Três Príncipes, Três Princesas
45 Descontando, agora, na pessoa certa
Naquele mesmo dia em Forks...
Charlie
— Você não vai. Deixe de ser teimosa. Eu já disse que não. E não é não, entendeu?
— Ah! Mas, eu vou sim. Quero ver o que vai fazer para me impedir. Se não sabe sou independente, querido.
Baixei o jornal e passei a observar, atentamente, a discussão que se desenrolava, bem a minha frente.
Renée também abandonou a revista que lia. A diversão do dia começara.
— Olhe só para você, Rósalie? Uma viagem de avião, nestas circunstâncias, seria imprudente. Você não vai e pronto. Está decidido.
Minha linda filha, se deu uma olhado de cima a baixo. E fechou a cara, em desgosto pelo que ouvira.
Segurei uma risada. Aquele garoto estava procurando por uma boa briga e acabara de encontrá-la.
— Não estou vendo nada aqui que me impeça de ir. Estou saudável, inteira e, aliás, muito gostosa. Estou grávida e não doente, senhor Emmett Cullen. E eu vou sim. Quero vem quem vai me impedir.
Ambos, deram mais alguns passos até adentrarem totalmente a nossa biblioteca. Meus minutos de sossego haviam acabado.
— Isso! Você disse o que eu queria ouvir. Você está grávida, Rose. E não colocará meu filho em risco.
— “Seu filho”, uma pinoia. “Nosso filho”. E estou indo trabalhar, Emmett. Não, a uma guerra. Quantas vezes vou precisar esclarecer que não haverá perigo? Pai...
Respirei fundo e levantei as sobrancelhas. Ela queria mesmo que eu me envolvesse na briga?
— Ok. Será que algum de vocês poderia me dizer o que está acontecendo? Mas, por favor, em voz baixa. Porque, a essa altura, aposto que até Esme já sabe que estão brigando. Dá pra escutar os gritos lá de Pushian. Quiçá, de Ângelus.
Frustrada e gemendo de contrariedade, minha garota, sentou-se do lado da mãe e cruzou em braços fortemente.
Emburrada.
Tão diferente das irmãs.
— Emmett e suas ignorâncias, papai. Estou finalizando dois carros e preciso ir até a Itália para a revisão final. Mas, esse “cabeça de melão”, não entende isso. Explique para ele, meu rei, minha condição. Já que o senhor passou por isso três vezes. E aproveite e esclareça-o também, que ninguém manda em minha vida.
— Rósalie, mantenha seus modos. Foi isso que aquela escola cara te ensinou? Se for, agradeço a Deus por só ter desperdiçado meu dinheiro com Alice e você.
— Pai, não mude o foco, por favor. Estamos falando de o senhor chamar a atenção de Emmett.
— Quieta, mocinha. Seu pai tem razão. Hora de escutar. Não é gritando que se resolvem as questões.
Renée a repreendeu e Emmett sorriu.
Rá! Se ele achava que estávamos do seu lado, se enganara completamente. Rosie era uma força da natureza e para contê-la, somente com muito tato. Ele tinha tanto que aprender...
— Emmett, você sempre soube do trabalho de Rosie. Ela é independente, sempre foi. Não se pode domar um espírito livre, temos que acompanhá-lo. Ela ainda está no início da gravidez, não tem perigo. Está tudo bem. Deixe-a ir.
Rosie sorriu para ele como uma criança que briga com irmão e depois dedura tudo para o pai que, obviamente, escolhe o outro lado para castigar. Só que ela se esquecera de que eu tivera três filhas e já estava acostumado a me livrar dessa situação.
— E você, Rósalie Swan. Resolva seus problemas. Não é porque moram conosco aqui, que tem de nos deixar a par de cada briguinha boba de vocês. Explique as coisas a seu marido. Diga a ele a importância de sua ida até a Itália. Lhe informe de seus contratos e deixe-o saber que a viagem é tranquila e que o avião já pousa na fábrica. Aliás, convide-o para ir com você, para que possa ficar mais seguro. Ele só está sendo superprotetor. Igualzinho eu fui, quando sua mãe engravidou.
Os dois permaneceram estáticos e muito envergonhados. Eu, mais uma vez, alcançara meu objetivo.
— Vamos, Renée. Esses dois precisam conversar a sós. Se resolvam é uma ordem.
Peguei minha mulher pela mão e a levei até nosso quarto. Eu queria mais uns minutinhos de sossego.
— Será que algum dia, eles vão crescer?
Abracei-a e afundei meu rosto em seu pescoço. Renée, tinha um cheiro delicioso de lar.
— Rosie é muito estressada e Emmett ainda não aprendeu como se joga com ela. Acho que só o tempo os colocará nos eixos.
As mãos dela estavam em minha gravata, já desfazendo o nó. Ela sempre sabia do que eu precisava.
Algo me dizia que eu me atrasaria.
— Falando em, “só o tempo”, conseguiu falar com as meninas? Desde ontem eu tenho tentado e, nada.
Indaguei soltando- lhe os cabelos, que eu tanto amava. Renée era linda, sempre foi. Eu me arrependia tanto...
— Não. Falei somente com Esme e ela disse que elas haviam saído cedo. Fiquei tentada a ligar no hospital e no ateliê, meu coração de mãe não me engana, Charlie. Alice e Bella não estão bem.
Tentando acalmá-la de algo, que eu mesmo cuidaria mais tarde, passei a beijar seu rosto e a acariciar sua pele sedosa, por debaixo da blusa.
— Nossas garotas então bem, minha rainha. Aqueles garotos não seriam malucos o bastante, para fazê-las sofrer. Elas estão bem, fique tranquila. Cuidarei disso mais tarde. Agora, que tal me dar um pouquinho mais atenção, hein?
Levei as mãos mais para cima, acariciando, exatamente, onde sabia que ela amava: os seios.
— Eu te amo, meu rei.
— Assim com eu te amo, minha rainha.
E alcançando meu objetivo de distraí-la, a levei para nossa cama e renovei a ela todas minhas promessas de amor eterno. Porque, se tinha uma coisa de que eu tinha certeza, é de seria devoto a essa mulher por toda minha vida.
Eu lhe devia isso afinal de contas.
Emmett
— Rosie?
Merda... “A bonita” resolvera me ignorar agora. Eu odiava quando ela olhava para as unhas como se elas fossem a oitava maravilha do mundo. Isso me deixava louco.
Porra! Eu só queria que ela ficasse quietinha em nossa casa.
— Ok, meu amor. Você venceu. Perdoe-me por ter gritado e agido como um ogro.
Ceder sempre era o melhor nessas circunstâncias. Eu teria que me lembrar de ensinar isso a Edward, para quando Isabella estivesse grávida e com os hormônios a controlando.
— Mas, é que você e meu filho são...
— “Filha”, seu bobão.
— Hã?
Eu vivia um aturdimento contínuo. Ela mudava da água para o vinho. Eu não estava me desculpando ainda agora?
— “Filha”, Emmett. Nós teremos uma filha. Eu já te disse isso um milhão de vezes. Por que você não me escuta?
Ainda tinha mais essa. Nós não havíamos visto nada no último ultrassom, mas, minha linda esposa, estressada pelos hormônios dos infernos, insistia que era uma menina.
— o bebê da mamãe, é uma linda garotinha. Não é, meu amor? Eu sei disso.
Aproveitei que ela estava distraída acariciando e conversando com a barriga e, sorrateiramente, me aproximei e sentei ao seu lado. Era a minha chance de fazer as pazes.
— Princesa, não tem como saber ainda. Nosso bebê ainda é muito pequeno, apesar de ser teimoso como você e...
Merda! Eu e minha boca grande. Aquele olhar congelante dela, esfriava até minha alma.
— Quer saber, Emmett Cullen? Vá trabalhar. De preferência do outro lado do mundo. “Minha filha”...
Deu ênfase ao “minha filha”. Quando será que eu aprenderia a não contrariar Rósalie grávida?
— E eu, estamos cansadas de você e suas ignorâncias. E no mais, precisamos fazer nossas malas. Porque, a Itália nos espera. Agora suma da nossa frente, antes que eu vomite no seu pé.
E com aquele jogar de cabelos, que me deixava “duro”, só de pensar, ela se afastou.
Maldita mulher gostosa, que Charlie me arranjou. Será que pirraça era de família? Mais uma coisa a perguntar a Edward.
Ah, mas, se ela achava que viajaria sozinha, estava muito enganada. Se Rosie era teimosa, eu era duas vezes mais.
Charlie Swan era o melhor sogro de todos. Ele me dava cadas ideias.
Porque Itália, aí vamos nós.
De volta a Ângelus...
Jasper
Maldita! Maldita! Maldita, mulher.
Esfreguei a mão na “porra” da ereção, que não baixava, e soquei com violência o volante.
Quem ela pensava que era?
Uma princesinha de merda. Nada mais que isso. Igual, ou melhor, que ela eu tinha aos montes, a meus pés a hora que quisesse. Era só estalar os dedos e elas caiam do céu.
— Isso, Jasper Cullen. Se engane. Se engane que dói menos.
Não, não era isso que Isabella era. A quem eu estava tentando enganar?
Somente, o idiota do meu irmão, que não percebia a “fera deliciosa” que tem nas mãos.
Ela me bateu. “Puta merda”! Alguém poderia imaginar uma coisa dessas? Ela me estapeou e me deixou mais louco de desejo ainda.
Que vontade que deu, de jogá-la naquela mesa e rasgar cada peça que escondia aquele corpo gostoso.
— Chefe, vá mais devagar. Você vai ser autuado se continuar a dirigir nessa velocidade.
Só para mostrar quem mandava acelerei mais. Queria ver quem teria peito de me parar e multar. Aquele reino era meu e todos me deviam obediência. Já passara da hora deles compreenderem isso.
— Ah! Mas, Isabella ia se ver comigo. Isso não vai ficar assim.
Voltei a conversar comigo. Minha cabeça um turbilhão, imaginando cada coisa que faria, quando a pegasse de jeito.
Ela havia se negado a mim e ainda me batido. Eu estava puto e louco, ao mesmo tempo. Eu queria, mais ainda, aquela gostosinha.
— Pense, Jasper. Pense. Você tem tempo. Ela e Edward não vão voltar. Você viu o estrago que ele fez ontem.
Eu tinha noção que parecia um lunático, falando sozinho. Porém, nem me importei. Eu precisava externar minhas frustrações.
— Recue, Jasper. Recue. Um bom estrategista sabe a hora de dar um passo para trás. Você não está desistindo, só adiando o inevitável. Isso não é vergonhoso para ninguém. É digno dos fortes.
Conjecturei, enquanto minha visão periférica captava, meu segurança esbugalhar os olhos e se segurar mais firme ao banco.
— É isso, recuar e mudar de tática, outra vez. Você sabe o que fazer, Jasper.
Voltei a falar, ao mesmo tempo em que virava o volante de uma vez para a esquerda, e freava bruscamente, parando em frente ao trabalho de Alice.
Eu já tinha um plano.
— Alice?
Perguntei a todos e a ninguém especificamente, a recepção estava lotada, creio que, de funcionários e não funcionários. Nem me preocupei com quem eram aquelas pessoas, não era minha obrigação ser gentil.
— Na sala dela, senhor.
— Alteza...
Corrigi a secretária tonta, que se dirigiu a mim. Já que teve a audácia, que fizesse aquilo direito.
— Oh! Perdoe-me, alteza. Sim, a princesa está na sala dela. Quer que eu lhe acompanhe, alteza?
— Eu sei o caminho.
Voltei a cortar a intrometida, já a passos rápidos de meu objetivo.
— Jasper?
Entrei sem bater, a assustando um pouco.
Os olhos dela estavam inchados e um pouco vermelhos. Ela havia chorado.
Isso era bom. Muito bom.
— Aconteceu alguma coisa?
Ela me avaliava, já se afastando de sua mesa de desenhos e vindo a meu encontro.
Dócil e preocupada. Como eu gostava Custava a irmã ser igual?
— Aconteceu, Alice. Aconteceu que ainda estou morrendo de raiva de você. E isso não é nada bom. Porque, consigo me concentrar no trabalho quando estou assim.
Sem medo, o que era natural e características das Swans, ela se aproximou mais e parou a minha frente. Como um cachorrinho de estimação.
Quanta diferença de Isabella. Se elas fossem só um pouco parecidas, creio que até suportaria Alice.
— Eu sei, meu amor. Por isso, queria me desculpar. Mas, você não quis ouvir. Não gosto de ficar brigada com você, Jasper. Faz do meu dia “uma merda” também.
— A culpa foi sua, inteiramente sua. Por me esconder as coisas.
Fingi mágoa, porque, a princípio a não gravidez dela, parecia um presente dos céus. Porém, com a relutância de minha futura rainha, agora eu voltara ao plano original.
— Eu sei, Jas. Eu sei. E me sinto mal por isso. Eu não queria ter mentido, mas, na hora, pensei que não parecia certo um filho.
— E decidiu isso sem nem se importar com o que eu achava? Isso não foi certo, Alice. Acho que não tem mais solução para nós. Deveríamos nos separar enquanto ainda resta um pouco de respeito em nosso relacionamento.
Levei as mãos aos cabelos e respirei fundo, fingindo cansaço. Isso a afetaria e me renderia um Oscar.
— Não! Por favor, Jasper? Eu te amo tanto. Te amo e...
— Também te amo, Alice. Porém, não acho que serei capaz de conviver com uma esposa que mente e trama pelas minhas costas.
Virei e encenei uma saída. Eu a faria rastejar. Era isso que todas as mulheres deviam fazer por mim e não o contrário.
Maldita, Isabella!
— Não, Jas. Por favor, eu prometo nunca mais fazer isso. Eu te amo. Amo demais, não fale, não pense em separação, jamais.. Eu faço tudo o que quiser. Diga-me, meu amor, o que quer de mim? E será seu. Só não pense em separação.
Agora sim. Jasper estava de volta à luta e, dessa vez, para ganhar.
— Um filho, Alice. Eu só quero um filho para abençoar nosso lar, nosso casamento. Mas, não vou te pressionar. Você acha cedo e eu entendo. Então só me resta deixar que siga sua vida e eu seguirei a minha. Sofrerei muito, não minto. Mas, será o melhor para nos dois. Talvez, um tempo, seja do que precisamos agora.
— Não, Jas. Espere...
Usando de suas mãos ela me virou para si. Eu podia ver o desespero em seus olhos. Eu ganhara mais uma.
Grande Jasper!
— Um filho, amor. É isso que você quer e é isso que lhe darei. Perdoe-me por ter sido imatura e medrosa. Não percebi o quanto isso era importante para você. Mas, isso acaba agora, amor. Só tomei o contraceptivo uma vez e já faz mais de um mês. Estou limpa, meu rei. Completamente limpa, para você.
Com um sorriso de vitória, a observei se voltar para a mesa e jogar todos os papéis ao chão.
— Um filho, meu rei. Vou te dar um filho, como prova do meu amor e garantia do seu perdão.
Acompanhei, deliciado, ela retirando os sapatos e as mãos finas e delicadas, já abrindo o zíper da saia.
— Me dê um filho, Alice, e te darei o que quiseres.
Fui até ela e a coloquei em cima de seu objeto de trabalho. Ele seria a única testemunha de meu maior passo rumo a maior vitória de minha vida.
Edward
Chega! Eu não podia mais esperar. Estava me matando a má vontade de meu irmão. Onde “aquele imbecil” estava que não vinha para cá? No hospital ele não estava mais, eu me certificara disso.
— Aonde vai?
— Esperar Jasper, na sala dele.
Stephan se retesou e fez menção de me seguir. Eu não podia culpá-lo por estar sendo tão grudento. Eu estava fora de controle ultimamente.
— Não, Stephan! Fique aí. Preciso fazer isso sozinho. Essa conversa é entre meu irmão e eu.
O parei. Eu não precisava de uma babá. Não quando o assunto era Jasper. Agora, quando estivesse com Bella, talvez eu precisasse mesmo de alguém para me controlar.
— Não faça muita besteira, Edward. Seu pescoço está por um fio. Sua mãe e sua esposa não suportarão muito mais de suas asneiras.
— Não farei, pode ficar tranquilo. Estou consciente de meus atos. Não matarei Jasper, por enquanto...
Ele gargalhou alto. Às vezes eu me perguntava se Stephan era mais amigo ou mais colaborador. Grande dúvida.
— Alteza, príncipe Jasper não chegou ainda. Ele nunca se atrasa, mas hoje... Não sabemos o que aconteceu. Por isso, não o avisei ainda, que o senhor o aguarda.
— Eu sei, não precisa se desculpar. Resolvi esperá-lo aí dentro.
Apontei para a porta e adentrei, deixando uma secretária amedrontada para trás. Jasper tinha o costume e o gosto por aterrorizar seus subordinados. Será que isso o dava a impressão de maior poder?
Babaca! Ele se veria comigo.
Minha primeira reação ao notar que meu celular tocava, e que a origem do número era do consultório de Bella, quase sorri, achando que tinha alcançado meu objetivo com as flores.
Santa inocência e ingenuidade!
Bella não se renderia por tão pouco. Eu já devia esperar por isso.
Minha princesa tinha personalidade.
E me provara isso de novo. Porque, nunca que eu imaginara que ela me surpreenderia tanto. Ela me mostrava, mais uma vez, que o otário da relação, era, realmente, eu.
Bella caíra numa emboscada. Meu irmão arranjara a desculpa perfeita para acuá-la. E ela se saíra da melhor maneira possível. Jasper havia escutado umas boas e ainda apanhado.
Ah! Como eu queria ter estado lá.
E para minha total alegria, ela ainda me deixara participar daquela balburdia. Eu teria que me desculpar com Sam, mais uma vez. O segurança de Bella merecia um prêmio.
Ao atender ao telefone, eu quis correr para o hospital e esmurrar Jasper na frente de todos. Eu poderia matá-lo por desejar tanto o que era sagrado e meu.
Porém, dessa vez, pensei melhor. Ainda ontem eu envergonhara minha garota na frente de seus companheiros de trabalho. Eu não cometeria o mesmo erro, duas vezes.
Eu agiria aqui, em minha zona de conforto. A conversa seria entre ele e eu. Nós nos acertaríamos. Sozinhos.
Mas, se por um minuto, achei que Bella havia me dado um voto de confiança e me perdoado. Essa esperança veio abaixo, quando saí de minha sala e dei de cara com Zafrina, portando as flores que eu havia mandado para ela hoje mais cedo.
Acho que essa indesejada surpresa também me refreou de ir ao encontro de Jasper no hospital. Lembrou-me do quanto Bella estava chateada e decepcionada comigo.
— Ela manda dizer que “odeia branco”.
Stephan rira de minha cara de horror, quando arqueei as duas sobrancelhas e fiz careta.
Odiava nada. Eu a conhecia. Cheguei a sorrir tamanha minha ingenuidade e birra de minha gatinha. Não seria fácil. Eu havia ultrapassado todos os limites possíveis.
Quando me ignorou hoje de manhã, eu já devia saber que estava mais enrolado do que pensava.
— Eu não desistirei, princesa. Não desistirei. A conquistei uma vez e farei isso quantas vezes forem necessárias. A vencerei pelo cansaço, ou não me chamo, Edward Cullen.
Murmurei enquanto ia até o sofá, da sala de Jasper e me sentava.
— Otário e invejoso. Como pude me enganar tanto com você, irmão?
Discorri ao contemplar a minha frente, pendurada na parede, uma foto enorme dele e Alice juntamente comigo e Bella e Emmett e Rosie, no dia de nosso casamento. O que aquilo fazia ali? Era nova, ou eu nunca a notara antes?
Senti a bili vindo a garganta e quis vomitar imaginando quantas vezes ele já havia desejado minha esposa.
— Ah, Jasper...
Aproximei-me da foto a observando melhor. Se bem que eu não poderia julgá-lo totalmente. Bella era linda mesmo.
Eu tinha uma foto dessas em minha sala, quase que em tamanho real, porém, somente de nós dois, é óbvio.
E não foram poucas as vezes que peguei algumas pessoas, que eu recebia, admirando minha linda princesa.
— Minha...
Articulei, tocando a moldura fria.
— Conversando sozinho, irmão? Isso é sintoma de loucura sabia?
Mudei de posição e me voltei para onde a voz, que no momento eu odiava, vinha.
— A que devo a honra de sua visita assim tão cedo?
Ao contrário do que imaginei, Jasper não parecia irritado e frustrado. Pelo contrário, ele estava feliz e até relaxado.
Seus cabelos estavam molhados e ele parecia... Huuum... Saciado? Ele havia tomado banho? O que estava tramando agora?
— Onde você estava, Jasper?
Perguntei já indo, a passos rápidos, a seu encontro.
— Não vejo porque disso ser da sua conta. Você tem problemas demais, irmão, para ainda se preocupar com minha vida.
Ele me deu as costas se dirigindo a seu lugar, atrás da mesa.
Idiota! Será que ele não aprendera em tantas aulas de autodefesa, que não se dá as costas ao inimigo. Ou talvez, ele só não me considerasse um inimigo.
O virei abruptamente e o peguei pelo colarinho.
— Não seja cínico, Jasper. Estou falando com você e quero que me ouça e me responda quando perguntar.
Sem dar chance para que ele se soltasse, o sacudi, com força e depois o soltei. Jogando-o por cima da mesa de centro.
O vidro se partiu em milhares de pedaços. O barulho foi alto, e era questão de segundos até que alguém invadisse a sala.
— O que é isso? Enlouqueceu, Edward? Veio descontar em mim as burradas que comete? Não sou seu alvo, seu bastardo.
Não o respondi. Não cairia em seu jogo. Eu só precisava lhe dar um recado.
Voltei para perto e agarrei pelas bordas do paletó, dessa vez.
— Não. Eu ainda não enlouqueci. Mas, estou bem perto disso. Aliás, creio que se tivesse mais perto do hospital, onde você esteve agora a pouco, com minha mulher, acho que teria enlouquecido. Porque, eu te mataria ali mesmo. Certeza.
Vi o exato momento em que a compreensão invadiu sua mente. Seus olhos se arregalaram.
Aquilo me corroeu mais. Ele tinha consciência que era totalmente errado.
Desferi-lhe um golpe de mão fechada, bem no olho direito, para marcar mesmo. E sem piedade o acertei, de novo, no nariz. O sangue jorrou instantaneamente.
— Porra, seu bastardo! Você quebrou meu nariz.
Dei de ombros, como se aquilo não fosse nada, e voltei a olhá-lo com ódio.
— Se aproxime de Bella outra vez e farei pior do que isso. Não é uma ameaça, é uma promessa, Jasper. Ouse a abordá-la, de novo, e quebrarei todos os seus dentes. Volte a chamá-la de “vadia” e farei Charlie condená-lo a morte. Deseje-a mais uma vez e arranco seu “pau”.
Sacudi as mãos, ajeitei as mangas da camisa, que havia dobrado quando resolvi o que faria com ele e voltei a alongar os braços.
— Isabela e eu estamos engatinhando em nosso relacionamento. Temos muito que aprender, mas, de uma coisa nós já sabemos: Depende de nós nossa felicidade, Jasper. Apesar de nossas divergências, somos cúmplices e temos a maior certeza do amor de um pelo outro. E ninguém, ouça bem, ninguém vai atrapalhar nossa reconciliação.
O chutei bem nas constelas, só para deixar o recado mais bem dado.
— Eu sempre saberei quando você agir e a retaliação, virá assim que nos encontrarmos, pode escrever isso. Isabella é minha, somente minha. E mesmo que não fosse, ela tem uma coisa que você não tem: índole. Ela ama Alice e a mim e nunca, faria algo que nos magoasse. Isso se chama respeito, seu idiota.
Satisfeito ao vê-lo atirado no chão e gemendo como uma mulherzinha, me dei por vencido.
— Agora você pode correr para os braços do papai, Jasper. Eu já dei meu recado. Diga a ele que estarei em minha sala se quiser falar comigo. Aliás, estou mesmo precisando conversar com nosso pai também.
— Isso terá volta, Edward. Pode esperar, porque terá. Eu tirarei tudo que mais ama.
Voltei a olhá-lo. De cima.
— Venha com tudo, irmão. Porque, minha família e eu, estaremos prontos.
Fale com o autor