Três Príncipes, Três Princesas

58 Resultado das Crises? Medo de errar


Notas iniciais
Capítulo intenso. Charlie e Alice com partes muito importantes. Prestem atenção.

Bella

— Ok. Estamos entendidos então. Saio do hospital e venho direto para casa. Espere-me pronto, porque devo chegar em cima da hora por causa da cirurgia e... O quê?

Olhei-me de cima a baixo, Edward estava sentado em nosso closet enquanto eu terminava de me vestir, ele já estava pronto. Porém, me olhava bobamente sem dizer nenhuma palavra.

— Nada.

O encarei, pelo espelho, com as sobrancelhas arqueadas.

— Desenvolva, Cullen.

Ele revirou os olhos e depois veio a meu encontro. As mãos foram, imediatamente, para minha camisa.

Ele estava abotoando-a?

— Fico pensando se algum dia isso vai passar?

— Isso o quê?

— Esse desejo, essa necessidade, essa adoração que tenho por você.

— Espero que não.

Virei-me em seus braços. Ele tinha a capacidade de me deixar em transe e completamente rendida.

— Isso deve ser alguma doença, Bella. Pesquise sobre isso, sim? Como pode um homem amar tanto uma mulher?

Alisei seus cabelos e beijei docemente o canto de sua boca. Era melhor me conter e contê-lo ou não sairíamos dali e isso não era admissível, hoje.

— Não existe tratamento, nem mesmo cura. Pesquisei sobre o assunto quando comecei a ter os primeiros sintomas. Chama-se “amor de eternidade, amor de alma”.

Puxei seus cabelos e beijei, com um pouquinho mais de força, a boca que ele me oferecia.

Não tinha explicação do que era beijar Edward. Ele conseguia, nesse simples ato, mostrar o quanto em sintonia, estávamos.

— Quero você de novo.

Novidade? Claro que não. Eu também já o queria de novo.

Gemi ao sentir a pequena mordida no lóbulo de minha orelha. Ele pegava meus pontos fracos quando queria que eu cedesse.

— Sou sua.

Era o que ele precisava para infiltrar as mãos em minha blusa.

Merda, Isabella! Pense com a cabeça, não com a....

— Ah Deus!

Murmurei quando os dedos, grandes e poderosos, apertaram o bico do seio esquerdo.

— Quero morder você, bem aqui...

— Ah!

Ele sabia o que estava fazendo. Sabia como dominar meu corpo e entrar em minha mente.

Deus do céu! Eu amava demais esse homem. Ele seria a causa de minha destruição algum dia.

— Bella! A hora, querida. Você vai se atrasar.

— Ah! Tá. Ok, Bá. Já vou...

Um salve para as babas que teimam em não te deixar perder o horário. E ainda te matam de susto no processo.

— De quem foi a ideia de trazê-la? Podemos dá-la de presente a Jasper e Alice. Faço até uma carta de recomendação.

Gargalhei e afastei suas mãos de mim. Só assim eu conseguiria pensar com coerência.

— Não, meu amor. Nós não podemos. Agora, eu preciso mesmo ir. Tem um garotinho me esperando.

Ele fez um bico enorme ao me ver ajeitar o uniforme em seu devido lugar.

— Não faça erra cara. Prometo te compensar mais tarde.

Ele assentiu, porém, não desfez a carranca.

— Jacob está aqui?

Virei-me para o espelho e fingi pentear os cabelos, não tinha nem um fio fora do lugar.

— Está. Ele cobrirá o pós- operatório de hoje. Não gosto de deixá-lo com essa missão, porque sei que ele tem que voltar para casa, mas dessa vez temos o jantar com sua avó, então...

Dei de ombros fazendo daquela conversa algo simples e normal.

Edward não demonstrava mais desgosto quanto a minha amizade com Jacob, mas, nem por isso que eu ficaria provocando e falando abertamente de seu, infundado, desafeto.

— Jantar esse, que você não quer ir.

Isso era uma verdade.

— Não fazemos só o que queremos. Agora deixemos de conversa, preciso ir. Te vejo mais tarde. Okay?

Voltei para perto dele e peguei seu rosto em minhas mãos. Distribui inúmeros selinhos doces em sua boca e somente então, me afastei.

— Você não vai tomar café?

— Como no caminho. Bá já deve ter preparado algo para eu levar.

Dei um tchazinho com as pontas dos dedos e me afastei.

— Bella?

— Oi?

Virei-me de novo para ele.

— Eu te amo, não se esqueça.

Sorri abertamente.

— Também te amo. Até mais tarde.

Não entendi muito, mas por uma fração de segundos, achei que tivesse passado uma pontinha de desespero pelos olhos de meu marido.

Será que ele estava me escondendo algo? Será que tinha alguma dúvida quanto a meus sentimentos? Ou será que era por causa do antigo ciúme de Jacob?

Não! Aquilo era loucura minha.

Edward só estava ansioso para esse jantar. E quem poderia culpá-lo? Eu não era a mais conhecida por minha pontualidade.

E decepcionar a rainha- avó não estava na minha lista de maiores desejos dessa vida e creio que muito menos na dele.

Alice

Ah Deus! Obrigada por minha irmã. Muito obrigada!

Esse seria meu mantra a partir de agora. Graças e Ele e a Rósalie, Bella e eu estávamos bem. E eu já podia sentir os efeitos de nossa reconciliação...

Nada de enjoos matinais.

Nem o cheio de Jasper me incomodou, apesar de que, não fiquei no quarto esperando que ele saísse do banho. Não estava a fim de testar a teoria de Bella e, para falar a verdade, também não estava com a mínima vontade de presenciar a rabugisse natural de Jasper.

Isso era uma novidade, uma grande novidade.

Pena que felicidade de “princesas sem juízos” durem tão pouco.

— Por que não me esperou, Alice? Fiquei feito trouxa te procurando no quarto.

Devolvi a xícara à mesa e com toda calma do mundo, olhei para um Jasper bastante raivoso, que agora se sentava a meu lado.

— Diga “bom dia”, garoto. Não foi essa a educação que lhe dei. Vocês não estão sozinhos nessa mesa, nem na casa de vocês.

Quase gargalhei para a “cara” que Jasper fez quando foi repreendido pelo pai, o que não era normal.

Esme também gostou, pois, não fez questão nenhuma de esconder o sorrisinho de lado.

Eu estava amando essa nova postura de meu sogro, ele estava mais exigente e menos favorável a todas as atrocidades do filho e creio que isso também seja mais um estímulo para minha mudança de postura.

Eu já havia cometido e falado besteiras demais por causa dele e da loucura que começara a me consumir também. Estava, mais do que na hora, de dar um basta nisso. Por minha família, por meu bebê, por mim...

— Bom dia, papai. Bom dia, mamãe. Bom dia, Alice. O que é isso que está bebendo? Você odeia chá.

Todos em volta da mesa o cumprimentaram, inclusive eu. A mudança de tom só comprovou o quanto ele era falso. Como pude me iludir tanto?

— Isso é chá sim. Bá acabou de me trazer. Bella mandou que eu tomasse uma xícara todos os dias, pela manhã. Acabará com meus enjoos.

— Bella? Você está louca? Eu exijo que jogue isso fora. O doutor Riley disse que enjoos são normais no início da gravidez. Você não fará nada que sua irmã mandar. Não percebe que ela está querendo prejudicar você e nosso filho?

— Jasper!

— Pode parar com isso, filho. Bella nunca faria nada com Alice. O que deu em você?

Puxei a mão, com a xícara, para longe quando ele tentou tirá-la de mim.

Nem a repreenda de Esme e Carlisle foram o bastante para aplacar o fogo que subiu por minhas veias quando ele falou de minha irmã.

Nós estávamos bem agora e nem ele, nem ninguém mudaria isso.

— Dobre sua língua ao falar de minha irmã. Ela é a melhor médica que existe e confio plenamente nela. E pode já ir se acostumando com a presença dela nessa gravidez, porque a partir de agora eu só vou naquele “medicozinho puxa- saco” quando ela puder me acompanhar. Enjoos são normais porque não acontecem com ele nem com você.

— Só por cima do meu cadáver que sua irmã te acompanhará.

Respirei fundo, engoli o restante do chá, me levantei e só então o encarei, com toda raiva que sentia.

— Então se prepare para ser atropelado por duas Swans, Jasper.

— Alice! Alice!

Não respondi, nem voltei minha atenção para ele. O deixei gritando e infernizando os pais na mesa, enquanto saia pela porta da frente e entrava no carro.

Trabalhar era o melhor que eu faria. Estar com Jasper não era opção.

Ele já havia feito estrago demais em minha personalidade, na verdade desde que descobri que seria dele um dia. Me preparei, erroneamente, para ser sua esposa. Agora era hora de fazer o caminho inverso, deixar o sonho de rainha de lado para arraigar o sonho de mãe.

Porque era só isso que me importava a partir de agora: ser uma bela mãe.

Jacob

— Vá para casa, Swan. Está tudo bem aqui. Eu cuidarei do garoto.

Conferiu, pela milésima vez, os batimentos cardíacos e a respiração de Tobias, o pequeno garoto que havíamos operado.

— Eu já vou.

Resmungou, mas não arredou pé. Os olhos dela estavam vidrados em cada monitor.

Maldito seja o Cullen e suas exigências. Bella estava saindo daqui de corpo, mas sua cabeça continuaria no garoto.

Eu a conhecia.

— Suma daqui, Bella. Eu cuido de tudo. Também conheço os procedimentos, sabia? Prometo te ligar se algo mudar. Agora vá, antes que seu maridinho crie encrenca.

Não havia sido um caso fácil. Tobias tinha um tumor na parte detrás da cabeça. Bem alojado e bem escondido. Tão desenvolvido que estava comprimindo o cérebro levando o garoto a ter fortes dores de cabeça e desmaios.

Bella e eu havíamos levado quase oito horas para retirá-lo dali e agora minha amiga sofria com a amargura de não poder acompanhar as primeiras horas, importantíssimas, do pós-operatório.

— Tudo bem. Eu já vou, mas me ligue se...

— Eu ligo, eu ligo. Agora vá de uma vez.

Empurrei-a pelo ombro, brincando, tentando dissipar o clima de preocupação.

— Ei, precisamos começar nossas pesquisas para o novo artigo. O que me diz? Podemos fazer isso quando estou por aqui. Posso acrescentar mais duas horas em minhas visitas semanais. Assim teremos um tempo. O que acha?

Ela deu de ombros.

— Pode ser. Mas, você terá que ir lá para casa. Não vou me trancar em um quarto de hotel com você. Não vou arrumar confusões infundadas com Leah, muito menos com Edward.

— E me levar para sua casa não vai criar uma confusão com Edward?

— Não. Nós já passamos dessa fase.

Pensei por um minuto. Ela estava certa. E além do mais eu estava lutando pelo meu casamento e pela amizade dela.

Estar debaixo das vistas de Edward era mesmo a melhor opção tanto para um quanto para o outro.

— Ok. Eu topo. Converse com seu marido sobre isso e depois me avise o que resolveram. Se tudo estiver certo para ele podemos começar a estudar semana que vem.

— Tá bom.

Parei ao lado da porta que levava ao estacionamento do hospital.

— Coloquei a receita em sua bolsa. Continue tomando o Sulfato Ferroso, sua anemia baixou, mas ainda não desapareceu. Liguei para Bá e pedi para ela redobrar a atenção em sua alimentação. Siga com o tratamento, Swan.

— Sim, doutor Chato.

Respondeu cinicamente.

Eu tinha culpa de me preocupar com a saúde dela? Descuidada!

Creio que, em algum momento, teria mesmo que conversar com Edward sobre isso. Bella tinha essa mania horrorosa de cuidar demais dos outros e esquecer-se de si.

— Doutor, lamento interromper sua consulta em sua melhor paciente, mas, agora eu vou mesmo. Se cuide, Jake. E qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, me ligue.

Beijei seu rosto e a abracei com força. Eu não ia lembrá-la que seu telefone estava fora de área. Ela precisava se desligar daqui um pouco.

— Vá se divertir. E mande lembranças minhas a Edward.

Ela acenou em acordo e depois partiu com passos decididos e postura forte. Uma nova Bella, para uma nova vida. Muito longe da garotinha medrosa e nerd que conheci há tempos atrás.

E isso era bom. Bella não era mais a minha Bella.

E talvez isso tenha contribuído para que eu me acostumasse com a ideia de que ela era apenas minha amiga.

A minha Isabella Swan havia desaparecido para dar lugar a Isabella Cullen de Edward Cullen.

Edward

Edward você tem uma ligação. É de Forkian. O rei deseja falar. Posso passar?

— Claro. Passe agora.

Apalpei os bolsos até encontrar o celular. Por que Charlie não havia ligado direto?

— Merda! Maldita companhia.

Atirei o aparelho em cima da mesa. Eu havia me esquecido da tal manutenção.

Será que havia acontecido algo? Para Charlie ligar assim...

— Charlie? Aconteceu algo? Vocês estão bem?

Não esperei. Assim que agarrei o telefone o enchi de perguntas.

Eu estava meio paranoico havia tido um pesadelo horrível com Bella e agora uma terrível sensação ruim se apoderava de mim, cada vez que pensava nela.

Calma, garoto. Não aconteceu nada. Eu só quero conversar.

Por um segundo, respirei aliviado, porém durou pouco. Charlie querendo conversar? Não vinha coisa boa por aí.

— Sou “todo ouvidos”.

Encostei, mais confortavelmente, na cadeira. Meu dia já havia terminado e meu único compromisso agora era ir para casa me preparar para esperar Isabella.

Hunf! Não é um assunto fácil, Edward. Só que eu preciso colocá-lo a par dele. Renée e eu tivemos uma discussão forte ontem e no auge da briga, ela disse que um dia toda sujeira se voltaria contra mim. E que eu merecia isso. Porém, quando ela citou que “tinha pena de Bella quando descobrisse meu segredo”, eu perdi o foco...

Passei a mão, nervosamente, no cabelo. O que ele estava fazendo?

“Tudo que vem, um dia vai”, filho. E algo me diz que não está muito longe de minha vida se tornar um inferno. Então preciso estar preparado para esse dia e por isso te liguei.

— Entendi. E no que posso ser útil, Charlie?

Eu não queria interrompê-lo, mas ele parecia meio sem fôlego e falava tudo de uma vez. Eu precisava acompanhar seu raciocínio.

Quero que fique do meu lado quando o pior acontecer e Bella descobrir que...

Quê? Que merda era aquela?

— Não, Charlie. Não fale...

O interrompi. Meu rompante foi tanto que joguei ao chão o porta retrato com minha foto e de minha mulher, no dia do nosso casamento.

O quê? Como assim? Não estou te entendo, garoto.

Eu odiava o cinismo que ele usava quando ele me chamava de garoto. Eu já era um homem. O homem da filha caçula dele.

— É bem simples, sogro. Eu não quero saber dessa história. Não quero que me conte uma vírgula da sujeira que se meteu há anos atrás.

Ouvi sua respiração ofegante. Eu estava o desafiando.

Ora! O que pensa que está fazendo? Quem pensa que é? Eu te ligo na maior humildade querendo confessar meus segredos, desabafar. E é assim que me trata? Pense bem, rapaz...

Ignorei a ameaça. Bella e eu estávamos bem, eu não precisava temê-lo.

— Eu não quero que essa história resvale em mim, Charlie. Bella sofrerá muito quando descobrir essa imundice a qual criou e sustentou. Ela precisará de apoio, do meu apoio e eu quero estar inteiro e limpo para ela. Portanto, não me conte.

A linha ficou muda e por pouco não achei que ele tinha desligado. Porém, eu não tinha tanta sorte.

Covarde! Você sabe da história, não sabe?

— Eu imagino. Na verdade, todos, daqui de casa, tem suas teorias. Somente Bella e seu amor, por você, que a cega, é que não faz nem ideia da situação.

E você acha que isso não o coloca na situação de meu cúmplice? Todos vocês, como você disse?

Apertei o telefone nas mãos, eu queria acabar com aquela conversa.

— Eu não sei de nada, Charlie. Eu suponho. Bella entenderá isso. Agora, quer um conselho de marido que conhece a esposa com quem dorme e acorda, todos os dias?

Percebi que havia ido longe demais quando o ouvi grunhir do outro lado da linha.

— Conte você mesmo a Bella. Se ela souber por outra pessoa será muito pior.

Não preciso dos seus conselhos, moleque. Quem você pensa que é? Só porque está casado com minha criança há poucos dias acha que a conhece? Que a tem na mão?Você não sabe de nada.

A voz dele aumentou tanto que tive que afastar o telefone do ouvido.

Não se engane comigo, rapaz. Eu fiz essa mulher que você chama de sua. Eu a eduquei e a fiz me amar loucamente já pensando no fim dessa situação. Eu a conheço e sei que me perdoará de qualquer coisa.

Apertei a mão em punho.

— Então não entendo qual sua preocupação, Charlie? Não devia precisar de mim se confia tanto em você mesmo.

Eu não preciso de você.

E com essa a linha voltou a ficar muda e agora fora para valer.

Merda! Eu não precisava tê-lo enraivecido mais. Agora ele voltaria com tudo para cima de mim e numa coisa ele tinha razão: Bella o amava e idolatrava com toda sua força.

E o que eu menos precisava, agora, era que ele se colocasse entre nos dois. Porém, era tarde demais para lamentar. Minha impulsividade acabara de fazer outra vítima: eu.

— O mal feito, feito está.

Coloquei o telefone no gancho, agarrei meu paletó e rumei para casa.

A única coisa que eu poderia fazer no momento era rezar para que nossos novos conhecimentos de convívio, nos ajudasse a superar toda tribulação que rondava nossas cabeças.

Terrorismo.

Jasper.

Leah e companhia Ltda.

Charlie e seu segredo sujo

Rosie e sua gravidez

Alice e sua gravidez

E, eu não poderia me esquecer, desse maldito pressentimento.

Era coisa demais para um casal em formação de personalidade.

Que Deus nos ajudasse.

Bella

— Pronto, Sam. Já podemos ir pra casa agora.

— Temos festa hoje? Você nunca sai a essa hora?

Respirei profundamente, a lembrança da discussão com Edward na semana passada, ainda estava fresca em minha memória.

— Sim. Temos um jantar oficial com a rainha Elizabeth e prometi a Edward que não me atrasaria.

— Isso não será problema então. Agora são, só, quatro e meia. Em trinta minutos você estará em casa.

Sorri para minha segurança e amiga Zafrina.

— Sim, e tomara que não peguemos trânsito, não é?

— Verdade. Então só por precaução aperte o pé, Sam, pois ninguém aqui quer comprar uma briga com a rainha, nem com Edward. Essa família é calma demais para se irritar por pouca coisa.

Cínicos.

Mas, a quem eu queria enganar? Eu amava essa facilidade com a qual convivíamos. Sam e Zafrina eram muito mais do que meus seguranças. Eles eram da família.

— Relaxe aí atrás, Bella. Aproveite os poucos minutos de sossego antes de encontrar a princesa Tânia. Algo que me diz que você precisará de toda paciência do mundo, hoje.

— Algo me diz que você está redondamente certo, Sam.

Seguindo seu conselho, isolei- me eu meu mundo.

Recostei a cabeça no banco traseiro e fechei os olhos, eu estava exausta, o dia havia sido desgastante demais para mim. O olhar estranho de Edward, Jacob e seus cuidados, a cirurgia, o pós-operatório, o jantar...

Eu só queria chegar em casa, tomar um banho bem demorado, depois me deliciar com um copo de chocolate quente e então me jogar na cama e dormir por, pelo menos, doze horas seguidas.

Uma princesa podia sonhar, não podia?

Zafrina ligou o sistema de som numa melodia calma, que isolou completamente os sons de fora do carro.

A paz que me dominou era tanta que cheguei a cochilar.

O carro deslizava pelas ruas mantendo uma velocidade considerável, já estávamos no centro de Angeles e isso significava meio caminho de casa. Dessa vez eu chegaria a tempo.

Eu precisava disso, Edward precisava disso e...

— Hum! Temos um problema.

Não acreditando na minha sorte, abri rapidamente os olhos, endireitei o corpo e me coloquei a procurar o que Zafrina chamava de problema.

E, só pra constar, era mesmo um problemão.

A avenida estava bloqueada nas duas pistas, um amontoado de pessoas cercava algo e era impossível que seguíssemos caminho.

Merda!

Pensei. Já temendo o que estava por vir.

— Fiquem aqui. Vou ver o que está acontecendo e já volto. Não saiam do carro, por lei nenhuma.

Sam, tirou a arma do paletó e trocou um olhar cheio de significados com Zafrina antes de descer.

Minha segurança, mais que depressa, também tirou a arma do coldre e engatilhou.

— O que está acontecendo? Vocês estão malucos?

— Shii! Fique quieta e se abaixe, Bella. Não sabemos o que está acontecendo. E não precisamos que ninguém saiba que você está aqui.

Mesmo achando que ela estava exagerando, não retruquei. Eles eram treinados para isso e sempre sabiam o que era melhor para mim.

Abaixei-me no banco enquanto ela desligava o som. Aquele silêncio era ensurdecedor. Onde estava a paz mesmo?

Esperamos e esperamos por cerca de quinze minutos. Zafrina, a cada instante, ficava mais nervosa e impaciente.

E eu também.

E o pior de tudo é que a certeza de que a rainha e Edward me matariam só aumentavam, assim com nosso tempo parado ali.

— Olhe, Sam já está voltando. Não deve ser nada grave. Ele parece até sereno.

A arma não estava mais em punho.

Aliviada, ajeitei minha postura.

Sam, entrou no carro e me encarou pelo retrovisor. Ele parecia só um pouco apreensivo.

— Perdoe-me princesa, mas nós nos atrasaremos. Aconteceu um pequeno contratempo...

— Que contratempo?

Forcei meu corpo entre os dois bancos da frente e tentei observar, com mais atenção, o que se passava.

— Não é nada. Daqui a pouco tudo será resolvido e...

— Sam! Não minta. O que está acontecendo?

Exigi uma resposta. Ele, evidentemente, estava mentindo. E eu não era nenhuma demente que não podia lidar com qualquer coisa que fosse.

— Um acidente a dois carros daqui. A equipe médica e os bombeiros ainda não chegaram. A situação está um pouco complicada lá na frente.

Antes que ele terminasse seu relato, eu já vestia meu jaleco e procurava minha maleta.

Sair do carro é que foi o grande problema, as portas estavam travadas.

— O que pensa que está fazendo, Isabella? Pare de forçar a porta. Você não vai descer.

— Você ouviu o que Sam disse, Zafrina? Um acidente e as equipes médicas não chegaram. Eu preciso ir até lá.

— Não, princesa, você não precisa. Nosso dever é te levar pra casa em segurança, e é exatamente isso que faremos. Era por isso que eu não queria contar o que se passava. Você e essa sua mania de heroísmo.

Irritada, soltei a maçaneta da porta e me virei para ele. Agora eu sabia o porquê de papai confiar tanto em Sam.

Ele era intransigente e fiel demais.

— O seu dever é obedecer as minhas ordens. E eu estou mandando você destravar essas portas. Eu fiz um juramento Sam, e nunca que eu deixaria alguém morrer quando posso ajudar.

— Mas, Bella o patrão...

— Eu me acerto com seu patrão depois. Agora abra a porcaria dessa porta, ou eu vou esmurrar a janela até quebrar o vidro. Aí sim você terá um grande problema.

Eu tinha noção de que estava sendo mal- educada com eles, todavia quando o assunto era uma vida, tudo fugia de meu controle e eu somente pensava em ajudar.

Resignadamente, Sam abriu o carro e logo me pus para fora. Eles, sem escolha, me seguiram de perto.

A situação era bem pior do que eu imaginava.

Pelo que eu podia entender uma carreta havia entrado na contramão e ido de encontro a um ônibus escolar.

Deus! Eram crianças ali...

Meus instintos me dominaram e logo me vi dando ordens e indo de encontro ao ônibus.

— Zafrina, ligue para o hospital e relate a situação. Diga que eu exijo que mandem, imediatamente, duas equipes para cá e que o restante do pessoal se prepare para receber os feridos, pois é para lá que os mandaremos.

— Certo!

— Sam, ligue para o chefe de trânsito e diga para ele mandar alguém, agora, para resolver esse caos aqui, ou então meu sogro, amanhã mesmo, saberá da minha insatisfação para com o trabalho dele. Depois ligue para Edward e diga o que está acontecendo.

— Ok. Faremos o que você quiser só, por favor, não saia das nossas vistas.

De relance, olhei para ele e acenei. Era o máximo que eu podia prometer naquele momento.

— Mãos a obra.

Corri para o ônibus e fui tomada pela adrenalina, a situação era catastrófica e por mais que eu convivesse com todo tipo de horrores todos os dias, eu nunca estaria preparada para lidar com crianças sofrendo.

— Deus do céu.

O terror era total, a parte lateral esquerda do veículo estava estraçalhada e havia várias vitimas inconscientes jogadas ao chão, e várias outras conscientes que choravam e gritavam desesperadas e pedindo socorro.

Curiosos de toda parte já se acumulavam ao redor do ônibus e mesmo empurrando-as eu não conseguia afasta-las para que começasse os primeiros socorros.

— Sam. Ajude-me aqui.

Gritei desesperada.

— O que eu faço, princesa?

— Tire essas pessoas daqui. Organize algumas e retirem as crianças que não estão com escoriações visíveis. Isso não é recomendado, no entanto, eu e as equipes que estão vindo precisaremos de espaço. Retire as crianças que estão bem e as deite na rua. Eu preciso socorrer as que estão presas nas ferragens. Olhe se existe vazamento de combustível, precisamos evitar um incêndio. Você já falou com o departamento de trânsito?

— Falei. Mas, com Edward não. O telefone nem tocou.

Maldita operadora e sua manutenção.

— Ok. Falo com ele depois. Ou melhor, coloque alguém de confiança a espera do carro dele. Ele tem que passar por aqui quando for para o jantar.

— Princesa, isso não é possível e...

— Faça o que eu digo. Pague uma dessas pessoas a nosso redor. Se mexa, homem.

Seguindo as minhas ordens eles se puseram a trabalhar e eu comecei o atendimento.

Cinco crianças estavam presas, mas graças a Deus conscientes.

Também havia duas com fraturas expostas e uma que exigia mais minha atenção, pois sangrava na cabeça por causa de um corte profundo.

Estanquei o ferimento enquanto as acalmava e dizia que tudo ficaria bem.

Com tudo precário que tinha em minha maleta, tentei dar o máximo de mim.

Mas, foi só quando as equipes médicas e o corpo de bombeiros chegaram foi que pude fazer as coisas direito.

Nem me importei que eu não era da equipe deles, eu havia chegado ali primeiro. Por isso dei ordens enquanto pude.

Trabalhei o máximo que consegui, gritei, socorri, estanquei, imobilizei, acalmei e somente muitas horas mais tarde, depois de todo caos controlado, foi que, uma Isabella exausta, colocou a última criança socorrida dentro de uma ambulância.

— Pronto.

Respirei com dificuldade e coloquei as mãos nos joelhos.

Eu não conseguia mais nem firmar em minhas pernas.

— Agora, vamos para o hospital. Tenho muito trabalho pela frente.

Zafrina negou e me segurou pelo braço. Sam já estava com o carro ligado bem ao nosso lado.

— Não, querida. Vamos para casa agora. A sua parte você já fez, Bella. Nesse estado, você só atrapalharia. Vamos embora, você toma banho, come, descansa e então amanhã, bem cedo, começa tudo outra vez. Você nem se aguenta em suas pernas, Isabella. Está exausta.

— Mas, Zafrina. Jake é o único pediatra lá. Ele vai enlouquecer sozinho e...

— Nada de mas, princesa. O doutor Black já está bem amparado e ele sabe se virar. E também já liguei para Aro e relatei o seu estado e ele me deu ordens diretas de que te levasse para casa.

Resignada, mas não conformada, entrei no carro. Sam não esperou mais, o colocou em movimento rapidamente.

— Segundo o homem que paguei, Edward não passou por aqui.

Pensei em silêncio, por um segundo.

— Tudo bem. Stephan deve ter ficado sabendo do acidente. Eles devem ter dado a volta. Não se preocupe, falo com ele depois.

Ele não precisa se preocupar, já eu...

Ah, Deus! Me ajude.

As ruas estavam desertas e vazias e foi só aí que me dei conta do quão tarde estava.

Quanto tempo havia se passado?

No auge da confusão nem percebi quanto tempo fiquei envolvida com todo socorro.

Deslizamos pelo caminho e cerca de quinze minutos depois, nós adentrávamos os portões do castelo, que há essa hora estava envolto de uma escuridão sombria.

— Direto para sua casa?

— Sim.

Passamos pelo caminho de pedras e logo vi a porta de minha casa.

Um arrepio me tomou assim que coloquei os pés para fora do carro, uma sensação estranha de medo me tomou e eu nem sabia o por quê.

— Precisa de ajuda, princesa? Você não parece capaz de andar.

— Estou bem, Sam. Vão descansar. Vocês também não estão em seus melhores dias.

— Quer que estejamos com você quando explicar o que aconteceu a Edward? Você parece temerosa.

Temerosa? É, a quem eu queria enganar? Eu estava com medo de enfrentar a fera.

— Não, Sam. Tudo ficará bem.

Disfarcei.

Caminhei até a porta e esquadrinhei minha bolsa até encontrar as chaves.

— Me dê seu jaleco, Bella. Ele está imundo, vou leva-lo pra lavanderia.

— Obrigada, Zafrina. Tenham uma boa noite e obrigada por tudo, vocês foram incríveis hoje.

Sam, seriamente, como de costume, só acenou, mas Zafrina sorriu calorosa. Eles se completavam, sem dúvida.

— Se fomos incríveis, nem imagino que adjetivo usar para explicar o que você foi. Parabéns, Bella.

— Vá dormir agora, minha amiga. A exaustão está embaralhando suas ideias.

Constrangida, subi os degraus, destranquei a porta e entrei...

Estava tudo escuro. E só quando o sensor de presença acionou, foi que as luzes se acenderam.

A sala estava completamente vazia. Ninguém parecia estar na casa.

— Merda, Bella. Claro que ninguém está na casa. O jantar...

Adentrei mais e encontrei o celular de Edward no aparador perto da escada.

— Fora de área.

Ele ainda estava incomunicável.

E eu nem havia atinado de ligar no telefone fixo daqui de casa, é bem verdade que meu telefone não estava funcionando, mas o de Sam, que é de outra operadora, estava.

— Você está com sérios problemas, Isabella. Se prepare.

Gemi inconformada e temendo pelo pior. Edward não se dava bem com meus atrasos e quebra de promessas.

Deus! Eu ainda me lembrava da fúria dele nos últimos acontecimentos.

— E ainda tem a rainha. Você vai ter que se explicar com ela.

Deixar meu marido ir sozinho em dois jantares familiares seguidos, não era uma boa coisa. Tânia devia estar se esbaldando. Devia não, deve. Porque pelo silencio da casa, Edward ainda estava lá.

Pensei em ligar e me explicar, porém o cheiro de sangue parecia impregnado em mim.

Por isso, arrastei-me degraus acima até chegar em meu quarto.

— Ah Deus.

Disse baixo assim que coloquei os olhos na cama: Edward estava lá. Deitado e completamente adormecido.

Seu rosto de anjo, transformado em uma careta de frustração e só por aí pude imaginar o quanto ele devia estar frustrado.

Roupas estavam jogadas por toda parte o que me fez ter certeza que ele as tirou com muita raiva.

Ele não foi ao jantar.

E isso era pior. Porque a ira agora viria em dobro, dele e da rainha.

Caminhei devagar e silenciosamente até o closet, peguei um pijama, de pernas e mangas compridas, uma toalha e pé por pé, saí dali e fui até um dos quartos de hóspedes.

Tomei um banho longo e bem quente. Eu queria tirar aquele cheiro de mim.

Quando terminei, o dia cobrava seu peso, no entanto eu não conseguiria dormir aquela noite ao lado dele.

Não sabendo que o havia decepcionado de novo. Não, sabendo que ele não entenderia o que fiz e que brigaríamos outra vez.

Por isso, desci para meu escritório agarrei um frasco de calmantes e com a ajuda de um copo de água, engoli três de uma vez.

Se eu não dormiria por bem, dormiria por mal.

A última coisa de que me lembro foi de deitar no sofá da sala e ligar a televisão...

Edward

Uma, duas, três, quatro horas de atraso... Nada!

Bella não viria.

— Vó?

— Querido, onde vocês estão?

Apertei o telefone com uma força descomunal. O aparelho rangeu.

— Estou em casa. Infelizmente nosso jantar ficará para outro dia, minha rainha. Bella não chegou. Deve ter tido uma emergência no hospital e...

— Hum. Eu entendo. E por que você não vem?Ficar em casa sozinho em espera não é legal.

Fiquei tentado, porém...

— Hoje não, vovó. Quero estar em casa quando Bella chegar. Ela havia me prometido que não se atrasaria. Estou tão cansado disso.

— Por isso, que eu quis que seu pai exigisse que seguíssemos o modelo de lei Inglesa. Lá as princesas não podem ter uma profissão, se dedicam inteiramente ao reino, a assistência social e a família. Mas, seu pai e aquele Charlie são duas mulas teimosas.

— Esse pensamento é machista, vovó. Não estou condenando a profissão de Bella. Só estou dizendo que queria que ela se esforçasse mais.

Algo bem lá no fundo de minha consciência me alertava que eu estava sendo injusto, ela já havia mudado sua rotina de trabalho por mim.

Parece que eu nunca estaria satisfeito com que ela me oferecia, sempre exigia mais.

— Entendo. Então por que você não levanta daí e vai buscá-la? Diga a ela tudo que pensa.

Ah se ela imaginasse o que dava quando eu falava o que pensava.

Não! Definitivamente, eu não faria isso. Ela que chagasse e se explicasse. Dessa vez eu não seria o babaca de sempre. Eu escutaria...

— Não, vovó. Vou aproveitar que ela não está aqui e vou descansar. Depois remarcamos nosso encontro, tá bom?

— Ok, querido. Mantenha a calma e durma com Deus. Amanhã te ligo para saber o que aconteceu. Te amo, não se esqueça.

— Também te amo, minha rainha. Durma bem.

Desliguei o telefone. Tranquei as portas e janelas e me preparei para subir.

— Edward, deixei um prato para Bella dentro do micro-ondas. Quando ela chegar, por favor, avise-a que...

— Jogue fora e vá se deitar, Donna. Bella deve ter comido no hospital.

Minha voz saiu alta e rude. Assustada, ela deu dois passos para trás.

— Você vai buscá-la? O telefone dela está fora de área?

Eu admirava a coragem daquela mulher. Mesmo vendo que a raiva estava preste a me dominar, ela ousou falar.

— Não. Ela virá da mesma maneira e com quem foi. Agora suma daqui, Donna. Estou cansado.

Agora muito assustada, ela se virou e sumiu para a cozinha.

— Merda! Merda!

Resmunguei bravo enquanto me dirigia para o quarto.

Arranquei cada peça de roupa, como se elas fossem as culpadas pela minha frustração.

Eu dormiria sozinho, mais uma vez. Isso me lembrava de tempos ruins.

Nervoso e precisando de algo para me aliviar, fui até a sacada e peguei um copo que havia deixado lá enquanto esperava Bella, o enchi de Uísque puro, que também havia deixado ali mais cedo, e bebi de um gole só.

O líquido âmbar desceu queimando e segundos depois subiu de uma vez para minha cabeça.

Eu não era de beber, por isso não resistia à primeira dose.

Por isso, quando desabei na cama já estava sonolento e muito longe de dominar meus atos.

Dormi imediatamente...

O que não significa que foi uma noite proveitosa de descanso. Pesadelos e sensações pareciam tomar posse de minha consciência, mas por causa da dormência da bebida, eu não acordava.

Era uma coisa ruim e inexplicável, tive certeza de que caia em um penhasco porque minha cabeça zunia e meu corpo estava mole.

Somente quando o dia amanheceu e os pássaros, irritantes, começaram a fazer barulho, foi que pude relaxar um pouquinho mais.

Eu sabia do que precisava...

Esquecendo a raiva que senti dela ontem à noite, virei de lado, pronto para me enganchar no corpo macio, cheiroso e cheio de curvas de Bella.

Porém, vazio...

Ela não estava na cama.

Levantei num pulo. Vesti uma roupa qualquer e passei a procurá-la desesperadamente.

Se Bella não tivesse chegado era certeza de que algo havia acontecido.

Uma dor na consciência veio imediatamente.

Por que mesmo que não fui buscá-la ontem?

Ah sim! Eu estava me chafurdando na autopiedade.

Fui até a academia.

Nada. Bella não estava ali.

Voltei para o meu quarto e conferi as horas. Sete horas.

Muito cedo.

Mas, para minha surpresa, só então, notei que a maleta de Bella estava no chão do quarto, prova que ela havia chegado do hospital.

Onde ela estava?

Desci na esperança de encontra-la na cozinha e qual foi minha surpresa ao entrar na sala e dar de cara com Charlie, Renée, Rose e Emmett. Todos me olhavam com expressões fechadas e irritadas.

— Ah! Bom dia, Edward. Será que você pode me dizer o motivo de minha filha ter se “entupido” de remédios para dormir e estar fazendo isso na sala e não no quarto.

E foi aí que meu mundo desabou, Bella estava encolhida no sofá. Sua expressão mostrava algo que não consegui decifrar.

Ela só parecia pequena e desprotegida ali.

E eu tinha consciência de que Charlie estava sentado ao lado dela e que a cabeça de minha princesa descansava em seu colo.

No entanto, meus olhos instintivamente foram desviados para a TV de tela plana que Emmett mantinha ligada e em volume baixo.

Uma repórter estava no centro da cidade e mostrava, insistentemente, marcas grandes de pneus fritados no asfalto negro.

Todavia, foi a chamada da matéria, bem abaixo e em letras garrafais, que me fizeram perder o rumo de vez.

“Princesa Isabella Cullen interrompe trajeto para socorrer crianças envolvidas num terrível acidente, na tarde de ontem”.

E o terror e temor do erro, de novo, queimaram meu ser.

Quando eu pararia de julga-la?

Eu pensando horrores dela, enquanto podia estar ao seu lado ajudando-a no que mais ela amava fazer: salvar vidas.

Notas finais
Trabalhei os quatro últimos capítulos para chagar até aqui. Não julguem ainda. Zezinha, Edward está considerando esse capítulo como seu terceiro erro, mas te garanto: não haverá pedido de desculpas, de nenhum dos lados. Confiem em nosso casal.