumegante.
— Eu sei.
Ele voltou a se por de pé e me beijou mais uma vez.
— Ei irmão! Vamos apreciar seu presente? Ou prefere ficar aliciando sua esposa aqui na garagem?
Emmett com um sorriso brilhante, a gravata desfeita e a camisa totalmente aberta, nos olhava da porta.
Eu não gostaria de saber o porquê dele estar tão bagunçado, mas certeza de que Rosie me contaria, assim que ficássemos sozinhas.
— Rosie me deu algumas informações. Posso compartilha-las com você se me convidar para dar uma volta. Rosie vai ficar com Bella aproveitando que mamãe se ofereceu para ficar com Lizzie essa noite.
Segurei a carteira com mais força entre as mãos. Eu queria que Edward e o irmão se entendessem outra vez. Sorri internamente por ter tido a ideia de dizer a Emm que entregaria o presente assim que chegássemos da festa.
Ele fez exatamente o que imaginei que faria.
— Claro, Emm. Venha aqui.
Atrás dele Rósalie apareceu, linda, sexie e loira.
— Cunhadinha, cunhadinha dê umas diquinhas de presente a minha esposa.
— Idiota!
Rosie o empurrou quando ele me beijou no rosto e me abraçou com força exagerada.
— Vá tranquilo, Edward. Vou colocar Bella e os bebês na cama. Aproveite seu presente.
— Obrigado, Rosie. Não demoraremos muito.
— Não conte com isso.
Rosie me cochichou quando os irmãos entraram no carro.
— Vem, vamos entrar. Você já fez estripulias demais por uma noite. É melhor descansar agora.
Assenti e sorri quando o carro rugiu e Edward gargalhou.
Homens e seus brinquedos! Agora eu já sabia com fazer meu marido feliz, era só comprar algo reluzente e com rodas.
Simples assim....
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