Três Príncipes, Três Princesas

89 Não mexa com minha família


Notas iniciais
Bom, penúltimo capítulo e com muito orgulho, o dedico a Biia Santos que fez aniversário no último sábado, dia 19. Parabéns, Biia. A dona de minha primeira recomendação nessa fic. Você foi uma das primeiras incentivadoras e lhe devo demais. Obrigada por tanto carinho!

Bella

— Eles estão cada dia mais espertos, não estão?

— Espertos e sapecas, Esme. Não se pode perder de vista, nem por um segundo.

Olhei com carinho para Andrew e Liam na beira da piscina pulando para dentro nos braços do pai e de Emmett.

— E seu marido ainda quer outro? Eu parei em Lizzie. Nem se Emm ajoelhar a meus pés...

Reprimi uma risada para a careta que Esme fez para o comentário de Rósalie.

Era domingo e estávamos todos reunidos na beira da piscina da casa grande, prontos para aproveitarmos um almoço em família.

Rosie, Emm, Charlie e Renée haviam vindo de Forks especialmente para esse dia.

Aliás, Renée havia acabado de escapulir com Jasper. Dona Elizabeth queria conversar com ela pessoalmente e a sós. Ninguém sabia do que se tratava e nem indagou a “rainha mãe”. A palavra dela era lei em Ângelus.

— “Altão, papai”.

— Bella e Edward, graças a Deus, não pensam como você, Rósalie. Estão fazendo um bom trabalho e encherão minha casa de herdeiros do trono, não é, querida? Então, não a desanime. E sim, isso é uma ordem de sogra.

Voltei a olhar para a piscina: Liam fazia um grande esforço para pular alto e Edward o pegava antes que alcançasse a água. Emm, fazia o mesmo com Andrew. A risada dos dois ecoava por todo o ambiente.

— Queremos uma menina. Enquanto ela não vier, povoaremos nossa propriedade. E se todos forem perfeitos como Andrew e Liam, Edward e eu estaremos feitos.

Fiz questão de falar somente com Esme, não deixando que as duas acreditassem que tudo estava bem entre a gente.

— Meus netos são a alegria da vovó.

Esme não fez de propósito, claro que não. Mas, adorei ver como Rosie e Alice receberam aquelas palavras: Lizzie e Annie estavam sentadas em uma toalha perto da babá porque suas mães se recusavam a deixa-las entrar na água. A maior desculpa é que ficariam resfriadas.

E o “ser criança” ficava onde?

— Seu telefone, Bella.

Distraída babando em minha família, nem percebi que meu telefone tocava e que Alice o estendia para mim.

Estávamos deitadas nas espreguiçadeiras tomando sol e ela era a que estava mais perto da mesa onde deixei minha bolsa e a dos meninos.

— Hum, não é ninguém.

Ignorei a chamada e, aproveitando, desliguei o aparelho. Uma hora Jacob desconfiaria de que eu não queria mesmo falar com ele.

— Será que mamãe vai demorar? Eu queria que ela estivesse aqui quando mostrasse os croquis da coleção infantil para vocês e também gostaria de falar sobre a festa de Annie. Estamos querendo fazer em Forks dessa vez. Você se importa, Bella?

Mudou bruscamente de assunto, ignorando o que eu acabara de fazer e evitando qualquer maior conflito.

Rá! Era o máximo ver como ela e Rosie tentavam conversar e me trazer para seu mundo. O problema é que não imaginavam que não seria tão simples assim.

— Não me importo. Temos um avião a nossa disposição. Dá tempo de chegar, participar da festa e depois vir dormir em casa.

Já se passara algum tempo desde a conversa decisiva. E desde então não havíamos ido a Forks nem na fazenda. Alias, essa era a primeira vez que mamãe e papai vinham a Ângelus desde então.

Sue, graças a Deus, tinha desaparecido do mapa.

A convivência, confesso, não estava difícil. Estava estranha.

Era como se todos fossem desconhecidos para mim e precisácemos recomeçar do zero nessa coisa de convivência.

— Assim não, Bells. Ficaria muito cansativo para vocês. Sacrificaria os meninos e...

— Não estou te dando uma alternativa, Alice. Se quiser a presença de meus filhos, será como o pai deles e eu decidirmos. E...

— “Aaii”, mamãe!

Num pulo, cortei o assunto e me coloquei de pé correndo para perto de meus filhos. Andrew chorava a todo pulmões e algo certamente havia acontecido.

— Liam!

Falei brava e dois décimos acima do meu tom de voz normal, quando percebi meu pequeno, empurrando Lizzie com as duas mãozinhas.

Edward já estava com Andrew no colo.

— “Izzie, modeu Drew, mamãe”.

Sem que precisasse de alguém pedir, Charlie pegou Liam nos braços e Emmett correu para socorrer a filha que também começara a chorar.

— Não, papai! Dodói! Ai... Mamãe...

Andrew choramingava e tampava o ombro impedindo Edward de ver o que havia, de fato, acontecido.

— Desculpe-me, alteza. Eles estavam brincando e Lizzie se irritou porque Andrew pegou um de seus brinquedos. Não consegui segurá-la a tempo. Ela o mordeu mesmo.

Passei pela babá e fui para perto de Edward e Andrew.

— Oh filho, não precisa chorar. Deixa a mamãe ver.

Ele estendeu os braços para mim e escondeu o rosto em meu pescoço, ainda chorando de soluçar.

— Aqui. Olhe, Edward.

— Droga! Ela mordeu forte. É branquinho demais. Vai ficar roxo.

Puxei o ombro dele e vi a marca certinha dos dentinhos de minha afilhada.

— Dodói, mamãe!

— Mamãe vai fazer parar. Não precisa chorar.

— Filha, não pode morder, papai já te disse isso. Tem que dividir os brinquedos. Você brinca com os brinquedos do Drew. Agora ele tá triste com você.

— Para de chorar, Lizzie. Ele que machucou. Você vai perdir desculpas, mocinha. Ah, se vai...

Passei por todos e voltei para a espreguiçadeira onde estavam minhas coisas.

Emm e Rosie repreendiam a filha. E Annie havia começado a chorar também vendo que Andrew não parava.

— Está tudo bem, amor. Mamãe vai passar um remédinho. Pode parar de chorar. Já vai parar de doer.

Tentei encontrar uma pomada dentro da bolsa, mas segurar Andrew com uma mão só, era impossível.

Ele estava grande e pesado. Ou eu que era pequena demais?

— Deixa, eu pego. Senta. Qual é a pomada?

— Aquela anestésica que passamos no arranhão do joelho. Está no bolso de dentro.

Edward apontou a espreguiçadeira. Caminhei para lá.

Esme e papai estavam perto preocupados com o neto.

Liam havia descido do colo do avô e avaliava o irmão com olhinhos preocupados.

— “Chola não, maninho”. Mamãe é “bedica”. Seu dodói vai “fica” bom “depessa”.

Deus, que vontade de apertar e sufocar de tanto beijo. Como posso ter sido tão abençoada? Como pode ter saído de mim algo tão perfeito?

— Está tudo bem, Liam. O “Drew” já vai parar de chorar, não é, filho? Seu irmão está preocupado. Para de chorar, amor.

Beijei a cabecinha de Andrew e alisei as bochechas rosadas de Liam.

— Aqui.

Edward se ajoelhou a meus pés e me entregou o tubo. As mãos, ansiosas e preocupadas, estavam em Andrew também.

Deslizei o medicamento pelo dedo e massageei delicadamente a pele de meu pequeno.

— Ai, mamãe... Dodói...

— Vai passar, vai passar.

— Não “chola, manim”. Não, “chola”...

Abracei Andrew e o ninei. Liam estava com os olhinhos banhados em lágrimas também e tentava consolar o irmão.

Era a tal sintonia de gêmeos.

— Será que não machucou em outro lugar também? Ele está chorando muito.

— Machucou não, sogra. Pode ficar tranquila. Os molares estão nascendo e ele está enjoadinho. Está tudo bem.

Charlie olhava a tudo atentamente, mas como o pai que eu conhecia, respeitou meu pedido e não se intrometeu.

Edward, por outro lado...

— Filho, não pode empurrar a Lizzie. Ela é uma garotinha, protegemos nossas garotas.

— “Izzie modeu, rimãozinho”, pai. “Potegemos os rimãozinhos”.

Esme tossiu e Charlie virou de costas, era óbvio que escondiam uma risada. Até Edward teve que fazer uma pausa no diálogo com Liam ou cairia na risada também.

— Mamãe, tá dodói...

— Mamãe sabe, amor. Vai passar.

Beijei a testa dele e acariciei os cabelos claros. Os olhinhos estavam quase fechando. Ele estava exausto.

— Amor, pega para mim, a toalha dele e uma roupa dentro da sacola. Andrew está exausto pela piscina e também porque dormiu pouco. Vai dormir antes de almoçar. Preciso dar-lhe uma mamadeira.

— Vista-o, eu faço a mamadeira. E você, campeão, vem comigo. Vamos conversar lá na cozinha sobre com tratar uma mulher.

— “Izzie não é muler, papai”. “É quiança”.

— Rá, sai dessa irmão.

Emmett gargalhou de onde estava. Fechei a expressão para ele enquanto enfiava os braços de Andrew pelas mangas da camiseta.

— Vamos, Liam... Já volto... Papai já traz sua mamadeira, filho. Espere só um pouquinho, não dorme.

Edward beijou meus lábios de leve e acariciou os cabelos de Andrew.

— Hum... Mamãe...

— Não precisa disso, filho. Mamãe já passou pomadinha. Não precisa chorar sem motivo. Mamãe está aqui.

Tirei a sunga molhada dele, passei a toalha pelo restante do corpinho e terminei de vesti-lo.

Por fim, tentei domar os cabelos rebeldes, iguais os do pai, e então deixei que ele deitasse a cabecinha em meu peito e descansasse.

— É... Vou ver se Edward precisa de algo na cozinha. Já volto.

Esme também acariciou o cabelo de Andrew e logo saiu.

Ela pensa que me engana. Era óbvio que queria me deixar sozinha com Charlie. Afinal, eu só tinha lhe pedido a benção quando cheguei, e nada mais.

— Posso me sentar?

Apontou para a espreguiçadeira que até poucos minutos atrás era ocupada por Alice.

Dei de ombros fingindo não me importar. E era fingindo mesmo, porque ali, a meu lado todo humilde e triste, estava o meu paizinho querido.

Nunca seria fácil manter uma postura e ignora-lo.

— Vovô, “tá doendo o dodói” do Drew.

— Oh Deus, o vovô lamenta, filho. Mas, já vai passar. Sua mamãe é a melhor médica do mundo todinho e ela já passou remédio.

Charlie fez voz branda e manhosa igualmente meu pequeno.

As mãos dele vieram também para os cabelos de Andrew.

— Não dorme, filho.

— Mamãe...

“Ei, não chora, campeão. O papai está trazendo seu leite. Essa dorzinha vai passar”. Ele está tomando alguma coisa para os dentes? Eu me lembro de cada dentição de vocês, era uma loucura.

Os olhos dele não vieram para mim, apesar de falar comigo. Ele mantinha a distância que eu impunha. Somente demonstrava preocupação com o neto, como eu disse que poderia ser feito.

— Estou passando uma pomada e ele está tomando um analgésico infantil, mas é paliativo. Só melhorará de vez, quando os dentes nascerem.

— Liam não parece estar sendo afetado. A dentição dele está atrasada?

— Cada caso é um caso. Liam só está com as gengivas dilatas e sensíveis. Desde que nada encoste-se a elas, não há dor.

Minha visão periférica o pegou ameaçando um mínimo sorriso e acenando em concordância.

Um silêncio estranho se instalou e permaneceu por algum tempo. Charlie parecia absorto em outro mundo enquanto acariciava os cabelos e rosto do neto.

Quando voltou a falar uma confiança digna de Charlie Swan pode ser percebida.

— Vou renunciar ao reino, Bells.

Como?

Impossível de absorver aquela informação inerte, me virei para ele.

— Eu sonhei e desejei esses garotos. Eles são tudo no que penso. Quando ofereci a seu marido metade do reino, foi uma atitude desesperada e egoísta. Eu queria algo grande que equiparasse ao que teriam aqui. Eu queria o benefício da dúvida de vocês. E sei que, até alguns dias atrás, eu tive. Mas, aí...

Respirou fundo e deu uma pequena pausa antes de recomeçar a falar.

Charlie ainda acariciava e olhava para Andrew.

— Enfim, eu estraguei tudo e vi a minha grande oportunidade “escorregando de minhas mãos”. E agora que estão afastados, nem em casa vão mais, e não te culpo por isso, está com toda a razão, claro que está... Porém, não consigo me concentrar. Tornei-me um governante relapso que pouco se importa com nada. Emmett já vem fazendo quase tudo, só ando assinando o que propõe. Então, conversando com sua mãe, decidimos que o melhor é renunciar de vez e deixar que o filho de Carlisle faça o que foi criado para fazer. Forks estará melhor nas mãos dele e de sua irmã do que nas minhas.

Continuei calada, mas foi impossível esconder a lágrima que escorreu de mim.

Charlie fingiu que não a viu.

— Quero estar perto, filha. Quero ver meus netos crescerem. Quero ser o avô preferido, o que ajuda, o presente. Logo, logo Edward e você assumirão o reino também. Quero que sua mãe e eu sejamos as pessoas que ficarão com eles quando tiverem uma viagem longa e cansativa.

Então ele levantou a cabeça e me olhou nos olhos.

— Comprei a propriedade que fica no fim da rua. Ela precisa de uma grande reforma para adapta-la a crianças, e será o tempo certo de preparar Emmett e me desligar oficialmente do reino. Quero voltar a ser o seu pai, Bella. Não somente o avô de seus filhos que você é obrigada a suportar.

Olhou para Carlisle com mais tristeza ainda.

— Eu lamento, querida. Lamento...

Voltou a passar a mão nos cabelos de meu filho que agora estava cochilando.

Não lhe dei uma resposta, somente um aceno em concordância. Eu também queria que Charlie voltasse a ser o meu pai amado. E, não posso mentir, tê-lo por perto era tudo que eu sonhara desde que me mudara para Ângelus mas, a custa de quê? Papai amava ser rei e estava abrindo mão disso para estar conosco.

Deus, eu o amava tanto!

— Tudo bem, por aqui?

Edward voltou com a mamadeira e Liam.

— Tudo.

Entregou-me a mamadeira e se sentou a na ponta de onde eu estava.

Andrew sugou lento quando lhe ofereci o leite.

— Vamos para casa? Andrew vai dormir e não trouxemos o carrinho. Não quero que fique com ele nos braços o dia todo e não quero coloca-lo lá dentro sem um de nós. Odeio quando estão doentinhos.

— Eu sei, também odeio. Vamos sim.

Passei a mão pelo rosto dele, que sorriu torto e descansou a cabeça sobre ela.

— Até mais, Charlie. Não vamos nos despedir porque será uma “enxurrada” de reclamações.

Fiquei de pé segurando Andrew com mais firmeza. Liam estava nos braços do pai entretido com um brinquedo de borracha.

— Saiam quietos. “Seguro as feras” aqui.

Eu podia ver a angústia dele pela nossa partida prematura. Os olhos não se afastavam dos netos. Contudo, Charlie era um bom pai e sabia que eu cederia quando estivesse pronta.

— Onde pensam que vão?

“Segurar as feras” não contava Esme. Contava?

— Para casa, mãe. Andrew não vai soltar, Bella. E amanhã é dia dela atender no hospital. Quero que descanse enquanto ele dorme. Porque, quando estão doentinhos eu não sirvo.

— Claro que não. Meninos são de mães, filho. Aprenda isso.

— Por que a senhora acha que quero tanto uma menina?

Edward beijou a testa da mãe e piscou matreiro para mim. Charlie gargalhou pela primeira vez naquele dia.

— Está certo. Mas, por que não sobem para o quarto que era de vocês? Está tudo pronto e adaptado para os meninos. Deixe Liam aqui. Ele não está com cara de que vai dormir. E se ele não dormir, Bella também não dormirá.

Isso era verdade. Andrew e Liam eram inseparáveis e seu um estava comigo era evidente que o outro também ficaria.

Porém, eu não queria deixar um deles ali, sem supervisão minha ou de Edward.

— Não, mãe. Vamos para nossa casa e...

— Edward, sou sua mãe. Nunca deixaria que nada acontecesse. Deixe que aproveitemos esse garoto, “não é vovó”?

Fez voz infantil e já estendeu os braços para ele, que não se mexeu olhando para o pai ansiosamente.

Isso era algo que eu amava em meus filhos, eles não nos dispensavam nem iam com outras pessoas antes que aprovássemos.

— O que acha?

Meu marido buscou minha resposta.

Olhei para Esme, para Charlie e tomei a decisão que disse que faria.

Eu nunca sacrificaria meus pequenos.

— Você quer ficar aqui, Liam, ou quer ir tirar uma soneca com a mamãe e o pai?

Meu caçula, deu uma olhada geral no ambiente, asioso para ficar e brincar, porém se recusando a nos desobedecer.

— “Iam pode fica, mamãe? Pomete que não vai empurrá Izzie, papai”.

Edward abriu seu maior sorriso para ele e acenou em concordância.

Só coube a mim ceder a tanta fofura.

— Acho que ele pode ficar. Qualquer coisa estaremos em nosso quarto. E não hesite em chamar, Esme.

— Pode ficar tranquila, querida. Vão descansar. Vocês merecem.

E então, Edward entregou nosso filho a ela e sorriu para meu pai. Ele estaria seguro, com eles dois.

— Vamos, senhora Cullen. Vamos colocar esse pequeno para dormir. Porque temos muito no que trabalhar enquanto isso.

— Trabalhar em quê? Achei que dormiríamos também.

— Nada disso, princesa. Fazer uma filha exige muito trabalho, dedicação, concentração. Beirando a perfeição. Temos muito no que treinar. Vamos lá...

Abraçou meu ombro e beijou meu cabelo.

Foi impossível não dar risada e ambicionar por aquelas promessas.

Edward estava disposto a colocar o projeto “herdeira Cullen” em ação e eu aceitaria aquilo com muito bom gosto e participação.

Renée

O céu estava claro e o sol da manhã aquecia a paisagem verde por todos os lados. Um lindo dia para se apreciar em família, e eu aqui...

— Tem certeza disso, minha rainha? A senhora não precisa entrar. Resolvo tudo com um só telefonema e podemos voltar para casa.

Não, eu não desistiria agora. Era por dias assim que eu estava aqui.

— Não, Jasper. Agradeço sua preocupação. Mas, quero estar lá. Preciso presenciar o fim desse inferno hoje.

Ele meneou a cabeça em concordância, desceu do carro e estendeu a mão me ajudando a sair também.

Estávamos no meio do nada, cercado por árvores e somente com a natureza e dois agentes, da maior confiança dele, como testemunhas.

— Amum, fique do lado de fora e atente a tudo. Não queremos surpresas indesejadas.

— Sim, senhor. Mas, sejam breves não podemos deixar que desconfiem de nada.

Mais uma vez Jasper só balançou a cabeça em afirmação.

Depois me firmou para que conseguisse caminhar por um lugar de solo tão irregular.

— Tem certeza de que estamos isolados?

— Totalmente. Essa cabana era usada pelas equipes de treinamento das nossas defesas de fronteira. Porém eu mesmo os remanejei de local, há anos atrás. Isso tudo que a senhora vê agora, faz parte de uma reserva intocada e toda vigiada por satélite 24hs. Dei um jeito de controlar o sistema nos últimos dias para que pudéssemos receber bem nossos convidados e fazermos uma visita. Não se preocupe, sogra. São regalias que somente eu tenho, como o especialista em defesa. Mesmo sem saber, Edward está nos ajudando. Porque, se ele não tivesse me perdoado e me deixado nesse cargo, nada disso seria possível. E Claro, com vovó nos apoiando e servindo de álibi nada pode dar errado.

— Tudo bem. Vamos acabar com isso de uma vez.

Expulsei de minha mente o receio por ter envolvido a “rainha- avó” nessa confusão toda. A todo instante precisava ficar repentindo em meu íntimo que era por uma boa causa.

Será que vingança havia mudado de nome agora?

Droga! Maldita consciência!

Caminhamos por alguns minutos, numa trilha estreita e quase imperceptível devido à vegetação fechada.

Até que avistei o casebre pequeno de pedra, incrustado na montanha e caindo aos pedaços.

— Heidy, abra a porta, é Jasper.

Meu genro, deu três batidas na porta e se manifestou para que a agente abrisse. Todo cuidado estava sendo tomado para que nada saísse errado.

Em algum lugar, em meu íntimo, eu sabia que envolvê-lo naquilo era errado. Que Jasper era “um doente” em recuperação e que eu poderia estar estragando tudo.

Contudo, eu também sabia que ele era o único que me ajudaria com aquilo.

— Alteza, majestade, é um prazer recebê-los em nossa casa.

Uma mulher bonita de cabelos curtos, aliás, raspados na parte detrás, nos recebeu.

Jasper e ela cruzaram um olhar e um mínimo sinal de afirmação com a cabeça. O “falar sem palavras” deles, me fez pensar em quantos “servicinhos” já havia feito para meu genro.

— Bom dia, Heidy.

Não precisei perguntar de onde se conheciam, Heidy era uma militar que agora trabalhava somente para “os serviços” mais confidenciais da coroa de Ângelus. Aliás, algo me dizia que somente Jasper, Carlisle e Elizabeth tinham consciência do que ela fazia de verdade.

— Nossos convidados se comportaram, capitã?

Acertei!

— No começo a mulherzinha gritou, esperneou, me ameaçou. No fim quando se deu conta de que éramos só nós, se calou. Estou decepcionada, meu príncipe, o senhor disse que ela fez estrago na coroa de Forkian? Precisa me apresentar para o rei Charlie... O homem? Nem se mexeu. Uma banana.

Sem temor ela se dirigiu até a cadeira onde um deles estava sentado, amordaçado e amarrado e chutou a cadeira, sem piedade.

O homem gemeu e me encarou assustado. Sabia que eu era a única forma dele sair vivo dali.

— Quando se trata de ameaçar princesas e rainhas, eles são corajosos, Heidy. Você fez um bom trabalho, será recompensada assim que terminarmos aqui... Minha rainha, esperamos suas ordens...

A mulher, que tinha a situação nas mãos, sorriu pegou uma faca militar, que carregava na cintura e passou a alisa-la de baixo para cima.

Aquilo me causou arrepios.

— Desamordace-os.

Atravessei o pequeno lugar e me coloquei de frente para os dois, eu queria que me vissem.

Com violência, Jasper arrancou as fitas adesivas que os mantinham em silêncio.

O homem gemeu, a mulher abriu seu maior sorriso cínico para mim.

— Ora, ora, ora... O que temos aqui? Eu esperava pelo principezinho de Isabella, fiquei sabendo que ele metido a bravo. Mas, a “mamãe gansa” é novidade. Isso está começando a ficar interessante, Renée.

— Majestade... Majestade... Eu não fiz nada. Sempre segui as ordens do rei. Charlie é meu amigo, você sabe disso. Por favor, me deixe sair daqui. Juro que sumo no mundo. Vocês nunca saberão de mim. Charlie nunca saberá o que aconteceu aqui.

Sue olhou com desdenho para o marido que implorava como um bebê chorão.

Jasper puxou uma cadeira velha, e a colocou atrás de mim. Sentei-me.

Eu assistiria. Estava ali para isso.

— Heidy...

Apontei para o homem. A matadora sorriu assustadoramente e firmou a lamina, que brilhava de tão limpa e afiada, no pescoço dele.

— Sua única missão era manter essa mulher sob controle, Harry. E falhou miseravelmente. Gastamos uma fortuna, para esse único fim. Mantemos suas amantes e sua vida desregrada para que só controlasse essa maldita mulher e a filha dela, e não foi capaz. Sempre fiquei quieta porque me ameaçar e fazer da minha vida um inferno é uma coisa. Suporto e aceito minha Cruz, pago por não ter tido atitude quando jovem. Mas, mexer com minhas filhas? Não! Eu jurei que quando isso acontecesse seria o fim de vocês dois. E... Aqui estamos. Heidy...

— Não! Majestade, pelo amor de Deus. Essa mulher é louca. Não obedece ninguém. Vive para fazer a vida de vocês um inferno. Eu tentei, juro que tentei. Perdoe-me, por favor. O rei e eu somos amigos. Ele me deve. Deve demais...

Assim que a palavra “deve” saiu dos lábios dele perdi todo resquício de compaixão que poderia haver.

— Agora!

Ordenei.

Charlie não devia aquele homem. Tínhamos pagado demais. Se meu marido e eu devíamos alguma coisa era a Isabella e somente a ela. E nesse caso sim, pagaríamos o valor que ela estava disposta a cobrar.

— Ahhh.

Foi o último som a se ouvir do homem antes de ser sufocado pelo próprio sangue e se remexer até que a cadeira virou o jogando inerte e morto ao chão.

— Medíocre, covarde. Como meu Charlie presumiu que “isso” me seguraria. Lamentável! Aposto que a ideia foi sua, não é, Renée? Inteligência nunca foi seu forte. Tenho absoluta certeza de que a esperteza da “princesinha” é herança do pai. Minha Leah também puxou isso dele. Nosso neto também puxará. Ah, eu disse neto? Pois é, tenho certeza de que será um neto. Meu Charlie sempre quis um menino. Infelizmente sua menina mimada chegou primeiro. Nem para morrer no sequestro ela serviu. É teimosa feito você. Aliás, quem disse mesmo que ela é inteligente? Parece-me tão burra quanto a mãe. Porém, o reinado dela está acabando. Leah dará a Charlie o neto que ele sonha e melhor ainda, será do afilhado que ele sempre quis para Isabella. Sua “filhinha” vai perder o trono, Renée.

— Ora, cale-se, sua...

Jasper fez menção de se aproximar para calar a mulher, mas, o impedi. Segurei-o pela mão.

Sue não me afetava mais.

— Deixe-a falar, Jasper. São suas últimas palavras. Deixe que ela debulhe tudo. Quando mais falar, mais lenta será sua morte.

— Nossa! Que corajosa! Quem vê até pensa que não estou amarrada e impossibilita de me defender. Solte-me e teremos uma briga justa. Seja mulher, Renée. Honre sua coroa.

— Majestade...

Coloquei-me de pé e mais uma vez calei Jasper com um gesto de mão.

Com dois passos e um inclinar de corpo estava face a face com meu desafeto eterno.

— Não vou cair nessa, Sue. Você não sabe o significado da palavra justiça. E também não vou sujar minhas mãos com você. Elas têm que aquecer e acariciar meu marido hoje ainda. Aliás, tem quantos anos mesmo que não faz isso?

Falei baixo e degustei a raiva emergindo em sua face e corpo, tomando todo o lugar daquela pose de controlada e fria.

— Vinte anos? Ou seria vinte e dois? Ahh! Preciso te dizer que ele só melhorou com o tempo. Está mais quente, eu diria até insaciável. Mais atencioso. Generoso? Rá! Nem se fala. Sabia que acabou de comprar uma ilha tropical no Brasil? E que colocou no nome dos nossos netos. Ah, esqueci! Você não conhece nossos netos. Temos quatro: Lizzie, Annie, Andrew e Liam. E logo, logo teremos mais um. Aliás, uma menininha. Porque, Edward e Charlie fazem questão de uma garotinha linda e inteligente como “a nossa filha”. Sabe como é a assinatura deles? Swan Cullen. Linda assinatura, não é? Aposto que você sonhou com esse nome em sua filha... Swan!! ...Vê como o nome desliza pela língua? Ahh, é doce como mel. E minhas filhas e meus netos o carregam...

— Cale-se, sua desgraçada! Você não vai vencer. Charlie me ama. Não deixará você impune. Ele descobrirá o que fez comigo. Minha filha me ama, ela dará um jeito. Vai pagar, Renee, juro que vai.

Sobressaltada, se remexia e gritava tentando em vão, se livrar das amarras.

— Ele pode até ter te amado algum dia, mas me escolheu. Eu lhe dei a filha querida que o domou. E essa filha lhe deu netos. Dois!

— Vou mata-los. Assim que sair daqui vou matar todos. A começar pela sua cria Isabella e depois os pestinhas dela. Vai ser doloroso e cruel, prometo que vai. E aí Charlie e eu seremos felizes sem vocês.

— Você não vai sair daqui, Sue. Ninguém terá um corpo para autopsiar ou reclamar. Daremos um jeito nisso. No fim, somente sua filha sentirá sua ausência. Charlie respirará aliviado.

Pela primeira vez, desde que conheci aquela mulher, vi medo em seus olhos.

— Não! Você não pode. Não tem coragem. É uma molenga. Uma traída despeitada.

— No fim, Sue, eu venci. E Bella também. Tenho meu marido e nos livrarei de você. E minha filha? Ah, ela tem uma família linda, um marido devotado. Servos preocupados com sua segurança e bem estar...

Apontei para Jasper e Heidy.

— E se acaso precisar, tem também o marido de sua filha. Que não pensaria duas vezes se Bella o pedisse para abandonar a sua bastarda e infeliz, assim como você. Sabe, se eu não amasse demais o meu genro até influenciaria Bella a fazer isso, somente para ver Leah desesperada e desfraçada como a mãe... Mas, uma rainha não pode ter tudo o que quer, não é?

— Volte aqui! Renée, sua covarde. Eu vou matar você e suas filhas nojentas. Vou apertar o pescoço delas e...

— Heidy...

Coloquei-me de pé e virei de costas pronta para sair dali. Eu tinha um dia na piscina para aproveitar com minha família.

— Não tenha pressa...

— Volta aqui, Renée, sua fraca! Me solta e vamos resolver isso como duas mulheres de verdade e...

Sai pela porta e Jasper a fechou atrás de nós.

— Ahhhhhh!

Ouvi o berro de dor antes de alcançar o caminho estreito que nos levaria ao carro.

— Suma com os corpos, como combinado, Jasper. Ninguém nunca pode descobrir o que aconteceu aqui.

— Não se preocupe, minha rainha. Temos tudo pronto e arranjado. Tem minha palavra de sigilo. E confiaria minha vida a Heidy e Amum. Estamos seguros.

— Por Isabella?

— Por Isabella! Irmã da mulher que aprendo a amar todo dia, esposa do meu futuro rei e minha futura rainha. E também por Alice, porque eu jurei que ninguém nunca mais causaria intriga entre as irmãs.

— Por elas!

Sem precisar de mais palavras, entrei no carro e esperei que me genro trocasse algumas palavras com o motorista e segurança, antes de se juntar a mim.

Olhei pela janela e pela primeira vez em anos:

Respirei aliviada. O mal estava morto!

Antes tarde do que nunca...

Notas finais
Sandy e Danii, cadê vocês? Vem último capítulo? :0 Se preparem...