Notas iniciais
Oi. Bem vindos a Terça- Feira... Espero que gostem do capítulo. Fico ansiosa pelos comentários. Beijos e obrigada a todos pelo carinho.

Edward

No capítulo anterior...

– Ah pai, nós estávamos pensando, ainda está muito cedo e hoje no Arn, haverá um showzinho ao vivo, muito convidativo. Então, se vossa majestade permitir, é claro, gostaríamos de levar as princesas até lá. Vir a Angeles e não conhecer a casa de shows do Arn, é um sacrilégio.

Olhei para meu sogro com expectativa. É óbvio, que eu queria que ele dissesse sim, no entanto eu ainda não estava em condições de discordar de suas opiniões, portanto, se ele não concordasse com nossa saída, eu lamentaria, mas aceitaria.

– Por Deus homem! Pare de fazer drama. As deixe ir de uma vez, Charlie. Afinal, se meu coração de mãe não estiver muito enganado, elas terão que se acostumar com a noite dessa cidade mesmo.

Virei fã da rainha. Ela sabia das coisas.

Charlie nos olhou intensamente, pensou, avaliou, refletiu e por fim, deu seu veredito.

– Tudo bem. Elas podem ir, no entanto, eu exijo que estejam em casa cedo e ai de vocês se minhas garotas chegarem aqui com pelo menos “um fio de cabelo” fora do lugar.

Emmett gargalhou, e recebeu em troca o olhar reprovador de mamãe, era só que me faltava ter que vigiar meu irmão para que ele não fizesse nenhuma besteira.

– Então meninos, já que papai permitiu, nos de apenas cinco minutos, para que possamos nos vestir apropriadamente.

– Vocês estão perfeitas, não precisam se trocar, podem ir assim, ninguém no Arn tem essas frescuras.

A baixinha fuzilou meu irmão com o olhar e Charlie não segurou a risada.

– Se acostume Jasper, se elas colocarem os pés no portão, é no mínimo uma sessão, de meia hora, entre roupas e maquiagens. Ou você acha que minha Alice desperdiça uma oportunidade de exibir seus dons?

Alice e Bella fizeram uma careta para o pai, enquanto Rósalie as empurrava escada a cima.

Espalhamos-nos pela sala e enquanto os mais velhos conversavam sobre coisas triviais, meus irmãos e eu nos mantivemos em silêncio, somente na expectativa da volta das princesas.

E como todo bom pai que se preza, Charlie estava certo. Meia hora depois lá vinham elas.

Deus! Acho que nunca me cansaria de dizer: Como eram perfeitas!

Todavia, minha visão se limitava a linda morena, que sorria tímida para mim.

Cabelos soltos, quase no meio da cintura, uma calça jeans justíssima, uma camisa branca e um sapato preto de salto vermelho, altíssimo, completavam o meu deleite.

Senhor, como era linda e minha, só minha. Desenhada, concebida e criada somente para o sortudo do Edward Cullen.

– Vamos?

Ela acenou positivamente.

Peguei- a pela mão e levei-a até a porta. Antes de sair Bella despediu-se da mãe e do pai carinhosamente com um beijo na bochecha de cada um. Um anjo não seria tão gracioso e amável.

Caminhamos em silêncio até a entrada de casa, onde os carros já estavam a nossa espera.

– Mano? Vamos em três carros? Assim fica mais fácil, se alguém quiser voltar antes dos outros.

– Você está certo, Jasper.

Dirigi-me a porta do passageiro de meu Volvo a abri para a minha princesa, que imediatamente entrou, sem pestanejar. Pela minha visão periférica notei que Emmett e Jasper fizeram o mesmo com suas garotas.

– Amum, sua equipe vai à frente enquanto a de Demetri fica para cobrir a retaguarda. Não precisam entrar no Pub, no entanto “fiquem de olho”, eu não preciso que aconteça nada a meus filhos nem a minhas futuras noras.

Meu pai ainda transmitia suas preocupações e ordens aos seguranças quando entrei no carro. De repente um nervoso se abateu em mim, era a primeira vez que estaríamos sozinhos, depois do mal entendido.

Tentei me recompor, dei a partida e logo deslizávamos para fora do palácio. O silêncio era ensurdecedor, no entanto eu precisava começar aquela conversa, que afinal, somente estava estranha, por minha inteira culpa.

– Sabe Bella, eu queria pedir desculpas, princesa. Eu fui um idiota, imaturo e totalmente o contrário de tudo aquilo que prego...

– “Edward eu”...

Não deixei que ela me cortasse, eu precisava de suas desculpas para poder começarmos, de verdade, nossa história.

– Não Bella! Deixe-me terminar. Eu errei. Fui “sem coração” e um estúpido, te julgando sem te conhecer. Só Deus sabe o que eu daria para poder voltar atrás e concertar a minha burrada, no entanto isso não é possível então, por favor, eu imploro, diga que me perdoa?

Instintivamente peguei a sua mão que repousava sobre suas pernas. Nem a pele de um pêssego fresco era tão macia. Deu uma vontade imensa de levá-la a boca e beija-la, contudo, eu me segurei. “O terreno ainda não estava pronto”.

– Estou encantado por você Bella, e queria muito dar um jeito de consertar isso. Preciso que você saiba que mesmo que você não fosse a minha prometida eu teria “arrastado a minha asa” para você, como fiz. “Você é desejável demais, para o seu próprio bem”. Você não tem ideia de como eu lamento ter esperado tanto tempo para te conhecer.

Ela não me olhava, mas eu podia ver um sorriso brincando em seus lábios.

– Por favor, diga alguma coisa. Seu silêncio está me corroendo.

– Tudo bem meu príncipe, eu acredito em você, coloquemos uma pedra em cima disso e comecemos de novo. Eu não seria Isabella Swan se não te desculpasse.

– Eu posso até “ser seu”, princesa, mas pelo amor de Deus, retire esse príncipe da sua boca, pra você eu sou apenas Edward...

Seus dedos fizeram um pequeno círculo em minha mão. Arrepios infindáveis invadiram meu corpo. Eu não entendia a química que se iniciava ali, eu só sabia que era muito bom e me pergunto: como vivi tanto tempo sem o prazer de sentir isso?

Mais aliviado e tentando ao máximo não deixar a conversa “morrer” tentei outra abordagem. Eu estava sedento por mais informações dela.

– Então, me diga, está gostando daqui? Digo, de Angeles?

Seus olhos cor de chocolate intenso, cravaram-se em mim.

– Agora estou, mas acredite, se você me perguntasse isso há três horas, eu negaria.

– Eu acredito...

Sorri meio triste, sabendo, exatamente o motivo de seu desgosto para com minha cidade.

Ela, por outro lado, fingiu que não viu minha expressão e continuou o assunto.

– No entanto, você deve considerar que quem vive na linda Forks, fica meio exigente. Todavia as coisas são assim mesmo, me de um tempinho e eu te prometo que me acostumarei.

Eu daria a ela todo o tempo que ela precisasse. Bella merecia isso.

– Não, tudo bem. Eu sei como é, e não quero que se sinta pressionada, você tem todo o direito.

Ela sorriu, não pra mim, mas sorriu.

– O que foi?

– Minha irmã, Alice, definitivamente, não existe.

Observei a Mercedes a nossa frente e só então notei que Alice estirava o braço para fora e gesticulava freneticamente dando “tchauzinho” para nós que vínhamos atrás.

– Ela é uma comédia. É lindo de se ver, a maneira como vocês se protegem. Vocês são bem unidas, não é?

Ela continuou a sorrir para as palhaçadas da irmã.

– Somos. Quando se têm pais ausentes você se apega a quem está mais próximo. Não que Charlie e Renée tenham feito isso de propósito, eu sei que você entende do que estou falando, mas houve ocasiões em nossas vidas, que eles não presenciaram. O povo, o reino, sempre vinham em primeiro lugar.

Os suspiros dela estavam me deixando angustiado e como ela me disse, eu sabia muito bem o que era isso. Prometi a mim mesmo que nunca, deixaria que ela se sentisse assim de novo, como segundo plano.

– Meu pai sempre dizia que um dia isso acabaria, no entanto eu sempre soube que era somente uma maneira de “jogar a sujeira pra debaixo do tapete”. Parece um círculo vicioso e quando o tempo dele chegar ao fim, outro tempo começará e novas pessoas sofrerão o mesmo que nós sofremos. Essa previsão do futuro é angustiante.

Ela me olhava intensamente enquanto falava e eu não resisti ao impulso de tirar a mão do volante e segurar a dela levando-a logo em seguida aos lábios sentindo toda a maciez e delicadeza que minha imaginação seria incapaz de reproduzir. Era a minha maneira de transmitir conforto e entendimento.

– É nessas horas que dou graças a Deus por ser a mais nova.

– Como assim?

Perguntei tentando entender e acompanhar seu raciocínio.

– As maiores responsabilidades sobrarão para Rósalie e Alice, afinal uma herdará o reino de meu pai e a outra será a rainha do reino de seu pai. Eu poderei viver e planejar a minha vida a sombra delas, como sempre fiz.

Ela mais uma vez me surpreendeu, eu nunca tinha parado e pensado por esse lado, Emmett era o mais velho então o primeiro na linhagem do trono, assim como Rósalie e depois vinha Jasper o segundo, exatamente como Alice, então obviamente um reino seria de um e o outro, do outro. O que significava que nós não reinaríamos nada.

– Nunca olhei por esse lado, então isso só me leva a crer que eu serei sempre mais um espectador na vida dos meus irmãos.

– E isso te incomoda? Digo, uma vida tranquila, sem títulos e posses exageradas.

Aproveitei que paramos em um sinal e olhei para ela prendendo-a com meu olhar.

– Eu posso me acostumar com isso.

Acariciei sua face e gargalhei ao mesmo instante. Se eu já a conhecia um pouquinho sabia exatamente que esse era o tipo de vida que ela iria querer para si, apesar de ter detectado um “pingo de melancolia” em sua narrativa.

– Dê-me um minuto.

Pedi e a contra gosto soltei sua mão em busca do celular.

Bella

Observei Edward atentamente, ele parecia tranquilo quanto a essa questão toda de reino, reis e rainhas e se isso fosse mesmo verdade, eu não poderia estar mais feliz por ser a prometida dele.

Nossa conversa era calma, gostosa, parecia que nos conhecíamos há anos e eu estava adorando tudo isso. Edward estava me fazendo ter certeza de que casar com ele era a coisa mais certa e prudente a se fazer.

Casar?

Por Deus! Eu estava muito assustada. O que era aquilo que eu estava sentindo quando imaginava aquela cena? Nunca um sentimento tão intenso se apossou de mim assim. Era tudo muito confuso.

– Arn? Oi, é Edward cara. Tudo bem?

Ele falava ao celular, mas sua concentração na pista não diminuía.

– Pois é amigo, nós estivemos um pouco ocupados esses dias, mas você vai poder tirar todo o atraso de suas fofocas hoje.

Ele gargalhava e eu sem nem conhecer já gostava do tal Arn, que tão facilmente fazia o “principezinho” sorrir.

– Então Arn, estamos a um quarteirão daí, só que hoje a coisa vai ser um pouquinho diferente, estamos acompanhados e precisamos que você reserve um camarote e ainda deixe que plantemos dois seguranças na entrada do pub e mais dois lá dentro.

Ele escutava atentamente a resposta do homem.

– São importantes mesmo. Pra ser mais exato, as herdeiras do trono de Forkian e se Deus quiser as futuras princesas de Angelus. Então, aproveita e faça um bom trabalho, cara. Talvez essa seja a única chance que você tenha de vê-las assim tão de perto.

Não estava entendendo muito bem, mas, amei a forma como ele disse isso ao amigo.

– Valeu Arn, em dois minutos estaremos aí.

Edward desligou o telefone e voltou a segurar a minha mão. Então virou a direção para esquerda e logo entramos em uma avenida um pouco mais movimentada. Segundos depois ele desacelerou e parou em frente a um lugar um tanto quanto diferente do que eu imaginava.

Não tinha nada de tranquilo ou calmo, parecia uma mistura de boate com bar. A estrutura era grande e imponente e a porta estava “apinhada” de gente.

Pra minha surpresa, rapidamente Edward desceu do carro, entregou a chave a alguém, deu a volta e parou do meu lado abrindo a porta para mim. Ao seu lado, dois seguranças o flanqueavam.

– Não tenha medo. Eu estarei sempre com você.

Ele segurou-me possessivamente apoiando para que eu descesse e rapidamente fechou sua mão em minha cintura e cabeça trancando-me junto ao peito. Milhões de flashes dispararam em nossa direção, eu não sabia identificar de onde e quem os fazia, só o que entendia é que Edward tentava de todas as maneiras mantê-los longe de mim.

– Rápido, Emmett, Jasper!

Pelos resmungos altos de Alie e Rose comprovei que elas estavam com os mesmos problemas que eu.

Andei cegamente por mais alguns segundos até sentir o ambiente mudar e meu príncipe me libertar um pouco de seu aperto. Rapidamente abri os olhos e encontrei os seus, apreensivos e cuidadosos.

– Tudo bem? Eu te machuquei?

Acenei que não com a cabeça e me coloquei a observar o lugar.

– Vem.

Edward tomou minha mão, outra vez, enquanto passávamos pela multidão.

A música era contagiante e logo tive a sensação de que meus quadris se mexiam quase que por vontade própria. Demos mais alguns passos as cegas até uma escada que nos conduziria a parte reservada.

Subimos e logo estávamos apenas nós, minhas irmãs e seus irmãos.

O barulho não era tanto ali e uma pessoa já nos esperava. O lugar era aconchegante, rodeado de pufs e confortáveis poltronas e ao centro uma mesa com lugar para oito pessoas e uma vista perfeita para a pista de dança. Adentramo-nos e então um homem charmoso e bem afeiçoado aproximou-se. Eu supus que ele era o tal Arn.

– Já que vocês chegaram bagunçando o meu estabelecimento o mínimo que podem fazer por mim essa noite é gastar uns bons dólares aqui. No entanto observando mais de perto, eu afirmo, que posso rapidamente trocar essa oferta por uma apresentação formal a essas beldades que os acompanham hoje.

Olhei para Alice e vi meu reflexo na face dela. Divertida, porém envergonhada.

Emmett deu uma tapa na cabeça dele. Arn riu da brincadeira, todavia, tenho certeza que doeu.

Jasper, protetoramente, pôs sua mão nas costas de Alice e Edward, imitando o gesto de posse do irmão, entrelaçou seus dedos aos meus.

– Mais respeito seu súdito de uma figa, você provavelmente está olhando pra sua futura rainha.

Emmett estufou o peito e eu intimamente ri, ao ver o medo na face do homem, que agora mais parecia um rato, vendo os músculos que meu futuro cunhado flexionava.

–. Devo fazer uma reverência, então?

– Oh não! Por favor.

Gemi baixinho e me encolhi mais, junto a Edward.

– Pare de palhaçada, Arn. E vamos logo nos sentar. Estou vendo a hora em que terei que segurar Bella para que ela não caia, depois dessa agitação toda.

Jasper concordou com Edward e nos dirigimos à mesa. Ignorei propositalmente os olhares maliciosos de minhas irmãs perante as palavras dele.

– E o que eu posso servir para a realeza hoje.

Fiz uma careta, que foi acompanhada por minhas irmãs. Odiávamos quando nos chamavam assim.

– Que gracinha, elas não gostam do título.

Edward encarou-o e tratou de dar um “chega pra lá” nas brincadeirinhas do amigo.

– Chega de gracinhas Arn, isso não impressiona ninguém e você está começando a ser inconveniente.

A voz de Edward era séria e sem nenhum resquício de brincadeira. Isso mexeu com Arn e o fez voltar à realidade. Constrangido o rapaz colocou sua máscara de profissional.

– Desculpem-me. Eu só pretendia descontrair um pouco o ambiente. Agora vamos ao trabalho. O que desejam?

– Vocês têm alguma preferência em bebida, meninas? Ou preferem que o Arn nos mostre as opões que ele tem disponível nessa noite?

Jasper nos indagou.

– Eu quero um Palmela Syrah.

Disse Rósalie se referindo ao vinho que sempre acompanhava as nossas noites mais agradáveis em Forks.

– Eu quero uma Ice.

Não me surpreendi com a escolha e Alice. Minha irmã era a modernidade “em pessoas”, se bem que de vez em quando, cismava de tomar Champanhe em plena tarde, e quando fazia isso se podia saber que algo a perturbava.

– E você Bella?

Rose me encarava divertida, acho que tanto pela expressão que fiz ao acordar de meu devaneio, tanto pela resposta que ela achava que eu daria a Jasper.

– Nem pense nisso irmã. Essa noite merece coisa melhor, peça algo alcoólico para que possamos brindar.

Alice já sabia o que eu diria, por isso da bronca. Todavia nem me importei, não era ela que me faria mudar minhas opiniões nesse sentido.

– Uma Coca-Cola diet, por favor, com bastante limão e gelo de preferência.

Emmett gargalhou. Jasper riu, Rose e Alie suspiraram frustradas, perante a minha escolha. E Edward? Bem, Edward parecia ter descoberto a “teoria da relatividade”, seu sorriso bobo e estonteante eram evidências de que eu o havia surpreendido, mais uma vez.

– Argh! Médicos! Argh! Isabella!

Alice ainda resmungou mais um pouco a respeito “do quão tediosa” era a minha profissão, no entanto eu nem me importei. Se ela ao menos imaginasse que refrigerante era terminante proibido para quem desejasse uma vida saudável... Infelizmente desse capricho, eu não abriria mão.

– Arn, traga, por favor, os pedidos das damas e mais três cervejas “estupidamente geladas”, como diriam os brasileiros, para mim e meus irmãos. Hoje temos que comemorar, e já que a nossa cunhadinha não bebe, se exagerarmos ela dirigi.

Assenti para a ideia de Emmett, apesar de ter certeza de que meu pai odiaria saber que tive que levar o carro de volta pra casa, por causa do estado de embriagues deles.

E assim seguiu nossa noite, a conversa era hilária. Emmett era muito divertido sempre insinuando ou fazendo alguma piadinha. Jasper parecia sério, antes da terceira cerveja, depois virou um falador “de primeira”, acredito que em certos momentos ele e Alice até competiam para ver quem falava mais. Edward era o cara, brincalhão, galante, com certeza, se a situação fosse outra eu também me identificaria com ele.

A noite estava prometendo, e tudo só piorou quando lá “pelas tantas”, a Beyoncé deu ar da graça na parada musical do lugar. Segurar minhas irmãs, já bem altas, por causa da bebida, foi impossível.

All the single ladies

All the single ladies

All the single ladies

All the single ladies

All the single ladies

All the single ladies

All the single ladies

– Nossa música Bella, vamos lá.

O “nossa música” dela, fazia menção a época em que nós três nos jogávamos a dançar e rebolar, somente de pijama, em cima sofá de nossa casa, em pleno domingo de manhã.

Alie, sem esperar que eu recusasse, agarrou Rose e eu pelo braço e começou a nos arrastar. Descemos as escadas, sem eu nem saber como, e em segundos já estávamos na pista nos acabando de dançar.

A sensação era incrível: liberdade, euforia, poder...

Poder?

Sim, poder.

O local parou para nos ver dançar. A cada gingado, rodada e descida até o chão, parecia que o mundo viria abaixo tamanho os gritos e entusiasmos.

E confesso, há muito tempo que eu não me sentia tão bem!

No entanto, “tudo que é bom, dura pouco”, já dizia a crendice popular.

Mais ou menos na metade da música, as coisas ficaram um pouco sem controle, e logo uns carinhas, bem bêbados, para o meu gosto, se aproximaram demais de mim e de minhas irmãs.

– O que, exatamente, “três gatas” fazem dançando sozinhas assim? É desperdício demais pra uma noite só.

Busquei os olhos de minhas irmãs, implorando por socorro. Mas, infelizmente, não encontrei. Elas estavam passando pelo mesmo sufoco que eu. Procurei pelos príncipes. Em vão. Eles também não estavam mais aonde tínhamos os deixado.

– Você poderia se afastar um pouco, por favor. Está me machucando.

O homem bêbado, fingiu não ouvir minhas súplicas e se aproximou ainda mais, colando nossos corpos. O desespero começava a me dominar. Eu nunca fora boa em lidar com situações inusitadas. O cheiro de bebida, o deletava, ele estava fora de si.

– Que isso gostosa? Por que você não curte o momento? Rebole esse corpinho gostoso para mim, exatamente como estava fazendo agora a pouco, “hein”.

Um medo insuportável me apossou. E para piorar, o homem me puxou para mais perto, grudou minhas costas em seu peito, segurou minha barriga, forçando-me a ele, e passou a roçar-se, libidinosamente em mim. Sua outra mão logo estava em minha cintura e já trilhava o caminho de meus seios.

Por Deus! O cara ia me apalpar. Fechei os olhos, aumentei o tom de voz e mais uma vez tentei afasta-lo.

– Se afaste, por favor.

Mas, o cara nem se mexeu.

Até que de repente uma voz grave e cheia de raiva foi bem mais convincente que a minha.

– Você não ouviu a garota? Largue-a agora James, antes que eu perca a minha paciência.

A voz de Edward era fria e dura. Amedrontadora.

– E se eu não quiser?

O “tal James” me soltou e se virou para então encontrar as orbes raivosas de meu príncipe..

– Ora, ora, ora, finalmente a realeza resolveu sair das imponentes paredes do castelo e veio dar o “ar da graça” na plebe. E ainda, por cima, salvando donzelas em perigo.

O homem loiro e de estilo briguento, que agora eu via com mais perfeição, mudava o foco de sua provocação. Edward agora era a vítima.

– Bella...

O príncipe estendeu a mão para mim. Rapidamente passei para seu lado, e ele me aconchegou e escondeu em seu peito. Ousei a olhar para o “tal ser” outra vez. De novo, tive medo. Ele parecia possesso ao ver a minha proximidade com Edward.

– Mais uma de suas conquistas baratas Edward? Quem é ela? “Carne nova no pedaço”? Essa eu não conhecia.

Edward me afastou para o lado e fechou os punhos. O homem havia o feito chegar a seu limite.

– Eu já me cansei de você, James. Ensinarei-te uma lição e será agora.

Porém, graças ao bom Deus, Emmett e Jasper o interromperam e o seguraram a tempo.

– Pare irmão! Você não está pensando direito. Charlie não precisa de um motivo concreto para levar as garotas embora. Por favor, nós estamos pedindo, recue.

Contudo, Edward parecia não ouvir, seus olhos queimavam em direção a James. Eu precisava fazer alguma coisa.

– Edward...

O chamei, ainda meio sem forças, tamanho o susto. Mas, meu estado pareceu alerta-lo.

Edward me encarou, forçou os braços, que Emmett ainda segurava, se soltou. E Puxou-me de volta para junto de si.

– Demitri?

– Sim, senhor.

O segurança se materializou ao lado de meu cunhado.

– Mantenha James, Mike e Royce, longe daqui, não precisamos de mais confusão po hoje. Os apresente, por favor, a porta de saída.

– Tudo bem senhor Emmett. Nós iremos ensinar umas “coisinhas” a esses rapazes. Podem ficar tranquilos.

Emmett já de costas, somente assentiu.

– Vamos, Rose. O ambiente lá em cima está muito mais puro.

Emmett saiu arrastando minha irmã, Jasper fez o mesmo com Alice. Edward ainda encarou o sujeito mais uma vez e só então me tirou dali.

Voltamos para a área privada e assim que nos sentamos fomos rodeados por duas irmãs loucas de preocupação.

– Bella? Tudo bem? Ele machucou você?

Alice estava eufórica.

– Idiota! Ah! Mas, deixa meu pai vai ficar sabendo disso, onde já se viu, quem ele pensa que é, e...

Rose também estava descontrolada.

– Pelo amor de Deus! Vocês podem parar?

Falei um pouco mais alto, do que de costume, para que elas me ouvissem e parassem de se lamuriar.

– Eu estou bem. Não deu tempo de ele fazer nada e parem de me tratar como se eu tivesse cinco anos. Estou cansada disso.

Levantei-me de uma vez e fui sentar-me do outro lado, bem longe delas. Era sempre assim. Por mais que elas tivessem passado pela mesma situação que eu, isso nunca as preocupava. Para minha família eu sempre seria a frágil e indefesa.

Fechei meus olhos, as lágrimas queriam vir...

– Não ouse mocinha...

Senti o toque suave em meus pés, tirando-os de cima do confortável assento e sendo-os, mais cuidadosamente ainda, recolocados sobre o colo de alguém que se sentava perto de mim.

– Se você derramar uma lágrima sequer, por causa daqueles ordinários eu juro que volto lá e “parto a cara” de um por um .

Abri os olhos e foi impossível não sorrir para ele.

– Desculpe-me pelo rompante, Edward. Mas, Ali e Rose às vezes exageram.

Ele se aproximou mais e de leve tocou meu rosto. Instintivamente, meu corpo traiçoeiro respondeu dizendo que gostava do carinho.

– Eu não as culpo. Tenho certeza que serei pior quando nos casarmos.

A proximidade era tanta. Eu tinha noção que ele havia falado alguma coisa importante, contudo não me lembrava, a ansiedade pelo próximo toque me dominava.

– Você é uma princesa Bella, “a minha princesa” e ninguém tem a permissão tocá-la daquele jeito. A não ser eu. É claro!

A mão dele veio para o meu cabelo, forçando ainda mais uma aproximação. Eu estava entregue.

– Desde que te vi a primeira vez, estou louco pra fazer isso.

A respiração cadenciada, o hálito bom, de menta, alcançaram meu rosto e eu já tremia por antecipação.

Eu iria beijar Edward Cullen.

Eu queria, eu precisava, eu desejava...

No entanto, no último segundo, algo me fez parar...

Minha visão periférica captou minhas irmãs nos encarando, com expectativa. Somente eu conhecia aquela expressão delas e sabia, exatamente, como elas queriam presenciar aquele momento.

Porém, essa seria a minha vingança. Elas descobririam, mais um pouquinho, do que Isabella Swan é capaz.

Levantei os braços e os passei pelo pescoço de Edward, o abraçando. Depois aproximei bem “levinho” meus lábios dos dele, quase o beijando e para completar o teatro, fiz a maior carinha de “cachorrinho que caiu da mudança”, e retirei do “fundo do meu coração”, a minha melhor “voz de manha” e “soltei a pérola”.

– Eu também quero isso Edward, desde o princípio, mas...

Olhei perversamente para elas, somente para que elas entendessem o que eu fazia.

– Será que poderíamos ir embora primeiro. Tem gente demais aqui e acredito que aqueles jardins seriam o cenário mais que perfeito para o nosso primeiro beijo.

Pisquei pra ele, que entendendo e entrando em meu jogo, deu uma olhadinha sutil para trás.

– Você é muito má, Bella.

Fiz pose de inocente.

– Vem, comigo?

Sem demora, nos levantamos e voltamos para o lado de nossos irmãos.

– Pra quem fica, boa noite. Nós estamos indo.

– Por quê? Não cara, ainda é cedo.

Emmett não tinha visto a nossa cena de agora a pouco, por isso parecia meio perdido.

– Valeu à tentativa Emmett, mas pra nós já deu. Tenham uma boa noite. E até amanhã.

Jasper sorriu safado para o irmão e comentou.

– É Emmett, pelo que parece, seu poder devastador sobre, Edward já não funciona mais. Ele tem um novo dono agora, ou melhor, uma nova dona.

Edward ainda bagunçou o cabelo do irmão antes de lhes darmos as costas.

– Bella?

– “Tchauzinho” Alice. Estou exausta e preciso dormir. Não é você que diz que eu não sou ninguém se não tiver uma boa noite de sono?

Não me virei para encara-la, mas acredito que se Alice pudesse, com certeza, estaria soltando “fumacinha” pelo nariz. Minha irmã era decifrável demais.

Agarrei-o de novo pela mão e saí arrastando-o a caminho da porta de saída.

– Vai ter volta Bella. Ah se vai!

“Nem dei moral” pra Rose e continuei a andar.

Depois de alguns passos, Edward me parou ao encontrar com o outro segurança.

– Estamos indo Amum. Preciso, por favor, que nos escolte até duas esquinas daqui. Depois, seguiremos sozinhos, e você volta para cuidar da segurança de meus irmãos e minhas cunhadas.

– Tem certeza, senhor? Podemos levá-los até em casa e depois voltar. Posso dividir minha equipe.

– Eu prefiro assim, amigo. Só nos afaste desse tumulto e depois seguiremos tranquilamente.

– Sim senhor. Nos acompanhe, então.

Caminhamos a passos largos, Edward possessivamente mantinha suas duas mãos em mim, uma em meu ombro e outra na parte externa de minha cabeça, me escondendo de toda e qualquer eventualidade.

Entramos no carro e mais que depressa os seguranças nos flanquearam e logo estávamos rodando pelas belas ruas de Angeles. Cinco minutos depois os seguranças nos deixaram e seguimos sozinhos para o imponente palácio.

Sempre de mãos dadas. E a cada parada que obrigatoriamente fazíamos, as mãos dele migravam para meu rosto, que logo eram substituídas pela boca que depositava beijinhos cálidos e quentes.

Era bom demais.

Quando que eu ia imaginar que aquele “ser lindo” que me irritou mais cedo, era na verdade um “lord”, que despertaria em mim um sentimento, até então, desconhecido e arrebatador.

– Chegamos.

Admirei, de novo, o castelo e naqueles poucos segundos vislumbrei e sonhei com o futuro que me era apresentado.

Isabella Swan seria feliz agora? Eu podia jurar que sim!

Notas finais
Beijos e até semana que vem.