Notas iniciais
Acabei mudando um pouco os meus planos e decidi adiantar esse capítulo, que eu só pretendia postar no final de semana. Ainda não é o momento que vai definir se a história vai pegar ou não. Eu sei que todos estão esperando o momento em que o BDSM vai realmente começar, mas isso ainda será no próximo capítulo, que será postado no final de semana, provavelmente domingo à noite. Eu o terminei agora a pouco, mas quero revisá-lo durante os próximos dias.

Capítulo 4 – Iniciação

— Eu não acredito que você não me contou que eles eram os tais administradores Tonks – Hermione gritou para sua amiga.

— Eu nunca poderia contar isso para você Hermione, não enquanto você não estivesse aqui entre nós.

— Porque não me disse antes de eu entrar?

— Porque não cabe a ela revelar nossas identidades para quem não faz parte do nosso estilo de vida – Snape respondeu para Hermione – Eu disse a você que era um erro trazê-la – Snape se dirigiu a Tonks dessa vez.

— Ela só está nervosa Severus. Nunca teria essa reação se fossem desconhecidos em vez de vocês – voltou-se a se dirigir para Hemione – Tente se acalmar está bem.

— Como você quer que eu me acalme, você tinha que ter me contado que eram eles – lágrimas caiam dos olhos dela diante da situação. Sua semi-nudez diante daqueles homens só aumentando a sensação de profundo embaraço.

— Hermione – Remus se dirigiu a ela pela primeira vez – Tente respirar com calma e afaste qualquer lembrança que possa ter sobre nós três dos seus tempos de Hogwarts. Garanto que ficará muito mais fácil para você absorver a situação.

— É que... foi um choque ver vocês três – ela disse.

— Esqueça isso Hermione – disse Remus – Você está segura aqui, posso te garantir que todos nessa sala só querem o melhor para você.

— Remus fala por todos quando diz isso, até mesmo pelo Senhor Morcegão ali – Sirius se dirigiu a ela, fixando os olhos enquanto levantava seu rosto delicadamente com os dedos – Você cresceu bastante desde a primeira vez que nos vimos. “A bruxa de 13 anos mais inteligente que eu já conheci”. Você lembra quando eu disse isso? Acho que hoje em dia devo reformular essa frase para “A bruxa de 21 anos mais inteligente que eu já conheci”.

Hermione corou ao ouvir aquilo, se Remus transmitia uma grande sensação de segurança e tranquilidade para ela, Sirius mostrava-se muito charmoso. Ambos também transmitiam uma grande sensação de autoridade. Hermione sentiu-se mais calma, até ouvir a voz de Snape outra vez.

— Agora que parece ter deixado a sua histeria de lado Senhorita Granger – disse Snape – creio que pode decidir se quer mesmo se iniciar no BDSM, caso contrário você é livre para ir. Pessoalmente eu a aconselho a fazer isso.

Hermione sentiu o seu rosto queimar de indignação. Difícil seguir o conselho de Remus diante daquela figura toda de negro. A postura arrogante e depreciativa dele trazendo a tona todos os momentos de rispidez e brutalidade da época dos estudos. Hoje em dia ela tinha consciência de que tudo era parte do jogo extremamente perigoso que Snape participou. Ele precisava agir daquela maneira, desde que a volta de Voldemort se tornou uma possibilidade mais do que viável. Ainda assim, doía lembrar todas as humilhações que ele fez ela, Harry e Ron passar.

— Eu ainda quero me iniciar no mundo BDSM...Senhor – A ênfase com que ela disse essa última palavra nada tinha da estudada humildade com que ela tinha sido dita nas vezes anteriores, e isso certamente não passou desapercebido por ninguém naquela sala.

Hermione viu os administradores se encaminharem para o fundo da sala e sentarem em cadeiras que lembravam tronos. Tonks juntou-se a eles após uma quarta cadeira ser conjurada por um feitiço de Snape, que fez um sinal para que Hermione se aproximasse. Durante quase uma hora ela ficou em pé, respondendo diversas perguntas que lhe foram feitas pelos três administradores. Tonks nada disse durante esse tempo. Hermione olhou para ela em diversos momentos, meio que buscando algum apoio durante algumas das perguntas mais incômodas, mas ela se manteve fria e distante. Após o fim da sessão de perguntas eles se levantaram, dirigindo-se para uma outra sala.

— Você deve ficar aqui e nos esperar enquanto decidimos o seu caso – disse Snape – Não sei quanto tempo vamos levar para ter uma decisão, mas se você não esperar exatamente onde está, será como se tivesse decidido renunciar a sua aspiração de ser uma submissa em nossa comunidade – os quatro entraram na sala contígua após ele falar isso.

Uma hora se passou e Hermione ainda esperava uma decisão. Em diversos momentos ela considerou sair pela mesma porta em que entrou e ir embora daquele lugar. Ela pensou no quanto poderia estar fazendo um papel ridículo, indigno mesmo, estando parada ali. Suas pernas doíam, contando a sessão de perguntas com a espera, já estava naquele mesmo lugar a quase duas horas. Hermione sempre foi uma pessoa muito prática. Desde pequena sempre teve na sua grande inteligência o principal aliado em suas decisões. Durante os momentos que cogitou ir embora, sempre foi a sua inteligência que a fez perceber a razão de estar naquele local, entender o que esperavam dela. No embate entre suas emoções pessoais e sua inteligência, essa última sempre prevaleceu. Não ia ser agora que seria diferente. Pouco importa que tivesse de esperar a noite inteira de pé, ela não sairia daquela sala sem uma resposta. Meia hora depois, a sua persistência foi recompensada. Ela ouviu a porta da sala contígua ser aberta, e os quatro que estavam decidindo parte de seu futuro voltarem. Todos se sentaram em seus lugares e a encararam.

— Nós decidimos que vamos aceitar o seu pedido para ser introduzida no estilo de vida BDSM, Hermione – Com sua voz calma e que lhe transmitia uma grande segurança, Remus deu essa notícia. O sorriso dela foi intenso.

— A partir de agora você será uma submissa em treinamento na nossa comunidade – Agora era Sirius quem falava. Ao contrário de Remus ele transmitia, sensualidade e perigo, algo que afetava Hermione mais do que ela gostaria de admitir – Uma das funções de nós administradores é treinar os aspirantes a submissos, então você pode escolher qual de nós é o mais adequado às suas necessidades – O sorriso cafajeste dele ao dizer isso causou um misto de emoções conflitantes para Hermione – Você também pode escolher a Tonks, embora o talento dela se revele melhor em submissos homens.

— Eu... há... eu não sei muito bem como fazer essa escolha – disse Hermione.

— Não nos acha dignos de treiná-la? – A voz de Snape seguia cortante como sempre.

— Não é isso... Senhor, eu... – Hermione evitou o tom de voz da última vez que o chamara de “Senhor” – Eu não sei qual dos três devo escolher para me treinar. Me desculpem.

— É uma situação inusitada – disse Remus – Normalmente se escolhe um dos administradores para essa função. Talvez o fato de você nos conhecer desde pequena crie certas dificuldades.

— Nós podemos fazer essa iniciação com ela... juntos – a voz de Sirius se fez ouvir bem firme – Pelo menos nessa primeira seção. Vai dar uma boa idéia sobre com quem ela se sente mais a vontade, o que deverá facilitar a sua escolha.

— Eu não tenho oposição a essa idéia – disse Remus – E você Severus? – Hermione viu os olhos negros e frios cravados nela e tremeu. Se Remus lhe passava grande segurança, Sirius uma excitante sensação de perigo, Snape a fazia se sentir aquela garotinha de Hogwarts, ansiosa por agradar ao professor.

— Recue 5 passos em direção ao centro da sala – ele disse, e ela obedeceu com mais rapidez do que gostaria. Ele veio em sua direção, os outros dois logo atrás – Um Mestre de verdade não é alguém que se limita a gritar ordens e xingamentos. Não é alguém que aproveita qualquer oportunidade para extravasar sua violência.

— Um Mestre de verdade oferece segurança, proteção – emenda Remus – Sua função é guiar e ensinar.

— Um verdadeiro Mestre faz de sua escrava a criatura mais feliz do mundo – agora era Sirius que falava – Um Mestre de verdade faz com que sua escrava se sinta orgulhosa de sua condição.

Hermione não conseguia desgrudar os olhos daqueles três homens à sua frente. Eles estavam bem perto dela agora, mas não a tocaram, uma parte dela ansiava por isso. Deveria tomar a iniciativa? A idéia passou pela sua cabeça tão rápido quanto foi descartada. Seria inapropriado da parte dela, agora que a tinham aceitado com submissa em treinamento. Eles a olharam firmemente e ela corou ao se dar conta que estavam analisando o seu corpo semi-desnudo. Eles ficaram assim por mais de um minuto e então voltaram a sentar em suas cadeiras. Foi nesse momento que Hermione percebeu, Tonks ficara o tempo todo sentada.

— Você deve aprender que a primeira exigência a ser feita a uma submissa em treinamento diz respeito a sua postura – disse Snape – Você terá de mudar essa postura daqui por diante, seja na maneira como olha para os Mestres e Mestras que encontra, mas também na maneira como se dirige a eles.

— Eu estou pronta a mudar a minha postura, Senhor – disse Hermione.

— O que você acabou de fazer diz exatamente o contrário, sua garotinha tola – Hermione fechou os seus olhos ao ouvir aquele insulto. Por um momento ela se viu novamente em Hogwarts, na sala de aula de um certo professor de Poções – Você não foi autorizada a falar. Uma submissa de verdade só fala quando previamente autorizada pelo Mestre que a está treinando. Espero que seja a última vez que isso aconteça.

— Snape tem razão, Hermione – agora era a vez de Remus falar – a sua postura terá de mudar. Você não poderá mais olhar para um Mestre ou Mestra, direto nos olhos. Na verdade, de agora em diante, você deverá manter os olhos voltados para o chão, em sinal de humildade e respeito. Você entende isso?

— Sim Senhor, eu entendo – ela disse, já mantendo os olhos abaixados.

— A função de um Mestre é guiar a escrava na sua jornada para se liberar de todas as convenções – Sirius está falando agora – Um Mestre deve forçar os limites de sua escrava, não como forma de satisfazer seus desejos egoístas, muito menos dar vazão ao seu caráter abusivo. Um Mestre de verdade não é um opressor. Ele é um guia, um protetor, alguém que deve ser capaz de inspirar uma confiança absoluta em sua escrava. Tirar dela todos os medos e pudores. Torná-la verdadeiramente livre, em sua submissão – ele utilizou sua mão para levantar o rosto dela – Você é capaz de confiar em nós para isso, Hermione? Você confiaria em nós para guiá-la por um mundo novo? Você gostaria que ser conduzida por nós a esse mundo de liberdade na submisão, da dor levando ao prazer?

— Eu... eu não... eu gostaria muito... Senhor – ela disse, incapaz de fugir àquele olhar perigoso e excitante. Sirius afastou-se dela, fazendo-a suspirar em frustração por perder o contato com seus olhos.

Remus se aproximou dela novamente. Colocando suas mãos nos ombros dela. Não havia perigo nos seus olhos, muito ao contrário, eles transmitiam toda a segurança do mundo para Hermione. Ela sorriu para ele.

— Você está pronta para enfrentar os seus medos e pudores, Hermione? – ele perguntou.

— Sim Senhor, eu estou. Eu... eu quero muito – ela respondeu, quase sussurrando, os olhos abaixados como lhe foi ensinado. Ela sentiu um arrepio em sua pele quando a mão dele deslocou-se suavemente do ombro para o rosto. Ela voltou a encarar o olhar de um Mestre. O contato também durou brevemente, com ele voltando para o lugar onde estava sentado.

Hermione continuou parada no centro da sala, seu coração batendo acelerado. Os olhos mantendo-se abaixados enquanto esperava a abordagem de Snape. Ela viu a capa negra vindo em sua direção. Se Sirius transmitia uma mistura de perigo e excitação, Remus uma grande segurança, em relação a Snape, ela tinha uma série de sentimentos conflitantes. Ela tinha medo dele, pois a fazia sentir-se uma garotinha ávida por aprovação. Sentiu a mão dele agarrando seus cabelos, forçando a inclinação de sua cabeça. Não havia a suavidade de Remus, nada da sensualidade de Sirius. Ela encarou aqueles olhos negros e frios, o rosto rígido e hostil, mas nada era mais intimidador que aquela voz que era quase um sussurro. Uma lembrança que a fazia estremecer de embaraço, pois se deu conta do quanto o medo estava misturado com uma grande excitação.

— É hora de sabermos se você é realmente uma submissa nata. Se pode mesmo se tornar uma escrava capaz de deixar qualquer Mestre orgulhoso, ou se você é apenas uma garotinha tola mesmo. Uma tola inconseqüente, apenas em busca de prazer vulgar, através de uma fantasia retorcida – ele manteve a cabeça dela inclinada por mais algum tempo, seus olhares se encarando. Ele a soltou e ela baixou os olhos, encarando os pés dele agora.

Ela viu Snape se afastando, mas não voltando para sua cadeira. Remus e Sirius se levantaram e os três homens ficaram parados a poucos passos dela. Tonks se mantinha sentada, parecendo alheia a tudo.

— Dispa-se – a voz de Snape soou firme aos ouvidos dela e Hermione sentiu seu coração dando um salto. Ela olhou para Tonks, mas esta se manteve indiferente em sua cadeira. Olhou para Remus em busca de ajuda, mas foi a voz de Snape que se fez ouvir novamente – Talvez ela seja mesmo uma perda de tempo. Porque você procura uma ajuda que não virá, quando a única atitude a tomar é obedecer?

— Ele tem razão, Hermione – disse Remus – Você deve decidir o que realmente está buscando. Não estamos aqui para satisfazer uma fantasia sua, estamos aqui para adestrar você, para treiná-la e domesticá-la.

Ela levantou a perna esquerda e começou a tirar o sapato, fez o mesmo com a perna direita. Suas mãos foram para as costas e ela tirou a parte de cima da lingerie, deixando os seios à mostra. Inclinou o seu corpo e tirou a meia da perna esquerda, fazendo o mesmo com a meia da perna direita. Ela endireitou o seu corpo, manteve os olhos abaixados, mas não havia humildade neles. Sua face estava corada, os bicos dos seios estavam duros, havia fogo no olhar. Muitos sentimentos conflituosos misturavam-se dentro dela. Em parte sentindo-se humilhada, em parte embaraçada, Hermione não conseguia evitar de perceber que também estava excitada ao ver seus limites morais sendo forçados. Expor a sua nudez dessa forma não era algo a que estivesse acostumada.

— Você sempre foi considerada inteligente – disse Snape – Será que houve exagero nisso? O que o termo “dispa-se” significa para você?

Ela fechou os olhos por um segundo. Não iria chorar, não daria esse gosto a ele. Nunca deu na época da escola. Hermione inclinou o seu corpo novamente. Seus dedos fecharam-se em torno da calcinha que estava vestindo e no instante seguinte lá estava a peça no chão. Ela se ergueu, buscando ao máximo manter sua dignidade, mesmo mantendo os olhos abaixados. Sua nudez estava totalmente exposta agora. A lembrança de que, até então, só dois homens a tinham contemplado assim, após se tornar uma mulher, passou rapidamente pela sua cabeça. Pensar em Ron e Vitor, no entanto, pouco ajudou em relação ao seu embaraço.

— Tanta coisa a ser aprendida – disse novamente Snape – Você se despiu com raiva, como alguém respondendo a um desafio. Não é isso que se espera de uma verdadeira escrava. Ela tem um longo caminho em seu treinamento como submissa.

— É verdade – disse Remus – E é nosso dever garantir que ela siga esse caminho.

— Ela seguirá – agora era a vez de Sirius falar – Snape tem razão Hermione. Você se despiu com raiva. Em vez de fazer disso uma celebração, você transformou esse ato num desafio. Uma escrava se regozija quando seu Mestre manda que se dispa perante ele. Uma escrava não tem nada a esconder de seu Mestre, não tem nada a temer, nenhum pudor a embaraçá-la. Uma escrava é a criatura mais livre e feliz em todo o mundo – ele volta a levantar o seu rosto, seus olhos cravados um no outro – Você quer ser essa escrava, Hermione?

— Sim Senhor. Eu quero muito Senhor – ela respondeu, incapaz de escapar daquele olhar.

— Boa menina. Não se preocupe. Nós estamos aqui para isso. Você será uma escrava que deixará qualquer Mestre orgulhoso.

Eles passaram as outras duas horas instruindo Hermione em diversas formas de postura que se espera de uma aspirante a submissa. Ela aprendeu a responder perguntas de maneira apropriada, em quais momentos devia se manter calada. Teve de se ajoelhar diante dos Mestres e recitar vários tipos de orações que enfatizavam sua submissão e a alegria que sentia ao expressá-la. Ao final desse tempo ela foi deixada ajoelhada e nua no centro da sala e foram confidenciar em sussurros que eram praticamente inaudíveis para ela. Tonks saiu de sua posição, ate então omissa, e se juntou a eles na discussão. Foram alguns minutos de debate até o quarteto se aproximar dela. Coube a Remus tomar a iniciativa de falar.

— Numa das perguntas que lhe fizemos, Hermione, você respondeu que o seu primeiro despertar para o BDSM foi quando o seu então namorado Vitor Krun lhe deu um forte tapa no traseiro – disse ele – Você admite então que sente prazer em algum tipo de dor?

— Sim Senhor – ela respondeu.

— Nós decidimos verificar até onde vão os seus limites para a dor – disse Snape – Você terá uma palavra de segurança: “Fênix”. Você deverá dizer essa palavra quando atingir o limite até onde pode suportar. Você entendeu?

— Sim Senhor.

— Levante-se então – disse Sirius – Você deve nos acompanhar até a nossa câmara de disciplina.

Eles não esperaram que Hermione respondesse. O quarteto seguiu direto até a porta contígua na sala onde estavam. Remus abriu a porta e Tonks foi a primeira a passar, sendo seguida por Sirius e Snape, Remus os seguiu depois. A porta foi mantida aberta. Hermione levantou-se e caminhou em direção ao local que lhe foi indicado. Ela sabia que estava fazendo uma escolha definitiva em sua vida, mas não ia recuar. As horas que passou nesta sala só reforçaram a sua convicção de que estava tomando a decisão certa. Foi com essa certeza em mente que ela atravessou a porta e entrou na câmera. A lembrança do tapa que Vitor lhe deu no traseiro estava bem fresca em sua mente. Seu despertar para um mundo que ela começaria a explorar agora. Isso exigia coragem, e coragem ela tinha de sobra.