Três Príncipes, Três Princesas
94 Extra III- Eu sempre voltarei atrás, aprendi a lição
Notas iniciais
Bella
— Se não se concentrar a palestra de vocês será um fracasso. E nem a acessoría de imprensa conseguirá contornar esse “bafão”. Por que não atende, de uma vez por todas, esse telefone e acaba com o sofrimento de vocês, Bella? Sabia que seu toque é horrível? E que nem quando coloca só para vibrar, como é o caso agora, me faz esquecer que ele já deve ter tocado umas “quinhentas” vezes. Quem diria que a futura rainha de Ângelus curtia Muse.
— Afh! “Me esquece, Stephan”! Não atendo. Primeiro, porque seu amigo é um babaca. E segundo, porque não é problema seu.
Comentei irritada desligando e jogando, com violência, dentro da bolsa o aparelho irritante que teimava em tocar a cada dois minutos desde que nosso avião pousara no aeroporto de Chicago.
— Sabe “Bellinha”, é perceptível quando você não “transa”. Seu mau- humor toma forma. E não é nada bonito, só para você saber.
Disse baixo se aproximando mais e tocando meu ombro a fim de me guiar para o próximo corredor.
Stephan podia até brincar, na tentativa de aliviar minha frustração, contudo não descuidava de minha segurança.
— Sei disso. Tanto que quase convidei Jacob para meu quarto noite passada. Ah, se Leah não tivesse vindo...
— “Tá bom, acabou a brincadeira”. Não diga isso nem em sonho. Não tem graça, senhora Cullen.
Resmungou, agora mais alto, que o barulho de meus saltos em contato com o piso extremamente branco e brilhante.
— Edward bem que merece, dessa vez.
— Não senhora. Ele não merece. Concordo que agiu feito um idiota, que é digno de castigo e de ser ignorado. Mas, é só isso. Para por aí. E deixe de tanta rabugice. Você diz e tal, mas não seria capaz.
É, ele estava certo. Eu não seria capaz! Mesmo que Edward fosse um idiota, com “i” maiúsculo, eu o amava e respeitava acima de qualquer coisa.
— Tudo bem, Stephan. Você me convenceu. Então podemos mudar de assunto agora? Como frisou, preciso me concentrar.
Agindo como se esperava dele, calou-se. Deixando-me em completo sossego com meus pensamentos, para poder voltar a remoer as lembranças da briga com Edward no dia anterior.
Lembranças On
— Eu não estou de acordo com essa viagem. Aliás, não estou de acordo com muita coisa que andam dizendo. Preciso de vocês nas forças armadas. Qual a parte do, um de vocês ser o novo rei não entenderam?
Desacelerei o passo e comecei a contar, mentalmente, os degraus da escada.
Sim, diferente de como Carlisle agira com os filhos, já havíamos contando a Andrew e Liam que um deles seria rei e quais seriam as principais exigências.
Não erraríamos, pelo menos nesse ponto.
— Pai...
A discussão deles estava acalorada. E eu não queria chegar no ápice e ser envolvida.
Eles que se resolvessem. Eu não precisava me estressar antes de uma longa viagem.
— Pai, por favor...
— Por favor, não. Chega! Vocês têm doze anos. Não é porque alguns malditos testes dizem que estão prontos para entrarem na universidade que deixarão de responderem a mim. Exijo respeito. Calado, Andrew! É minha vez de falar.
Respirei fundo pensando em como eu pude carregar por tanto tempo e ter parte naqueles DNAs para os dois serem tão parecidos com o pai.
Até no mau-gênio.
— Pai, o senhor está sendo irracional. Por que não podemos escolher a medicina, como a mamãe? Estamos esperando por essa apresentação dela e de tio Jacob há anos. Já estava tudo certo.
Voltei a parar, agora de uma vez. Então esse era o motivo das rusgas. O congresso de medicina que Jacob e eu discursaríamos amanhã, em Chicago, e que os meninos quiseram nos acompanhar.
— Estava certo, Liam, quando não existia essa ideia maluca de serem médicos. Era para serem só companhia de sua mãe.
Apurei a audição. Há dias esse assunto pairava em casa. Andrew e Liam, se decidiram pela medicina, para desgosto de Carlisle e Edward.
E mesmo que o pai deles tenha ignorado o assunto inicialmente, eu sabia que era questão de tempo até que ele estourasse e viesse à tona.
— Maluca? Não estou entendendo, pai. O senhor sempre esteve conosco em qualquer decisão. Por que não podemos escolher pela medicina? Acha que, por acaso, médicos não sabem governar?
— Não eles não sabem.
Gritou fazendo com que os dois se calassem e que “uma espada fosse cravada em meu coração”.
— Ângelus precisa de um gestor. Uma pessoa que estude e entenda de leis, de políticas públicas, de defesas, regimentos, guerras e administração. Não de... de... mais um médico...
Respondeu sarcástico despertando em mim uma tristeza e desapontamento que há muito não sentia.
Era hora de me mostrar e sair dali antes que aquela discussão tomasse rumos complicados.
— Seu pai está certo!
Passei a mão pelos cabelos e desci os últimos degraus, me colocando a uma distância segura dos três.
Minha expressão descrente mostrava que eu havia escutado a conversa. E que sabia exatamente como acabar com aquela briga.
Andrew e Liam se embasbacaram.
Edward empalideceu.
— Mãe...
— Já estamos prontos. Você prometeu.
Mudando os sentimentos ruins, para amor idolatro, como só uma mãe é capaz de fazer, coloquei a bolsa e as luvas, que segurava, em cima no sofá e caminhei para perto deles.
Sem me conter acariciei seus rostos de pequenos gênios com todo sentimento e carinho que podia.
Era hora de ensinar, como uma rainha, uma bela lição ao pai deles.
— Mudei de ideia. Eu prefiro que fiquem. Será cansativo e quero que aproveitem esse tempo, longe de mim, para pensarem nas palavras de seu pai. O reino não precisa de um médico como rei. Afinal, o que temos a oferecer, não é? Inteligência e humanidade, no mínimo, não parecem adjetivos o bastante. Eu não ficarei chateada. Tenho certeza de que serão brilhantes em qualquer profissão que escolherem. E estarei aqui para aplaudi-los e apoia-los.
— Princesa, não foi isso que eu quis dizer. Eu...
Fez menção de se aproximar, porém estendi a mão o parando. Eu sabia como ele odiava aquele ato, que o fazia parar imediatamente. Não ultrapassar meus limites quando eu os impunha, na maioria das vezes, por culpa dele mesmo.
Andrew e Liam o olharam ácidos.
Só o pai deles e eu sabíamos o quanto estavam empolgados com a viagem a Chicago para a minha apresentação.
Edward e Lindsay não iriam.
— Foi exatamente o que quis dizer, Edward.
— Mãe, por favor.
— Nossas malas já estão no carro. Andrew e eu estudamos cada palestrante, mamãe. Por favor...
— Não! Stephan resolverá a questão da bagagem. Foi um erro meu influencia-los. Quando voltar conversamos melhor sobre isso, está bem? Agora sejam os meninos que criei para serem e obedeçam.
Fechei a expressão certificando-os de que o assunto estava encerrado. E que Edward que resolvesse o enorme problema que teria com eles quando eu saísse.
— E a senhora vai sozinha?
— Sozinha não, Liam. Lembra? Com tio Jacob. Os dois juntinhos em Chicago... Parabéns, papai!
Soltou Andrew antes que eu tivesse a chance de responder.
— Chega! Os dois, para cima, agora.
Obedecendo-me, mas, batendo os pés, depois de, óbvio, me beijar no rosto,como despedida, Andrew saiu da sala sendo seguido por um indignado irmão gêmeo.
Deixando-me sozinha com Edward quando, finalmente, suas engrenagens começaram a funcionar:
Jacob e eu numa viagem quando ele havia acabado de me irritar e magoar.
Mesmo que não houvesse mais o ciúme doentio de meu amigo, era evidente que uma pontinha de insegurança sempre estaria ali.
Em mim, o que doeu foi pensar que de novo, Jacob seria minha única companhia em mais um momento tão especial para minha carreira. Nem meus filhos eu podia ter.
— Amor, releve. Perdoe-me. Estou nervoso. Não desconte nos meninos. Os deixe ir com vocês. Eu não queria dizer aquilo. Saiu no... No impulso.
De novo o parei quando tentou se aproximar.
— Droga, Isabella! Pare de me afastar. Quero me desculpar. Fiz besteira, eu sei.
— Não quero saber, Edward. Eles não vão! O que fariam em um congresso de medicina se não podem ser médicos?Nem somo bons o bastante, não é? Agora se me permite, estou em cima da hora e ainda quero passar na escola para me despedir de Lindsay. Passar bem, Edward.
— Princesa, não pode ir assim. Está tremendo. Perdoe-me. Vamos conversar.
— Perdeu sua chance. Se não concordava com a decisão deles devia ter falado comigo. Eu não precisava ouvir o que ouvi. Se acha que não sou capaz de reinar com você, por causa da minha profissão, talvez devesse começar a procurar uma mulher a sua altura.
— O que? Bella? Eu...
Passou a mão nos cabelos e me olhou assustado. Eu havia tocado na ferida.
— Se cuide. Volto em três dias. Se quiser mandar minhas coisas para a casa de meu pai, nesse meio tempo, sinta-se a vontade.
— Você enlouqueceu! Bella? Bella?
Sem esperar por mais, saí... Ele que remoesse suas palavras e ações. Eu sabia o que sair sem resolver um problema causava nele, contudo não tinha tempo. Meu voo sairia em duas horas e eu queria me despedir de Lindsay na escola ainda.
Edward era problema para minha volta.
Fim das lembranças
— É aqui. Esqueça essas lembranças ruins, foca na apresentação. Estarei na porta o tempo todo. Zafrina e o restante da equipe estão espalhados estrategicamente por todo prédio. Não tem com que se preocupar.
— Eu sei.
Sorri e passei pela porta que ele, gentilmente, segurava aberta para que eu entrasse.
— Parece que os organizadores estão atrasados no cronograma em uma hora. Relaxe e aproveite esse tempo para tirar um cochilo. Suas olheiras estão enormes.
— A cama do hotel era grande demais. Não me adaptei.
— Sei...
Fechou a porta atrás de mim.
— Bom dia.
Formalmente cumprimentei Jacob e Leah. O que eu poderia fazer? A mulher estava junto com meu melhor amigo. “Educação vem de berço”.
— Bom dia.
Ela respondeu baixo, como sempre fazia quando éramos obrigadas a “conviver”.
Por Jacob, por Seth, meu afilhado, e até meu pai eu até tentava. Mas, falsidade não era sinônimo de Isabella Cullen, muito menos burrice.
Perdoar sim. Esquecer jamais.
Por outro lado, ela forçava demais uma aproximação e como eu não correspondia, sempre se mantinha quieta e quase nunca ousava até a me olhar nos olhos.
Aquela Leah brigona, dona de si e encrenqueira havia dado lugar a uma submissão, respeito e silêncio em obediência ao marido, que óbvio, a mantinha sob sua responsabilidade.
— “Bom dia uma ova”. Você não me parece bem. Comeu hoje? Está doente? O que foi?
Revirei os olhos ao perceber que Jacob me seguia para o outro lado da sala, deixando a esposa onde estava, nos encarando, com olhar pesaroso e eu diria até, preocupado.
Ela não demonstrava os ciúmes que certamente sentia, somente uma tristeza que era muito difícil de ver.
Como eu disse, quando descobri o motivo de tamanho ódio dela por mim: “O pior castigo que uma pessoa pode sofrer é saber que o amor de sua vida sempre amará outra e, diga-se de passagem, sua irmã”.
— Estou bem, Jacob. E sim, eu comi. Quer parar? Temos uma apresentação agora e não quero me estressar.
Puxei minha mão da dele quando tentou checar meu pulso.
— Irritadinha, hein Bells? Ainda quero saber o que aconteceu. Deve ter sido muito sério para obrigar Edward a me ligar. Porque não fala com ele agora? Pouparia nossas preocupações e a do maluco que você chama de marido.
— Por que não senta lá do outro lado e me deixa em paz? Preciso de um minuto de sossego. Ou serei capaz de recitar uma receita de miojo assim que você terminar sua parte na apresentação.
Fugindo da expressão de espanto dele, me sentei e comecei a vasculhar a pasta, que trazia, em busca de alguns rascunhos da apresentação de hoje.
— Nem pense nisso Swan. Nossas pesquisas não incluem alimentação nada saudável.
E sem que ninguém esperasse, Jacob beijou minha cabeça e acariciou meus cabelos delicadamente.
— Não sei o que aconteceu, só sei que vamos entrar naquele salão e arrasar, como sempre fazemos. Mais uma vez, a próxima “Medical” terá nossos rostos na capa. Tudo vai se resolver, Bells. Estou aqui. Sempre!
Sorri para ele e estava pronta para agradece o carinho quando, sem que esperássemos de repente, a porta se abre e, se aquela já era uma situação constrangedora para se compartilhar com Leah, ficou mais complicado ainda...
— Mamãe! Mamãe!! Eu senti sua falta.
Jacob sorriu cínico para minha expressão de espanto e então se afastou quando um furacão chamado Lindsay veio correndo em minha direção.
— Oi, meu amor.
Levantei-me e abri os braços para aconchegar seu corpinho, de nove anos, junto ao meu.
Minha pequena, que continuava pequena mesmo, cheirava a perfume misturado com sentimento, saudade e amor puro.
— Vocês estão aqui.
— Claro que estamos. Viemos direto do aeroporto. Dindo Stephan conseguiu atrasar a apresentação de vocês para que não perdêssemos nada. Ele é demais, não é?... E você não perde tempo, hein, tio Jake?
Ahhh Stephan...
— Oi príncipe.
— Oi mamãe. Você está linda.
Andrew também se fechou a minha volta, seguido por Liam.
— Papai nos trouxe. Disse que não perderia essa apresentação por nada. Conversa com ele, mamãe. O coitado, ficou pedindo desculpas pra gente e quase furou o piso da sala de tanto andar para lá e para cá. E aposto que o celular dele está “destroçado” depois do tanto que o apertou, de raiva, quando a senhora não o atendeu.
Disse a última parte bem baixo para que só nós ouvíssemos.
— Oi para você também, garoto. Gostei dos ternos. Estão lindos e elegantes.
— Eu sei. Dinda Alice, arrasa.
— Meu vestido foi titia Rosie, mamãe. Você gostou também?
— Eu amei, filha. Está belíssima.
— Igual você.
Sem me conter, peguei-a no colo quando Andrew e Liam me abraçaram ao mesmo tempo.
Deus! Era a minha família ali.
Ao levantar o rosto senti minhas pernas tremerem, Edward vinha em minha direção. Os verdes olhos intensos só se afastaram, por um segundo, para encarar Jacob com algo nada legal.
Deus! Como depois de tanto tempo eu ainda podia ser tão afetada por ele assim?
— Oi, minha linda.
Sorriu, ao se aproximar, já tirando Lindsay de meus braços.
O beijo, em meus olhos, possivelmente para fazer-se saber que havia reparado em minhas olheiras, foi calmo e doce. Quase como se precisasse daquilo para sobreviver.
— Sua linda sou eu ou a mamãe?
— As duas, gatinha. As duas lindas mulheres do papai.
Aconchegou nossa filha nos braços.
Lindsay era minha cópia, isso eu não podia negar, porém a preferência pelo pai, não era segredo para ninguém.
— Oi.
Respondi indiferente.
Eu havia amado a surpresa, mas se ele achava que aquilo apagaria suas palavras ácidas, estava muito enganado.
— Tio Stephan está esperando vocês para que possam se sentar em seus lugares especiais. Preciso de um minuto com a mamãe. Podem se cuidar enquanto faço isso?
Andrew, Liam e Lindsay concordaram cúmplices.
Os olhares de meus mais velhos para o pai foram de pura compreensão e respeito.
— Boa sorte, mamãe.
— Arrasa!
— Manda beijo pra mim, mamãe?
— Obrigada, amores. Vou mandar beijo pra você, princesa. Se comportem.
Os beijei carinhosamente antes de se afastarem.
Da porta Stephan sorriu, cafajeste. E deu-me uma piscadela antes de, acompanhado por Benjamin, sumir com meus filhos para algum lugar.
— Jacob, Leah, Zafrina tem mais uma sala reservada para vocês aqui do lado. Podem nos dar licença também, por favor?
A esposa de Jacob nem esperou por um segundo pedido. Já Jacob...
— Bells...
— Jacob!
Leah reclamou indignada da porta perante a recusa do marido em atender ao pedido de Edward.
— Está com dificuldade para encontrar a saída, Jacob? Depois de tantos anos ainda não se dá conta de que minha mulher eu somos duas partes de um todo? Sabe aquelas crianças que saíram daqui? São minhas e dela, fizemos com o maior amor do mundo.
Temos nossos problemas, raríssimos, mas temos. Porém, isso não diminui o que sentimos.
Então, volto a perguntar: Está perdido? Quer que eu te mostre a porta?
Eles se enfrentaram com olhares malignos antes que Jacob desistisse e caminhasse para se juntar a esposa.
— Se precisar é só gritar, Bells. Não estarei longe...
— Ah, ela vai gritar. Apure os ouvidos.
E sem esperar por mais nada, Edward fechou a porta e a trancou, atrás dele.
Logo se virou para mim.
Eu não fazia ideia do que ele pretendia. Sua expressão era uma incógnita.
Edward
— Andrew e sua sabedoria de doze anos...
Resmunguei, para mim mesmo, lembrando que meu filho me avisara que Jacob nunca perderia uma oportunidade de “dar em cima de Bella”.
— Ahhh você, senhora Cullen...
Agora, sem mais ninguém para nos interromper: retirei o paletó, joguei em cima da poltrona antes ocupada por Leah.
E de volta, totalmente concentrado em minha esposa, a passos lentos fui me aproximando... Abrindo os botões das mangas da camisa e as dobrando até os cotovelos e depois me desfazendo da, irritante, gravata borboleta.
— O que está fazendo? Você enlouqueceu, Edward?
Não respondi, aliás, nem lhe dei ouvidos. Estava centrado demais no que precisava fazer.
Por isso, peguei sua mão e a guiei de volta ao lugar onde estava sentada quando chegamos e vimos Jacob se aproveitando da situação.
Por que ele não respeitava a própria esposa? Deus! Elas são irmãs.
Tenho que me lembrar de escutar mais meus filhos da próxima vez.
— Edward? Eu não estou te acompanhando. O quê...
Antes que ela terminasse de falar, baixei minha boca na dela e suguei com toda saudade que tinha.
Deus do céu!!! Eu precisava daquilo todos os dias. Exatamente, com um maldito viciado.
— Que saudades de você, princesa! Que saudades...
Sem esperar que ela raciocinasse meu próximo passo, beijei seu rosto, o pescoço, o ombro nu, que o “bendito” vestido não cobria.
Maldita seja Alice! Certeza que ela desenhava aqueles vestidos provocantes para Bella somente para testar minha sanidade.
Minhas mãos, com vida própria, acariciavam e apertavam cada vez mais exigentes, saudosas de seu objeto de devoção.
— Ah, Deus!
Desci os carinhos para as pernas e então... “dei o bote”...
— O quê?
Peguei a barra do vestido e o passei por sua cabeça, voltando a tomar sua boca na minha logo que a livrei da peça, impedindo assim que ela raciocinasse.
Bella tomada pelo desejo sempre ficava a minha mercê...
— Cinta liga e saltos, princesa? Isso vai ser mais difícil do que pensei. Para quem você se vestiu assim, hein?
— Humm.
Gemeu em minha boca quando acariciei os seios, as pernas e o bumbum recém descobertos.
— Edward, a apresentação. Não posso... Eu...
— Shiii. Stephan já cuidou de tudo. Esquece o mundo lá fora. Só eu você... Aqui e agora.
— Eu vou mata-lo. E estou muito brava com você.
— Estou vendo...
Sorri, antes de puxar o sutiã para o lado e abocanhar o bico do seio, que clamava por mim.
— Vamos... Relaxe... Sinta...
Fui empurrando seu corpo para trás. E quando ela bateu as pernas na poltrona, segurei suas costas, evitando que caísse e obrigando-a a se sentar.
— Linda, gostosa... Minha. Só minha.
Murmurei enquanto mordia e chupava o lóbulo de sua orelha. Meu joelho, já em cima da poltrona, no meio de suas pernas, começava a estimula-la.
— Hum! Edward... Ahh...
— Isso, minha rainha. Eu quero o que é meu. Só meu. Se entregue para mim. Estamos só nos dois aqui...
Eu queria que ela gritasse, sabia que Jacob estava bem ao lado. No entanto não tinha noção de quem mais estava nos arredores.
E o que menos precisávamos agora era de áudios rolando pelo mundo dos futuros monarcas de Ângelus em momentos íntimos.
— Por favor... Por favor
Lamuriava. As mãos apertavam meus ombros.
— O quê? O que você deseja tanto, minha vida? Diga e será seu.
— Você... Quero você, Edward.
— Isso você já tem.
Voltei a beija-la com força antes de dar o próximo passo.
Dei beijos lascivos até chegar, mais uma vez, aos seios.
Uma de minhas mãos segurava seu ombro esquerdo, a mantendo sentada e parada, a outra já afastava a calcinha encharcada para o lado. Os dedos rumos ao centro quente e escorregadio.
— Molhada e deliciosa. Você não imagina a satisfação que tenho em saber que te afeto assim como me afeta, princesa.
— Fale menos, Cullen. Não temos muito tempo. E se me deixar frustrada... Ahhh... É bem capaz de usufruir do presente de casamento de sua mãe, depois de tanto tempo.
Ela tinha um sorriso safado nos lábios dilatados por meus beijos. Os olhos estavam fechados, as mãos, agora, seguravam com força os braços da poltrona. E a voz? Essa, falhava bonito, quando eu estocava com mais força e fundo dentro dela.
— Prometo que vamos discutir isso quando eu acabar aqui, princesa. Dormir no sofá não é negociável na nossa relação. Aliás, dormir longe de você é inegociável a partir de hoje.
— Promessas... Promessas... Ahhh... Edward eu... Eu vou...
— Ah, não vai, não. Não assim.
Ela esta perto, muito perto. Então, rapidamente retirei meus dedos de dentro dela. E antes que emitisse o primeiro protesto me ajoelhei e puxei seu corpo mais para a ponta do móvel.
— Aqui, gostosa. Você virá aqui... Preciso me saciar de alguma maneira e como estou sedento não vejo forma melhor. Vem, vida! Vem pra mim...
Com as mãos, abri mais suas pernas e, sem pudor, me aninhei bem ali.
Os dedos ágeis dela vieram para meus cabelos e a cada aumento de intensidade em seus puxões eu sabia o quanto ela estava perto.
— Droga, Edward... Venha aqui. Eu vou... Vou... Ahh!
Voltei à segura-la com mais força quando tentou me tirar dali.
Bella não entendia o que eu precisava mostrar.
— Eu... Eu... Ahh!
Não, ela não gritou alto como eu desejava.
Bella ela “lady” demais para isso. Sabia onde estávamos, o risco que corríamos. E certeza que também sabia das minhas intenções.
E ela nunca feriria o amigo a esse ponto.
E mesmo que negasse enquanto pudesse, nem a irmã. Porque era evidente que Leah sofria a cada demonstração de carinho e preferência do marido a irmã.
— Ah, delícia. Você é saborosa demais, princesa.
Falei entre uma última sugada e outra. Os espasmos estavam no final e eu já sabia que a languidez já estava tomando conta de todo corpo dela.
— Ainda estou brava. Me amolecer com sexo foi golpe baixo.
— Muito baixo, diga-se de passagem...
Sorri ao me levantar e caminhar até a pequena mala que havia trazido.
— Você veio de caso pensado, seu maluco.
Sentou mais ereta e reparando agora na embalagem de lenços umedecidos que eu tinha nas mãos.
— Teoricamente e tecnicamente. A ideia era pegar você no hotel. Mas, o aeroporto demorou a autorizar nossa descida por causa das chuvas.
Quando conseguimos fazê-lo já era tarde demais.
Então, o motorista fez uma parada básica em uma farmácia aqui perto. Infelizmente, a lingerie que eu te trouxe ficou na mala, então terá que fazer sua apresentação com essa, molhadinha mesmo. É até bom para se lembrar do que acabamos de fazer aqui.
Bella
O olhei de soslaio enquanto, com todo carinho e humildade do mundo, ele tirava lenço atrás de lenço e me limpava.
Se era constrangedor? Nunca!
Tínhamos intimidade e segurança demais um no outro para nos preocuparmos com isso. Como ele mesmo disse: somos um casal “duas metades, de um todo”.
Deus! Era um rei ali a meus pés.
— Talvez eu devesse simplesmente tira-la. Já pensou, você me olhando da plateia e sabendo que estou sem nada por baixo?
Brinquei enquanto ele colocava tudo de volta na pequena mala.
Edward e Stephan eram tão paranoicos com segurança que às vezes tomavam medidas loucas. Como por exemplo, nunca deixar nosso lixo em lugares que pudesse ser revistados por terceiros depois.
— Você? Sem calcinha? Ao lado de Jacob? Ainda mais com esse vestido que marca cada traço de suas curvas? Vai sonhando, senhora Cullen.
Estendeu-me a mão, para que pudesse me colocar de pé.
— Vou te vestir. Quero conversar por um minuto antes que reajeite o cabelo e a maquiagem. E tê-la seminua em meu colo, nesse estado, fica muito complicado.
Só então olhei para baixo... A excitação dele marcava demais a calça justa do terno.
Ele não podia sair dali assim... Instintivamente, baixei a mão pronta para toca-lo.
— Não! Nem pense nisso, minha vida.
Foi incisivo segurando minha mão.
— Se me tocar eu estarei perdido. E além de estarmos em cima da sua hora, não quero fazer mais nada com pressa. Eu quero você por inteira, princesa.
— Mas, Edward... Me saciou e agora fica assim?
Dizer que eu estava saciada não era bem verdade. Contudo, tecnicamente “a fera que habita dentro de mim, estava parcialmente alimentada”.
— Princesa...
Ajeitou minha lingerie e então, passou o vestido por minha cabeça. Depois se sentou e me trouxe para seu colo, de lado.
— Você me saciou mais do que imagina. Eu tive “horas de merda” desde que saiu de casa, Bella.
Eu só precisava entrar aqui e ter certeza de que me ama e que não desistirá de mim, mesmo quando eu agir feito um babaca.
Fechei um pouco a expressão lembrando-me de tudo que havia nos levado até esse momento.
— Eu juro, Bella, juro por nossos filhos, que não acho sua profissão indigna. Pelo contrário, eu admiro o que faz. Ver você “operar” da galeria é o ponto alto de meus dias mais estressantes. Eu morro de orgulho cada vez que escuto alguém dizer do brilhantismo da doutora Cullen, a minha doutora Cullen, que carrega meu nome.
— Contudo, não é uma profissão boa o bastante para um futuro rei.
— Ah, princesa... Perdoe-me por isso! Liam e Andrew me pegaram num dia ruim.
Papai havia me enchido por causa disso o dia todo. Ele ficava repetindo, sem cessar, que a lei manda os meninos seguirem uma vida militar, você sabe disso. Meus irmãos e eu seguimos por esse caminho.
E quando Liam e Andrew se recusaram até escutar meus argumentos... Fui tomado pela raiva. As palavras de meu pai martelaram: “Seus filhos precisam ser obedientes... Crianças, não madam... Eles adimiram mais sua esposa que você”...
Tem ideia do que é ouvir isso o dia todo?
É, meu sogro não tinha conserto mesmo.
— E então eu gritei e perdi todo o controle da situação.
Amor, me arrependi do que disse antes mesmo de terminar de falar.
Putz, Bella! Eu estava pronto para pedir desculpas, implorar na verdade, dizer que me arrependia e que eles, lógico, poderiam vir ao seminário, quando você entrou. E aí... Aí...
Passou as mãos nos cabelos ainda mais revoltos depois que minhas mãos se instalaram ali minutos atrás.
— Eu apareci.
— É, você apareceu. E foi logo ditando ordens aos meninos e se preparando para partir sozinha e não me deixando me redimir, nem explicar o dia que cão que havia tido.
Por Deus, princesa! Não faça mais isso...
Seus olhos agora me olhavam com mais intensidade e clamor.
— Já conversamos sobre isso mais de uma vez.
Grite, Bella! Se exalte! Jogue algo em minha cabeça. Somente não saia sem falar comigo, nem me prive de ver ou falar com você.
Princesa, eu já passei por isso. E é desesperador não ter notícias suas. Minha sorte, dessa vez, é que Stephan, mesmo irritadíssimo comigo, foi caridoso e me atualizou sempre do paradeiro de vocês.
Eu quase fiquei maluco, princesa. Não faça mais isso comigo, por favor... Por favor...
Escondeu o rosto em meu pescoço respirando fundo e inundando-se com meu cheiro e vitalidade.
— Eu estava brava e decepcionada. Não sei fazer essas coisas. Já devia saber disso.
Imagina o que senti quando o ouvi desdenhando da única coisa em que sou boa?
— Você tem noção do quanto absurdo isso soa? Por Deus, vida! Olhe só para Andrew e Liam? A única certeza que eles têm no auge de seus doze anos, prestes a serem engolidos por um mundo universitário, é que querem seguir os passos da mãe, os seus passos.
Segurou meu rosto entre as mãos me obrigando a encara-lo.
— E acho que isso também influenciou no meu rompante, confesso.
Eles são parecidíssimos comigo fisicamente, porém não cansam de mostrar a predileção quanto a você. E quem pode culpa-los? Você é incrível.
Só me resta sucumbir aos ciúmes de vez em quando.
— Isso soou doentio, você sabe. Além do mais, Lindsay não esconde que “o papai é o melhor de tooddoo o mundo”.
Imagina se eu perdesse o controle cada vez que escuto isso?
Acariciei seu cabelo tentando ajeita-lo no lugar.
— Eu sei... Já passou. Eu só estava irritado com Carlisle.
Diz que me perdoa? Se eu ver você sair por aquela sem estarmos bem...
— Eu já perdoei, Edward. Acha mesmo que me entregaria de corpo e alma se ainda estivesse chateada?
No momento em que entrou por aquela porta, todo abatido, com olheiras e com nossos filhos a tira colo, eu me rendi.
Você sabe mesmo como se redimir e fazer uma entrada triunfal.
— Leah ama minhas entradas sem avisar.
Fiz careta para o comentário dele.
— Não estava acontecendo nada aqui. Por Deus, Edward! Posso até implicar Stephan em relação a Jacob, mas é só implicância mesmo. Eu nunca seria capaz de...
— Eu sei... Confio totalmente em você.
Sorriu torto e voltou a puxar minha boca para sua.
— Eu te amo e sou o homem mais orgulhoso e sortudo que existe.
— Também te amo. E sou a mulher mais sortuda que existe também. Obrigada por sempre se redimir.
— Toda vez que eu errar, princesa, pode ter certeza que sempre voltarei atrás para me redimir. Eu aprendi a lição.
— “Setenta vezes sete”... Sempre estarei aqui para recomeçarmos.
Voltei a puxa-lo para mim num beijo cheio de sentimentos e entrega. Isso era relacionamento, casamento: Perdão, paciência, reconciliação e muito, muito amor.
— Senhora Cullen, lamento atrapalhar, mas sua apresentação começa em 10 minutos.
Tia? Bateu a porta.
Olhei inquisidoramente para Edward.
— Alguém precisa cuidar de Lindsay à noite. Quero você só para mim. Nosso avião só parte amanhã de manhã.
Deu de ombros, como se aquilo não fosse nada importante.
— Já estou indo, Tia. Obrigada!
Respondi, já me desvencilhando dele, e procurando a bolsa, pronta para retocar a maquiagem e ajeitar os cabelos.
Edward não se mexeu, contudo, seus olhos não se afastaram de mim, nem por um segundo enquanto seguia meu percurso.
— Edward?
Chamei já da porta do banheiro.
— Hum?
Respondeu preguiçoso, tranquilo, feliz... Quase que em paz, eu diria.
— O exército, a marinha e a aeronáutica formam excelentes médicos, sabia? Vou cuidar disso.
Os meninos farão tudo do jeito que manda as tradições do reino. Tenho certeza de que também é a intenção deles, uniremos o útil ao agradável.
É só questão de conversar, não gritar e se impor.
Ele não respondeu. Somente acenou em concordância e sorriu lindamente para mim.
Nós sabíamos, na profissão que escolhessem, nossos filhos seriam brilhantes. Exatamente como o pai e a mãe deles. Porque o amor e o respeito pela família eram nossas prioridades em relação à educação deles.
Então, é certo de que seriam os melhores onde quer que fossem...
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